YARA AMARAL – A OPERÁRIA DO TEATRO

Vinte e oito anos após a sua morte, chega às livrarias a obra “Yara Amaral – A Operária do Teatro“, do autor Eduardo Rieche. Ele reconstruiu a a extraordinária trajetória profissional da artista, através de uma narrativa que se confunde com a própria história do teatro brasileiro.

A atriz

Nascida em Jaboticabal (1936), passou sua adolescência no bairro do Belenzinho. Quando criança, quis ser professora de matemática, mas os caminhos do teatro amador à levaram até a Escola de Arte Dramática (USP), onde formou-se em 1964.

Yara começou a carreira no Teatro de Arena, onde participou de peças como “O Inspetor Geral” e “Arena Conta Tiradentes” (Gianfrancesco Guarnieri). Passou também pelo Teatro Oficina. Durante seus 50 espetáculos, foi agraciada com vários prêmios, entre eles, os três Moliére pelas peças Reveillon,  Eu Posso? e Sábado, Domingo e Segunda.

No cinema, estreou em O Rei da Noite (1975). Participou de outros sete filmes, entre eles A Dama do Lotação (1978), e Mulher Objeto (1981)

Na televisão, estreou na novela “O Décimo Mandamento” (1968), na TV Tupi. Participou também da TV Excelsior, até se mudar para a TV Globo, onde ficou conhecida nacionalmente pelo papel da insegura e neurótica Áurea na novela Dancin’Days (1978). Seu último papel na televisão foi na novela “Fera Radical” (1988).

Infelizmente, veio morrer tragicamente, aos 52 anos, por causa do naufrágio do barco Bateau Mouche, no réveillon de 1989, na Baía de Guanabara (Rio de Janeiro). O acidente vitimou dezenas de pessoas, e os responsáveis pela tragédia jamais foram punidos.

foto

O livro

A biografia escrita por Eduardo Rieche foi indicada ao Prêmio Cesgranrio de Teatro 2016, na Categoria Especial. Além de percorrer a carreira teatral de Yara, Rieche também mostrou a faceta de combativa da atriz. Ela participou de inúmeras campanhas para promover a dignidade profissional e melhorar a relação dos artistas com as empresas que os empregavam — a atriz lutou, por exemplo, pelo estabelecimento de horários alternativos nas salas de espetáculos e pela abertura de novos espaços.

Yara Amaral – A Operária do Teatro tem o prefácio assinado pelo ator, diretor e produtor cultural Sérgio Mamberti e é resultado de uma intensa pesquisa, que envolveu o depoimento de 105 personalidades e o mergulho em entrevistas da atriz, textos e programas de peças de teatro, artigos, matérias, documentos pessoais e registros audiovisuais. O texto — narrativa saborosa que compõe, de forma convidativa, um abrangente retrato da atriz — é acompanhado por cerca de 300 imagens, muitas delas nunca publicadas. São fotografias da profissão e da vida íntima, anúncios de espetáculos, programas, poemas escritos à mão e cartões que, juntos, ajudam a resgatar o brilho hipnótico que Yara emanava, dentro e fora dos palcos.

 

 

TRECHO

Yara Amaral costumava dizer que as personagens eram mais importantes do que ela. Sempre. Afirmava que o único poder que lhe interessava era o poder cênico. Não tinha compromisso com o não falhar; com a competência, sim. E competência, para ela, significava dedicar-se rigorosa e religiosamente ao seu ofício, em detrimento até mesmo de sua vida pessoal. Ao longo de 29 anos dedicados ao teatro, a busca obstinada pela excelência em seu trabalho converteu-se em uma de suas marcas registradas. A capacidade única de conferir densidade a personagens quase sempre complexas e limítrofes, dotando-as não só de sentido como de humanidade, era fruto de um trabalho árduo, contínuo e incansável, ao qual Yara nunca se furtou. Acreditava piamente no teatro de ideias, “mas nascido nas vísceras, com a peneira da razão”. Preocupava-se em construir suas personagens de dentro para fora, emprestando-lhes as próprias vivências, “indo até o fundo de suas almas”. Dona de uma apurada sensibilidade e de amplos recursos interpretativos, Yara Amaral logo se transformaria em uma das principais atrizes de seu tempo. Tornou-se querida e reverenciada pelos colegas, admirada pelo público e respeitada pela crítica especializada.

