ATÉ QUANDO MISÉRABLES? (OPINIÃO)

Escrevo como quem procura o DIÁLOGO, escrevo como quem busca bons encontros onde ambos possam ser afetados! Acredito nos bons encontros no teatro, principalmente estes que se dão entre – que não ocorre só no palco ou quiçá a mercê da plateia, mas no instante do ENTRE / no estado cênico do AGORA! E hoje foi um deles, Spinoza (1632-1677) já dizia das PAIXÕES ALEGRES que possibilitam PULSÕES DE VIDA, é sobre elas que pretendo falar.

Acabo de assistir Les Misérables – Teatro Renault, um dia após ter literalmente CORRIDO da PM durante o último dia de carnaval na praça ROSSEVELT. O meu corpo ainda reverbera um estado de atenção, aflição, uma necessidade física de se manter vivo! Minha cabeça, ainda perplexa, busca RESILIENCIAR – que campo é este que estamos vivendo?

E nesta busca, como num estado de explosões – dentre tantas relações entre fatos / afetos /seres / histórias que me saltam a cabeça, principalmente por estar vivendo esta revolução que se pretende falar / tatear com as mãos sobre LIBERDADE, FRATERNIDADE, IGUALDADE no processo do espetáculo A Missão Em Fragmentos doze cenas de descolonização Em Legítima Defesa e, hoje vi o diálogo que estes dois trabalhos outrora TOTALMENTE DIFERENTES (Les Mis vs A Missão) podem se dar – entre si e com todo o nosso atual contexto histórico social (…)

Hoje em Les Misérables, eu vi:

*SISTEMA CARCERÁRIO – de PRIMA, é como se viesse a mente imagens do documentário “A 13º Emenda” (Netflix). Como estamos tratando nossos presos? Como se classifica um crime? Que lei é esta que Julga? Como ela julga? Que massacre em massa é este que estamos acostumados a assistir e por vezes até apoiar? Que história são essas que tenho escutado e aceitado?

*UMA LEI QUE NÃO DA CONTA DE SI MESMA – esta figura mítica de *UMA LEI CEGA que não funciona – JAVERT – que de tão certo em sua profissão, confiante no sistema que o SUSTENTA em todos os sentidos – se perde na JUSTEZA do ser humano que és (Bravo!, Nando Pradho). Precisamos falar sobre está LEI que não funciona, que não entende a quem se destina, que privilegia dentro de suas palavras poucos e maltrata/ condena muitos…

*MÃES DE MAIO – Movimento Independente que luta por Memória, Verdade e Justiça – houve um momento que AS VI, através da voz de Letícia Soares e Cássia Raquel, ambas negras juntas de outras mulheres com velas nas mãos ZELANDO, VELANDO seus MORTOS… arrepiava!

*GENOCÍDIO DE UMA JUVENTUDE – as barricadas sendo atacadas, tal qual *OS ÚLTIMOS ATAQUES DA PM – nossos JOVENS SENDO MORTOS, a imagem de um ENJOLRAS NEGRO, muitíssimo bem REPRESENTADO por Pedro Caetano, sendo morto com as mãos em punho e o braço erguido – como flechas de memórias; meus olhos se enchiam de lágrimas e minha garganta queria GRITAR – É DISSO QUE PRECISAMOS FALAR! Estão nos matando… e nesta montagem, por CONSCIÊNCIA ou NÃO, ela nos denuncia isto IMAGETICAMENTE – o GENOCÍDIO DE UMA JUVENTUDE NEGRA!

Como não lembrar da figura do pequeno GAVROCHE, numa semana em que mais uma criança/adolescente de 13 anos morre pela violência, a memória de tantos outros(a) que já se foram pelas mãos de um Estado que deveriam os proteger/ zelar.

*A TENTATIVA DE INSTAURAR UM UNIVERSO POSSÍVEL – Jean Valjean que por ser interpretada por Daniel Diges já nos confronta a pensar sobre IMIGRAÇÃO/ e toda a TRETA de xenofobia que nos ronda.

A dificuldade por vezes de entender o português com sotaque só contribui para potencializar a figura desta personagem, que busca – ao meu ver – INSTAURAR um UNIVERSO POSSÍVEL diferente mesmo deste que se apresenta a ele.

