CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS

Será que nós, seres humanos, gostaríamos de virar rinocerontes? Foi a partir desse e de outros questionamentos que o os atores do Teatro do Osso, sob a direção de Rogério Tarifa (Cia do Tijolo e Cia São Jorge de Variedades), iniciaram o processo do espetáculo Canto Para Rinocerontes e Homens, que começa sua temporada  quinta-feira, dia 21 de setembro, às 18h30, na CAIXA Cultural São Paulo.

Partindo da obra O Rinoceronte, de Eugene Ionesco, o ato-espetáculo musical traz para o palco temas como a brutalização do ser humano, a falta de sonhos e a extinção do homem. A montagem, que teve nove meses de ensaio, marca a parceria de Rogério Tarifa, William Guedes e Jonathan Silva, ambos da Cia do Tijolo e vencedores do Prêmio Shell de Teatro.

Na versão de Rogério Tarifa a história é cantada pelos atores, que são acompanhados por um pianista e um percussionista. Para o diretor, o espetáculo é um grande musical com forte diálogo com as artes plásticas e a dança. “Os sete atores formam um grande coro para contar e cantar a história de transformação dos homens em rinocerontes”, explica Tarifa.

Rinocerontes urbanos

O conceito de rinocerontes urbanos marca a montagem de CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS. “Além do texto de Ionesco, outras dramaturgias se incorporaram ao espetáculo e com isso chegamos a esse conceito, onde atualmente as pessoas estão sempre ao ponto de explodir como uma verdadeira bomba”, conta o diretor.

Para isso, Rogério pediu para cada ator criar um solo, onde a transformação de homem em rinoceronte fosse mostrada, sendo que a transformação teria que ter um tema. Crimes de ódio, violência, ensino, trabalho e culto a beleza são alguns temas utilizados pelos atores para virarem, durante o espetáculo, em rinocerontes.

A montagem também abre novas faces em relação ao texto de Ionesco. “O espetáculo é uma livre adaptação da obra e por isso trazemos outros questionamentos, como a própria extinção dos rinocerontes, que acontece atualmente. No nosso final, além de um único homem também sobra um único rinoceronte”, adianta Tarifa.

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Canto para Rinocerontes e Homens
Com Guilherme Carrasco, Isadora Títto, Luísa Valente, Murillo Basso, Renan Ferreira, Rubens Alexandre e Viviane Almeida.
Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 – Sé, São Paulo)
Duração 200 minutos
21/09 até 01/10
Quinta, Sexta e Sábado – 18h30, Domingo – 17h30
Entrada gratuita (ingressos começam a ser distribuídos na Caixa Cultural a partir das 9h do dia da apresentação).
Classificação: 14 anos.

O PORTEIRO (Rio de Janeiro)

Personagem “Porteiro” não é novidade para Alexandre Lino, pois como migrante nordestino considera que esta é uma das possibilidades reais para aqueles que buscam uma chance na “cidade dos sonhos”. Mas se na vida real ele nunca exerceu esse ofício nas artes está se tornando um especialista.

Integrando o elenco da série “A cara do pai”, em que interpreta o porteiro Gilmar, com estreia prevista para outubro na Rede Globo e já disponível no Globo Play, viveu outro porteiro numa campanha publicitária, interpretou um tipo similar na peça “Domésticas”, com a qual lhe rendeu a indicação ao Prêmio Ítalo Rossi, e no cinema, no longa metragem “Apaixonados” (2016), com direção de Paulo Fontenelle, que se tornou a partir desse encontro, um entusiasta para a realização dessa parceria no teatro.

Depois do sucesso de crítica e público do monólogo Lady Christiny, o ator Alexandre Lino decidiu que sua trajetória solo nos palcos seria em formato de trilogia para concluir o ciclo que intitulou “teatro de um homem só”.  Depois de viver uma travesti conservadora foi o momento de voltar novamente às origens. Percurso que o artista pernambucano faz questão de fazer em sua trajetória entre um trabalho e outro. O espetáculo “O Porteiro” que estreia dia 8 de setembro no Teatro II do Sesc Tijuca, 19h, conta histórias reais, coletadas através de entrevistas, de vários porteiros nordestinos que deixaram sua cidade natal em busca da realização de seus sonhos no Rio de Janeiro. Diante do não comparecimento do síndico do prédio em que Waldisney (Alexandre Lino) trabalha, o porteiro assume o comando da reunião de condomínio.