O AUTOR

Premiado ator e dramaturgo, Eduardo Rieche, 45 anos, participou de cerca de 30 espetáculos profissionais, dirigidos por nomes como Domingos de Oliveira, Moacyr Góes, Enrique Diaz, João Fonseca, Viniciús Arneiro, Ary Fontoura, Wolf Maya, Regina Miranda, Sílvia Monte, Henrique Tavares, João Batista e Márcio Vianna, entre outros. Em 2006, sob os auspícios da Funarte/MinC, foi o pesquisador responsável pela exposição Yara Amaral por Ela Mesma. Além dessas atividades, é tradutor, psicólogo e bacharel em Comunicação Social.

Abaixo, veja a homenagem feita por Miguel Falabella, durante o programa Video Show, no quadro Memória Nacional.

Yara Amaral – A Operária do Teatro
Autor: Eduardo Rieche
Páginas: 736
ISBN: 978-85-5908-007-0
Preço sugerido: R$ 89,90
Dimensões: 20,5x26cm
 
Lançamento em São Paulo
Blooks Livraria Shopping Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569, 3º piso – Consolação, São Paulo
17/01
Terça – a partir das 19 horas

 

I LOVE NEIDE – A VIAGEM

Depois de temporada de sucesso com o primeiro espetáculo, e tendo sido visto por mais de 100 mil pessoas, Eduardo Martini revive sua personagem – Neide Boa Sorte – em “I Love Neide!! – A Viagem“. A comédia estreia no dia 12 de janeiro no Teatro Itália.

O espetáculo mostra agora as loucuras desta senhora engraçada, especialista em autoajuda, que virou uma celebridade como participante de um reality show. Apesar de não ser a vencedora, ganhou como prêmio de consolação uma viagem pelo mundo. O que era para ser uma viagem dos sonhos, tornou-se um pesadelo cômico.

A peça tece uma divertida crítica social, nas várias cenas que mesclam interpretação e dança. “A ideia é fazer rir ao apontar os defeitos de tipos comuns na nossa sociedade, tirando exemplos do cotidiano que são irritantes, como a falta de educação de profissionais que lidam com o público”, explica Eduardo Martini.

A dramaturgia é de Pedro Fabrini, que também faz uma participação na peça.

Neide Boa Sorte foi criada por Eduardo Martini para a televisão. Tornou-se popular através de um quadro, que era apresentado semanalmente no programa de Hebe Camargo. A ida para os palcos foi um pulo, e a partir de 2007, as primeiras aventuras de Neide foram apresentadas no país inteiro.

Ela não diz a idade nem se é casada, usa muitas joias, salto alto, é cafona e chic ao mesmo tempo. A personagem não foi planejada, aconteceu. Tive uma vaga inspiração em livros de autoajuda e em pessoas esotéricas que dizem acudir os outros mas no fundo pioram tudo”, fala Martini.

“I Love Neide!! – A Viagem”
Com Eduardo Martini e Pedro Fabrini
Teatro Itália – Sala Drogaria SP (Av. Ipiranga, 344 – República, São Paulo)
Duração 80 minutos
12/01 até 30/03
Quinta – 21h
$50
Classificação 14 anos
Texto: Pedro Fabrini
Direção: Eduardo Martini
Coreografias: Viviane Alfano
Figurinos e design gráfico: Adriana Hitomi
Trilha: Herbert Azzul
Desenho de luz e operação: Marcus Filomenus
Operação de Som: Alexandra Rocha
Direção de produção: Valdir Archanjo
Produção: Bira Saide, Valdir Archanjo e Eduardo Martini
Assessoria de Imprensa: Flávia Fusco Comunicação