RENATO RUSSO, O MUSICAL

Um espetáculo magnífico, sucesso de crítica e público por onde passa volta aos palcos de São Paulo para uma curta temporada no Theatro NET SP que promete muita emoção embalada pelas belíssimas canções e histórias curiosas sobre a vida e a obra do grande poeta, do Rock nacional.

O grande sucesso do musical também se dá pela combinação perfeita das músicas de Renato Russo, que marcaram toda uma geração, somados a  Dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho, Direção consagrada de Mauro Mendonça Filho, Iluminação de Wagner Pinto, Cenário de Bel Lobo e Bob Neri, além da banda Arte Profana que toca ao vivo para delírio dos fãs e também para os novatos que ainda não conhecem a fundo a grande importância do astro do rock nacional no cenário artístico brasileiro. “Apenas o ator que faz o Renato Russo é mais ou menos”, brinca Bruce Gomlevsky, protagonista de “Renato Russo – O Musical”.

A banda Arte Profana é formada por teclado, guitarra, baixo, bateria e ilustra com 22 canções, a peça que conta a história de Renato Russo desde a juventude “punk” em Brasília, quando fundou a banda Aborto Elétrico e ficou por dois anos em uma cadeira de rodas até o sucesso da Legião Urbana. O quebra-quebra num show em Brasília e os problemas com drogas estão na encenação.

Depoimentos, reportagens, entrevistas, livros e imagens de shows serviram como base para a concepção da obra biográfica, que estreou no centro do Rio há mais de 10 anos. “Renato é um grande poeta, e é por isso que continua causando comoção nas gerações de hoje. Sua obra gera um impacto enorme na nossa cultura”, afirma Gomlevsky.

Sem a menor dúvida o que move o espetáculo é a força do Renato e o legado que deixou na Legião Urbana, através das composições, que são a cada dia mais atuais. Os fãs se renovam e hoje temos além de adultos e idosos na plateia, jovens e adolescentes que se emocionam a cada sessão”, conta Bianca de Felippes, produtora do musical e do longa metragem “Eduardo e Mônica”, que está em produção.

Renato Russo- O Musical percorreu mais de 40 cidades, já foi assistido por quase 300 mil pessoas em 400 sessões. Após temporada no Teatro Frei Caneca, a peça realizará turnê por outras cidades brasileiras, reproduzindo toda a energia e brilhantismos das obras deste grande poeta e pensador que fez história e que até hoje segue como sendo um dos nomes mais importantes da história do rock nacional.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Renato Russo, o Musical
Com Bruce Gomlevsky e Banda Arte Profana:
Theatro Net SP – Shopping Vila Olímpia (Rua Olimpíadas 360 – Vila Olimpia, São Paulo)
Duração 120 minutos
05/01 até 25/02
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 17h30
$50/$120
Classificação 12 anos

ADMIRÁVEL NINO NOVO

Ator e diretor de teatro, Cassio Scapin coleciona mais de 60 diferentes personagens em seu currículo, entre teatro, TV e cinema, dos mais variados tipos, como Ary Barroso, Jânio Quadros, Santos Dummont, Miriam Muniz na peça Eu não dava praquilo, Olavo Bilac, Brás Cubas na peça Memórias Póstumas, Urbano Madureira no Sítio do Pica Pau Amarelo, até um traficante chinês além dos vários personagens da peça O Mistérios de Irma Vap, entre tantos outros. Já recebeu 4 indicações ao Prêmio Shell, ganhando 1, e 4 indicações ao Prêmio APCA, ganhando 2. Além de ganhar também os prêmios Mambembe de teatro infantil, Arte Qualidade Brasil, Governador do Estado e 4 APETESP.

Para comemorar seus 36 anos de carreira, Cassio trás de volta aos palcos uma de suas mais importantes criações, depois de 20 anos sem interpretá-lo. O mais conhecido e querido personagem, do já legendário Castelo Rá Tim Bum, está de volta numa sensacional aventura inédita, com texto e direção de Mauricio Guilherme e produção de Rodrigo Velloni.