Com sessões de sexta a domingo, pode-se dizer que O Porteiro não é uma peça propriamente dita, é uma experiência interativa em que os espectadores são convidados a participar de um grande e divertido encontro de condôminos. Montagem cumpre temporada até o dia 1º de outubro.

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O Porteiro
Com Alexandre Lino
Teatro Sesc Tijuca – Teatro II (Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca, Rio de Janeiro)
Duração 60 minutos
08/09 até 01/10
Sexta, Sábado e Domingo – 19h
$25 ($6 – credencial plena)
Classificação 16 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

HORTANCE, A VELHA

Chega a São Paulo no próximo dia 9 de setembro (sábado), o espetáculo teatral Hortance, A Velha, com a atriz Grace Gianoukas. A comédia de autoria de Gabriel Chalita, com a colaboração de Michelle FerreiraFred Mayrink e, pela própria Grace Gianoukas, desembarca na capital paulista depois de reconhecida e aclamada passagem pelo Rio de Janeiro.  O espetáculo consolida a bem sucedida parceria entre Gianoukas e Mayrink, ocorrida na novela Haja Coração, da TV Globo, em 2016.

Hortance, A Velha

15977734_1725629537752689_8658408147152773133_nHortance é uma mulher pioneira, uma mulher empoderada, com uma alma livre,  a frente do seu tempo e que acabou vencendo diversas barreiras. Entre elas, foi expulsa de casa por ser “moderna demais”, tornou-se dona de um cabaré que recebeu diversas personalidades, como Shakespeare, Nero, Getúlio Vargas, Stalin, Sartre, Simone de Beauvoir e Che Guevara. Agora, quase centenária, revisita um apanhado de histórias que viveu e pessoas que conheceu. Mas Hortance já está um pouco esquecida, devido à idade, e confunde as histórias, os tempos e as biografias de todos que passaram por sua vida. A partir de todas estas lembranças, a Velha preenche os dias e reconstrói de maneira cômica e emocionante sua própria vida, afirmando a dignidade de envelhecer tendo-a vivida por inteiro.

Dentro das paredes do cabaré, Hortance vive com um amontoado de recordações que acumulou ao longo da vida, além da companhia da irmã Aliquianni e de um gambá. Ao mesmo tempo em que se encontra imersa nesse universo particular, ela não está sozinha, em um dos momentos mais tocantes, Hortance vê no público sua companhia como clientes do cabaré para recriar essa jornada. Com o mundo inteiro dentro dela, Hortance é uma mulher de todos os tempos, de grandes amores e fortes laços de amizade.

Hortance, A Velha é uma obra não realista que, de forma leve, cativante e descontraída, convida o público para uma reflexão espontânea sobre o envelhecimento natural, o envelhecimento com dignidade. A comédia provoca risos, emoções, uma mistura de sentimentos – assim como a vida. O espetáculo é uma grande homenagem às mulheres e às pessoas em geral que, conseguiram, apesar de todas as dificuldades, seguirem seus objetivos de corpo e alma, provando como vale a pena viver.

Para Gianoukas, Hortance é uma oportunidade: Tenho quase 34 anos de profissão e essa comédia veio como um abraço. Esse espetáculo amparado por todo mundo me dá a oportunidade de, como atriz, andar nessa estrada de sinuosas emoções.

 

Hortance, a Velha
Com Grace Gianoukas
Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo) 
Duração 60 minutos
09/09 até 29/10
Sábado – 21h30, Domingo – 18h
$80
Classificação 14 anos

 

 

ALA DE CRIADOS

Premiada na Argentina, ALA DE CRIADOS estrutura-se em um fato real portenho ocorrido em janeiro de 1919 quando a cidade de Buenos Aires foi agitada por uma greve selvagem. Texto do dramaturgo argentino Mauricio Kartun, direção de Marco Antonio Rodrigues e tradução de Cecilia Boal e Rodrigo Arreyes, a montagem estreia dia 15 de setembro, sexta-feira, às 21 horas, no Sesc Bom Retiro.

