CARMEN

A peça foi idealizada por Natalia Gonsales e Flávio Tolezani, responsáveis pela produtora cultural Bem Casado Produções Artísticas. Juntos decidiram montar esse clássico que relata a história de uma das personagens mais conhecidas mundialmente.

De fato, a cigana não demorou a passar das páginas aos palcos e destes, às telas. No cinema, diversos diretores assinaram adaptações próprias da história, entre eles se destacam Chaplin, Peter Brook, Lubitsch, Saura e Godard. Mas o sucesso da narrativa teve o seu preço. A figura esquiva e inconstante criada por Mérimée foi perdendo espaço para uma “femme fatale”.

Este projeto tem como objetivo a montagem do espetáculo, o resgate dos principais personagens criados por Mérimée para que o público volte a se intrigar e querer decifrá-los. E assim, basear-se na literatura de Prosper Mérimé e também permitirá que a construção cênica explore a cultura cigana numa linguagem contemporânea.”, conta Natalia Gonsales.

Com intuito de unir o teatro, a dança e a música num único espetáculo, os movimentos e as coreografias são dirigidos pela bailarina do Balé da Cidade Fernanda Bueno. Nelson Baskerville assina a direção geral do espetáculo.

O público conhecerá o mundo fascinante e perigoso da boêmia que se opõe às normas burguesas, já que a sua figura foi deformada da original, principalmente na ópera e no ballet, tornando-a assim familiar, o que não deixa de ser uma situação insólita para quem, como ela, sempre se recusou terminantemente a constituir um laço familiar. Uma mulher que não teme a morte, fascinada pelo risco e capaz de prever o seu trágico destino.

Admiração, pulsão, curiosidade, interesse pela cultura cigana e pela personagem Carmen foram fundamentais para essa iniciativa artística. O desejo impulsionou a ideia e a vontade de levar essa personagem, carregada de uma forte personalidade e de uma trágica história, ao teatro. Uma dramaturgia clássica merece ser conhecida, visitada, discutida e revistada. Pois, quando são vivenciadas de fato, mais se revelam novas, inesperadas e inéditas. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira. Um clássico é uma história que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer e que, por isso, atravessa o tempo e atualiza questões verdadeiramente fundamentais à existência, ao expandir, de maneira contínua, a percepção da realidade daqueles que, com ele, entram em contato.

Porém, a dinâmica da dramaturgia criada por Luiz Farina, a partir da obra do Mérimée, não admite apenas uma interpretação. Carmen, também como narradora, relata os acontecimentos que levarà sua tragédia. “E assim, a montagem tem como intuito não apenas encenar essa história, mas oferecer ao público elementos conflitantes e contraditórios de uma mesma realidade contados por duas pessoas com pontos de vista divergentes e que são surpreendidas pelo desejo e pela paixão”, comenta Flávio Tolezani.

Uma história contada e recontada nas mais variadas formas e gêneros. Carmen surgiu como romance em 1845 e já foi filme, ópera e novela nas mãos de grandes mestres. Para Nelson Baskerville, a pergunta recorrente que todos se fazem ao remontar a peça é: por que fazê-la? “Para mim, porque pessoas continuam morrendo por isso e precisamos recontar a história até que não sobre nenhuma gota de dor”.

Na atual encenação elementos clássicos como a dança flamenca, os costumes ciganos, a tauromaquia, entre outros, são resignificados ao som de guitarras distorcidas, microfones e coreografias para que não reste dúvida de que se repetem as histórias tristes de amor e paixões destruidoras. “O ponto de vista que nos interessa é o de Carmen, a mulher assassinada, dentro de uma sociedade que pouco mudou de comportamento ao longo dos séculos, que aceitou brandamente crimes famosos cometidos contra mulheres como os de Doca Street, Lindomar Castilho e mais recentemente de Bruno, o goleiro. Crimes muitas vezes justificados pela população pelo comportamento lascivo das vítimas, como se isso não fosse aceito em situações invertidas relativas ao comportamento masculino. O homem pode. A mulher não. Nessa encenação Carmen morre não porque seu comportamento justifique qualquer tipo de punição, mas porque José é um homem, como tanto outros, doente como a sociedade que o criou”, completa Nelson Baskerville.

SINOPSE
Carmen e José vivem uma trágica paixão. Na trama, ele narra o seu amor por Carmen e o motivo que o levou a prisão. Já ela, através da obliquidade dos olhos, narra o seu ponto de vista em relação à história.

