MANIFESTO INAPROPRIADO

 

As vozes da diversidade estão cada dia mais abafadas pelos discursos de ódio e pelo conservadorismo no Brasil, o país que mais mata sua população LGBT+ no mundo, como mostrou uma pesquisa feita pela Rede TransBrasil e o Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016. Para dar destaque aos anseios desses cidadãos que cansaram de ser oprimidos, a Cia. Histriônica preparou uma ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, entre 15 de novembro e 23 de dezembro, com atividades de formação e a estreia do espetáculo Manifesto Inapropriado.

Dirigida por Rodrigo Mercadante (da Cia. do Tijolo), a peça foi construída coletivamente a partir de vários discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal e denúncias de LGBTfobia em redes sociais. Alguns dos trágicos episódios citados em cena são as operações policiais Limpeza e Rondão, realizadas nos anos de 1980, com a missão de higienizar as ruas do centro de São Paulo ao retirar violentamente travestis e michês que se prostituíam na região.

A ideia desse manifesto cênico é questionar as estruturas sociais que oprimem à comunidade LGBT+, empoderar essas vozes e propor alternativas aos discursos de ódio por meio da poesia, da música e do canto, levando em conta a complexidade real de todas as questões que cercam esse universo.

A estrutura dramatúrgica da montagem posiciona o espectador em um lugar de pensamento crítico e ativo, sem deixar de  envolvê-lo emocionalmente com as situações mostradas. O elenco conta com os atores Lucas Sequinato e Ton Ribeiro e com os músicos Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez.

FORMAÇÃO

A Ocupação da Cia. Histriônica ainda tem uma série de atividades de formação comandadas por artistas e pesquisadores que investigam temáticas LGBT+. Um dos destaques é a oficina “Dramaturgia através da escuta e da empatia”, com Ave Terrena Alves, inspirada em um workshop ministrado pela autora britânica Jo Clifford, em 2014. A ideia é ampliar a sensibilidade dos participantes para as narrativas de outras pessoas.

A programação também conta com a oficina “Representatividade Literária”,  com Helena Agalenéa, que apresenta aos participantes textos de autoras sobre violência contra a mulher para estimulá-los a criar novos produtos textuais (poesia, crônica, prosa ou cenas) com personagens trans representadas de forma adequada e não estereotipada.

Outra atração é a palestra “Gênero se ensina na escola e no teatro. Vamos falar sobre isso?”, de Bernardo Fonseca Machado, que discute os “marcadores sociais da diferença”, mostrando como as discussões sobre gênero, sexualidade, raça e geração estão interligadas. Ele também problematiza formas de poder, de produção de desigualdades e de naturalização da diferença na educação e dentro das convenções estéticas.

Já Gabriel Cruz conduz uma roda de conversa sobre “Masculinidades possíveis e sexualidades não-normativas”, a partir de obras de Paul Preciado e Judith Buttler. A conversa pretende discutir as possibilidades de desconstrução das masculinidades e feminilidades nocivas, além de outros binarismos que cotidianamente oprimem sexualidades não-normativas.

A Cia. Histriônica também compartilha com o público LGBT+ e outros artistas alguns procedimentos criativos de seu novo trabalho, que envolvem técnicas de teatro e canto, na oficina “Manifeste-se”. O objetivo é transformar as experiências, memórias e desejos dos participantes em material cênico.

Espetáculo “Manifesto Inapropriado”

A peça é um manifesto cênico construído a partir da compilação de diversos discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal, denúncias de LGBTfobia em redes sociais, entre outros. A dramaturgia coletiva e o tratamento estético lidam com toda a complexidade das várias questões presentes nesse universo, transitando entre o lirismo e o humor, entre a beleza e a denúncia, entre os questionamentos e o empoderamento.

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Manifesto Inapropriado
Com Lucas Sequinato e Ton Ribeiro.
Músicos: Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 100 minutos
15/11 até 23/12
Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$30
Classificação 16 anos

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