DOROTÉIA

Para comemorar seus 60 anos de carreira, Rosamaria Murtinho interpreta a protagonista e vilã Dona Flávia na peça Dorotéia. Encabeçando o elenco de mais dez atores, Rosamaria e Letícia Spiller, interpretando Dorotéia, encenam pela primeira vez um Nelson Rodrigues nessa montagem que tem direção e encenação de Jorge Farjalla, mantendo e ampliando o diálogo com questões contemporâneas.

A montagem, onde o sagrado e o profano caminham juntos, estreou em fevereiro de 2016 no Rio de Janeiro e realizou 4 temporadas na cidade sempre com casa lotada. Excursionou também por Uberlândia, Araxá, Maceió, Recife, Fortaleza e Salvador com grande sucesso de público e crítica.

Escrita em 1949, Dorotéia fecha o ciclo das obras do teatro desagradável de Nelson Rodrigues, intitulado pelo crítico Sábato Magaldi como “peças míticas” sendo a única farsa escrita pelo autor. O texto é uma ode à beleza da mulher onde a heroína, título da obra, segue em busca da destruição de sua própria beleza para se igualar a feiura de suas primas Dona Flávia, Maura e Carmelita.

Matriarca da família, Dona Flávia recebe Dorotéia, ex-prostituta que largou a profissão após a morte do filho e vai buscar abrigo na casa de suas primas, onde vivem também Maura e Carmelita, num espaço sem quartos e onde há 20 não entram homens. Três viúvas puritanas e feias que não dormem para não sonhar e, portanto, condenadas à desumanização e à negação do corpo, dos sentimentos e da sexualidade. Arrependida, Dorotéia procura abrigo na sua família e é, em alguns momentos, questionada por Dona Flávia, a prima mais velha, que, mesmo com sua raiva, implicância e orgulho, faz de tudo para removê-la da ideia, às vezes com uma nesga de afeto, de fragilidade e disfarçados gestos de acolhimento, mas contando que ela aceite as condições de viver naquela casa. Dorotéia, linda e amorosa, nega o destino e entrega-se aos prazeres sexuais. Este é seu crime, e por ele pagará com a vida do filho e buscando a sua remissão. Na história desta família de mulheres, o drama se inicia com o pecado da avó que amou um homem e casou-se com outro. É neste momento que recai sobre todas as gerações de mulheres da família a “maldição do amor”. Elas estão condenadas a ter um defeito de visão que as impede de ver qualquer homem, se casam com um marido invisível e sofrem da náusea nupcial – único sinal de contato que teriam em toda vida com o sexo masculino. Em troca de abrigo, Dorotéia aceita se tornar tão feia e puritana como as primas.

O motivo central que organiza a peça é o dilaceramento do espírito humano e o delírio que se constitui através da fissura, das vontades. As personagens são “fissuradas” por algo que não podem ter: o sexo. A convivência entre prazer e pureza em que ao mesmo tempo são cortadas ao meio pela tensão daí decorrente, que termina por destruir as formas de vida, ou seja, a personagem central pecou e se arrependeu. Arrependeu? Nem tanto, pois sob a instigação de Dona Flávia, para concluir sua purificação pela feiura e pela doença incurável deve pecar novamente com Nepomuceno, o senhor das chagas. Dorotéia é uma mistura de sonho, pesadelo, desatino e destino irremediável. Por um momento paira a esperança de que a maldição não se cumprirá, mas ela é irreconhecível.

De todos os símbolos presentes na obra, o mais enigmático para os dias de hoje é o do “Jarro”, pois ele representa a imagem do espaço do prostíbulo, graças ao uso que dele faziam as mulheres, sobretudo as prostitutas na precariedade de seus ambientes, para se lavar depois do ato sexual.

O uso do símbolo presente na obra, “uma casa sem móveis”, é o fio condutor para essa encenação onde o espectador está junto com o ator, diminuindo assim, a distinção entre palco e plateia. Assim, o texto “Rodrigueano” ganha outro valor, tanto para os atores quanto para o público, pois as interpretações são baseadas no íntimo das relações entre ator/público e ator/espaço, propondo assim uma verossimilhança entre real e imaginário não presentes na obra. Nesta encenação o público é convidado a entrar literalmente na casa das primas de Dorotéia, com 100 lugares disponíveis no palco.

