OS ATINGIDOS OU TODA COISA QUE VIVE É UM RELÂMPAGO

Com uma linguagem que permeia a relação entre teatro e cinema, a Ordinária Companhia traz os questionamentos que envolvem o impacto da maior tragédia ambiental no Brasil em Mariana (MG) com novo espetáculo. 

Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago estreia sábado, 8 de julho, às 21h, na SP Escola de Teatro. A direção e dramaturgia é de José Fernando Peixoto de Azevedo e a temporada vai até 30 de julho com sessões sábados, às 21h, domingos, às 20h, e segundas, às 21h. 

Na trama, uma moradora da cidade atingida interroga: isso aí foi o quê, uma tragédia, um acidente, um desastre, ou um crime? A pergunta nos devolve ao campo próprio de uma disputa pela vida: aqueles que foram atingidos pela lama reclamam precisamente a sua condição própria, a de atingidos em meio ao processo de destruição. 

A peça procurou usar como propulsores para a construção os desdobramentos e os antecedentes da tragédia. Desde o histórico da rota do ouro e de minérios, além de deslizamentos menores que causaram morte ainda nos anos 80 nessa longínqua exploração da região. 

Durante a pesquisa, o grupo foi a cidade de Mariana e nos pequenos distritos em busca de contato direto com os que sofreram e ainda sofrem com o rompimento da barragem. O encontro trouxe a oportunidade de ver de perto todas as camadas que envolvem a tragédia desde os aspectos sociais, econômicos e ambientais, além das rupturas e discriminações que se tornaram a vida dos atingidos. As pessoas foram pulverizadas e classificadas de acordo com a lama que sujou suas vidas na tragédia. 

Todos esses elementos foram utilizados de maneira ficcional para criar uma montagem que constrói no palco uma espécie de filme ao vivo calcado pelo suspense. Uma linguagem que permeia o teatro e o cinema, característica que já foi trabalhada no espetáculo Zucco do grupo. 

Em cena, a situação é a de um “estúdio”, ao menos em dois sentidos simultâneos, justapostos: estúdio de gravação (atores e técnicos que, diante do público, gravam e editam materiais que são projetados, e este trabalho é também cena), mas também espaço de estudo da cena (atores atuam suas figuras em situação, diante do público). 

O resultado é um teatro-filme com um deslizamento entre os pontos de vista e perspectivas. Durante a pesquisa, filme de Alfred Hitchcock, David Lynch e o recente Corra!, de Jordan Peele, serviram para absorver os artifícios de suspense inseridos na encenação. 

A Ordinária Companhia surgiu em 2013, resultando do percurso de uma turma de alunos da Escola de Arte Dramática, a EAD, da ECA-USP, que naquele ano estreia seu trabalho de conclusão de curso, ZUCCO, uma adaptação do texto de Bernard Marie-Koltès, dirigida pelo também professor da Escola, José Fernando de Azevedo. O espetáculo fez temporadas em São Paulo – na EAD (2013), no TUSP e no CIT-ECUM (2014) – e o grupo foi indicado ao Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro (2014), na categoria revelação.

 Peça Atingidos Crédito Caio Oviedo.jpg

Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago
Com Áurea Maranhão, Conrado Caputo, Juliana Belmonte, Paulo Balistrieri e Rafael Lozano
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
08 a 30/07
Sábado – 21h; Domingo – 20h; Segunda – 21h
$20
Classificação 14 anos

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