“70! DISCODÉCADA – DOC. MUSICAL”

Prazer em conhecer
Somos as tais frenéticas
E um anjo doido fez
A gente se encontrar no Dancing Days” (“Somos as tais Frenéticas“).

Dhu MoraesEdyr DuqueLeila “Leiloca” NevesMaria Lídia “Lidoka” Martuscelli, Regina Chaves e  Sandra Pêra. Ou simplesmente As Frenéticas.

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Edyr, Leiloca, Lidoka, Dhu, Regina e Sandra

Se você não viveu na década de 70, não deve saber quem elas são. Ou melhor, se estava em Marte a partir de 1976, não as conhece e/ou nunca ouviu, nem dançou um dos hits eternizados na voz delas.

Mas não tem problema. Elas devem se reunir mais uma vez, para estarem debaixo das luzes dos refletores do palco, em 70! Discodécada – Doc. Musical, a partir de 2018.

O musical de Frederico Reder e Marcos Nauer é a ‘continuação’ do sucesso de público 60! Década de Arromba – Doc. Musical (2017). O espetáculo utilizou ferramentas de documentário (fotos, vídeos e depoimentos reais), somadas a cenas, textos e canções apresentadas ao vivo por 24 atores/cantores /bailarinos para contar a história da década de 1960. A cantora Wanderléa foi a convidada especial para o musical.

Quer saber mais como foi o espetáculo, leia aqui.

Em uma conversa com Marcos Nauer na época de lançamento do espetáculo em São Paulo, ele disse que tinha gostado do resultado e queria fazer os ‘Doc Musicais’ das décadas de 70 a 90.

No final deste ano, ele postou uma foto “suspeita” no seu story do instagram. Ao centro do símbolo do novo espetáculo estavam elas, as representantes mor da época nacional da discoteca – As Frenéticas.

 

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Fazendo uma pesquisa sobre a década, a escolha é super adequada, pois elas foram o grupo musical brasileiro que melhor representou os anos 70, onde todos iam para as pistas de dança, abriam suas asas, soltavam suas feras, pois

Na nossa festa
Vale tudo
Vale ser alguém
Como eu
Como você” (“Dancing Days“)

A Influência dos Dzi Croquettes

Antes que elas aparecessem, em 1972 o coreógrafo americano Lennie Dale criou um grupo masculino com visual andrógino. Eram homens barbudos, com corpo peludo e uma maquiagem pesada e trajes femininos.

O grupo era formado por Lennie Dale, Wagner Ribeiro de Souza, Cláudio Gaya, Cláudio Tovar, Ciro Barcelos, Reginaldo di Poly, Bayard Tonelli, Rogério di Poly, Paulo Bacellar, Benedictus Lacerda, Carlinhos Machado, Eloy Simões e Roberto de Rodrigues.

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Durante os espetáculos, apresentavam monólogos humorísticos alternados com números de canto e dança.

Mas as autoridades brasileiras não aceitaram bem essa quebra de tabus dos Dzi Croquettes. Era o tempo do regime militar, com isso o espetáculo foi censurado. O grupo viajou para a Europa, exilando-se em Paris e fazendo sucesso em terras internacionais, tendo como madrinha a atriz e cantora, Liza Minelli.

Mas apesar de todo o sucesso, o grupo encerrou suas atividades em 1976. Só que influenciaram vários atores, cantores e grupos, inclusive essas tais Frenéticas.

 

O Surgimento do Grupo

A disco music já era moda nos Estados Unidos por volta de 1976, e teve seu boom com o lançamento do filme “Os Embalos de Sábado a Noite” (“Saturday Night Fever” – 1977), com John Travolta e as canções do grupo Bee Gees.

Aqui em terras cariocas, nesta mesma época, o produtor musical Nelson Motta foi convidado para fazer uma ação que divulgasse o Shopping da Gávea. Por que não criar uma discoteca dentro do shopping?

Em 1976, surge o “The Frenetic Dancin’ Days Discotheque” (onde atualmente é o Teatro dos Quatro), para funcionar por apenas três meses. Para trabalhar como garçonetes e cantoras, Nelson convidou seis atrizes de teatro/teatro musical – Dhu, Edyr, Leiloca, Lidoka, Regina e Sandra, que em pouco tempo seriam conhecidas como “As Frenéticas“.

