GAVIÃO DE DUAS CABEÇAS

O espetáculo “Gavião de duas cabeças”, solo idealizado e atuado por Andreia Duarte com direção de Juliana Pautilla, faz apresentação com preço popular nesse sábado e domingo (dia da Virada Cultural – 20 e 21 de maio) no valor de R$15.00. A peça está em cartaz na SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt).
A peça traz elementos de uma teatralidade contemporânea, unindo performance e teatro, inspirada em um mito que conta a história do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena e sobrevive mesmo depois da morte do corpo. O mito – que é usado como metáfora de um pensamento hegemônico – norteia a montagem do espetáculo em que a atriz empresta seu corpo como um documento oral-visual de resistência poética. Em cena, figuras opostas aparecem: uma representante do agronegócio, uma mulher indígena e a atriz questionando a sua própria experiência.
O público é chamado a ver e ouvir um genocídio validado por discursos dominantes e por leis que infringem os direitos. A dramaturgia traz um olhar sobre o índio, em seu lugar de singularidade no cenário político atual. Os discursos trabalhados são reais, atuais e sociais que permeiam esse universo no Brasil. De um lado o discurso ruralista e da mercadoria, contra a demarcação das terras para os índios, em favor da PEC 215 (PEC que retira o poder da FUNAI de realizar as demarcaçõ​es, passando este poder​ ​para o legislativo), de outro lado o indígena defendendo a ​sua sobrevivência, ​logo a natureza e as suas origens. E ainda o discurso da atriz que viveu ambos os contextos, o urbano e o indígena, se inserindo na complexidade dessa alteridade.
A partir da voz da atriz, que teve uma experiência real e profunda na aldeia, com os índios Kamayura do alto Xingu, há uma percepção do público de como ser possível nos colocarmos no lugar do outro. A dramaturgia opta por um olhar atual sobre o índio, em seu lugar humano, político, escapando da imagem do pitoresco e do exótico.
Sinopse
O mito do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena, que sobrevive mesmo depois da morte do corpo, norteia a montagem do espetáculo Gavião de Duas Cabeças. A partir dessa imagem de morte e genocídio, a peça costura discursos atuais a partir da experiência pessoal da atriz. Os discursos encenados são reais e permeiam a atual realidade política e social brasileira: de um lado o discurso ruralista, de outro o indígena e ainda o da atriz que viveu em ambos os contextos, o urbano e o indígena.

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Ficha Técnica
Idealização e Atuação: Andreia Duarte. Direção e Preparação Corporal: Juliana Pautilla. Dramaturgia e cenografia: Andreia Duarte e Juliana Pautilla. Criação de Luz: Ronei Novais. Trilha Sonora: Carlinhos Ferreira. Criação de Vídeos: Natália Machiavelli.  Direção de Arte e Produção de Arte: Alice Stamato. Fotografia: Fernanda Procópio. Operação de som, luz e vídeo: Bruno Carneiro. Criação gráfica e teasers: Daniel Carneiro. Registro em Vídeo: Daniel Carneiro, Robson Timóteo ​ e Anderson Chocks​. Assessoria de imprensa: Willian Rafael.

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