BUG CHASER – CORAÇÃO PURPURINADO

A peça gira em torno de Mark (interpretado por Ricardo Corrêa – que também assina a dramaturgia). Markestá em uma quarentena sendo analisado por uma voz, um programa de inteligência artificial. Em fragmentos e saltos atemporais, a peça conta a saga desse homem, um advogado criminalista que busca se infectar propositalmente, uma subcultura pouco discutida na comunidade LGBT contemporânea. A direção é de Davi ReisBug Chaser – Coração Purpurinado faz nova temporada noTeatro do Núcleo Experimental de 4 de outubro a 30 de novembro.
Falar de bareback, de um homem a procura de um vírus e de toda uma sociedade deteriorada, é trabalhar num universo particular que não deve ser entendido cartesianamente e requer cuidado para não reforçar preconceitos. O nosso desafio foi se debruçar sobre esse texto que trata de escolhas radicais e no trabalho do ator criador que lida com um personagem de extremos. Aqui, a luta contra a biopolítica impositiva e em estar fora da caixa social em que estamos automaticamente submetidos é levada ao limite. A partir da verticalização profunda no universo LGBT – abrangendo desde a sua subcultura até o mais violento preconceito sofrido – e a busca por ressignificações de lugar no mundo, pretendemos trazer questionamentos para além da simples reflexão e julgamento”, diz o diretor Davi Reis.
A quarentena da peça significa a de todos os dias em que os discursos biomédicos colocam o sujeito que pratica bareback como alguém anormal, portador de distúrbios psicológicos ou criminalizadores, que acabam contribuindo para a manutenção de novos estigmas que há séculos acompanham os indivíduos homossexuais. Aliás, ainda há campos de concentração para gays. Foi mais de um ano de pesquisa, baseada em documentos e depoimentos de homens que se dispuseram a falar sobre o bareback”, conta Ricardo Corrêa, que já lançou um curta documentário ‘No Sigilo’, como parte de sua pesquisa que também trouxe depoimentos de vários homens gays sobre sexualidade, bareback e o HIV para o espetáculo.
Há uma distinção entre o que se chama barebacking e bugchasing. Nem sempre os praticantes de bareback buscam a soroconversão. Percebi que esse é um assunto sobre o qual não se fala, há um silêncio na comunidade LGBT e por isso decidi enfocá-lo neste projeto artístico, pelos diferenciais que ele carrega em si e por sua tamanha complexidade. Existem, entretanto, diferentes aspectos ou dimensões culturais mais amplas, do nosso tempo, que devem ser considerados nestes contextos de fascinação pelo risco ou apostas nos ganhos sensoriais de encontros perigosos. Problematizo um homem em transito em um mundo doente, que busca encontrar pertencimento e aceitação. Uma jornada perigosa de autodescoberta para encontrar o melhor e o pior de uma nova comunidade que ele quer desesperadamente fazer parte. Falo de falo de escolhas, de desejos, de estigmas e principalmente sobre um novo capítulo da história do HIV”, conclui Ricardo.
Sinopse
Mark está em uma quarentena sendo analisado por uma voz, um programa de inteligência artificial. Em fragmentos e saltos atemporais, a peça conta a saga desse homem, um advogado criminalista que busca se infectar propositalmente.
Vamos rever a matéria que fizemos com o ator, Ricardo Corrêa, na temporada da peça na Oficina Cultural Oswald de Andrade.
Bug Chaser – Coração Purpurinado
Com Ricardo Corrêa e Leonardo Souza.
Teatro do Núcleo Experimental (R. Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 60 minutos
04/10 até 30/11
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 16 anos

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