Outro ponto alto da encenação e que a diferencia das demais é o coro masculino, não presente na obra, intitulado pela direção como “Os Homens Jarro” que representam tanto a aparição do signo “jarro” como os homens que passaram pela vida da ex-prostituta. Esse coro permeia a encenação executando ao vivo os sons e a trilha do espetáculo.

O projeto Dorotéia surgiu do encontro entre a atriz Rosamaria Murtinho e o ator e diretor Jorge Farjalla da Cia. Guerreiro, após uma apresentação do espetáculo “Paraíso Agora ou Prata Palomares”, de Zé Celso Martinez Correa, onde enxergando nesse tipo de trabalho um uso diferenciado da pesquisa, da linguagem e da proposta cênica no uso do espaço, Rosamaria propôs uma parceria para comemorar seus 60 anos de carreira, produzindo o espetáculo.

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DOROTÉIA

Teatro Cetip – Instituto Tomie Ohtake (627 lugares)

Rua Coropés, 88 – Pinheiros

Informações: 4003.5588

Bilheteria: terça à sábado das 12h às 20h. Domingos e feriados das 13h às 20h.

Vendas: www.ticketsforfun.com.br

Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 19h

Ingressos:

R$ 110 (Plateia Premium – no palco)

R$ 90 (Plateia) | R$ 70 (Balcão)

A Plateia Premium coloca você dentro do cenário do espetáculo, não só como espectador, mas como parte da história da família de D. Flávia. O cenário é uma floresta seca e densa onde nada floresce apenas a constante vigília das primas amarguradas de Dorotéia. Não há participação do elenco com a plateia.

Duração: 90 minutos

Recomendação: 16 anos

Estreia dia 12 de Maio de 2017

Temporada: até 02 de Julho

 

Ficha Técnica:

Texto | Nelson Rodrigues

Direção e Encenação | Jorge Farjalla

Dramaturgia | Rosamaria Murtinho, Jorge Farjalla e Diogo Pasquim

Elenco | Rosamaria Murtinho, Leticia Spiller, Alexia Dechamps, Anna Machado, Dida Camero e Jaqueline Farias
Homens Jarro | André Américo, Daniel Martins, Du Machado, Fernando Gajo, Pablo Vares e Rafael Kalil

Direção Musical | João Paulo Mendonça

Produção Musical | André Américo, Daniel Martins, Du Machado, Fernando Gajo, Pablo Vares e Rafael Kalil

Eletrônica ao vivo e difusão| João Paulo Mendonça

Direção de Arte e Espaço Cênico | José Dias

Figurinos | Lulu Areal

Iluminação | Jorge Farjalla, Jessica Catharine e José Dias

Preparação Corporal | Jorge Farjalla

Preparação Vocal | Patrícia Maia

Maquiagem e Visagismo | Anderson Calixto

Fotografia | Carol Beiriz

Design Gráfico | Julia Sampaio

Assessoria de Imprensa | Morente Forte

Ass. Direção | Diogo Pasquim e Raphaela Tafuri

Camareiro | José Lima

Contrarregra | Márcio da Silva

Produção Executiva | Sandra Valverde

Direção de Produção | Lu Klein

Transportadora Oficial | Avianca

Realização MRM Produções

 

LILI MARLENE

Lili Marlene” é um musical pop rock que utiliza a performance e as novas tecnologias para contar a história do Lili.

“O” Lili, como gostava de ser chamado, é o neto de Marlene, uma atriz hollywoodiana dos anos 30. Rejeitado pelo pai na infância, foge de sua casa em Berlim aos 13 anos de idade. Aos 18, morando em Paris, fazia sucesso nos palcos dublando sua avó, sem que ninguém soubesse do seu parentesco. Aos 30 se tornou sacerdote de uma religião quando morava nos Estados Unidos. Anos mais tarde, já afastado da igreja ele nos faz um relato de sua saga.

Lili Marlene é o primeiro musical autoral da dupla Haten & Cortada. Com texto e letras de Fause Haten, música e arranjos de André Cortada, materializa um projeto antigo da dupla de escrever musicais.