Numa arrojada iniciativa e acompanhado apenas do invisível Espírito da Aventura (na voz de Ney Matogrosso), o aprendiz de feiticeiro deixa o Castelo para cair na estrada e assim descobrir o sentido e a sensação do que é uma verdadeira aventura.

Como escolher para onde ir? Como se guiar? Que roupas levar? Com que meio de transporte? São tantas as perguntas para responder. E as possibilidades também. Sendo então nosso protagonista um jovem mágico, estas possibilidades se multiplicam em inúmeras outras.

Seja numa noite estrelada, num deserto escaldante, no alto do Monte Everest, no espaço sideral e até no fundo do mar, entre muitos outros lugares, explorar o desconhecido é o lema dessa viagem. Através de um novo olhar, Nino vai descobrindo o que é diferente no mundo e o que também pode vir a ser. Uma lição básica para todos que embarcam numa nova jornada, como a dele.

A montagem mostra um jeito completamente novo de reencontrar um velho amigo através de projeções arrojadas, truques cênicos, trilha especialmente composta e a presença do talento único de Cássio Scapin, o Nino original da série da TV Cultura que foi ao ar a partir de 1994, com inúmeras reprises até o dia de hoje, sendo considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira.

Nino, o eterno menino de 300 anos, convida a todos para este reencontro nos palcos do Teatro das Artes. Crianças, jovens e (claro!) adultos também.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Admirável Nino Novo
Com Cassio Scapin
Teatro das Artes – Shopping Eldorado (Av. Rebouças, 3970 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 60 minutos
13/01 até 25/03
Sábado e Domingo – 16h
$60
Classificação Livre

OS GUARDAS DO TAJ

À primeira luz da manhã, um novo edifício representando o poder crescente do império será revelado: o glorioso Taj Mahal. Mas para estes dois guardas, amigos de longa data e designados a proteger o palácio, a manhã vem trazer uma crise existencial que abalará sua fé no Império e nos outros humanos.

Os Guardas do Taj retrata dois homens comuns que se deparam com a beleza imensurável do Taj e ao mesmo tempo são varridos pela carnificina e pela injustiça que cerca uma das maravilhas mais famosas do mundo. O ano é de 1648 e os dois guardas imperiais estão em pé e de costas para o ainda não revelado Taj Mahal. Um deles, Babur (Ricardo Tozzi) está cheio de curiosidade inextinguível; o outro, Humayun (Reynaldo Gianecchini) é pura ortodoxia obediente. Amigos desde a infância acabam se confrontando diante das regras estabelecidas e da maneira que cada um deles vê a sociedade e suas vidas.

Além de estarem proibidos de olhar para o edifício, os dois amigos também acabam sendo escalados para participarem da famosa história arbitrária que o imperador ordenou que executassem. O texto do americano Rajiv Joseph levanta questões potentes sobre o humano, o preço pago ao longo da história para realizar os caprichos dos poderosos, mesmo quando resultam em maravilhas arquitetônicas que, em última análise, serviriam para dar prazer às massas. Esta é uma das muitas lendas que cercam o Taj, mas que o autor usa de maneira brilhante para explorar, de forma inteligente e sem ser esmagadoramente dramática, uma série de ideias filosóficas. Uma delas é se há limites à busca humana pelo conhecimento, o que rege as relações de amizade e as proibições absurdas que muitas vezes nos são impostas.

Com direção de Rafael Primot e João Fonseca, os temas centrais do espetáculo sobre dois guardas imperiais proibidos de olhar para o esplendor do Taj Mahal em sua inauguração, são a curiosidade humana, o capricho dos poderosos e a amizade entre dois homens. Além disso, quando os guardas são ordenados a realizar uma tarefa impensável, as consequências os obrigam a questionar os conceitos como amizade, beleza e dever, e os muda para sempre de maneira única e poética.

