OS MAUS

Com uma comédia política que flerta com o humor negro, o absurdo e o grotesco em uma história de perda e vingança, Os Maus faz temporada na Cia da Revista. As apresentações acontecem sempre sábados, às 21h e domingos, às 19h, até 3 de setembro. A montagem tem direção e dramaturgia de Fernando Nitsch e representa a primeira parte de uma trilogia chamada Não Restará Mais Nada.

A peça retrata de uma forma grotesca os perdedores. Em uma igreja abandonada, o destino destes homens será modificado para sempre após este encontro forçado. Os sonhos individuais se desmancham ao se depararem com a terrível realidade que os cercam. E a solução encontrada não parece ser a mais correta. Muitas são as dúvidas, porém uma é a certeza: do caos vem a barbárie.

Todo o teor do espetáculo vai para o clima da comédia, onde até a derrota do Brasil por 7 x 1 para a Alemanha é colocada como uma metáfora para relembrar a questão das frustrações dos personagens. A encenação parte do estudo do bufão com um trabalho físico intenso dos atores ao trazer um resultado envolvendo ironia, falsa moral, hipocrisia dos personagens, característica refletida também no figurino. O cenário é uma igreja abandonada ou fechada para reformas. A iluminação revela uma atmosfera noir com a penumbra, um clima que dialoga com os quadrinhos do autor Frank Miller. Um dos exemplos é o clássico soturno Batman: O Cavaleiros das Trevas (1986), também conta com os desenhos de Klaus Janson.

Fernando Nitsch falou sobre os elementos que compõe a montagem. “O ponto de partida para a criação do espetáculo é o livro O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, onde o autor aborda o tema da desigualdade em que o sistema privilegia poucos em detrimento de muitos. Outra base foi a obra Deus, Um Delírio, do cientista Richard Dawkins, assim podemos abordar o lado religioso, junto os aspectos políticos e econômicos que regem toda a orquestração. Além disso, inserimos a comédia, as referências de Frank Miller, as lutas em cena, características que toda boa história em quadrinhos pode ter”.

A concepção de direção e de dramaturgia foi pensada no conceito carrossel de atrações, de Vsevolod Meyerhold. A ideia é de que cada cena traz uma nova informação, um novo gatilho e fôlego para a plateia. E acima de tudo, o projeto nasceu com a intenção de discutir um tema dos nossos tempos, um assunto potente e cotidiano que precisa estar em evidência como as questões que contaminam as nossas vidas”, finaliza o diretor e o dramaturgo.

SINOPSE
O que poderíamos esperar de homens que durante toda a vida não conseguiram triunfar em absolutamente nada? A peça retrata de uma forma grotesca os perdedores. Em uma igreja abandonada o destino destes homens será modificado para sempre após este encontro forçado. Os sonhos individuais se desmancham ao se depararem com a terrível realidade que os cercam. E a solução encontrada não parece ser a mais correta. De saída, uma óbvia revelação: somos todos perdedores. Muitas são as dúvidas, porém uma é a certeza: do caos vem a barbárie.

 

Crédito Juliana Smanio (195)

Os Maus
Com Decio Pinto Medeiros; Fernando Nitsch; Gustavo Bricks; Heitor Goldflus; Mario Luiz; Mateus Menoni; Murilo Cezar; Nelsinho Ribeiro e Paulo Vasconcelos.
Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecília, São Paulo)
Duração 70 minutos
12/08 até 03/09
Sábado – 21h; Domingo – 19h
$40
Classificação 14 anos

À MEIA NOITE UM SOLO DE SAX NA MINHA CABEÇA

Com texto e direção de Mário BortolottoÀ Meia Noite Um Solo de Sax na Minha Cabeça” reestreia em São Paulo, em 16 de agosto, quarta-feira, às 21h, em nova temporada, no Cemitério de Automóveis.

A estreia foi em 2011 nos Parlapatões, depois passou pelo Sesi, Faap , viajou pelo interior de São Paulo e agora volta ao cartaz com o mesmo desejo dos atores de quase uma década atrás: a vontade de estarem juntos no palco atuando. Fábio Espósito e Henrique Stroeter são amigos de longa data e desde 2001 – quando leram o texto pela primeira vez – planejaram este encontro.

Escrita em 1983, a comédia que já passou por diversas direções, ganha vitalidade nas atuações da dupla.

Amigos desde a maternidade, a amizade entre Billy e Jesse é o tema central da história.

Billy interpretado por Henrique Stroeter é um bebê inquieto e já “consciente” sobre as dificuldades que a vida lhe trará. Com o tempo, ele se transforma num adolescente indignado e em um adulto idealista, ativista político e sem dinheiro.

Já Jesse, personagem de Fábio Espósito, é uma criança educada, rica e com boas perspectivas de vida. Na adolescência experimenta comodidades burguesas e na maturidade opta pela segurança financeira e familiar.

Entre 1950 e a passagem do ano de 1983 para 1984, eles compartilham, em 13 quadros, experiências pessoais, políticas e sociais pontuadas por ágeis trocas de figurinos e projeções de fatos reproduzidos em telão. “O foco é contar esse tempo, abordando a música, fatos jornalísticos, moda, pensamento político-social e, claro, o afeto e a lealdade entre esses dois amigos inseparáveis”, diz Espósito.

A grande surpresa da peça é a forma com que Bortolotto conduz a trama, ele surpreende ao lançar um olhar doce e nostálgico à frente desta montagem, segundo avaliação da crítica da Folha de S.Paulo, Christiane Riera (em memória).

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À Meia Noite Um Solo de Sax na Minha Cabeça
Com Henrique Stroeter e Fábio Espósito
Teatro & Bar Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384 – Consolação. São Paulo)
Duração 55 minutos
16/08 até 12/10
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 14 anos