OSMO

Um serial killer com pretensões literárias está mergulhado na difícil e intrincada tarefa de contar sua história, quando é interrompido pelo telefonema de uma amiga que o convida para dançar. Esse é o ponto de partida do espetáculo que teve seus primeiros acordes no projeto Contos Brasileiros, realizado pelo SESC Pompéia, em 2010, que consistia em leituras de contos de autores brasileiros para estudantes de escolas públicas de São Paulo. “Lemos o texto para uma plateia lotada de adolescentes, e na conversa que se seguiu à leitura, ficou evidente o grande impacto e empatia desta obra aguçando ainda mais o nosso desejo de adaptá-lo para o teatro”, conta Donizeti.

Um dos contos do livro Fluxo-Floema (1970), OSMO ganhou adaptação de Susan Damasceno e Donizeti Mazonas. “O centro de nossa investigação está essencialmente ligado à palavra. Em Hilda, a palavra nada tem de literário, pois a palavra é corpo. Diante da força e complexidade de sua escrita, sentimo-nos desafiados a imergir nessa alquimia de instrumentos verbais e recriar os enigmas e imagens que brotam de sua literatura”, conta a diretora. “Hilda Hilst faz parte de nossas inquietações teatrais há muitos anos. Desde nossa estadia no Centro de Pesquisa Teatral – CPT, as cenas que construíamos para o projeto Prêt-à-Porter já tinham forte influência do universo literário desta autora. Em 2007 resolvemos adentrar definitivamente a escrita labiríntica de Hilda e levamos à cena A Obscena Senhora D, na qual eu atuava e o Donizeti dirigia”, complementa Susan.

Na montagem, Donizeti Mazonas é Osmo, um homem de meia idade, aparentemente sarcástico e amoral que vai pouco a pouco se revelando cada vez mais macabro. “Osmo é um anti-herói que busca compreender a dimensão da vida e da morte. Pensa unicamente em satisfazer os seus desejos, sem a interferência de uma moral que ponha freios aos seus instintos. Contudo ele busca em seus atos de horror a transcendência estética. Seu intento narrativo expõe tudo o que ele tem de humano, e isso implica percorrer os caminhos do bem e do mal”, explica o ator que tem se debruçado sobre a obra de Hilda já faz algum tempo. “Osmo foi o meu quarto trabalho a partir da obra dela. Em 2016, eu dirigi o espetáculo Floema, com dois atores que era uma adaptação minha da obra homônima da Hilda. Além do teatro, também fiz duas incursões através da dança: primeiro como diretor, de um pequeno conto chamado Teologia Natural e depois como dançarino, de uma novela chamada Rútilo Nada”, comenta Donizeti.

A encenação é pautada por uma cenografia sintética, com poucos elementos, onde a luz cria espaços e tempos da ação. Como toda a peça se desenrola dentro de uma banheira, uma vez que o personagem narra a sua história enquanto toma banho, a cenografia é constituída essencialmente por um cubo de acrílico, que faz às vezes dessa banheira. “A opção por este objeto em acrílico visa não somente à transparência, pois nele o corpo e a água podem ser vistos durante todo o tempo e em sua totalidade, mas essa transparência traz também inúmeros recursos de refração da luz, bem como de distorções do corpo”, diz Donizeti.

Um pouco mais atrás, na diagonal, um foco de luz ressalta a presença de uma mulher mais velha, cabelos vermelhos, olhos vazios, vestida apenas com uma combinação clara. A atriz Érica Knapp faz uma participação especial, sem dizer uma única palavra, mas presente durante todo o espetáculo.

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Osmo
Com Donizeti Mazonas e Érica Knapp
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 70 minutos
13/01 até 11/02
Quinta e Sexta – 20h; Sábado – 18h
Entrada gratuita (ingressos entregues com 1 hora de antecedência)
Classificação 18 anos
 
Texto – Hilda Hilst
Direção, adaptação, figurinos e trilha sonora – Susan Damasceno
Concepção, adaptação, cenografia e interpretação – Donizeti Mazonas
Iluminação – Hernandes de Oliveira
Fotos – Keiny Andrade
Produção – MoviCena Produções Artísticas
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Realização – Núcleo Entretanto, da Cooperativa Paulista de Teatro

 

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