Com Eduardo Pelizzari, Gabriel Miziara, Maria Manoella e Rodrigo Scarpelli, ALA DE CRIADOS apresenta, em uma linguagem tragicômica, uma “história de disparo e sexo entre as rochas”. A peça tem como pano de fundo um clube de tiro ao pombo em frente ao mar e mostra os conflitos entre o mundo dos salões e a sociedade.

Regados a bloody mary, banho de sol e jogos de tiro, três primos aristocratas da família Guerra – Tatana (Maria Manoella), Emilito (Gabriel Miziara) e Pancho (Rodrigo Scarpelli) – veraneiam em um elegante clube de Mar del Plata enquanto Buenos Aires enfrenta um cenário incandescente de greves e repressão (conhecido na história da Argentina como ‘Semana Trágica’ – janeiro de 1919). Os acontecimentos que paralisam a capital foram recebidos pelos primos inicialmente como rumores distantes. A cada nova informação e proximidade das ações grevistas, no entanto, eles passam a agir de maneira a reafirmarem suas posições sociais e de poder frente ao olhar rígido de Tata, o patriarca da família.

Repleta de ambiguidades, a história intercala o mundo desses primos ao do empregado e comerciante emergente Pedro Testa (Eduardo Pelizzari). A diferença entre classes alimenta a trama, enquanto os confrontos divididos por trabalhadores, empresários e políticos em Buenos Aires geravam aproximadamente 1.350 mortes e mais de 4.000 mil feridos.

Há no encontro desses personagens, a construção de metáforas que deslocam seus diálogos a temas atuais que podem reger a situação política, o estado social e de costumes de diversas nações, dentre elas a brasileira. ‘ALA DE CRIADOS traz a questão da luta de classes, centro da Revolução Soviética que comemora em 2017 seu centenário, reafirmando a oportunidade de debate. A História é o pano de fundo para a língua.

Identidade latino-americana

ALA DE CRIADOS foi encenada pela primeira vez no Teatro del Pueblo, de Buenos Aires, em setembro de 2009. Reestreou em fevereiro de 2010 na mesma sala. As duas temporadas renderam 19 prêmios entregues por importantes entidades teatrais da Argentina (nas categorias Direção, Atuação, Figurino, Cenografia, Iluminação, Fotografia, Dramaturgia e Melhor Espetáculo) e gerou convites para festivais de teatro regionais e organizados na Bolívia e Uruguai.

Para o diretor Marco Antonio Rodrigues, montar ALA DE CRIADOS no Brasil significa também entender a origem de duas grandes forças que ainda afetam o estado social, político e de costumes de seu povo: a colonização europeia e a escravidão. “Descontadas as particularidades históricas e regionais, a maioria dos países latino-americanos possuem esses dois fenômenos como ponto comum na construção de sua identidade e que determinam até hoje princípios autoritários, de corrupção, impunidade e de violência que se sobrepõem muitas vezes até mesmo à democracia”, conta ele.

Apresentar uma peça que trata sobre discussões de classe e de direitos civis não só dialoga com as recentes manchetes de jornais, mas suscita no público a desconstrução de uma tendência bovarista histórica para o Brasil. “Síndrome de uma nação colonizada, os brasileiros já passaram, e continuam passando, por diversos modismos que encontram em paradigmas europeus e/ou norte-americanos as melhores soluções para a vida pública e privada. Cultiva-se uma cultura que minimiza as qualidades e peculiaridades regionais. Nesse contexto, perde-se o olhar para o próximo, para o que é vizinho e divide os mesmos problemas. Olhar para ALA DE CRIADOS é deixar surgir diálogos que podem ser feitos entre as cenas de países fronteiriços; é reforçar a identidade latino-americana do Brasil que hoje é mantida por um fio muito tênue”, fala o diretor.

Tragicomédia

Texto premiado, porém inédito no Brasil, ALA DE CRIADOS apresenta Mauricio Kartun ao público brasileiro. O autor, que mescla drama e trechos narrativos, desenha personagens que se afastam da objetividade esperada de um narrador frente à história contada para exprimir uma reação crítica, um comentário. Como nas fábulas brechtianas (Bertolt Brecht), a peça contém o recorte de uma situação cotidiana que acaba desenhando o retrato de um país inteiro – utilizando, então, algo distante ou particular para conquistar a aproximação de temas e discussões comuns.

