O BUDA QUEBRADO

O que se quebra é uma fatalidade. E o que se deixa quebrar?” Quando escreveu este questionamento na primeira versão do texto em formato de cena breve o autor Ed Anderson convidou o diretor e amigo Marcelo Costa para uma primeira leitura encenada no evento Satyrianas, em 2015, logo em seguida o texto foi ampliado e adotado para encenação pelo Coletivo Flama.

Marcelo Costa é um artista pernambucano radicado em São Paulo com passagens em produções adultas e infantojuvenis. O elenco é protagonizado por Priscila Scholz e Flavio Costa, atores casados há 20 anos, e que só agora realizam o desafio de dividir a cena em uma temporada teatral.

Depois da temporada do seu texto “Os Dois e Aquele Muro”, dirigido por Francisco Medeiros no ano passado, Ed Anderson se arrisca agora no universo de um buda em pedaços e um casal aparentemente tradicional, mas que é regido por inconstâncias de vontades em uma década que abarcou conflitos e rebeldias.

O percurso descrito pela obra se inicia num espaço privado e se transfere para uma dimensão coletiva, que por sua vez ganha nova e crescente dimensão íntima. O casal – HERMES e MATILDA – segue por caminhos arenosos para tratar de temas residentes no indizível – amor, liberdade, limites e censuras – ao eleger algumas possibilidades de trajetória onde não existem caminhos claros além de possíveis ramificações a serem compartilhadas junto a uma plateia intimista que possa se alimentar das questões propostas.

Para Marcelo Costa, “Apesar da ação cênica ocorrer na década de 70, o encontro entre estas duas pessoas está também associado ao mundo de hoje onde ocorre com muita frequência o território da disputa de poder. É cada vez mais comum vermos casais indiferentes ao que possam sentir um pelo outro e não recuperar a essência que os uniu. E isto parece hoje ser elemento presente na vida do homem em sociedade vigiada.

Assim também ocorre com HERMES e MATILDA, personagens criados por Ed Anderson. Segundo ele: “Um dos aspectos mais interessantes da peça é que, à medida que o jantar se desenrola, os dois não só veem diante de si os fragmentos do ‘buda’ que os separa e ao mesmo tempo os convida a um encontro, como também experimentam um momento propício para que se revelem diante de si próprios e do outro, sem espelhos.

O BUDA QUEBRADO – Exercício nº 01 é uma tragicomédia que mescla de maneira intrigante humor, lirismo e drama, numa sucessão de cenas com variadas pulsações.

A iluminação de Fê Guedella sugere a passagem da atmosfera cheia de sombras, reflexos e transparências, típicas da noite e do universo das aparências;

De uma certa maneira esta é também a opção do cenário de Paola Ribeiro, um espaço versátil, móvel, e de grande agilidade que se modifica a partir da ação dos personagens: uma mesa desmembrada como os pensamentos do casal;

O figurino de Murilo Carvalho busca dialogar entre formas e cores a época e a personalidade dúbia dos personagens.

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O Buda Quebrado
Com Flávio Costa e Priscila Scholz. Voz em Off: João Acaiabe
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 50 minutos
26/10 até 18/11
Quinta, Sexta e Sábado – 20h
Entrada Gratuita
Classificação 14 anos

 

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