ALAIR

Segundo texto do autor Gustavo Pinheiro (o primeiro foi “A Tropa”, vencedor do concurso Seleção Brasil em Cena do CCBB como melhor texto, atualmente em cartaz com Otavio Augusto), “Alair” comemora os 45 anos de carreira de Edwin Luisi, que volta a interpretar um personagem real depois das memoráveis atuações como Charlotte von Mahlsdorf (“Eu sou minha própria mulher”), Freud (“Freud, no Distante País da Alma”) e Mozart (“Amadeus”), que lhe renderam dois dos seus prêmios Shell de Melhor Ator e o Prêmio Moliére, respectivamente.

A peça chega a São Paulo no dia 06 de outubro, no Teatro Nair Bello (Shopping Frei Caneca), depois de uma bem sucedida e comentada temporada no Rio de Janeiro, em junho deste ano.

“Alair” homenageia o fotógrafo Alair Gomes (1921-1992) no ano em que se completam 25 anos de sua morte. Engenheiro de formação, filósofo, escritor, estudioso e crítico de arte, Alair Gomes foi reconhecido como precursor da fotografia homoerótica no Brasil, conquistando a consagração internacional com seu trabalho, que reuniu mais de 170.000 negativos cujo tema central era a beleza do corpo masculino

A direção é de Cesar Augusto, vencedor do Prêmio APTR 2017 na Categoria Especial pela “multiplicidade de ações artísticas”; diretor de “A Tropa”; um dos curadores do Galpão Gamboa, de Marco Nanini; um dos diretores do Tempo Festival; e um dos fundadores da Cia dos Atores.

Estão ainda no elenco Andre Rosa, que atuou em “Próxima Parada” e “ A Vida de Dr. Antonio Contada Por Elle Mesmo”, dirigidas por Cesar Augusto, e em “Terra Papagalli”, dirigida por Marcelo Valle; e Claudio Andrade, que já atuou ao lado de Edwin Luisi na peça “Cinco homens e um segredo”.

Apesar da sua consistente e bem sucedida carreira, muitos ainda não conhecem a riqueza do trabalho do fotógrafo, filósofo, professor e crítico de arte Alair Gomes.

Uma coisa que me motivou foi poder dar mais visibilidade à obra do Alair, ele é um fotógrafo respeitadíssimo em várias partes do mundo ocidental, mas acredito que poucos brasileiros o conhecem. Eu conhecia de nome, tinha visto algumas coisas, mas nunca essa obra monumental que ele tem. Então, assim como eu, que sou um artista e tenho pouco conhecimento sobre ele, imagino que o mesmo aconteça com a população em geral. E dar maior visibilidade a ele, é enriquecer a nossa cultura.”, reflete Edwin Luisi, que dará vida ao fotógrafo.

 SINOPSE

Em seu apartamento/estúdio em Ipanema, o fotógrafo Alair Gomes recebe um jovem para uma sessão de fotos. O encontro deflagra um turbilhão de lembranças e pensamentos de Alair sobre amor, arte, beleza e morte.

A MONTAGEM

Nesta montagem, prezo pelo essencial, o mínimo necessário para transitar entre distintos planos,  épocas, geografias e lugares por onde Alair passou e viveu, a partir de seu diário-livro, um manifesto homoerótico, cheio de questões a respeito da arte, da convivência e do amor. Uma cena aberta ao humano, revelado a cada digressão, cada arroubo apaixonado ou enfrentamento.”, explica o diretor Cesar Augusto.

A ação se passa três épocas distintas, anos 50, 80 e 90, através de idas e vindas da memória do personagem-título: nos anos 50, quando Alair, ainda jovem, viveu um intenso amor por um jovem militar; nos anos 80, quando fez a viagem à Europa que viria a se tornar a obra A New Sentimental Journey; e nos anos 90, pouco antes de morrer.

Os dois atores que acompanham Edwin dão vida a diferentes personagens da história do fotógrafo, e também recriam, ao longo do espetáculo, imagens icônicas de suas fotos – as poses e movimentos dos rapazes captados pela câmera de Alair.

O autor Gustavo Pinheiro pesquisou durante meses as fotos e os diários de Alair Gomes na Biblioteca Nacional: O Alair teve o cuidado de documentar não apenas todo o seu pensamento intelectual, mas também os pequenos fatos do dia a dia, aparentemente corriqueiros, mas que retratam uma época e uma existência. É um material riquíssimo e que merece ser mais conhecido, por abordar temas ainda atualíssimos, como preconceito e liberdade.

