DOSTOIÉVSKI – TRIP

Sete anos após a estreia do premiado O Idiota – Uma Novela Teatral, as companhias Livre e Mundana se reencontram em Dostoiévski-Trip, nova viagem ao universo do escritor russo e ao célebre romance publicado em 1869. Com direção de Cibele Forjaz, o espetáculo, inédito no país, está em cartaz no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo.
 
O elenco de Dostoiévski-Trip é composto por atores criadores das companhias Livre e Mundana: Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino. A direção de arte do espetáculo é assinada por Simone Mina.
 
Esta é a primeira montagem brasileira do texto de Vladímir Sorókin – um dos grandes nomes da chamada nova literatura russa –, já encenado em Moscou e Nova York. Na peça, um grupo de viciados aguarda a chegada de um traficante que lhes prometeu trazer uma novidade. Enquanto isso, conversam, discutem (e até mesmo brigam) sobre grandes nomes da literatura mundial – Kafka, Pushkin, Cervantes, entre outros – e seus supostos efeitos. Este, contudo, não é um encontro amistoso entre amantes das letras, e sim de um bando de pessoas que mal se conhecem, unidos apenas pela condição de viciados em literatura.
 
Ávidos pela próxima dose, os personagens são lançados em uma jornada pelo universo de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Em contato com a prosa do romancista russo, os personagens embarcam na trip do título e acabam por protagonizar uma das mais célebres passagens de O Idiota, na qualseus dilemas filosóficos e existenciais se aprofundam e se potencializam transcendendo para as formas do mundo contemporâneo.
 
Segundo Cibele Forjaz, a ideia de montar Dostoiévski-Trip surgiu ainda durante as apresentações de O Idiota – Uma Novela Teatral (2010), também dirigido por ela. Apesar de partirem da obra de um mesmo autor, para a diretora, as peças têm estéticas e temáticas bastante distintas. “Dostoiévski-Trip é uma espécie de pós-Idiota. Fizemos aquele espetáculo levando muito a sério a narrativa da novela e o seu lado humano e mais sensível. Esta, por sua vez, tem um desencanto pós-moderno. É Dostoiévski tomado como uma droga que a sociedade contemporânea não pode suportar, pois a sua poesia e sua humanidade não cabem mais nesse mundo, em que as relações sociais estão marcadas pela egotrip”, explica a encenadora.
 
O espetáculo também se beneficia de um traço comum à história recente de ambas as companhias: a pesquisa da obra do alemão Bertolt Brecht, que permeou o processo de criação. Além das leituras, também foram realizadas “travessias pela cidade” – uma experiência de toda a equipe pelas ruas de São Paulo que revelou, em uma sociedade viciada em excessos, um resquício de humanidade em meio ao concreto e à carência das populações de rua. Além de contrapor o texto russo com a realidade brasileira, a pesquisa de campo evidenciou a atualidade de Dostoiévski, autor que radiografou a burguesia de sua época e sua obsessão por dinheiro, poder e prestígio.
 
Além das apresentações em São Paulo, o espetáculo também cumprirá temporadas em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte em 2018.

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Dostoiévski-Trip
Com Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo)
Duração 120 minutos
28/10 até 18/12
Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
 
Sessão gratuita: 13/11 (segunda-feira), 19h30, seguida de bate-papo com o elenco e a diretora

A PEÇA AO LADO (RIO DE JANEIRO)

Durante uma noite chuvosa, um grupo de atores mambembes ocupa um teatro público no intuito de se proteger. Encantado com o local, encontra textos do dramaturgo francês Jean Tardieu e inicia encenações divertidíssimas. Com humor ácido, crítico e um texto livremente inspirado no universo de Tardieu e em Dario Fo, a montagem inédita de “A Peça ao Lado” marca a primeira parceria entre a “Cia Ao Lado” e o diretor Delson Antunes, que também assina a adaptação do texto ao lado de Victor Lósso e dos atores da Cia Ao Lado.