Durante o ano de 2016, Fause mergulhou num processo de pesquisa de material e múltiplas linguagens. Intensificou sua pesquisa de corpo onde o risco iminente e o desconforto corporal são usados pra potencializar as emoções do artista e dos personagens. Criando texto, personagens e performances a partir dos temas que rondavam seu imaginário, foi dando forma a um universo dramatúrgico.

Numa primeira fase trabalhou os textos numa escrita tradicional.

Numa segunda fase, trabalhou naquilo que intitula “escrita em cena”, onde com os personagens na cabeça, fazia performances de improviso para recolher textos e sensações a partir da relação imediata com o público.

Algumas dessas performances aconteceram na Galeria Mezanino e na Fábrica do Dr. F. dentro do projeto #ForadaModa no Sesc Ipiranga.

Com todo o material escrito e organizado, Fause reuniu sua banda sob o comando de André Cortada e partiram para as composições e os arranjos musicais.

Nesse momento surgia o roteiro e os personagens, que antes tinham casos isolados, passaram a se relacionar e as suas historias foram se interligando e criando um fio condutor.

Nasceu Lili Marlene!

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LILI MARLENE

TEATRO EVA HERZ (168 lugares)

Livraria Cultura – Conjunto Nacional

Avenida Paulista, 2073 – Bela Vista

Bilheteria: 3170-4059 / www.teatroevaherz.com.br

Terça a sábado, das 14h às 21h. Domingos das 12h às 19h. Formas de Pagamento: Dinheiro / Cartões de débito – Visa Electron e Redeshop / Cartões de crédito – Amex, Visa, Mastercard, Dinners e Hipecard. Não aceita cheque.

Vendas: www.ingressorapido.com.br

Terça e Quarta às 21h

Ingressos:

R$ 60

Duração: 80 minutos

Recomendação: 14 anos

Estreia dia 16 de Maio de 2017

Curta Temporada: até 28 de Junho

Ficha técnica:

Direção, Texto e Letras: Fause Haten

Elenco: Fause Haten, Andre Cortada, Gabriel Conti, Marcos Magaldi e Raphael Coelho (alternante)

Músicas, Direção musical e Arranjos: André Cortada

Direção de movimento: Luis Ferron

Assistente de direção: Richard Luiz

Iluminação: Caetano Vilela

Figurino e Cenário: Fause Haten

Fotos, vídeos, direção de fotografia e Arte: Paulo Cabral

Edição de vídeos: Carlos Amorim

Assessoria em vídeo cenário: André Hã

Consultoria dramatúrgica: Claudia Hamra

Assessoria de imprensa: Morente Forte

Produção Executiva: Anna Abe

Direção de Produção: Henrique Mariano

O EMPRÉSTIMO

A comédia “O Empréstimo”, de Jordi Galceran, prorroga temporada no Teatro Folha até 25 de junho. No elenco os atores André Mattos e Leonardo Miggiorin, sob a direção de Isser Korik.

A peça traz situações hilárias que beiram o absurdo. Tudo acontece na sala do gerente de um banco, quando atende um homem desesperado em obter um empréstimo absolutamente necessário para seguir com a sua vida. O possível cliente não tem garantias nem propriedades. Oferece apenas a sua palavra de honra para o banco, o que coloca o gerente em uma situação delicada. O resultado deste conflito é um dinâmico e engraçado diálogo, que leva as personagens a um caminho inesperado, contagiando o espectador do início ao final do espetáculo.

O homem desconhecido usará todas suas possíveis cartadas para conseguir o empréstimo, cujas intenções nada ortodoxas levam o gerente ao desespero.

O texto “El Crédito” (O Empréstimo) é do famoso autor de “O Método Grönholm”, já encenado no Brasil com o ator Lázaro Ramos. O diretor Isser Korik diz que o texto “O Empréstimo” lhe chamou a atenção pela atualidade da história. A crise econômica no Brasil como em todo o mundo tornou comum a necessidade de, em algum momento, as pessoas solicitarem empréstimos a uma instituição financeira. Mas o que na peça surpreende é o argumento que o cliente encontra para convencer o gerente a conceder os recursos.