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Alair
Com Edwin Luisi, Andre Rosa e Claudio Andrade
Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca (R. Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo)
Duração 65 minutos
06/10 até 05/11
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$80
Classificação 14 anos

TUDO QUE DÓI

Tudo que dói, peça inédita de Mario Bortolotto, estreia em 06 de outubro, sexta-feira, às 21h, no Teatro Cemitério de Automóveis e permanece em cartaz até 03 de dezembro, completando 27 apresentações.

A montagem inédita foi contemplada com o Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral de 2016 e marca os 34 anos de profícua atividade do grupo, que em 2013, ganhou sede na Rua Frei Caneca, 384 – Consolação, onde está atualmente instalado. Ao longo desses anos de trajetória, o Cemitério de Automóveis, em fascínio mútuo, aglutinou artistas consagrados e talentos promissores em colaborações artísticas torno dos interesses pela poesia, literatura, histórias em quadrinhos, cinema, blues, rock e o universo beatnik.

O caminho trilhado e as marcas da dramaturgia fincadas nos sempre invasores do trágico, o non sense, e o humor estão bem ilustrados na história do escritor de ‘Tudo que dói’ de passado controverso que se reencontra com a filha.

Um escritor mora sozinho em uma cidadezinha obscura. Ele tem um passado nebuloso que envolve uma filha que ele não vê há muito tempo, pois a justiça proibiu que ele voltasse a vê-la por conta de sua natureza violenta. A filha enfim completa a maioridade e tem permissão de voltar a ver o pai. Ela opta por encontrá-lo. Ele então não sabe como agir diante da premissa de reencontrar a filha. A peça começa quando ele recebe a notícia que a filha está vindo. O escritor, enquanto espera a chegada da filha, começa a beber ininterruptamente em um bar que frequenta na companhia de outros amigos tão desesperançados como ele e tenta de alguma maneira afogar os seus fantasmas num delírio de álcool e lembranças que já havia enterrado. Dito assim, a peça pode parecer um drama dos mais violentos, mas na verdade, como na maioria das peças do autor, tudo é tratado com muito humor como uma preparação para o golpe final e do puxar de tapete inevitável.

Tudo Que Dói
Com Nelson Peres, Liz Reis, Ana Luísa Hartmann, Carcarah, Walter Figueiredo, Marcos Amaral, Renata Becker e Débora Stérr
Teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384 – Consolação, São Paulo)
Duração 75 minutos
06/10 até 03/12
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$20
Classificação 16 anos

 

                              

ANDEJOS

O espetáculo Andejos valoriza a ação em coletivo, em bando, e propõe a sutileza das ações que, no dia a dia acelerado de nossa sociedade, passa despercebida. Entre sensações e canções, o grupo coloca no palco um bando de esfarrapados que dividem com a plateia seus segredos mais íntimos, truques e brincadeiras. O espetáculo estreia sábado, dia 7 de outubro, às 21h no Centro Compartilhado de Criação, na Barra Funda. Ingressos a preços populares.

Quem for assistir a peça procurando explicações ou caminhos lógicos de pensamento está perdido. A peça mistura elementos das experiências cotidianas, porém, no modo de operar errante e torto do bufão. Sem explicar ou decodificar nenhum símbolo. Não há uma linha de chegada ao fim do caminho, não há caminho definido para essas figuras. É um convite a andar na linha tênue entre a clareza e a loucura, da sombra com a luz, da alegria e da tristeza.

Em cena, o bando canta, dança, vagueia e faz números para o público. Tudo parece um pouco velho e gasto, talvez pelo tempo e distância que essas figuras – nem tão humanas, nem tão diferentes de nós – tem percorrido em busca de moradia. O que fica claro é que o que vale é o sonho. Que mesmo com as dificuldades e injustiças, a efemeridade da vida faz com que seja sempre possível continuar andando, continuar buscando novas casas e caminhos.

O espetáculo surgiu a partir da pesquisa da Trupe Andejos com a linguagem das máscaras, enveredando mais especificamente pela perspectiva do bufão. Isso porque o humor cáustico exercido por esta figura tende à escatologia, ao grotesco e à crítica social aguda, invertendo valores de poder e subvertendo regras. Como diria Jacques Lecoq no livro O corpo poético: uma pedagogia da criação teatral, “Bufões se divertem o tempo todo imitando a vida dos homens. Se abordam uma situação, os bufões vão deformá-la, torcê-la, colocá-la em jogo de modo não habitual”.

