O JOGO DO AMOR E DA MORTE

O Jogo do Amor e da Morte” busca inspiração em diversas obras literárias para contar a história de um homem (interpretado por Eliseu Paranhos) e de uma mulher (interpretado por Juliana Fagundes), fragilizados e paralisados diante de suas dores. A cada noite um jogo é proposto. Assim, “Os Maias” de Eça de Queiroz, “Giovanni” de James Baldwin e “Olhos Azuis – Cabelos Pretos” de Marguerite Duras emprestam seus personagens para que esses “jogos” se estabeleçam, numa expiação incessante que só acontece à noite – durante os dias os personagens somem, como vampiros.

Os espectadores ficam a poucos metros dos atores de forma que uma experiência naturalista é levada às últimas consequências, ainda que elementos distanciadores desafiem esta lógica – como o notebook ligado o tempo todo ou o som de mar intermitente vindo de alto-falantes.

Sinopse

Um homem contrata uma mulher para lhe fazer companhia por cinco noites durante as quais ela não deve fazer perguntas a seu respeito. A cada noite um jogo é proposto no qual eles devem representar papéis diferentes, sempre relacionados a amores frustrados e abandonos.

Os enredos criados remetem a personagens literários de forma que o que é verdade e o que é representação acaba se perdendo em meio aos devaneios e às dores, como num jogo de espelhos.

É certo, no entanto, que uma relação íntima e desesperada se estabelece e se fortalece durante esse período, de forma que um último abandono se torna imperativo sem que nenhum deles possa controlar.

Sobre o texto inédito de Eliseu Paranhos

“O Jogo do Amor e da Morte” é um pastiche cujos autores são, em última análise, os dois personagens da peça. São eles que citam e usam, como inspiração, as obras e autores que lhes convém.

O texto tem como fontes os enredos e personagens dos romances “Olhos Azuis – Cabelos Pretos”, de Marguerite Duras, “Giovanni”, de James Baldwin e “Os Maias” de Eça de Queiroz, bem como referências ao filme “Blade Runner”, de Ridley Scott, à música “La Maison Dieu”, de Renato Russo e à peça “Galileu Galilei”, de Bertold Brecht.

Em nossa fábula um homem está chorando em uma praia quando é abordado por uma mulher de olhos azuis, que também começa a chorar. Por algum motivo, o homem a contrata para lhe fazer companhia por cinco noites durante as quais ela não deve fazer perguntas a seu respeito.

Noite após noite os dois passam a representar papéis com o propósito aparente de entender e purgar os motivos pelos quais os dois se sentem tão abandonados e com tantas dores.

Destes jogos, às vezes lúdicos, às vezes extremamente dolorosos, nasce uma intensa relação fadada a uma interrupção ríspida devido à natureza do contrato que os une”.

Sobre a encenação

Concebida desde o início para ser encenada numa casa, para poucos espectadores, a peça possui inúmeras características que a afastam de uma experiência convencional de teatro.

O cenário é composto pela própria arquitetura e pelos móveis da casa – uma casa da década de 40, localizada em frente ao Instituto Biológico, na Vila Mariana. Nada foi retirado ou colocado. Não há um aparato cênico específico de teatros – equipamento de luz e de som, urdimentos ou nada parecido“, conta Eliseu.

A trilha sonora é composta por três canções compostas por Eliseu para o espetáculo e cantadas “à capela” e por um barulho constante de mar, que vem de um notebook utilizado como um elemento cênico.

A luz é toda feita pelas luminárias e abajures que fazem parte da mobília da própria casa, por aparelhos celulares e “tablets”, num confronto entre o novo e o antigo.

Alie-se isso ao tom poético e literário do texto e não poderíamos deixar de experimentar uma interpretação que não fosse intimista e radicalmente naturalista, com a encenação flertando mais com a linguagem cinematográfica do que a teatral“, completa Eliseu.

Ao espectador resta a sensação quase literal de ser um intruso, um “voyeur”, de ter um olhar privilegiado sobre aquelas veias abertas em que se transformam as pessoas à sua frente, cujas dores são tão intensas que fica difícil decifrar o que é mentira e o que é verdade nas encenações propostas pelos personagens.

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FICHA TÉCNICA

Texto e direção – Eliseu Paranhos

Elenco – Eliseu Paranhos e Juliana Fagundes

Cenário – Casa dos Fagundes

Figurino – Luciano Ferrari

Produção de Figurinos – Elen Zamith

Iluminação – Eliseu Paranhos e Juliana Fagundes

Projeto Gráfico – Paula di Paoli

Ilustração Projeto Gráfico – Luciano Ferrari

Ilustração “Casa dos Fagundes” – Pedro Brecheret Fagundes

Fotografia – VagnerClick

Administração – Lena Roque

Agradecimentos: Lena Roque, Julio Pompeo, Beto Magnani, Elaine Bortolanza, Ulysses Fagundes Neto, Claudio Marco Antonio, Mauro Casa dos Fagundes, Clarete Paranhos, Mauro Nemirovsky de Siqueira

SERVIÇO

Casa dos Fagundes: Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1239 (em frente ao Instituto Biológico) – próximo à estação Ana Rosa do metrô.

Estreia: dia 27 de maio.

Temporada: sábados  às 21h e domingos às 20h.

Duração: 80 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

Capacidade: 20 pessoas

Ingressos: R$ 60,00 / meia-entrada: R$30,00– reservas pelo telefone: 993319366 (Vivo)

Até: 26 de agosto

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