LIMBO

Investigar o mecanismo formador de identidades e em como ele age diariamente na vida social é o que busca o encenador Alexandre França (que também dirigiu e escreveu as peças Billie e Mínimo Contato) em seu novo espetáculo. LIMBO, montagem integrante da programação do projeto Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga em 2016, reestreia no Club Noir no dia 6 de março, segunda-feira, às 21 horas.

 A peça marca a fundação do Coletivo de Heterônimos, que além de Alexandre, conta com os atores Amanda Mantovani (CPT) e Bruno Ribeiro (Club Noir) e do cenógrafo Hélio Moreira Filho. Escrita há três anos por Alexandre,LIMBO mostra um homem e uma mulher convivendo no que, provavelmente, seria um quarto de hospital. Em uma narrativa muito peculiar, a história desse homem, Guilherme, vai se misturando a uma série de outros episódios, que retratam a fase terminal de um paciente com câncer.

 “Levo para o texto o que eu imagino que seja o fim de uma vida. Imagens passando na cabeça, de maneira desordenada e narrativas ganhando novos significados. A ideia de limbo é justamente trabalhar com a despossessão das coisas, dos conceitos e sentimentos. Pegamos uma doença como o câncer, que normalmente causa choro e tristeza e a colocamos numa situação em que o público ri, mesmo não sabendo se deveria rir daquilo”, explica Alexandre.

Para o dramaturgo e diretor, a doença, portanto, pulsa no centro da linguagem empregada nas engrenagens dramatúrgicas da montagem. “Neste sentido, LIMBO dialoga, de maneira cínica, com o que, na época, era a minha condição anônima em São Paulo. As relações que iniciaram o processo deste espetáculo, poderíamos dizer, se deram em um completo acaso, fruto, no fundo, da minha necessidade de conexão com algo externo. O fantasma do anonimato (do homem, da doença, do mundo ao redor), esta entidade que é chamada na peça através do nome Guilherme, é nada mais do que a capacidade solitária que temos de nos conectar com o mundo, mesmo em situações limites que nos fazem duvidar do nosso poder de insistência vital – mesmo quando não resta mais ninguém para assistir ao desenho do nosso drama”, conta ele.

Novos conceitos

Alexandre, Amanda, Bruno e Hélio dedicaram 2015 para a montagem de LIMBO. Alexandre explica que o desenho da dramaturgia exigiu isso dele e dos atores. “Minha ideia foi montar uma encenação ao estilo plano sequência, onde a união dos fragmentos de variadas linhas narrativas formam uma terceira. Busquei uma atuação líquida dos atores, fazendo eles enxergarem cada detalhe e imagem que o texto sugeria”, detalha.

França apostou num cenário limpo, assinado pelo artista Hélio Moreira Filho, onde a cor branca predomina. Um piso inteiramente branco, uma cama baixa e uma banqueta é o que basta para o Coletivo dar vida a um espaço espectral, o qual, segundo Alexandre “assistimos a um misto de paz e euforia próprio de um anúncio trágico dado em um hospital às três da madrugada”.

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Limbo
Com Amanda Mantovani e Bruno Ribeiro
Club Noir (Rua Augusta, 331 – Consolação, São Paulo)
Duração 45 minutos
06/03 até 04/04
Segunda e Terça – 21h
$20
Classificação 16 anos
 
Texto e Direção – Alexandre França.
Iluminação – Alexandre França e Erica Mitiko.
Cenário e figurino – Hélio Moreira Filho.
Desenho de som – L.P. Daniel.
Produção – Coletivo de Heterônimo.
Fotos de divulgação – Lena Sumizono.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

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