A peça conta ainda com a pesquisa de Clown e Bufão orientada por Daniela Carmona e traz no elenco João Telles, Luíza Surreaux, Marcos Guian, Milla Fernandez e Valléria Freire, acompanhados pelos músicos Dani Ruhm e Pedro Botafogo. O espetáculo reestreia dia 31 de outubro e fica em cartaz às terças e quartas-feiras, às 20h, até o dia 22 de novembro no Teatro Municipal Café Pequeno.

A Peça ao Lado é um espetáculo construído com diversas referências da comédia universal, como a Commedia dell’art, o melodrama e a farsa. O roteiro é o resultado de uma pesquisa de linguagens, com um grupo de jovens atores. É uma comédia aparentemente despretensiosa, mas, além de divertir, aos poucos se torna uma reflexão crítica sobre o teatro e sobre alguns valores da nossa sociedade. Uma homenagem aos artistas que dedicaram as suas vidas a essa arte milenar e seu poder de comunicar, emocionar e transformar o homem”, conta Delson, que desde o final de 2016 se reúne com os atores num processo colaborativo.

A falta de lugares para se apresentar, o emparelhamento da máquina pública, o não reconhecimento de artistas mambembes e qualquer outra crítica social não são apenas meras coincidências com a realidade atual do país. Essas coincidências são abordadas de maneira a levar o público à reflexão.

Estou muito grata a toda a equipe envolvida no projeto, cada um foi se chegando a seu tempo e contribuindo da melhor forma possível. Tudo isso deu muito confiança para todos nós atores, que iniciamos este encontro em um curso de teatro e agora vamos levar o resultado para o público” – diz Valléria, realizadora e atriz da peça.

A peça reflete sobre a profissão do teatro fora do glamour dos palcos e do audiovisual. Do grupo mambembe, de rua, que se alimenta puramente do amor à arte. O desafio foi criar uma dramaturgia que amarrasse os esquetes do texto de Tardieu.

O grupo se reúne com os diretores desde o ano passado, debatendo sob qual trama gostaríamos que esses esquetes fossem apresentados. O resultado veio desses encontros e de improvisos que foram feitos durante os ensaios. Busca-se a crítica à seletividade artística e a criminalização da arte, tão presente atualmente. Não é à toa que os personagens são inspirados em bufões que são, em sua essência, dejetos, perdedores sociais. Ao mesmo tempo, celebra-se e promove o enaltecimento ao teatro”, conclui Victor Lósso, que assina a adaptação.

 

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A Comédia ao Lado
Com João Telles, Luíza Surreaux, Marcos Guian, Milla Fernandez e Valléria Freire
Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva 269 – Leblon, Rio de Janeiro)
Duração 60 minutos
31/10 até 22/11
Terça e Quarta – 20h
$40
Classificação 12 anos

A BELA E OS TENORES – ENTÃO É NATAL

O Teatro J. Safra antecipa as comemorações de Natal com o show dos tenores Jorge Durian, Armando Valsani e a soprano Giovanna Maira, em “A Bela e os Tenores – Então é Natal”, na sexta-feira, dia 17 de novembro.

Depois de 20 anos de sucesso se apresentando em espetáculos a bordo de diversos navios pelo mundo, o trio de cantores se apresenta, pela primeira vez no Brasil, neste show de lançamento do primeiro álbum de Natal “Hallelujha”.

Neste espetáculo de tirar o fôlego e que reúne essas belas vozes, o público irá se emocionar com canções clássicas e românticas internacionais, com temas natalinos como White Christmas, de Irvin Berlin, Adeste Fideles, de John Francis Wade, Ave Maria, de Johann Sebastian Bach e Charles Gounod e Panis Angelicos, de César Franck.

Sobre os cantores

Armando Valsani é um tenor lírico com quase 40 anos de carreira, que se destacou pelo mundo pela sua brilhante potência vocal e é muito requisitado pelas colônias italianas por todo o país. Já ganhou diversos prêmios, entre eles o de melhor cantor erudito do Brasil.

