BOCA DE OURO

Boca de Ouro é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Também é conhecido como o Drácula de Madureira. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado por um repórter. Sua fonte é dona Guigui, a volúvel ex-amante do contraventor, uma mulher que, ao longo da peça, revela diferentes versões do bicheiro.

Malvino Salvador é Boca de Ouro, Mel Lisboa e Claudio Fontana fazem o casal Celeste e Leleco, e Lavínia Pannunzio vive a transtornada Guigui, ao lado de Leonardo Ventura, que faz seu fiel e apaixonado marido, Agenor. Chico Carvalho é Caveirinha, o repórter rodriguiano, que carrega em si o olhar afiado e crítico do dramaturgo-jornalista, que durante anos trabalhou em Redações e conheceu ele próprio os vícios e contradições da imprensa. Chico também interpreta a grã-fina Maria Luisa. Cacá Toledo e Guilherme Bueno completam o elenco.

Jonatan Harold assume o piano desta gafieira carioca oferecendo a ambiência musical para Mariana Elisabetsky interpretar as canções imortalizadas por Dalva de Oliveira (1917-1972).

Como toda a ação proposta por Nelson Rodrigues parte da mente contraditória de Dona Guigui, as diferentes narrativas da personagem são exploradas pelo encenador de forma muito diversa. A cada versão de Guigui, a arena de Villela circula, ressaltando o espaço arquetípico convergente, assim como o salão circular de uma gafieira, ou um ciclo de vida que se encerra.

Dentro das iconografias do subúrbio carioca, Gabriel se utiliza da simbologia do Candomblé e das mascaradas astecas no espetáculo. A casa de Celeste e Leleco traz muitas representações de Orixás sincretizados. A figura de Iansã, (Guilherme Bueno) aparece toda vez que uma cena de morte acontece. Iansã faz a contrarregragem das mortes da estória.

O Brasil cabe todo nesta arena: a política, as narrativas contraditórias, a libido, a festa da gafieira, o jogo do bicho, a fé e a música. Retratos de uma época que nos mostram que o Brasil pouco mudou, e que nosso dramaturgo nascido em Pernambuco em 1912 e radicado no Rio de Janeiro, nunca foi tão atual.

Além da direção, Gabriel Villela assina os figurinos e a cenografia. A iluminação é de Wagner Freire, a direção musical epreparação vocal são assinadas por Babaya e a espacialização e antropologia da voz por Francesca Della Monica. Os diretores assistentes Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo completam a equipe criativa.

As diferentes narrativas para um mesmo fato, impulsionadas pelos amplos aspectos psicológicos dos personagens, cerne da dramaturgia de Boca de Ouro, já foi anteriormente explorada em Rashomon, de Kurosawa, filme que descreve um estupro e assassinato por meio dos relatos amplamente divergentes de quatro testemunhas, e também em Assim É Se Lhe Parece, dePirandello, na qual os depoimentos conflitantes da sogra e do genro sobre suas situações familiares geram curiosidade doentia nos moradores da cidade no interior da Sicília.

Esta é a terceira montagem de Nelson Rodrigues feita por Gabriel Villela. Em 1994 ele montou A Falecida, com Maria Padilha no papel título, depois foi a vez de Vestido de Noiva, em 2009, protagonizado por Leandra leal, Marcello Antony e Vera Zimmerman.

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Boca de Ouro
Com Malvino Salvador, Lavínia Pannunzio, Mel Lisboa, Claudio Fontana, Chico Carvalho, Leonardo Ventura, Cacá Toledo, Mariana Elisabetsky, Jonatan Harold e Guilherme Bueno. 
Teatro Tucarena (R. Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)
Duração 100 minutos
11/08 até 29/10
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 18h30
$50/$70
Classificação 14 anos

 

CANTORAS MUSICAIS – 15 a 17/08

 

Teatro Porto Seguro preparou uma programação musical variada para a próxima semana.

Na terça, 15, a Banda Metrô volta aos palcos para mostrar seus hits dos anos 80 e comemorar seus 30 anos de carreira.

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E dando prosseguimento ao projeto “Cantoras Musicais“, na quarta e quinta teremos, respectivamente, Marya Bravo interpretando as canções de seu pai, Zé Rodrix; e Simone Gutierrez cantando Liza Minelli.

Saiba mais em www.opiniaodepeso.com

PAIXÕES DA ALMA

Até o dia 1º de setembro, o Espaço Beta do Sesc Consolação recebe o espetáculo Paixões da Alma, de Marcelo Romagnoli. O monólogo, com interpretação de Cláudia Missura, ganha uma nova montagem – “bem mais cartesiana”, segundo o diretor -quatorze anos após sua estreia, com trilha sonora de Natália Mallo e cenário de Marisa Bentivegna.

Inspirado na obra do filósofo francês René Descartes (1596-1650), Paixões da Alma apresenta uma mulher, em sua cozinha, que prepara um ensopado e dá a receita de como se proteger das paixões que atacam nossa alma. O texto, que é baseado em três dos cinco livros de Descartes – Discurso Sobre o MétodoMeditações, e As Paixões da Alma, – teve sua primeira montagem em 2003, sendo apresentado até 2008 pela atriz.

A adaptação de Marcelo Romagnoli para os textos do filosofo procura preservar o raciocínio do cientista, concentrando-se naexpressividade poética de suas ideias.  “Há uma forte relação entre os alimentos e as paixões descritas por Descartesódio, amor, alegria, tristeza, admiração e desejo”, explica o dire

 “O texto e o pensamento de Descartes continuam vivos e atuais. Ele foi um dos fundadores do pensamento moderno, ajudou a entender o Homem e exerceu profunda influência em vários campos do conhecimento.

Nesta nova montagem, a atriz Cláudia Missura manteve o princípio norteador da primeira encenação, aprofundando o tom preciso e limpo na interpretação, valorizando a poesia do texto e o desnudamento das emoções.

Com influências da música eletrônica contemporânea, remixes e samples, a trilha sonora com operação e execução ao vivo concebida pela cantora e compositora Natália Mallo é uma das novidades desta temporada, cujo espaço cênico foi repensado por Marisa Bentivegna.

 

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Paixões da Alma
Com Cláudia Missura
Sesc Consolação – Espaço Beta (Rua Dr Vila Nova, 245 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 minutos
03/08 até 01/09
Quinta e Sexta – 20h
$20
Classificação 14 anos