“El Crédito” faz sucesso por onde passa e já pode ser considerada uma das peças de Galceran com maior número de montagens. O texto já foi encenado na Espanha (Madri, Barcelona, Galícia, País Basco, Valença), Hungria, Itália, Áustria, Alemanha, Grécia, Turquia, Bulgária, Estônia, Suíça, Polônia, Romênia, Finlândia, Peru, Chile, Costa Rica, Venezuela, Colômbia, Porto Rico, Argentina, Uruguai, México e Estados Unidos. O texto foi publicado pela Ediciones Antígona

Isser Korik conta que a encenação dá total foco aos atores e ao texto. “Temos um texto muito bem escrito e excelentes atores. Não há necessidade de muitos recursos de cenário ou qualquer efeito visual. O mais importante é desenvolver o jogo na atuação de André Mattos e Leonardo Miggiorin. Eles são atores de gerações diferentes e cada um carrega influências diversas. Cada um tem seu estilo e por isso decidi trabalhar com este contraste, inclusive energético”, explica.

O ator André Mattos conta que se interessou pelo projeto imediatamente após a leitura do texto. “Gosto porque é comédia bastante contemporânea. O texto mostra o conflito entre o indivíduo e a instituição financeira. Antigamente a palavra era valorizada. Hoje a palavra não vale nada. Minha personagem não é o banqueiro, é um homem que tem o poder de tomar decisões. Mas ele está amarrado a uma série de regulamentos que determinam e limitam o seu poder”, comenta o ator que atualmente mora em Los Angeles e voltou ao Brasil especialmente para fazer “O Empréstimo”; gravar “Belaventura”, próxima novela da TV Record; e divulgar quatro longas-metragens: “O Nome da Morte”, de Henrique Goldman; “Divórcio 190”, de Pedro Amorim; “Aconteceu na Quarta-feira”, de Domingos Oliveira; e “Ninguém Entra, Ninguém Sai”, de Hsu Chien.

Leonardo Miggiorin, que vive o cliente do banco, diz que encontra no texto todos os ingredientes para fazer uma comédia ágil e muito inteligente. “O início do texto apresenta uma situação engraçada. Depois a peça vai mostrando aspectos das personagens, como, as diferenças sociais e o sentimento de impotência do indivíduo diante da força institucional. Todas as informações vão entrando na peça para valorizar ainda mais o efeito cômico”, diz.

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FICHA TÉCNICA

Texto – Jordi Galceran

Tradução e direção– Isser Korik

Elenco – André Mattos e Leonardo Miggiorin

Cenografia e figurinos – Paula de Paoli

Cenotécnico – Wagner José de Almeida

Serralheria – Kalango

Trilha sonora composta – Jair Oliveira

Criação gráfica Lab 212

Fotografia – João Caldas

Equipe técnica – Jardim Cabine

Coordenação de produção  – Isabel Gomez

Assistente de produção – Pedro Pó

Administração – Isabel Gomez  e Pedro Pó

Assistentes de direção – Ian Soffredini e Mariana São João

Iluminação –  Isser Korik

Realização – Conteúdo Teatral

 

SERVIÇO: O EMPRÉSTIMO

Local: Teatro Folha

Temporada até: 25 de junho de 2017

Apresentações: sexta-feira, às 21h30; sábado, às 20h e 22h; domingo, às 20h.

Ingresso: R$40,00 (setor 2) e R$60,00 (setor 1)

Duração: 80 minutos

Classificação etária: 14 anos 

TEATRO FOLHA

Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 / Terraço / tel.: (11) 3823-2323 – Televendas: (11) / 3823 2423 / 3823 2737 / 3823 2323 Site: www.teatrofolha.com.br

CERTA VEZ NUMA ILHA

Em meio a uma tempestade, 17 atores são os camponeses de uma ilha do caribe que resolvem contar a história de Ti Moune, uma menina pobre que se apaixona por Daniel, um menino rico do outro lado da ilha, que sofre um acidente de automóvel. Quando Daniel é devolvido ao seu povo, os deuses que governam o local guiam Ti Moune numa missão para testar a força do seu amor contra as poderosas forças do preconceito, do ódio e da morte.