Amizade, lealdade, subserviência, poder. Qual o real sentido da vida e das relações? Quando a luz se apaga, qual a única beleza que nos resta? A jornada desses dois amigos nos questiona se vale a pena pagar um preço tão alto para manter a ordem estabelecida.

Com produção de Selma Morente e Célia Forte, através da Morente Forte Produções Teatrais, Os Guardas do Taj é um espetáculo sobre a amizade, os valores e as escolhas que fazemos. Vale a pena simplesmente fazer as coisas sem questionar? Obedecer à ordem estabelecida sem pensar? Será que há um caminho melhor para seguirmos? Esses dois amigos, tão diferentes entre si, acabam descobrindo o que realmente importa na vida e vivem as consequências de suas escolhas.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Os Guardas do Taj
Com Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi
Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto 285 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 75 minutos
13/01 até 25/03
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$60/$80
Classificação 12 anos

COISAS ESTRANHAS ACONTECEM NESTA CASA

Um grande mistério chega aos teatros neste verão. A nova comédia de Pablo Diego Garcia tem co-direção de Marisa Orth e direção geral de Marcio Macena. A peça conta a história de 5 personagens excêntricos,  presos por uma tempestade, e muitos segredos dentro de uma mansão mau assombrada.

Coisas Estranhas Acontecem Nesta Casa celebra a diversidade dentro de um contexto absurdo. A peça fala sobre a família que podemos escolher, sobre os monstros que temos que matar para sobreviver, e sobre os problemas que devemos enterrar no nosso jardim.

Fleury, Kleber e Alfredo são três excêntricos, dramáticos e misteriosos homens, que moram juntos em um casarão no alto da serra em Campos do Jordão. Tudo poderia ocorrer bem na vida desses personagens não fosse o fato de eles estarem falidos e se odiarem. Fleury é o mais velho e está perdendo a memória; Kleber é alcoólatra, mau humorado e fumante compulsivo; Alfredo é um costureiro sem talento. Tudo começa quando Fleury esquece a panela de pressão no fogo e explode o jantar que seria servido para a cliente mais importante de Alfredo, a socialite Marcela Vitanozzi. A encomenda que Marcela fará ao costureiro poderá salvar os três da miséria. Isso faz com que eles se unam para preparar o melhor jantar já servido até hoje.

Mas algo misterioso acontece e a socialite acaba falecendo durante o jantar. Desesperados eles resolvem enterrar o corpo no jardim, mas são surpreendidos por uma visita inesperada. Um jornalista misterioso aparece querendo entrevistar a socialite. E a confusão estará armada quando os três fizerem de tudo para a defunta parecer vivinha da silva! Muitos segredos serão revelados, uma fortuna em dinheiro estará em jogo e coisas estranhas acontecem pela casa.

A mansão foi erguida no topo da colina. Para chegar até ela é necessário um longo caminho entre as montanhas. Alguns pinheiros se escondem, mas quando se atravessa a densa floresta, já nos deparemos com o grande portão de ferro retorcido onde girassóis foram esculpidos nas grades como colagens infantis. E lá, ao fundo das árvores, a pequena mansão reina como uma velha senhora tomando um chá da tarde.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Coisas Estranhas Acontecem Nesta Casa
Com Pablo Diego Garcia, Pedro Bosnich, Bruno Sperança, Deo Patricio e Daniel Aguiar
Teatro Augusta (R. Augusta, 943 – Cerqueira César, São Paulo)
Duração 90 minutos
13/01 até 04/03
Sábado – 22h, Domingo – 20h
$50
Classificação 12 anos

UM BONDE CHAMADO DESEJO

A história criada por Tennessee Williams narra a decadência de Blanche Dubois, que se abriga na casa da irmã, Stella, para fugir do passado e se depara com seu vulgar cunhado, Stanley Kowalski. Marlon Brando e Jessica Tandy interpretaram, em 1947, na Broadway, dirigidos por Elia Kazan, os protagonistas que aqui são representados por Maria Luisa Mendonça e Eduardo Moscovis. O texto ganharia notoriedade mundial no cinema, quatro anos depois, quando o mesmo Kazan dirigiu a adaptação cinematográfica com Brando e Vivian Leigh nos papéis principais.