Giovanna Maira, cantora lírica (soprano), compositora e instrumentista, traz delicadeza para a apresentação com sua voz doce e cristalina, com canções que vão do pop ao erudito. Como solista, à frente da Orquestra Bachiana Jovem sob regência de João Carlos Martins, realizou grandes concertos, sendo um deles a abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.

Para abrilhantar ainda mais o espetáculo e com uma sólida carreira com mais de 30 anos, Jorge Durian, tenor que sempre foi destaque por transformar canções populares em clássicos eruditos. Já gravou diversos CDs em italiano e se encontrou com os Três Tenores (Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti).

A Bela e os Tenores
Com Armando Valsani, Giovanna Maira e Jorge Durian  
Teatro J. Safra (Rua Josef Kryss, 318 – Barra Funda – São Paulo)
Duração 90 minutos
17/11
Sexta – 21h30
$30/$100
Classificação Livre

 

UM

 

Teatro Porto Seguro está com as vendas de ingressos abertas para o show de Ayrton Montarroyos que acontece no dia 5 de dezembro, terça-feira, às 21h.

O show intitulado Um, é baseado em seu álbum de estreia, Ayrton Montarroyos, lançado em abril de 2017. O CD traz músicas inéditas de Zeca Baleiro (À Porta do Edifício) e Zé Manoel (Tu Não Sabias), além de regravações de Cartola (Que Sejas Bem Feliz) e de Tiné, integrante da banda Academia da Berlinda (E Então).

A carreira do jovem intérprete pernambucano de 22 anos começou cedo, quando, aos 16 anos, foi convidado para gravar a música Riacho do Navio (Luiz Gonzaga/Zé Dantas) no álbum triplo 100 Anos de Gonzagão, da gravadora Lua Music. O produtor musical Thiago Marques Luiz percebeu em Ayrton um grande potencial e o convidou para outro projeto, o CD 100 Anos de Herivelto Martins (Lua Music, 2013). Ayrton foi indicado ao Grammy Latino por essa gravação.

Ayrton Montarroyos participou do reallity musical da Rede Globo, The Voice Brasil, na edição 2015. Apadrinhado por Lulu Santos passou por todas as fases do programa e sagrou-se vice-campeão cantando clássicos da música popular brasileira.

 

Um
Com Ayrton Montarroyos
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo)
Duração 70 minutos
05/12
Terça – 21h
$30/$50
Classificação Livre

BICHO

bicho, com direção de Georgette Fadel, é um espetáculo do avesso. Nada do que parece, é. O texto de André Sant’Anna coloca duas travestis, um garoto de programa e um estudante de teatro dentro de um muquifo sujo e precário, onde eles conversam, entre outras coisas, sobre sexualidade, política e arte. Neste espaço eles se transformam, se torcem e extrapolam os limites da realidade, revelando ao público outros universos. A montagem estreia sábado, dia 4 de novembro, às 20h, na Cia. do Feijão.

A estética decadente se parece com o imaginário comum da prostituição, do mundo gay e trans. Mas não é. Apesar da montagem ter muitos momentos poéticos, a dramaturgia – com interpretação aguda e agressiva do elenco – revela esse ambiente-reflexo do bicho que é o ser humano. Podre, extremamente vivo e bonito. O jogo cênico entre prisão e liberdade, vítima e violência, luz e sombra é o que dá o tom da peça. A urgência do texto faz com que ele saia da boca dos atores como se estivesse engasgado.

Além da apresentação do espetáculo, Georgette Fadel junto com Jean Martins, ator e idealizador do espetáculo, prepararam uma ocupação com performances, espetáculos solos e shows, onde convidaram outros grupos e artistas paulistas para ocupar a Cia. do Feijão durante a temporada da peça bicho no mês de novembro. Um dos shows confirmados é o da banda Verónica Decide Morrer – liderada pela cantora trans Verónica Valenttino, que também atua na peça.

