CABRAS – CABEÇAS QUE VOAM, CABEÇAS QUE ROLAM

Após duas temporadas de sucesso na capital paulista, o espetáculo CABRAS – cabeças que voam, cabeças que rolam retorna aos palcos paulistanos em temporada popular no Teatro João Caetano, durante o mês de fevereiro.

Sétimo trabalho da Cia Teatro Balagan, a peça está indicada em três categorias do Prêmio Shell 2016 – Iluminação, Figurino e Música. Recebeu também indicações ao Prêmio APCA – na categoria Dramaturgia – e ao Prêmio Aplauso Brasil – nas categorias Direção, Iluminação, Figurino e Espetáculo de Grupo.

Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam tem como tema central a Guerra. Porém, a guerra que encontramos nesta última criação da Cia Teatro Balagan não é o confronto direto e dizimatório que caracteriza a maior parte dos conflitos espalhados pelo mundo.  É a guerra sonhada, esperada, que pressupõe e deseja a relação com o Outro – o Inimigo –, e que está presente em outras dimensões da experiência humana como atos de resistência e criação como, por exemplo, nas manifestações sagradas e nas festividades.

Partindo do Cangaço, dos movimentos de resistência ao Estado, das guerras não oficiais intituladas como revolta, ou banditismo, que sempre foram fortemente reprimidas – e que findaram, em geral, com a decapitação e exposição das cabeças de seus líderes – a investigação das matérias cênicas se delineou em torno da tríade Guerra-Festa-Fé, aspectos intrínsecos do que pode ser uma ação de resistência e luta. A prospecção do tema se desdobrou em outros temas que tecem e constituem o território do espetáculo: o inimigo, a vingança, os conflitos parentais, o nomadismo, a cerca, o ethos guerreiro, o valor da palavra, entre outros.

Do cangaceiro e do samurai, da mitologia hindu e da indígena, da cabra de João Cabral e da cabra de Dionísio, do pandeiro e da rabeca, da dança dos caboclinhos e dos cantos das Caixeiras do Divino, dos estudos biomecânicos e dos arquétipos animais do Kempô nascem os corpos e as vozes – dos atores e das matérias da cena – que narram as pequenas crônicas que compõem o espetáculo.

Cabras é narrado, cantado, tocado e dançado por um bando de dez atores, bando de cabras, que transitam – deixando as marcas das “vinte pegadas de alpercatas” – entre diferentes vozes narrativas – dos homens, dos animais, dos seres, das coisas -, ou seja, entre diferentes perspectivas.

Em Cabras o coro/bando se sobrepõe à noção de protagonista e nenhuma voz se consolida, se não como um lugar, uma perspectiva a ser habitada, temporariamente. Assim cada ator transita por tantos lugares quanto são as acepções dadas à própria palavra cabra: animal, gente, homem, mulher, bandido, polícia, diabo ou as expressões (e mitos) populares como “cabra macho”, “cabra safado”, “cabra marcado”, “cabra da peste”, a “cabra cabriola”, “a puta cabra”, e tantas outras. Como afirma a diretora Maria Thaís “para nós o termo evoca a potência transgressora do próprio animal, que não respeita cercas pois, como o poeta João Cabral de Melo Neto nos diz quem já viu cabra que fosse animal de sociedade?

A composição dramatúrgica, criada por Luís Alberto de Abreu e Maria Thaís, é formada por vinte pequenas crônicas escritas por Luís Alberto de Abreu, organizadas no espetáculo em quatro (04) partes (cada uma contendo cinco textos narrativos):

Guerra – a guerra parental (em que as tensões entre grupos familiares, como um fogo de monturo que, aparentemente apagado, pode reacender-se ao menor vento), do ethos guerreiro, da arma que espera a hora que vai matar.

Guerra-Fé – a guerra inscrita nos corpos – marcados pela escravidão do negro, pela dizimação cultural do índio, pela submissão do mestiço – daqueles que persistem e revelam outras visões de mundos.

Guerra-Festa – a guerra que permite a inversão do mundo – ou a criação de um mundo sem fronteiras – no qual a sua dimensão simbólica e mítica se traduz em dança, poesia, música e vestimenta; e, finalmente,

Guerra – Fogo, Paz, Fogo – a inevitável alternância entre guerra-paz-guerra, dos cabras “que não se espantam com a aspereza das pedras”.

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CABRAS – cabeças que voam, cabeças que rolam
Com André Moreira, Deborah Penafiel, Flávia Teixeira, Gisele Petty, Gustavo Xella, Jhonny Muñoz, Maurício Schneider, Natacha Dias, Val Ribeiro e Wellington Campos.
Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)
Duração 120 minutos
03 a 26/02
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$20
Classificação 12 anos
 
Direção Maria Thaís
Assistente de Direção Murilo De Paula
Texto Luís Alberto de Abreu
Dramaturgia Luís Alberto de Abreu e Maria Thaís
Cenografia e Figurino Márcio Medina
Direção Musical Dr Morris     
Iluminação Aline Santini
Montagem e Operação de Luz Michelle Bezerra
Design Gráfico Regina Cassimiro
Produção Géssica Arjona
Assessoria de Imprensa: Ofício das Letras

 

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