ESPERANDO GODOT

O dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (Dublin, 13 de abril de 1906 – Paris, 22 de dezembro de 1989), vencedor do prêmio Nobel de Literatura, voltou-se para questões filosóficas sobre a condição humana, onde o tempo não existe senão como uma eternidade imóvel e morta e que tem como meio de expressão a decrepitude física dos corpos, a preocupação de Beckett não reside em mostrar o absurdo da existência a partir da vida social, mas sim através do choque do homem consigo mesmo, percebendo em seu íntimo a perplexidade desse encontro.

Em “Esperando Godot”, escrita no pós-guerra (1943-1953) ele explora uma situação estática, o lugar é deserto, somente uma árvore ao centro. Dois velhos vagabundos, Vladimir e Estragon estão esperando Godot. Nada acontece e a atmosfera de vacuidade e monotonia não é alterada senão pela passagem de Pozzo e Lucky (respectivamente senhor e escravo) que, ao saírem fazem retornar o vazio. Para preencher o tempo, para enganar o tédio dos dias vazios e iguais, Vladimir e Estragon falam um com o outro mesmo sem ter o que dizer, travam brigas inúteis e refazem as mesmas perguntas, para assim preencherem o vazio da existência e para se darem ao menos, a impressão de existirem.

Claudio e Elias já tem uma rica trajetória artística juntos, “Minha parceria com Elias Andreato nasceu da profunda admiração de um ator pelo trabalho de outro e cresceu pelo meu respeito ao respeito dele pelo teatro. Elias sabe o que é o ofício de ser ator. E como diretor empresta a sensibilidade do ator e intuitivamente cria cenas belas e poéticas. Minha parceria com ele nasceu da direção de “Adivinhe Quem Vem Para Rezar”, espetáculo com Paulo Autran, passou por “Andaime”, onde ele dirigiu e atuou, “Mãe é Karma”, texto de Elias que produzi, “Amigas Pero No Mucho”, “Édipo Rei” e finalmente “Um Réquiem Para Antonio”. Foi nos camarins “Réquiem” que “encontramos Godot”, comenta Fontana.

A encenação

Elias trabalhou em cima da ideia do tempo, o aceleramento das horas da existência contemporânea. “Quando foi escrito no pós guerra, a relação com o tempo era outra, hoje o tempo mudou, a espera é mais angustiante, vivemos em um tempo violento, as guerras são outras, tudo mais diluído, cada um batalhando no seu mundinho, não existe uma sensação coletiva, cada um tem o seu tempo individual de espera, porque você não sabe se o Godot já veio ou não, talvez ele tenha vindo e nem tenham percebido”, diz Elias Andreato.

A cenografia assinada por Fábio Namatame representa uma grande engrenagem de relógio e o figurino do Gabriel Villela também busca retratar o que está por dentro dos personagens, como uma maquinaria interna exposta. Claudio Fontana canta ao vivo poemas de Samuel Becket musicados por Jonathan Harold. A direção de movimentos é da atriz Melissa Vettore.

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Esperando Godot
Com Elias Andreato, Claudio Fontana, Clovys Torres, Raphael Gama e Guilherme Bueno
Tucarena (Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)
Duração 80 minutos
21/01 até 19/02
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$50
Classificação 12 anos
 
Texto: Samuel Beckett
Direção: Elias Andreato
Figurino: Gabriel Villela
Assistente de Figurino: José Rosa Neves
Bordadeira: Maria do Carmo Soares
Produtora de Figurino:Clissia Morais
Cenografia: Fábio Namatame
Trilha Sonora: Jonatan Harold
Coreografia: Melissa Vettore.
Iluminação: Wagner Freire
Técnico de Luz e Som: Cleber Eli 
Cenotécnico:Cláudioboi
Diretor Assistente: André Acioli
Assistente de Direção: Daíse Amaral
Fonodióloga: Edi Montecchi
Camareira: Ana Lúcia Laurino
Produção: DNA Produções Artísticas
Direção de Produção: Daíse Amaral
Produtor Executivo: Jefferson Pedace
Assistente de Produção: Paula Tonolli
Identidade Visual: ElifasAndreato
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Programação Visual: Dib Carneiro Neto, Jussara Guedes e Suely Andreazzi
Fotos: João Caldas
Assistência de Fotografia: Andréia Machado

 

 

FORTES BATIDAS

Fortes Batidas volta em curta temporada no Pequeno Ato em São Paulo. O espetáculo promove uma noite em que o público participa da festa e acompanha todo desenrolar da trama na pista, ao lado dos atores. Para essa nova temporada, uma versão plena de fantasias e um novo repertório com músicas de carnaval para embalar os sábados de fevereiro.

Para celebrar a trajetória do espetáculo, que por dois anos tem enchido os palcos por onde passa, o diretor e dramaturgo Pedro Granato vai lançar o livro com o texto da peça em parceria com a editora Giostri no dia 18 de fevereiro a partir das 19h.

A peça acompanha a noite vivida por 15 jovens, cruzando desejos e entrando em conflitos embalados pelas “fortes batidas” da música. Amigos que apostam quem consegue ficar com mais meninas, um casal testando o relacionamento aberto e a dificuldade de um rapaz tímido ficar com alguém do mesmo sexo pela primeira vez. A explosiva mistura dos desejos de personagens em busca de sua identidadeconstrói uma rede de conflitos que envolve a plateia.

O público vive uma experiência que desenha um retrato pulsante dessa geração e coloca no foco questões importantes para toda a sociedade. A homofobia, machismo e intolerância sexual estão no centro do alvo dessas “Fortes Batidas”.

Os ambientes da balada são divididos em variados níveis de plataformas que possibilitam a visibili­dade para a plateia. Mas isso não impede que atores dancem ao lado público e se relacionem com ele criando uma experiência ativa, em que o espectador não “assiste” o espetáculo,  está imerso nele.

O espetáculo se prepara para circular toda a periferia de São Paulo nesse semestre com apoio do Prêmio Zé Renato. Essa temporada especial de carnaval vem após diversas temporadas em São Paulo e os prêmios APCA de “Melhor Espetáculo em Espaço não Convencional” e o “Prêmio Especial” do Prêmio São Paulo pela experimentação de linguagem.

Fortes Batidas
Com Ariel Rodrigues, Beatriz Silvei­ra, Bianca Lopresti, Eduardo Scudeler, Felipe Aidar, Fernando Vilela, Gabriela Andrade, Ga­briela Gama, Gal Goldwaser, Inês Bushatsky, Ingrid Man­tovan, Laura Vicente, Lia Maria, Lucas Oranmian, Mateus Menoni, Mau Ma­chado e Vítor di Castro.
Pequeno Ato (Rua Teodoro Baima, 78 – Consolação, São Paulo)
Duração 70 minutos
04 a 18/02
Sábado – 21h30
$40
Classificação 16 anos
 
Direção e dramaturgia: Pedro Granato.
Cenário: Diego Dac
Assistente de direção e Iluminação: Gabriel Tavares
DJ: Pedro Augusto Monteiro
Coreógrafa: Inês Bushatsky
Assistentes de dramaturgia: Manuela Pereira e Natália Xavier
Figurino: Bárbara Sgarbi e Jade Marinera
Produção: Victoria Martinez e Jéssica Rodrigues (Contorno Produções)
Assistente de Produção: Ana Paula Sampaio
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio