SENHOR DAS MOSCAS (OPINIÃO)

Doze jovens estudantes ficam presos em uma ilha desabitada, por causa da queda do seu avião. São de várias escolas e nem todos se conhecem. Precisam arrumar um jeito de sobreviverem, enquanto aguardam o momento de serem resgatados.

A peça é uma parábola sobre o Homem. Temos dentro de nós um dicotomia nata – o Bem e o Mal. Mesmo se recomeçássemos, incorreríamos nos mesmos erros. Queremos dominar o outro, mas passando uma imagem de que somos bons. Não há uma conversa, afinal só falamos e só escutamos o que nos convém. E através do  Poder, fazemos o que queremos – tudo por um Bem maior.

(Não é uma surpresa a realidade do nosso país estar assim. Só há duas classificações – ou você está a favor ou é contra. Não há margem para divergências).

(Desculpem a falta de imparcialidade, mas) amo as montagens do Núcleo Experimental. Há uma coesão na equipe coordenada pelas mãos de Zé Henrique de Paula e Fernanda Maia. Fazem Teatro – contam histórias e despertam sentimentos no público, é impossível sair incólume de suas montagens.

Há estruturas de madeiras que fazem de cenário para a peça, mas tudo está centrado na atuação dos doze jovens atores e na palavra (texto). Poderia falar dos dois pólos – Bruno Fagundes e Ghilherme Lobo, mas é um trabalho de grupo, onde todos têm seu destaque e importância para o resultado do espetáculo.

Você sai cansado do Teatro do SESI. Não é uma história para se divertir, mas sim para pensar e refletir pelos dias pós espetáculo. A única certeza é que o texto de William Golding (1954), montado pelo Núcleo Experimental, tem que ser visto.

(Curiosidade –  “O Senhor das Moscas” é uma tradução literal do nome hebraico de Ba’alzevuv, ou Belzebu)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Senhor das Moscas
Com Arthur Berges, Bruno Fagundes, Davi Tápias, Felipe Hintze, Felipe Ramos, Gabriel Newman, Ghilherme Lobo, Lucas Romano, Paulo Ocanha Jr., Pier Marchi, Rodrigo Caetano, Rodrigo Velozo, Thalles Cabral
Stand-in: Gabriel Malo, João Paulo Oliveira e Luiz Rodrigues
Teatro do SESI (Av. Paulista, 1313 – Jardins, São Paulo)
Duração 90 minutos
04/05 até 26/11
Quinta, Sexta e Sábado – 15h, Domingo – 14h30
Entrada gratuita (reserva pelo site do SESI ou no dia da apresentação direto na bilheteria do teatro)
Texto: Nigel Williams
Tradução: Herbert Bianchi e Zé Henrique de Paula
Direção: Zé Henrique de Paula
Direção musical e preparação vocal: Fernanda Maia
Preparação de atores: Inês Aranha
Coreografia: Gabriel Malo
Cenografia: Bruno Anselmo
Figurinos: Zé Henrique de Paula
Iluminação: Fran Barros
Design de som: João Baracho
Assistente de direção: Rodrigo Caetano
Diretor residente: Lucas Farias
Assistentes de figurino: Danilo Rosa e Leandro Oliveira
Design gráfico e videos: Laerte Késsimos
Coordenação de produção: Claudia Miranda
Produção executiva: Louise Bonassi
Assistentes de produção: Laura Sciuli e Mariana Mello
Fotos: Giovana Cirne
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio