11 SELVAGENS (OPINIÃO)

Quando você chega para assistir a peça “11 Selvagens“, é apresentado um mapa da sala do teatro para que você escolha o seu assento. O formato da sala é quadricular e todas as cadeiras estão dispostas de costas para as quatro paredes.

A montagem da sala é em formato arena (onde a plateia senta em volta do palco e a ação acontece no meio); mas também, após todos terem sentados, pelo título da peça, nos pareceu um ringue, onde os combates aconteceriam bem próximos de nós.

Pedro Granato, autor e diretor, escreveu 11 ações onde situações simples são levadas, de uma hora para outra, para momentos de agressão. Do nada. Não necessita de um gatilho grave para expor todo sentimento de fúria para fora. Basta um questionamento, um olhar torto, uma palavra.

Vemos o que acontece em um teatro onde alguém sentou no nosso lugar; em uma sala de aula com um professor que tenta se socializar com os alunos; um karaokê, onde todos se divertem; em um primeiro encontro romântico em um cinema,… Algumas ações são esperadas, outras não. Umas, você já espera pelo desfecho previsível, outras caminham para uma solução surpreendente.

São 11 atores jovens (6 homens e 5 mulheres), que demonstram muito bem toda essa descarga hormonal, que levam em seus corpos, para as cenas de selvageria. Todos terão seus momentos de destaque, bem como de coadjuvantes.

Muito interessante o recurso de fazer com que os atores estejam sempre no mesmo espaço que o público, ora atuando, ora observando – como nós –  o que acontece.

(spoiler: há momentos em que você também tende a extravasar sua inquietação perante uma situação apresentada. Se você não responder selvagemente, sua participação será aceita)

Tem que se destacar o playlist de músicas escolhidas que embalam toda as ações – a cena que acontece dentro de um estádio é muito boa. O som da torcida em sua volta, realmente lhe transporta para as arquibancadas onde está acontecendo o jogo; e também a iluminação, que faz com que algumas cenas aconteçam em penumbra, em uma luz estroboscópica, com lâmpadas que teimam em não funcionar direito.

O que é triste é ver como ações, como estas, fazem parte da nossa realidade e algumas já não nos chocam mais. Elas acontecem ao nosso lado, mas não levantamos um dedo para impedi-las. Estamos atordoados pelo tal grau de selvageria que nos ronda, que o título poderia ser transformado para “11 Normais”. Mas não deveria!

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11 Selvagens
Com Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor di Castro.
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 70 minutos
24/03 até 03/06
Sexta – 21h; Sábado – 19h
$40
Classificação 16 anos
Direção e Dramaturgia: Pedro Granato.
Iluminação e assistência de direção: Gabriel Tavares.
Coreografia: Inês Bushatsky.
Produção: Victoria Martinez e Jéssica Rodrigues (Contorno).
Realização: Pequeno Ato.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli

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