Na trama, a sonhadora e atormentada Blanche DuBois muda-se para a casa da irmã, Stella, no estado norte americano de New Orleans, para logo entrar em violento embate com a brutalidade de seu cunhado, Stanley. Na tensão entre a carnalidade bestial de Stanley e o espírito etéreo de Blanche, ergue-se a mais pungente e bela metáfora do duelo entre o sonho e a realidade, entre a alma e o corpo, que o teatro já produziu.

Com direção de Rafael Gomes, completam o elenco Donizeti Mazonas (no papel de Harold Mitchell), Virgínia Buckowski (no papel de Stella Kowalski), além dos atores Fabrício Licursi, Nana Yazbek e Davi Novaes.

Através do enredo doméstico de Tennessee Williams, criam-se complexos universos éticos e estéticos, com refinadas teias simbólicas, maestria de linguagem e, principalmente, enorme envergadura moral.

O diretor Rafael Gomes, um dos mais destacados encenadores da nova cena teatral paulistana (Prêmio APCA por Música Para Cortar Os Pulsostrês indicações ao Prêmio Shell por Gotas D’Água Sobre Pedras Escaldantesmais de 20 indicações e 5 Prêmios conquistados pelo musical Gota D’Água [a seco]; 2 indicações de melhor espetáculo e Prêmio APCA de melhor autor para a peça Os Arqueólogos) é um profissional que, assim como Elia Kazan, diretor da montagem inaugural do texto, transita entre o Audiovisual e o Teatro, com experiência multidisciplinar, buscando as particularidades e convergências em cada uma das artes, bem como aquilo que as alimenta mutuamente.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Um Bonde Chamado Desejo
Com Maria Luisa Mendonça, Eduardo Moscovis, Virgínia Buckowski, Donizeti Mazonas, Fabricio Licursi, Nana Yazbek e Davi Novaes
Teatro Tucarena (Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)
Duração 110 minutos
19/01 até 01/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$80
Classificação 14 anos

A VISITA DA VELHA SENHORA

Clássico do suíço Friedrich Dürrenmatt, escrito em 1956, se mantém atual e apresenta um olhar irônico sobre a fragilidade dos valores morais, da justiça e da esperança

Texto do autor suíço Friedrich Dürrenmatt, A Visita da Velha Senhora volta ao palco do Teatro do SESI-SP sob a direção de Luiz Villaça. A montagem inédita, com Denise Fraga, Tuca Andrada, Ary França, Fábio Herford, Davi Taiyu, Maristela Chelala, Romis Ferreira, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho e Rafael Faustino, expõe a fragilidade dos valores morais e da noção de justiça quando a palavra é dinheiro. Em 2018, o espetáculo fica em cartaz de 24 de janeiro até 18 de fevereiro, com entrada gratuita

Na trama, os cidadãos da cidade de Güllen esperam ansiosos pela chegada da milionária Claire Zachanassian (vivida por Denise Fraga) – que promete salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire impõe uma condição: doa um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos os habitantes de Güllen rejeitam a absurda proposta. Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, onde os personagens vão, pouco a pouco, escancarando a fragilidade humana diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro.

A Visita da Velha Senhora é caracterizada por Dürrenmatt como uma comédia trágica. Seu texto faz uso do humor para a reflexão. Disseca os conflitos morais, as noções de ética, poder e justiça e as sutilezas de suas fronteiras. Até onde pode-se ir por dinheiro? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder econômico? Até que ponto a linha ética se molda ao poder? Até onde nos vendemos? E quanto nos custa a não submissão? Ao longo da história, o público se depara com questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade e que se apresentam agora mais atuais do que nunca.

Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”, afirma Denise Fraga.