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O Sucesso Frenético

As atrizes atuavam como garçonetes no começo da noite, até que em uma certa hora, abandonavam os aventais e bandejas, para subirem no palco e interpretarem covers de Rita Lee, Rolling Stones e outros. Os ensaios eram comandados por Roberto de Carvalho , que começava a namorar Rita Lee.

O primeiro uniforme do sexteto foi feito por Marília Pêra, que era casada com Nelson, na época. Dizem também que ela foi a inspiração para um dos maiores hits do grupo – “Perigosa” (“Eu sei que eu sou, bonita e gostosa, e sei que você me olha e me quer…”).

Bastou duas semanas para as atrizes serem conhecidas pelo público e reverenciadas por atores e cantores como Tônia CarreiroMilton Nascimento, Sônia BragaCaetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, Lulu Santos, entre outros, que terminavam a noite na discoteca. A febre disco emplacou no país e virou sucesso nacional.

Das ‘discos’ para o mundo

Que a Dona Felicidade
baterá em cada porta,
e que importa a Mula Manca 
se eu quero 
A Dona Felicidade” (“A Felicidade Bate à Sua Porta“)

Com o fechamento da discoteca, o sexteto permaneceu junto, ensaiando novas canções, entre elas a composição de Gonzaguinha, até então conhecido como cantor de protesto – “A Felicidade Bate à Sua Porta“.

Liminha, ex-baixista do grupo “Os Mutantes” e produtor musical, resolve produzir o primeiro compacto. Por coincidência, essa gravação foi feita no estúdio da Wanderléa.

Com o sucesso, elas foram contratadas pela WEA/Warner Music e lançaram o primeiro disco em 1977 – “Frenéticas“, que tinha o hit “Perigosa“. Vendeu 150 mil cópias e recebeu um Disco de Ouro.

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Do segundo disco, “Caia na Gandaia” (1978), vieram os hits “Dancing Days” e “O Preto que Satisfaz“, que foram temas das novelas da rede Globo – “Dancin’ Days” (1978) e “Feijão Maravilha” (1979).

A novela “Dancin’ Days” foi uma mania nacional, que mostrava a protagonista Júlia Matos (Sônia Braga) arrasando na pista de dança. Influenciou a moda nacional (meias lurex, sandália de salto fino), brinquedos (boneca ‘Pepa’), difusão dos vôos de asa delta, além das várias discotecas abertas pelo país.

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O sucesso do grupo foi tanto que elas fizeram shows na América Latina e Europa, além de terem sido convidadas para participarem da primeira transmissão da televisão em cores, em Portugal (1980 – Festival da Canção).

As Frenéticas ainda lançaram mais três discos, mas sem tanto sucesso. Já era o começo do fim. No último disco, “Diabo a 4” (1983), o grupo já não contava com a presença de Sandra Pêra e Regina Chaves. Até que em 1984, o grupo se desfez.

Tentaram ainda mais dois retornos, sendo que ainda emplacariam o hit “Perigosas Peruas” na novela homônima (1992).

70! Discodécada – Doc. Musical

Agora, esperamos que seja mais uma oportunidade para revê-las no palco. Se bem que das seis, só quatro poderão estar presentes, afinal Lidoka faleceu em 2016 e Edyr está atualmente no Retiro dos Artistas.

Escolha seu melhor figurino e vá – seja camisa de poliéster ultra estampada, terninho, salto plataforma, calça boca de sino, macacão com decote bem generoso, shortinho, paetê, tecido metalizado, transparência e muita lycra… tudo acompanhado de meias lurex com sandálias de salto alto fino e…

Dance bem
Dance mal
Dance sem parar
Dance bem
Dance até
Sem saber dançar” (“Dancing Days“)

Quer conhecer mais

Sandra Pêra registrou em livro a história – ou melhor, as histórias – do grupo em “As Tais Frenéticas – Eu Tenho uma Louca Dentro de Mim” (2008).

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O programa “Por Toda Minha Vida” (rede Globo), lançado em 2011, contou a história do grupo. Pode ser encontrado no youtube. Para interpretá-las foram escolhidas Lisieux Maia (Leiloca), Gabrielle Lopez (Lidoka), Nina Morena (Sandra), Corina Sabbas (Dhu), Denise Spíndola (Edir) e Flávia Rubim (Regina). É também deste programa a última imagem que temos das seis juntas.

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Lidoka, Dhu, Regina, Leiloca, Sandra e Edyr

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