Oficina

Com Mauricio Kartun e introdução de Cecilia Boal, a oficina Dramaturgia de Emergência, que acontece de 15 a 17 de setembro, de sexta-feira a domingo, das 14 às 17 horas, abordará técnicas da criatividade, concepção de personagem, dinâmica da ação e desenho da estrutura, além de traçar um panorama do Teatro Latino-americano dos anos 60/70. Destinada a dramaturgos, roteiristas, narradores, diretores, atores, bailarinos, docentes e estudantes, a oficina tem inscrições na Central de Atendimento.

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Ala de Criados
Com Gabriel Miziara, Maria Manoella, Rodrigo Scarpelli e Eduardo Pelizzari
SESC Bom Retiro (Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 75 minutos
15/09 até 15/10
Sexta e Sábado – 21h, Domingo e Feriado- 18h
$30 ($9 – credencial plena)
Classificação 14 anos

 

TALVEZ SEJA AMOR

O Coletivo Duo, formado pela atriz Mayara Dornas e pelo ator e diretor Fabiano Lana, estreia no dia 14 de setembro na Funarte – SP o monologo Talvez seja Amor, o primeiro trabalho do grupo. O espetáculo estreou em outubro de 2013 no Teatro SESI HOLCIM de Belo Horizonte.

Durante a temporada na capital mineira em 2014 a peça recebeu indicação na categoria de MELHOR ATRIZ pelo “I PRÊMIO COPASA SINPARC DE ARTES CÊNICAS”- MG/BH e 03 estrelas da Revista Veja BH. Ainda no mesmo ano, participou do “II Festival del Monólogo Latinoamericano y Prêmio Terry” em Cuba, recebendo Menção Honrosa de Atuação Feminina no festival.

O livro “Fragmentos de um Discurso Amoroso” escrito pelo filósofo francês, Roland Barthes, foi o ponto de partida para o grupo dissertar sobre o amor. O espetáculo reflete sobre o posicionamento do ser humano diante da relação amorosa, apresentando ironia, clichês, dramas, contraposições dos discursos amorosos de sete personagens, convidando a plateia a pensar sobre as atitudes em suas relações amorosas.

O trabalho é fruto das pesquisas realizadas pela atriz Mayara Dornas, sobre o ator criador, em diálogo com a pesquisa de Fabiano Lana, sobre projeção mapeada na composição visual da cena. Na criação foi priorizado dois pontos fundamentais, o discurso artístico acessível e a o trabalho corporal da atriz.

SINOPSE: Livremente inspirado no livro “Fragmentos de um Discurso Amoroso” de Roland Barthes, e na exploração dos clichês das relações amorosas, o espetáculo “Talvez seja Amor” apresenta sete mulheres que levantam questionamentos sobre o amor com a dor e a delícia, o encontro e o desencontro de vivê-los.

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Talvez Seja Amor
Com Mayara Dornas
Funarte – Sala Renée Gumiel (Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 55 minutos
14/09 até 01/10
Quinta, Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h30
$20
Classificação 14 anos

 

DENISE WEINBERG EM DOSE DUPLA

Contemporâneo e tradicional, vida e morte, liberdade e moral, masculino e feminino entram radicalmente em choque na peça Os Imortais, com texto de Newton Moreno e direção de Inez Viana, o mais recente trabalho da veterana Denise Weinberg. Esses conflitos servem para criar uma reflexão sobre a noção de pertencimento e sobre quais aspectos da experiência humana são capazes de tornar um indivíduo imortal.

A trama narra o reencontro entre uma mãe extremamente apegada às tradições e uma filha que não se ajustou ao modo de vida de sua casa, fugiu precocemente e, desde então, nunca mais falou com a família. Doente e desenganada, a matriarca amargurada decide se mudar para o cemitério onde o marido e a outra filha estão enterrados, com a última esperança de que alguém apareça para realizar a coberta de sua alma.

De acordo com esse ritual fúnebre de origem açoriana (também realizado em comunidades conservadoras no sul do Brasil), quando uma pessoa morre, é preciso que um ente querido vista suas roupas e imite seus gestos para que seu espírito possa se despedir de todos e descansar em paz.