Carmen 3 - Foto de Ronaldo Gutierrez - com Flávio Tolezani e Natália Gonsales

Carmen
Com Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira.
Teatro Aliança Francesa (Rua Gen. Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
30/06 até 20/08
Sexta e Sábado – 20h30; Domingo – 19h
$50
Classificação 12 anos

ATO FALHO

O drama ATO FALHO estreia dia 17 de junho no espaço Cia do Pássaro para temporada até 30 de julho. Bruna Anauate e Tati Lenna assumem praticamente a ficha técnica toda trazendo um espetáculo árido onde também é possível encontrar o riso.

Sinopse

Um ato fortuito no cotidiano de uma mulher cansada desencadeia uma série de situações onde a fragilidade humana é revelada sem cuidado. Fatos aparentemente pequenos e irrelevantes assumem grandes proporções quando as personagens se encontram a ponto de explodir. Um copo que cai, um mascar de chicletes excessivamente barulhento, um atendimento de telemarketing que não se conclui, uma foto que não fica boa. Tudo, qualquer coisa, pode ser o estopim para uma revelação que estávamos tentando esconder na ansiedade de viver e cumprir um cotidiano aprisionador.

Sobre o processo criativo

Os últimos meses foram movimentados nos meios teatrais/culturais da cidade de São Paulo. A crise econômica que o país vem atravessando amedrontou patrocinadores, as verbas de cultura municipais sofreram cortes e a Lei Roaunet sofreu mudanças marcantes. Diante desse cenário desfavorável às produções artísticas independentes, resolvemos criar um espetáculo que se encaixasse neste momento de dificuldades tornando-se realizável independentemente de patrocínios ou editais.”, conta a atriz Bruna Anauate.

Estávamos cansadas de ter textos e projetos presos na gaveta pela impossibilidade de recursos que os viabilizassem. Acreditamos que a força do teatro está no texto e no ator. Já tínhamos esse material, então resolvemos investir nisso e criar uma montagem com o mínimo de recursos possível, focada na palavra e no jogo cênico”, completa Tati Lenna.

Bruna Anauate e Tati Lenna se conheceram em 2008 no CPT – Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, e desde então seguiram em contato. Bruna Anauate já havia se envolvido na área de produção em 2013 quando atuou como atriz e produtora em “Tem alguém que nos odeia”, texto de Michelle Ferreira. Tati Lenna investiu mais na área da dramaturgia ao integrar o Núcleo de Dramaturgia do Sesi através do qual publicou em 2016 seu primeiro texto teatral “Circo Chernobyl – Um ensaio sobre a peça”.

ATO FALHO foi escrito e dirigido quase que simultaneamente. Os encontros semanais com improvisação e exercícios de dramaturgia resultaram no espetáculo composto por 6 cenas que se mesclam propondo um jogo para o espectador. “Jogamos as peças e quem monta o quebra cabeça é o público. As peças são coringas e podem se encaixar de diversas formas permitindo que várias leituras sejam possíveis. Queremos o espectador ativo na obra e não entregar uma narrativa fechada.”, comenta Bruna.

Os personagens não são caracterizados permitindo que as sensações, emoções e atitudes por eles expressadas possam ser atribuídas a toda e qualquer pessoa independente de classe social, cor, credo, orientação sexual ou gênero.

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Ato Falho
Com Bruna Anauate e Tati Lenna.
Cia do Pássaro (Rua Álvaro de Carvalho, 177 – Centro, São Paulo)
Duração 60 minutos
17/06 até 30/07
Sábado – 21h; Domingo – 19h
$40

QUARTO 19

Prêmio Nobel de Literatura em 2007, a escritora britânica Doris Lessing tem seu conto No Quarto Dezenove (To Room Nineteen) encenado no palco. O monólogo concebido por Amanda Lyra (que atua e também traduziu o conto) tem direção de Leonardo Moreira e faz nova temporada no Teatro do Núcleo Experimental de 14 de junho a 6 de julho de 2017.

A peça narra o caminho de uma mulher à procura de sua identidade. As questões abordadas pelo texto e pela encenação de Quarto 19 dizem respeito principalmente às mulheres, mas não só a elas. Nesse conto, Lessing aborda com simplicidade e força alguns de seus temas mais persistentes, como o cabo de força entre o desejo humano e os imperativos do amor, da traição e da ideologia, as tensões entre o doméstico e a liberdade, a responsabilidade e a independência.