Outro trabalho confirmado é o solo Tigrela, da artista Glamour Garcia. Além disso, todas as segundas feiras – sob curadoria de Georgette Fadel – acontecerão mesas de debate com artistas atuantes em diversas áreas da cultura nacional e paulista. Já estão confirmados na programação os artistas Eugenio Lima (integrante do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos) e André Sant’Anna (autor do espetáculo bicho).

A falta de discussões objetivas e de inserção de camadas sociais ignoradas ou pouco reconhecidas foi o que inspirou a realização deste espetáculo. A encenação de bicho traz à tona territórios, personagens, hábitos e práticas que estão muito presentes no cotidiano de brasileiros, mas que paradoxalmente, são pouco representados no teatro e na sociedade atual. Desde o começo a encenação deixa uma coisa clara: os personagens são a estrutura por onde a dramaturgia vai andar.

Através do encontro entre um estudante de teatro, um michê e duas travestis, a peça mergulha nas questões particulares de cada um, vivenciando assim uma história com tato e sensibilidade para falar, a partir da individualidade, do universal. Hoje, talvez mais do que nunca, se faz necessário “enxergar” os garotos(as) de programa e as travestis como seres humanos além da prostituição ou de qualquer outro estigma. Daí surge a relevância do espetáculo: a história de cada personagem proporciona um olhar aberto, nada óbvio, e indagativo sobre essas figuras.

A meta é esvaziar os rótulos que recaem sobre esses personagens, até tudo se transformar em “arte”. O garoto de programa deixa de ser mais um michê amoral que pensa em dinheiro o tempo todo para ser um homem – poeta, com dores no coração. A travesti vai deixando de ser mulher para se ligar a Deus pelo dinheiro. Enquanto o jovem ator decide passar por experiências iniciáticas, que farão dele um artista. Num caminho original e radical, essa mutação necessária acontece diante do público”, conta o autor André Sant’Anna.

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bicho
Com Eduardo Speroni, Jean Martins, Rael Barja e Verónica Valenttino.
Companhia do Feijão (Rua Teodoro Baima, 68 – República, São Paulo)
Duração 100 minutos
04 a 27/11
Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 19h
$30
Classificação 18 anos

TEMPO PRESENTE

Os arcos de Tomie Ohtake, inertes, parecem pedir por alguma ação. Em contato com um público disposto a experimentar e participar, a criação da consagrada artista transforma obra e espectadores em um único corpo, num único tempo. Os arcos assumem o movimento que já se pressentia em suas formas e realizam sua condição intrínseca e paradoxal de esculturas em constante transformação.

Esse convite à interatividade é justamente um dos objetivos de Amanda Dafoe e Rodrigo Villela, curadores de Tempo presente, mostra em cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro de 1º de novembro a 17 de dezembro de 2017. Entrada gratuita.

As obras escolhidas têm em comum a capacidade de convidar o público para uma posição ativa, tanto física, quanto no plano reflexivo, quebrando assim a usual posição de uma contemplação passiva. Queremos estreitar a relação com o nosso visitante, compartilhar com ele esse momento, o nosso momento, ao qual todos de alguma forma pertencemos, transformando-o como parte desta atmosfera vibrante”, afirma Amanda.

Para a empreitada, sete artistas nacionais foram selecionados a expor suas instalações em diferentes ambientes. Os arcos de Tomie Ohtake dividem espaço com Espera, de Leandro Lima e Gisela Motta, no piso térreo. Ali, a videoinstalação usa dois bancos para projetar as sombras de um casal que nunca estará junto, mas que vive a expectativa do encontro. O rito se repete: ora é a sombra dele que vem, senta-se, espera, levanta e vai embora; ora é a dela que repete o mesmo percurso físico-afetivo. Evocativas, as sombras são verdadeiras presenças de uma ausência. Entre as inúmeras referências e camadas interpretativas, fazem lembrar um dos mitos ocidentais da origem do desenho, em que uma jovem apaixonada risca na parede o contorno da sombra projetada do amado que se preparava para ir à guerra. Os mesmos bancos também convidam o público a se sentar e contemplar a obra “de dentro”.