Na peça Alma Boa de Setsuan, a personagem principal perguntava “como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos? ”. Em Galileu Galilei, o questionamento central era “como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?”. Para Denise Fraga, “encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como completar uma trilogia. A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão”.

Em cada uma das peças – Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora – as relações de poder e os conflitos morais vividos pelos personagens são explícitos. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

A Visita da Velha Senhora conta com direção do cineasta Luiz Villaça, que depois do sucesso de Sem Pensar, de Anya Reiss, e A Descida do Monte Morgan, de Arthur Miller, retorna ao teatro. A montagem ainda conta com a sofisticação dos cenários e figurinos de Ronaldo Fraga, a batuta do maestro Dimi Kireeff na direção musical, o desenho de Luz de Nadja Naira, da Companhia Brasileira de Teatro; Lucia Gayotto, na direção vocal; Keila Bueno, nas coreografias e preparação corporal, e Simone Batata, no visagismo.

“A tragédia do mundo moderno só é passível de representação no palco como comédia. A comédia é a expressão do desespero”.
(Friedrich Dürrenmatt)

Este slideshow necessita de JavaScript.

A Visita da Velha Senhora
Com Denise Fraga, Tuca Andrade, Ary França, Fábio Herford, Davi Taiyu, Romis Ferreira, Maristela Chelala, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho e Rafael Faustino
Teatro do Sesi-SP (Av. Paulista, 1313 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 120 minutos
24/01 até 18/02
Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h
Entrada Gratuita (Reservas antecipadas de ingressos online pelo portal http://www.sesisp.org.br/meu-sesi)
Classificação 14 anos

CÉUS

A estreia de Céus marca o segundo encontro do diretor Aderbal Freire-Filho e do ator e produtor Felipe de Carolis com o teatro de Wajdi Mouawad. O primeiro encontro foi em Incêndios, a peça fenômeno com o maior número de prêmios da história do teatro Brasileiro – foram mais de vinte prêmios, e mais de 50 indicações só entre RJ e SP -, que rodou o país por três anos com absoluto êxito de público e crítica. E foi ainda durante os ensaios de Incêndios que Felipe decidiu que montaria Céus. “Houve um episódio específico que foi decisivo para eu bater o martelo e comprar os direitos da peça: estávamos ensaiando dentro do teatro Poeira, em 2013, quando o país ia às ruas para as manifestações que ficaram famosas pelo nome ‘não é por vinte centavos’. No intervalo do ensaio, vimos uma manchete que informava sobre a ameaça da intervenção militar naquelas manifestações. Nos olhos dos meus colegas de elenco eu vi o semblante de tristeza, dor e medo, uma mistura de indignação e angustia. Eu tive uma vontade enorme de ir para a rua, mas naturalmente não poderia abandonar o ensaio. Eu olhei pro Aderbal e disse “esta situação me lembra muito Céus, a ultima peça da tetralogia”. No dia da estreia de Incêndios fui no ouvido do Aderbal e falei pra ele ‘Céus é nossa!’”, conta ele. E acrescenta: “Infelizmente o terrorismo cresce assustadoramente e a peça se torna mais e mais atual. Mas é muito importante prestar atenção neste autor fabuloso, na maneira como ele apresenta o tema principal da peça, expondo feridas como a descriminação religiosa, o preconceito com a possível inteligência jovem, a sensibilidade do homem moderno e a força da cultura nas gerações futuras”.

Então, ator e diretor se reuniram novamente para explorar a dramaturgia do autor que é um dos mais destacados nomes da cena contemporânea internacional. O espetáculo Céus estreou com grande sucesso em 2016 no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro e é ainda inédita no resto do país.

Isolados em uma espécie de bunker, as personagens precisam desvendar um iminente atentado terrorista. Especialistas no assunto, eles também são confrontados com o misterioso desaparecimento de um membro da equipe. Atravessado por temas de extrema atualidade, o texto de Mouawad caminha para uma profunda discussão sobre o Terror e o mundo contemporâneo.