Neste momento, 2017, AROUND THE WORLD (ao redor do mundo), penso que precisamos MUITO FALAR sobre isso, PRECISAMOS VISLUMBRAR novas maneiras de se viver, de conviver, novas maneiras de se criar a NARRATIVA – precisamos entender URGENTEMENTE QUE *A DISPUTA SE DÁ PELA NARRATIVA – a fala não é um campo neutro – que seja esta com sotaque espanhol! Li ontem pela segunda vez o artigo “DE UMA BRANCA PARA OUTRA” de Eliane Brum no site EL PAIS (http://tinyurl.com/j8lf4z2) ela nos atenta sobre os PRIVILÉGIOS – *A ESCOLHA DE ABRIR MÃOS DE SEUS PRIVILÉGIOS e reconheço isto em LES MIS …

Que bom SERIA se PUDÉSSEMOS falar MAIS sobre isto… deixar REVERBERAR! Deixar a POTÊNCIA destes trabalhos de fato SALTAREM e DIALOGAREM conosco!

Convido aqueles que se interessam em discutir, a estarem conosco em A MISSÃO (http://tinyurl.com/gmm8zzf) e se deixar perceber os enlaces, as relações, o tempo que se faz ÁGORA agora e, que por motivos outros vem permitindo dialogar de diversas maneiras,
SEJAMOS CAPAZES de encara-las e realmente VÊ-LAS!

Pois a ENERGIA pra mudança está dada e sendo nos mostrada no HOJE AGORA -caminhemos… BUSQUEMOS O DIÁLOGO é preciso, mais que preciso NECESSÁRIO!

Por fim, Simone de Beauvoir já dizia “Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos”, Les Misérables contribui para que lembremos que podemos estar vivendo já estes tempos mortos – neste momento não fazer nada, não é uma opção! O quanto antes nos entendermos como indivíduos que fazem parte de um processo histórico em curso, mais rápido conseguiremos reverter e vislumbrar novos futuros.

1907410_842378672448579_4087023489037670575_n(O ator Renato Caetano, membro do grupo Legítima Defesa, foi convidado para escrever sua análise sobre o musical “Les Misérables” e a situação atual na qual vivemos. Renato assistiu o musical no dia 01 de março de 2017.)

ROCKY HORROR SHOW (2a parte da matéria)

O Circuito Teatral SP e o Opinião de Peso apresentam a segunda, e última, parte da matéria especial sobre o musical Rocky Horror Show. Mostramos um pouco mais da conversa que tivemos com o elenco.
O espetáculo da dupla Möeller Botelho fica em cartaz no Teatro Porto Seguro até o dia 12 de março.
Curta e compartilhe a matéria e siga o Circuito Teatral SP e o Opinião de Peso.

Rocky Horror Show
Com Marcelo Medici, Bruna Guerin, Felipe De Carolis, Gottsha, Thiago Machado, Jana Amorim, Nicola Lama, Marcel Octavio, Felipe Mafra, Vanessa Costa, Thiago Garça.
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 105 minutos
10/02 até 12/03
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$50/$120
Classificação 14 anos

TROCANDO AS CALCINHAS

Trocando as Calcinhas” é um espetáculo que conta a história de Lara e Larissa Kelly, duas irmãs completamente diferentes que dividem um apartamento em São Paulo.

Após terem uma grande briga, maior do que todas as outras que já tiveram, vão dormir brigadas e acordam tendo que descobrir como viver na pela uma da outra é mais difícil do que imaginam.

Com direção de Vitor Súnega, e elenco com Carolyne Nonato, Mabel Lopes, Lukkas Martins e Matheus Cirilo, essa trama vem para mostrar que não é tão fácil se colocar no lugar do outro e que as aparências enganam muito. Estreia dia 02 de março no Teatro Bibi Ferreira.

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Trocando as Calcinhas
Com Carolyne Nonato, Mabel Lopes, Lukkas Martins e Matheus Cirilo
Teatro Bibi Ferreira (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 931 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
02/03 até 08/06
Quinta – 21h
$50
Classificação 14 anos
Compra de ingressos: Bilheteria do teatro e