Na rampa de acesso ao mezanino, cuja parede de vidro se abre para a rua, na Alameda Nothmann, a artista Laura Vinci provoca: sua cortina de neblina No ar é um obstáculo? A nebulosidade da fumaça de glicerina em suspensão, imbuída de poética, também chama atenção para o entorno. E vice-versa:  a neblina, que ritmicamente preenche a rampa, pode ser igualmente vista do lado de fora, pelos que passam na rua, e simula a vivacidade de um Espaço Cultural que respira no coração de São Paulo. A fumaça estabelece também um ambiente com ausência de contraste, elemento crucial para a visão das formas e representação nas artes – a própria linha, algo a que estamos tão acostumados, é em si uma abstração humana do contraste que nos permite identificar o mundo ao redor. Ao mesmo tempo aponta para outro fator fundamental: a representação da luz e da atmosfera nela implicada, fazendo referência às camadas de subjetividade e afeto que atribuímos ao mundo e às obras de arte.

No andar de cima, a Rede Social, do Coletivo Opavivará estimula momentos de aproximação real entre os visitantes. Uma convidativa rede gigantesca, coletiva, espera que o espectador interaja com os demais, partilhando um espaço em que a luz natural reforça a sensação de conforto de varanda. Beirando a ironia, uma rede física, de pano, chama e interliga factualmente pessoas atualmente cada vez mais conectadas apenas pelas redes virtuais.

Da luminosidade das varandas para o subsolo, a série Sobre tesouros e outros domínios traz três obras de Nazareno, criadas sobre superfícies de cobre polidas ao ponto de se tornarem espelhos, instigando no interlocutor a reflexão, literalmente, sobre a ação do tempo. Evocando os antigos espelhos de cobre e bronze, as atuais selfies e o mito de Narciso, as obras instantaneamente fazem do espectador um participante, ao se ver refletido na obra. Os trabalhos, de caráter introspectivo, contam ainda com frases sobre passado e futuro, e precedem a instalação da paulistana Raquel Kogan.

A enorme caixa preenchida com pó de mármore lembra um tanque de areia de playground. Ao lado, pares de sapato estão disponíveis para o visitante deixar seu rastro na superfície de Volver. Nas solas, palavras imprimem textos no chão a cada passo, formando infinitas e espontâneas citações sobrepostas. Efêmeras, estampadas na areia e também coletivas, fazem referência à própria condição da linguagem e da comunicação, fatores tão humanos, que só existem a partir e por causa da convivência.

Na sequência, o Jardim Secreto, de Laura Belém, é uma experiência sensorial completa e levanta questões sobre deslocamento, tempo, cultura e memória. Os pés caminham sobre uma superfície de cascalho; as mãos tateiam e abrem caminho pelas fitas que descem do teto enquanto, ao fundo, vozes recitam trechos comentados de Tristes Trópicos, relato de viagem do antropólogo Claude Lévi-Strauss quando esteve no Brasil.

A exposição contará ainda com uma programação pública, com debates, oficinas e cursos ministrados pelos artistas, com a participação de críticos. Mais uma vez, o objetivo é possibilitar que o público interessado possa explorar transversalmente os temas relativos à exposição.

Parceria com o MuBE

A exposição Tempo presente ganha também extensão para além dos limites do Espaço Cultural Porto Seguro. Dois dos arcos de Tomie Ohtake estarão expostos nos jardins do Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE). A parceria integra o Portas Abertas,  programa do museu que nasce com o intuito de estreitar a relação da instituição com a paisagem do seu entorno e com os demais espaços culturais da cidade, promovendo o intercâmbio de experiências artísticas e a formação de redes colaborativas. Além do ECPS, a vizinha Fundação Ema Klabin também participa da iniciativa.

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Tempo presente
Espaço Cultural Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 610. Campos Elíseos – São Paulo)
01/11 até 17/12
Segunda a Sábado – 10h às 19h, Domingo – 12h às 19h
Entrada Gratuita
Classificação Livre
 
Agendamento para visitas em grupo
educativo@espacoculturalportoseguro.com.br