A questão atual do terrorismo não é mais vista como um conflito entre Oriente e Ocidente. Na verdade, a peça caminha para uma discussão mais profunda, que vai muito além das divisões territoriais, muito além de questões religiosas”, analisa Aderbal, que aponta as muitas diferenças entre Céus (2009) e Incêndios (2003), que fazem parte de uma mesma tetralogia denominada ‘Sangue das Promessas’.

Para o diretor, Céus traz uma discussão sobre as revoltas e a insatisfação da juventude em um mundo que a castigou sempre. Após receberem uma civilização construída por interesses que não são seus, a juventude ainda vê guerras – motivadas por estes interesses – os destruírem, tanto no exército que os recruta como, indiretamente, nas rupturas de gerações. “É uma peça nova, no sentido de ter uma dramaturgia contemporânea, aberta, que dialoga com a poética ilimitada da cena. Estamos diante de um texto que reconhece o poder da cena ilimitada”, reflete Aderbal.

Além do conteúdo, as duas peças apresentam diferenças acentuadas também na forma. Enquanto Incêndios trazia a saga de uma personagem marcada por trágicos acontecimentos ao longo de décadas, Céus concentra a sua ação em um curto espaço de tempo e em um espaço definido.

Mouawad batiza o local em que as personagens se encontram de ‘célula francófona’, não especificando exatamente um país. Os espectadores apenas sabem que eles estão presos e que só poderão sair após finalizar a missão de desvendar o suposto atentado. É nesta tensão em que os conflitos individuais são apresentados e que a construção de todo o enigma da trama é desvendado.

Talvez fique mais evidente uma dramaturgia nova quando ela explora as possibilidades infinitas do palco ao ousar na quebra de limites entre tempo e espaço, o que não acontece em Céus. As mudanças de tempo e espaço aqui são relativamente pequenas. Mas o teatro novo, a poética da cena ilimitada, o palco da imaginação não existe apenas por essas razões mais evidentes: ele está no modo de construir os personagens, de apresentar a trama, de desenvolver a narrativa, de combinar os diferentes recursos dramáticos e construir, enfim, uma nova póetica”, resume Aderbal.

Para o espetáculo, o diretor recrutou parceiros de longa data para a ficha técnica, como o cenógrafo Fernando Mello da Costa e o iluminador Maneco Quinderé. Os figurinos são assinados por Antonio Medeiros e a trilha sonora é de Tato Taborda. Desta vez, ele faz uso de projeções impactantes (Estúdio Radiográfico) em cena. O espetáculo tem coprodução da Tema Eventos.

Responsável pela obra do Wajdi no Brasil, Felipe de Carolis conta que “chegar até a agência detentora dos direitos do Wajdi foi um processo árduo. Todo dinheiro do meu trabalho ia para pagar os direitos de Incêndios. Era o risco da minha vida. O valor foi altíssimo. Wajdi é o jovem autor mais premiado no mundo. Hoje, recebe homenagens como ator, diretor, dramaturgo e autor em todos os continentes, mas o Brasil ainda não o conhecia. Eu sempre quis fazer tragédia. A linguagem épica, a interpretação que o trágico pede é de uma carpintaria da dor inatingível. Eu sempre quis passar por aí, investigar este lugar, beber nesta fonte. A possibilidade de trazer para o público brasileiro um grande autor trágico contemporâneo tão imbricado às suas raízes, e ao mesmo tempo tão universal, me fez querer colocar ele em cena. Aprender com Aderbal e Marieta, e todos os atores que convidei a dedo para as duas peças, com certeza, são fatores definitivos nesta história”, completa.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Céus
Com Felipe de Carolis, Rodrigo Pandolfo, Marco Antônio Pâmio, Karen Coelho, Isaac Bernat
Teatro VIVO (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)
Duração 110 minutos
26/01 até 04/03
Sexta – 20h, Sábado – 21h, Domingo – 18h
$50/$60
Classificação 14 anos