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Classificação: Livre
Duração: 1h 10m
Elenco: Márcia Oliveira, Léo Machado, Luci Salutes, Renato Albano, Wesley Souza, Thais Morais, Tarcísio Serasso, Stefani Dourado, Wagner Lima, Nina Rodrigues, Valmir D’Fiama, Dandara Ohana, Dagliane Natielle, Matheus Vieira, Matheus Autran, Wellington Santos e Thais Pereira
Direção Geral, tradução e versões: Rafael de Castro
Direção Musical: Eduardo Albertino
Design de Luz: Robson Bessa
Operação de Iluminação: Ian Bessa
Cenografia e Indumentária: Grupo Artemis de Teatro
Produção Executiva: Felipe Rodrigues

TEMPORADA JUNHO
Funarte (Sala Guiomar Novaes)
Al. Nothman, 1058 – Campos Elíseos – Tel: 3662-5177
Apresentações: Sáb 16h, R$40 | Dom 16h, R$40
Não aceita cartões. A bilheteria abre 1 hora antes da apresentação.
Temporada: de 03/06/2017 até 02/07/2017

 

 

SUTIL VIOLENTO

A Companhia de Teatro Heliópolis estreia o espetáculo Sutil Violento no dia 27 de maio (sábado, às 20h), na Casa de Teatro Maria José de Carvalho, no bairro Ipiranga, em São Paulo.

Com texto de Evill Rebouças e encenação assinada por Miguel Rocha (diretor e fundador do grupo), a montagem trata da violência sutil – visível ou comodamente invisível – do nosso cotidiano.

A encenação de Sutil Violento inicia com um frenesi cotidiano, as pessoas correm. Não param. Mal se percebem. Desviam umas das outras, em alguns momentos se esbarram e, em átimos de atenção, reparam que há outros tão próximos e tão parecidos (ou tão diferentes?). Ali, logo ali, há um corpo caído no chão. Será um homem ou um bicho? Apenas se cansou ou não respira mais? Queria comunicar algo, mas será que conseguiu? Um olhar mais atento ao entorno começa a revelar abusos, agressões, confrontos e opressões diárias: formas de coerção privadas ou públicas. Sutis violências do nosso tempo; tão sutis que se tornam invisíveis, naturalizadas.

Segundo o diretor Miguel Rocha, o espetáculo aborda o tema microviolência por meio de uma estrutura fragmentada, tanto na cena quanto no texto. A dramaturgia é composta por um conjunto de elementos: ações físicas, movimentos, música ao vivo e texto. Não há personagens com trajetórias traçadas, mas “figuras” cujas relações com o contexto social em que vivem estão em foco, a exemplo da mulher que é silenciada e do jovem que usa sapatos de salto mediante olhares atravessados. “As microviolências se revelam a partir dessas relações que se estabelecem entre essas pessoas e a sociedade”, argumenta o diretor.

A encenação tem trilha sonora de Meno Del Picchia, executada ao vivo (guitarra, violoncelo e percussão). A música também tem sua carga dramatúrgica em Sutil Violento e ajuda a estabelecer as tensões entre as figuras, muitas vezes a força do discurso está na musicalidade ou na própria canção interpretada. Outro ponto importante é o espaço cênico: a Companhia de Teatro Heliópolis optou por uma instalação (de Marcelo Denny) ao invés de cenografia. Nada convencional, o cenário cedeu lugar a um ambiente todo coberto pela cor vermelha (piso, paredes e arquibancadas) que, no primeiro contato, já propõe sensações diversas. “Queremos que o público integre o espaço, e a monocromia ajuda a inseri-lo dentro da cena. Essa cor vibrante, esse vermelho intenso tem como contraponto a luz fria, que também contribui para a sensação de experimentação do não convencional”, conta o diretor.

Miguel Rocha conclui que o espetáculo quer pontuar as microviolências do nosso tempo, do Brasil de hoje; mostrar que as pequenas ou sutis violências se potencializam mediantes suas naturalizações. “Sutil Violento é muito mais provocação que denúncia. Cada um vai entender o espetáculo pela perspectiva pessoal. Por isso acho importante trabalhar com símbolos em cena, que reverberam sempre de forma diferente para cada pessoa; o espectador vai se deparar com alguns deles em Sutil Violento. É importante fazer o público pensar, e um argumento bom para isto é mesmo a provocação.