A filha retorna à terra natal acompanhada de seu noivo, um homem trans ainda em processo de transição. Enquanto espera pela morte, a mãe precisa assimilar a cultura e o modo de vida da sua única herdeira, além de enfrentar um segredo terrível do passado que a filha carregou durante todos esses anos.

A encenação, segundo Denise Weinberg, trata da necessidade de se resgatar um ritual para que as pessoas possam celebrar a vida, os nascimentos, as mortes, as aventuras, as desventuras, os encontros e os desencontros. “Por que temos essa preocupação em deixar uma saudade, em marcar nossa caminhada fazendo algo ‘importante’, esse incômodo de sermos mortais, finitos? Por que querermos ser tão notados, tão aceitos, tão amados? Essas são perguntas que sempre fiz e sempre farei. Onde ficam aqueles que não pertencem a lugar nenhum?”, complementa a atriz.

Para Newton Moreno a ‘coberta da alma’ surge como meio – dispositivo performático da raiz – proposto para detonar esta reflexão. Até onde a tradição e o contemporâneo podem conviver e se retroalimentar? Qual a negociação ainda possível entre os dois?

Segundo a diretora Inez Viana esta peça fala de tradição, família, traição, morte e desamor. Falamos aqui de escolha e liberdade, através do encontro de três mulheres, no momento em que decidem seguir por outros caminhos, mudar o rumo de suas vidas.

Além de Weinberg, o elenco da peça é formado pelas atrizes Michelle Boesche e Simone Evaristo e pelo músico Gregory Slivar, que interpreta ao vivo a trilha sonora. O espetáculo estreou em junho no Sesc Consolação.

Maria mulher

Já o solo O Testamento de Maria, com direção e adaptação de Ron Daniels, é inspirado no livro homônimo do escritor irlandês ColmTóibin, que também escreveu o bestseller “Brooklyn”, cuja adaptação para cinema foi indicada ao Oscar 2016 em três categorias.

A montagem revela como Maria, a mãe de Jesus Cristo, procura desvendar os mistérios ao redor da crucificação de seu filho. Perseguida e exilada, ela narra a sua trajetória e todo o seu sofrimento com uma voz carregada de ternura, ironia e raiva. Maria se propõe a falar apenas a verdade sobre a enorme crueldade dos romanos e anciãos judeus.

A ideia da encenação é destacar não apenas a importância religiosa de Maria, mas revelá-la como uma figura de enorme estatura moral. “Estava alerta, também, ao fato de vermos Maria como ícone, como mãe, mas nunca como uma mulher que sabe se colocar e que precisa ser ouvida. Para dar-lhe uma voz, olhei para os textos gregos, para as imagens de uma mulher solitária e corajosa, pronta para dizer palavras que são difíceis de ouvir”, esclarece ColmTóibin.

A montagem rendeu à Denise Weinberg o prêmio APCA 2016 (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de melhor atriz. “O ponto de partida do nosso espetáculo também é este: uma atriz maravilhosa, que é a Denise, um texto de grande profundidade, e um espetáculo puro, belo e despojado, que possa oferecer à platéia momentos de grande humanidade”, diz Ron Daniels.

Em cena, a atriz é acompanhada apenas pelo músico Gregory Slivar, que assina e executa a trilha sonora ao vivo. O espetáculo foi produzido originalmente na Broadway, por Scott RudinProductions e desenvolvido pelo Dublin Theatre Festival e LandmarkProductions, com o apoio do IrishTheatreTrust.

DENISE WEINBERG

Considerada um ícone no teatro brasileiro atual, a atriz e diretora carioca Denise Weinberg é uma das fundadoras do Grupo TAPA, com o qual trabalhou durante 21 anos. Ao longo de sua carreira, ganhou dois prêmios Molière, três Mambembe, três APCA e um Shell, além de sete condecorações no cinema.

