SIETE GRANDE HOTEL: A SOCIEDADE DAS PORTAS FECHADAS

Sempre palmilhado pelo horizonte da travessia, uma vez mais o Grupo Redimunho expõe a substância do seu teatro em meio a um novelo de estórias, interrogações e potentes fragmentos de um mundo cujo rosto se perdeu ou não podemos reconhecer.

De perdidos e achados também se compõe a narrativa de labirintos que o novo espetáculo Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas apresenta. Chamamos labirintos não porque sejam tortuosos e destinados aos tantos muros sem-saída do nosso tempo, mas porque traçam, ou refundam, o sinuoso caminho dos rios ao alimentar cada membro do Grupo com anônimas trajetórias alheias, as mais confiáveis para interrogar nossa história de espelho partido.

Talvez, mais do que sinuosos, sejam subterrâneos, já que incorporam, também, muitas vidas andarilhas que, assim como a nossa, alcançou um lugar por querência e por ausência. São vidas também marcadas pelo impedimento que brotam do mundo contemporâneo de guerras, mascaradas pela distância, como se não soubéssemos reconhecer o sofrimento do outro traduzido na angústia cotidiana de assistir o horror que naturalizamos feito um ansiolítico que pudesse salvar a mudez e a dúvida de toda a nossa passividade.

Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas apreende os caminhos de vidas esquecidas que ousaram e ousam percorrer o mundo contraditório da lembrança pelo esquecimento; mulheres e homens com a mesma sorte dos ventos, reinaugurando e refazendo essa ruína que é a memória, símbolo tão disputado pelos círculos de poder, que não se cansam de desenhar fronteiras com a velha trena de arame farpado. Siete são as muitas árvores decepadas que não se deram conta que a vida, maior que tudo, segue e seguirá fertilizando a esterilidade de alguma esperança. Siete é um desafio ao sorriso sórdido do que há de treva no século XXI, treva que pensávamos soterrada mas germinou sob o signo do equívoco e do medo. Siete armou-se de estética e ética, contra a farsa. Siete, brotado, vem à tona para jorrar.

(crédito fotos – Kátia Kuwabara)

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SIETE GRANDE HOTEL: A Sociedade das Portas Fechadas
Com o Grupo Redimunho de Investigação Teatral (Edmilson Cordeiro Cortez, Carlos Mendes, Giovanna Galdi, Keyth Pracanico, Jandilson Vieira, Marcus Martins, Vitor Rodrá, Anisio Clementino, Ana Luisa Aun, Danilo Amaral, Cinira Augusto, Drica Zangrande, Laís Blanco, Ricardo Saldaña, Tati Takiyama, Danilo Mora, Juliana Lopes, Wilton Andrade)
Espaço Redimunho de Teatro (Rua Álvaro de Carvalho, 75, Anhangabaú, São Paulo)
Duração 120 minutos
10/09 até 18/12
Domingo – 19h, Segunda – 20h
$30 ($5 – moradores do entorno)
Classificação 14 anos
Reservas pelo telefone: 97541-7077 (somente 30 lugares)

 

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