Os efeitos do casamento, a fragmentação da identidade feminina, a extenuante busca por um sentido aos papeis impostos socialmente e a tensão entre o eu social e o eu marginal são explorados no conto de Doris Lessing, e também nesta montagem. A construção da identidade, o trabalho para estabelecê-la, defini-la e refiná-la talvez seja o fio que sustenta o conto e, portanto, o monólogo “O Quarto 19”.

Ela está consciente de que é prisioneira de alguma coisa maior e, em seu discernimento embotado, passa a acreditar que está doente. No entanto, vemos que o mal que a aflige está no âmago da sociedade, e não em algum lugar escondido das anomalias individuais. A personagem vive assim a luta silenciosa de muitas outras mulheres”, conta Amanda Lyra.

A protagonista representa a imagem socializada da mulher oprimida pelas necessidades do homem e da família. Assim, o espetáculo espelha a mesma procura de outras mulheres na vida real. É uma luta, onde o desejo de autenticidade se vê barrado por modelos culturais. As manifestações políticas dos últimos anos e o fortalecimento do feminismo e dos direitos da mulher têm demonstrado que essas questões, ainda que trabalhadas em uma obra publicada nos anos 1970, continuam importantes para muitas pessoas no Brasil e no mundo.

SINOPSE
A peça é construída a partir do conto homônimo da escritora britânica Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura em 2007. Quarto 19 é  história de uma mulher de classe média, casada e mãe de três filhos. Após anos sem trabalhar fora, dedicada à criação dos filhos, ela espera  o momento em que o mais novo entrará para a escola, quando finalmente terá algum tempo para si. Mas quando isso acontece, ela não sente a liberdade que esperava. Fugindo da irritação doméstica e do ritmo familiar, ela então passa a alugar um quarto de hotel no centro da cidade, o quarto 19.

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Quarto 19
Com Amanda Lyra
Núcleo Experimental ( Rua Barra Funda 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 80 minutos
14/06 até 06/07
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 16 anos

BRAGUINHA – SONS, CANÇÕES E HISTÓRIAS

Braguinha é um dos compositores mais importantes da música brasileira. Conhecemos a maior parte de sua obra através de sambas e marchinhas populares, como Chiquita Bacana, Touradas em Madri, Balancê, As Pastorinhas, mas poucos sabem que ele também tem uma vasta obra dedicada às crianças. Suas músicas contam com uma narrativa fantasiosa que permite viajar, de forma lúdica, do Brasil para a Espanha e assistir a uma tourada em Madri.

Tendo como base a obra de Braguinha, a dramaturgia do musical foi elaborada a partir de suas músicas e suas histórias, presentes na coleção Disquinho, sem a preocupação de dar conta de toda sua obra, mas traçando um panorama de seu legado e construindo, assim, uma nova história a partir desse universo.

O espetáculo mostra ao público infantil personagens e canções presentes em histórias como “A Cigarra e a Formiga”, “Festa no Céu”, “Chapeuzinho Vermelho”, “O gato na Tuba” e “Viveiro de pássaros”, todas roteirizadas e musicadas por Braguinha. São músicas e narrativas presentes na infância de toda uma geração, e que talvez hoje cheguem cada vez menos aos ouvidos das crianças, parecendo terem se perdido num passado remoto, assim como os discos de vinil, que o espetáculo resgata e coloca em cena. Quando tocados na vitrola, transportam todos, como se fossem um portal mágico, para viverem as histórias e personagens da Coleção Disquinho.

A Cia Coisas Nossas de Teatro foi fundada em 2009 e se dedica à pesquisa cênica da vida e obra de grandes compositores brasileiros. Tem dois espetáculos em seu repertório: “Noel Rosa, O Poeta da Vila e Seus Amores” e “Vinicius de Vida, Amor e Morte“. Seu próximo espetáculo, já em processo final de montagem, é “Caymmi Amado“.

Sinopse:

Baseado nas histórias da Coleção Disquinho. Duas crianças, perdidas na floresta, pedem abrigo numa casa de barro. O dono, Seu Braga, os acolhe e lhes apresenta suas músicas e histórias, além de objetos antigos, já “obsoletos”, como a vitrola, que, quando acionada, transporta todos magicamente para viverem outros personagens em aventuras como “A cigarra e a formiga” e “Festa no céu”.

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Braguinha – sons, canções e histórias
Com Dani Nega, Débora Veneziani, José Eduardo Rennó e Tairone Porto
Músicos: Alexandre Moura (violão e teclado), Ildo Silva (cavaco), João Poleto (flauta transversal) e Samba Sam (percussão)
SESC Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)
Duração 70 minutos
25/06 até 30/07
Domingo – 11h
$17
Classificação livre