Algumas das peças em que atuou são “As Criadas”, de Jean Genet; “Outono Inverno”, de Lars Nóren; “Dançando em Lúnassa”, de Brian Friel; “Navalha na Carne, Oração para um pé de chinelo”, de Plínio Marcos, Ivanov e Tio Vania de Tchékov, Vestido de Noiva, Viúva porém Honesta, A Serpente, Album de Familia de Nelson Rodrigues. Ela também dirigiu “A Máquina Tchekhov”, de Matéi Visniec; “Salamaleque”, de Kiko Marques e Alejandra Sanz; “O Pelicano”, de Strindberg; “A Refeição”, de Newton Moreno, entre outros.

Nas telonas, Weinberg participou de “Meu Amigo Hindu”, de Hector Babenco, “De Pernas pro Ar 1 e 2”, “Salve Geral, de Sergio Rezende, pelo qual fanhou o Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Los Angeles e no Grande Prêmio Do Cinema Brasileiro, entre outros. Nas telinhas, atuou em “Psi”, série de Contardo Calligaris (HBO), “Questão de Família”, de Sergio Rezende (GNT), “A Teia”, direção de Rogerio Gomes (Globo),  “Maysa”, de Jayme Monjardim (Globo); “Dalva e Herivelto”, de Dennis Carvalho (Globo);  e ”Alice”, de Karin Ainouz e Sergio Machado (HBO).

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Os Imortais
Com Denise Weinberg, Michelle Boesche e Simone Evaristo
Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182, Vila Buarque, São Paulo)
Duração 80 minutos
22/09 até 03/12
Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h
$50
Classificação 14 anos

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O Testamento de Maria
Com Denise Weinberg
Música originalmente composta e execução ao vivo: Gregory Slivar
Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182, Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
27/09 até 30/11
Quarta e Quinta – 20h30
$50
Classificação 16 anos

MUITO ALÉM DOS MUSICAIS

Se você já assistiu a um musical no teatro, sabe que existem vozes poderosas interpretando as canções que costuram sua história. Dizem que o último dia de Wicked foi histórico, pois mais de 1.500 vozes cantaram Defying Gravity junto com a Bruxa Má do Oeste. Quando o elenco de Rent de 1999 se encontrou com o de 2017 para cantarem Seasons of Love, espectadores e atores se uniram em amor e lágrimas. O show que as Dínamos apresentavam com o elenco ao final do espetáculo Mamma Mia fazia com que todos na plateia dançassem os clássicos de Abba.

Esses e outros tantos momentos mágicos só acontecem nos palcos do teatro musical. Se você é apreciador ou fã de carteirinha, provavelmente, já deve ter imaginado “A menina que faz a Eponine cantando Elis… deve ser lindo!” ou “O cara de calça rasgada cantando Bublé seria irresistível!”. Talvez pense “A garota que faz a Cássia Eller arrasa em qualquer estilo!”.

Pensando nisso, a casa Ao Vivo Music e a cantora e atriz Priscila Borges criaram um projeto que abre espaço para nossos artistas mostrarem sua verdadeira identidade musical.

MUITO ALÉM DOS MUSICAIS

A cada segunda-feira, um artista apresenta seu show no palco do Ao Vivo Music. Suas influências, seus ídolos, suas composições, versões inéditas para clássicos – de musicais ou não. Tudo depende do artista! Teremos pop, sertanejo, rock e até lírico. Tudo isso enquanto uma mostra mensal de algum artista plástico, fotógrafo, cartunista ou pintor decora o ambiente.

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A magia começa às 19h, com a exibição de um filme musical escolhido pelo convidado da noite. Rodadas de Double Vinho e Chopp acompanharão a exibição do filme, para vivermos La Vie Boheme no melhor estilo!

E como a gente é tão fã de musicais quanto você, quem trouxer um ingresso de alguma peça musical do mês PAGA MEIA ENTRADA!

A primeira artista convidada é a responsável por trazer a conceituada Cássia Eller aos palcos do teatro musical. A atriz e cantora Tacy de Campos abre o projeto, no próximo dia 11/09, com releituras de suas canções favoritas.

Siga a página do facebook do evento para saber dos próximos convidados – Muito Além dos Musicais.

Muito Além dos Musicais
Ao Vivo Music (R. Inhambu, 229 – Moema, São Paulo)
A partir de 11/09
Segunda – 19h
$30 ($20 – compra antecipada no site ou com ingresso de algum musical do mês em mãos.)
Classificação 18 anos