Sutil Violento é resultado do projeto Microviolências e Suas Naturalizações, contemplado pela 28ª Edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Uma série de atividades foi realizada, em 2016, durante o processo de pesquisa. Além de entrevistas com pessoas da comunidade de Heliópolis, o grupo promoveu encontros para discutir a “Naturalização da Violência” com importantes pensadores e ativistas: o jornalista e doutor em ciência política Leonardo Sakamoto, a filósofa Marcia Tiburi, a historiadora social Zilda Iokoi e o jornalista Bruno Paes Manso. Os debates, mediados pela crítica teatral Maria Fernanda Vomero (também provocadora), funcionaram como provocações teóricas fundamentais para a construção do trabalho. O projeto teve ainda provocações teatrais com Alexandre Mate e Marcelo Denny, preparação corporal e direção de movimento de Lúcia Kakazu e figurino assinado por Samara Costa, entre outros.

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Ficha técnica

Encenação: Miguel Rocha.

Texto: Evill Rebouças (criação em processo colaborativo com a Cia de Teatro Heliópolis)

Elenco: Alex Mendes, Arthur Antonio, Dalma Régia, David Guimarães, Klaviany Costa e Walmir Bess.

Direção de movimento e preparação Corporal: Lúcia Kakazu

Oficinas de dança: Nina Giovelli e Camila Bronizeski

Direção musical e preparação vocal: Meno Del Picchia

Oficinas de voz e canto: Olga Fernandez, Sofia Vila Boas e Lu Horta

Músicos: Giovani Bressanin (guitarra), Peri Pane (violoncelo) e Luciano Mendes de Jesus (percussão)

Sonoplastia: Giovani Bressanin

Provocação teórica e prática: Maria Fernanda Vomero

Provocação / teatro épico: Alexandre Mate

Provocação / teatro performático: Marcelo Denny

Mesas de debates: Marcia Tiburi, Leonardo Sakamoto, Bruno Paes Mando e Zilda Iokoi

Mediadora/debates: Maria Fernanda Vomero

Organização de textos do programa: Maria Fernanda Vomero

Cenografia/instalação: Marcelo Denny

Assistente de cenografia: Denise Fujimoto

Figurino: Samara Costa

Iluminação: Toninho Rodrigues e Miguel Rocha

Assistente de iluminação: Raphael Grem

Operação de luz: Gabriel Igor

Direção de produção: Dalma Régia

Produção executiva: Janete Menezes e Mayuri Tavares

Designer gráfico: Camila Teixeira

Fotos: Geovanna Gellan

Assessoria de imprensa: Eliane Verbena

Realização: Companhia de Teatro Heliópolis

Apoio: 28ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, AGC Vidros, Schioppa, Arno e Tonlight.

 

Serviço

Espetáculo: Sutil Violência

Estreia: 27 de maio. Sábado, às 20 horas

Casa de Teatro Maria José de Carvalho

Rua Silva Bueno, 1533. Ipiranga/SP. Tel: (11) 2060-0318

Temporada: 27 de maio a 27 de agosto (dia 29 de julho não haverá apresentação)

Horários: sextas e sábados 20h e domingos, às 19 horas

Ingressos: Grátis (bilheteria 1h antes das sessões)

Duração: 90 minutos. Gênero: Experimental. Classificação: 14 anos

Capacidade: 48 lugares. Não possui acessibilidade.

Agendamento para escolas e ONGs: sessões das sextas-feiras.

CISNE

O espetáculo Cisne, concebido, dirigido e coreografado por Dinah Perry, faz curta temporada no Teatro Ruth Escobar, entre os dias 21 de maio e 4 de junho com sessões aos domingos, às 16 horas.

Com estética que mistura teatro e dança, Cisne faz uma reflexão sobre questões íntimas do homem e da mulher, buscando ressaltar sentimentos intensos de forma lúdica. Dinah comenta que “a forma de expressão corporal está na linguagem da dança teatralizada e do teatro musicado, ligados por uma dramaturgia subjetiva, embasada em textos e poemas que norteiam o conceito da criação”.

As sensações e as emoções são referências usadas pela diretora para contar histórias de personagens que vivem a beleza e a fragilidade da alma. Entregues às situações, deixam transparecer a essência das paixões. As cenas ora são românticas e alegres, ora tristes e vazias, ora inocentes e exuberante, ora sensuais e sexuais.

A gênese do trabalho se dá pelos gêneros poético, lírico e épico, alinhados por uma composição contemporânea. As cenas resultam em um conceito corporal técnico e requintado de movimentos desconstruídos. Cisne é formado por cenas independentes, configuradas por sketches de coreografia que unidas formam o corpo do espetáculo e a composição da obra.