A musicalidade em cena também foi outro eixo de pesquisa para a criação do espetáculo. Acordeon, flauta, gaita, percussão, violão e as vozes grotescas dos bufões dão o tom musical do espetáculo. Além das canções, o espetáculo também é feito inteiro em gramelot (técnica em que o ator usa uma língua inventada, não existente, para se comunicar). Esse tipo de oralidade reforça o caráter lúdico e dá liberdade para que o texto também seja tratado como som, sem a definição de sentido exato das palavras.

Nos configuramos como um bando focado na construção de figuras a partir da perspectiva corporal e pessoal de cada ator dentro da linguagem das máscaras. Na convivência entre estes seres, se desenha um universo cheio de humor e poesia, que funciona de modo muito peculiar e que ao mesmo tempo reflete criticamente nosso cotidiano. Cada passo é um fim em si para essas pessoas que parecem ter o dom de andejar. Estamos eternamente chegando, eternamente partindo”, conta a Trupe Andejos.

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Andejos
Com Beatriz Santiago, Bibiana Caneppele, Camila Rodrigues, Caroline Araújo, Fernando Lopes, Guilherme Rodrigues, Ingrid Taveira, Laura Amaral, Thais Mukai.
Centro Compartilhado de Criação (R. Brg. Galvão, 1010 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 70 minutos
07 a 29/10
Sábado – 21h, Domingo – 20h
$20
Classificação 12 anos

SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO

Sucesso de público e crítica, o espetáculo SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO, com Celso Frateschi e direção de Roberto Lage, reestreia dia 6 de outubro, sexta-feira, às 21 horas, no Ágora Teatro. O espetáculo, que estreou em 2005, é baseado no conto homônimo do escritor russo Fiódor Dostoiévski, publicado pela primeira vez em 1877 no livro Diário de um Escritor.

Em SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO um funcionário público, sabe que é ridículo desde a infância, mas por orgulho jamais confessou esse fato a ninguém. Motivo de desprezo e zombaria de seus semelhantes, já não tem mais nenhum interesse na continuação da sua existência. Num dia, inútil como todos os seus outros dias, em que mais uma vez esperava ter encontrado o momento de meter uma bala na cabeça, foi abordado por uma menina de uns oito anos, que clamava por ajuda. Ele não só recusa o apoio à criança, como a espanta violentamente e aos berros.

Ao voltar para casa, não consegue dar fim a sua existência. Já com sua arma pousada em seu peito e perturbado pelos sentimentos causados por aquela criança, adormece e sonha com a sua própria morte, com seu enterro e com uma vida após o tiro disparado. Viaja pelo espaço e por desconhecidas esferas. Experimenta a terra não manchada pelo pecado original e conhece os homens na plenitude da sabedoria e equilíbrio. Ele acredita que aquilo tudo foi real, pois as coisas terríveis que sucederam não poderiam ter sido engendradas num sonho.

Construção de conhecimento

Para Celso Frateschi, o texto clássico encenado é sempre contemporâneo, por isso a importância de voltar a encenar SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO. “No momento em que a barbárie avança violenta e rapidamente, destruindo valores humanistas que imaginávamos consagrados pela história e quando o sonho de liberdade individual, justiça social e fraternidade passam a ser vistos como retrógrados, a diversidade como ofensa e que virtuoso é quem rouba bem, o teatro se mantém como espaço de prazer estético e construção de conhecimento”, explica ele, que sentencia: “A linguagem não deve estar a serviço da ideologia, mas da liberdade.

O ator afirma ainda que ao abordar os clássicos de outra maneira, há uma permissão para que ele se aproxime de nosso tempo não pelas semelhanças, mas pelas diferenças entre a época em que foi escrito ou apresentado e a atual. “Identificar os modos de agir, sentir, se relacionar e pensar de nossos ancestrais, característicos de suas épocas para que se choquem e ou se assemelhem aos nossos, livremente, sem freios e cabrestos ideológicos, para que a poesia de nossos mestres nos ilumine e nos transforme”, conta Frateschi.

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Sonho de um Homem Ridículo
Com Celso Frateschi
Ágora Teatro (R. Rui Barbosa, 664 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
06/10 até 10/12
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$40
Classificação 14 anos