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Ficha técnica / Serviço

Teatro coreográfico: Cisne

Direção e coreografia: Dinah Perry. Iluminação / figurino: Dinah Perry. Elenco: Átila Freire, Ícaro Freire, Ana Carolina Barreto, Júlia Cavalcanti e Carine Shimoura. Produção e realização: Cia. Artista do Corpo. Assessoria de Imprensa: Verbena Comunicação

Reestreia: 21 de maio. Domingo, às 16 horas

Teatro Ruth Escobar (Sala Gil Vicente)

Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista, SP/SP. Telefone: (11) 3289-2358.

Temporada: 21/5 a 4/6 – Domingos, às 16 horas.

Ingressos: R$ 40,00 (meia R$ 20,00).

Bilheteria: quinta e sexta (14h-21h30), Sábado: (12h-23h) e domingo (12h-19h30)

Aceita Dinheiro, cheque, cartão de débito ou crédito.

Duração: 60 min. Gênero: Teatro coreográfico. Classificação: Livre.

320 lugares. Ar condicionado. Acessibilidade. http://teatroruthescobar.com.br/

GAVIÃO DE DUAS CABEÇAS

O espetáculo “Gavião de duas cabeças”, solo idealizado e atuado por Andreia Duarte com direção de Juliana Pautilla, faz apresentação com preço popular nesse sábado e domingo (dia da Virada Cultural – 20 e 21 de maio) no valor de R$15.00. A peça está em cartaz na SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt).
A peça traz elementos de uma teatralidade contemporânea, unindo performance e teatro, inspirada em um mito que conta a história do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena e sobrevive mesmo depois da morte do corpo. O mito – que é usado como metáfora de um pensamento hegemônico – norteia a montagem do espetáculo em que a atriz empresta seu corpo como um documento oral-visual de resistência poética. Em cena, figuras opostas aparecem: uma representante do agronegócio, uma mulher indígena e a atriz questionando a sua própria experiência.
O público é chamado a ver e ouvir um genocídio validado por discursos dominantes e por leis que infringem os direitos. A dramaturgia traz um olhar sobre o índio, em seu lugar de singularidade no cenário político atual. Os discursos trabalhados são reais, atuais e sociais que permeiam esse universo no Brasil. De um lado o discurso ruralista e da mercadoria, contra a demarcação das terras para os índios, em favor da PEC 215 (PEC que retira o poder da FUNAI de realizar as demarcaçõ​es, passando este poder​ ​para o legislativo), de outro lado o indígena defendendo a ​sua sobrevivência, ​logo a natureza e as suas origens. E ainda o discurso da atriz que viveu ambos os contextos, o urbano e o indígena, se inserindo na complexidade dessa alteridade.
A partir da voz da atriz, que teve uma experiência real e profunda na aldeia, com os índios Kamayura do alto Xingu, há uma percepção do público de como ser possível nos colocarmos no lugar do outro. A dramaturgia opta por um olhar atual sobre o índio, em seu lugar humano, político, escapando da imagem do pitoresco e do exótico.
Sinopse
O mito do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena, que sobrevive mesmo depois da morte do corpo, norteia a montagem do espetáculo Gavião de Duas Cabeças. A partir dessa imagem de morte e genocídio, a peça costura discursos atuais a partir da experiência pessoal da atriz. Os discursos encenados são reais e permeiam a atual realidade política e social brasileira: de um lado o discurso ruralista, de outro o indígena e ainda o da atriz que viveu em ambos os contextos, o urbano e o indígena.

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Ficha Técnica
Idealização e Atuação: Andreia Duarte. Direção e Preparação Corporal: Juliana Pautilla. Dramaturgia e cenografia: Andreia Duarte e Juliana Pautilla. Criação de Luz: Ronei Novais. Trilha Sonora: Carlinhos Ferreira. Criação de Vídeos: Natália Machiavelli.  Direção de Arte e Produção de Arte: Alice Stamato. Fotografia: Fernanda Procópio. Operação de som, luz e vídeo: Bruno Carneiro. Criação gráfica e teasers: Daniel Carneiro. Registro em Vídeo: Daniel Carneiro, Robson Timóteo ​ e Anderson Chocks​. Assessoria de imprensa: Willian Rafael.