SENHORA DOS AFOGADOS

Jorge Farjalla volta a cena teatral paulistana com um novo ‘Nelson Rodrigues‘. Após a montagem de “Dorotéia“, que ficou em cartaz por dois anos, “Senhora dos Afogados” abre as cortinas do Teatro Porto Seguro, nesta sexta, 23 de fevereiro.

A montagem surgiu numa festa de aniversário da atriz Letícia Birheuer, que pediu ao diretor que a desconstruísse numa peça teatral. Foi quando surgiu a ideia de montar o texto de 1947. Letícia vive seu primeiro papel masculino: Paulo, filho do clã Drummond.

Os Drummond são uma família tradicional de três séculos, com mulheres que valorizam a fidelidade conjugal. Moema, a filha mais velha de Misael e D. Eduarda, guarda um amor pelo pai e resolve afogar suas irmãs mais novas, Clarinha e Dora, no mar para não dividir a atenção dele com elas.

A peça começa com a família chorando pela morte de Clarinha. Simultaneamente, as prostitutas do cais do porto, em homenagem a uma ex-colega que foi assassinada há 19 anos, deixam de trabalhar.

Dona Eduarda e Moema, além do irmão, Paulo, se digladiam em torno da questão do pudor e da honra da mulher, hostilizando-se devido a um ódio primordial. Para viver só com seu pai, Moema monta um plano para que a mãe o traia com o próprio noivo, um ex-oficial da marinha.

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Traição, famílias desfeitas, reviravoltas e morte.  Todos os ingredientes de uma tragédia grega, bem como de um texto rodriguiano. “Senhora dos Afogados” se assemelha a “Electra Enlutada“, de Eugene Oneill (1931) e “Orestíada” de Ésquilo.

Há a presença do ‘coro grego‘ –  personagens que comentam com uma voz coletiva a ação dramática que está a decorrer. Todos atores, além de seus personagens, interpretam o coro, seja dos vizinhos dos Drummonds, seja das prostitutas do local.

Farjalla trabalhou a montagem como um texto mítico, onde há uma linha bem tênue dividindo o sagrado do profano. A ação da peça foi transposta das ruas do Rio de Janeiro para um manguezal recifense, cidade natal de Nelson Rodrigues. Os personagens estão todos sujos de lama deste mangue, como se mostrando que não há ninguém limpo, sem um pecado.

Esta nova montagem de “Senhora dos Afogados” é cheia de simbologia, tanto que o último – e mais importante personagem – é o farol do porto. Uma construção que relembra o passado, marca o presente e ilumina o futuro. Mas como em toda tragédia – qual futuro?

Senhora dos Afogados
Com Alexia Dechamps, João Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado.
Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$70/$90
Classificação 16 anos
Texto: Nelson Rodrigues
Direção e encenação: Jorge Farjalla
Dramaturgia: Jorge Farjalla
Direção musical e trilha original: João Paulo Mendonça
Direção de arte e espaço cênico: José Dias
Figurinos e adereços: Jorge Farjalla e Ana Castilho
Desenho de Luz: Vladimir Freire e Jacson Inácio
Preparação Corporal: Jorge Farjalla
Maquiagem e visagismo: Vavá Torres
Assistente de direção: Raphaela Tafuri
Preparação vocal: Patrícia Maia
Design Gráfico: Kalulu Design & Comunicação
Direção de Produção: Lu Klein

“CINDERELLA, O MUSICAL”

A magia permanece eterna. A prova é o sucesso de ‘Cinderella, o Musical’, que após ser visto por mais de 120 mil pessoas, entre Rio e São Paulo, está em uma turnê nacional que se estenderá até o final do ano, com realização da Touché Entretenimento e direção geral de Renata Borges.  Em dezembro, ‘Cinderella’ passou pro Florianópolis e Porto Alegre. A turnê será retomada em março, com novo elenco e apresentação do Ministério da Cultura e Bradesco Seguros e patrocínio de Apsen FarmacêuticaAlelo e CVC.

Em 2018, a turnê passará Recife (16 a 18/03 – Teatro RioMar), Natal (24 e 25/03), Fortaleza (29 a 31/03 e 01/04),  Belo Horizonte ( 27 a 29/04), Brasília (05 e 06 de maio), além de nova temporada de dois meses em São Paulo ainda no primeiro semestre. Novas cidades e datas poderão ser confirmadas.

Para a turnê, ‘Cinderella’ viaja com algumas modificações no elenco: Bruna Guerin interpreta o papel título e André Loddi, o Príncipe Topher. Consagrados atores de musicais, os dois seguirão na turnê nacional a partir de agora. Bruna se destacou em ‘Urinal, o musical’, vencendo o Prêmio Bibi Ferreira de melhor atriz de 2015. Recentemente, esteve nos palcos em ‘Cantando na Chuva’.  Já participou de grandes montagens como ‘Rocky Horror Show’, ‘Hair’ e ‘O Mágico de Oz’. Já André Loddi esteve em espetáculos como ‘Wicked’, ‘Ghost’, ‘O homem de la mancha’ e ‘O Despertar da primavera’, entre outros.

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Ivanna Domenyco segue interpretando a fada madrinha, Marie. O elenco traz ainda Talitha Pereira (Madrasta), Igor Miranda (Jean-Michel), Luana Bichiqui (Charlotte), Letícia Mamede (Gabrielle), Marino Rocha (Sebastian), Fernando Palazza (Lorde Pinkleton). O coro feminino é formado por Nathalia Serra, Caru Truzzinat, Sofia Bragança,  Natacha Travassos, Thaty Abra e Gabi Camisotti. O coro masculino traz Philipe Azevedo, Thiago Garça, Fabio Galvão, Daniel Suleiman e Sergio Galdino.

‘Cinderella’ também conquistou a crítica e foi indicado aos principais prêmios do país: cinco indicações ao Prêmio Reverência (Melhor espetáculo, figurinos, atriz coadjuvante (Giulia Nadruz), coreografia e iluminação, nove indicações ao Prêmio Botequim Cultural (incluindo Melhor Espetáculo Musical, melhor direção, melhor ator (Bruno Narchi), melhor atriz (Bianca Tadini e Totia Meireles); duas indicações ao Aplauso Brasil (Melhor espetáculo voto popular e atriz coadjuvante (Giulia Nadruz)) e duas indicações ao Arte Qualidade Brasil (Melhor atriz – Totia Meireles e Bianca Tadini). Além disso, o musical, dirigido por Charles Moeller e Claudio Botelho,  venceu o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Cenografia e o Blog do Arcanjo elegeu Ivanna Domenyco como melhor atriz coadjuvante.

 ‘Cinderella’ é uma realização da Touché Entretenimento, de Renata Borges, que tinha como sonho realizar a turnê nacional.  “Precisamos levar qualidade e magia para outros estados além do Rio e São Paulo. É importante fomentar cultura, o público brasileiro merece. E acho fundamental apresentar o espetáculo com o mesmo nível da montagem dos Estados Unidos. E levar o melhor da Broadway a outros estados é um desejo meu e compromisso diante ao Ministério da Cultura.  Foi assim com o musical ‘Sim Eu Aceito!’ e estamos realizando com ‘Cinderella’. Tenho certeza que as pessoas ficarão encantadas”, celebra Renata, que complementa: “negociei a encenação de ‘Cinderella’ diretamente com o escritório em Nova Iorque. Esta foi, sem dúvida, a maior produção teatral de 2016 e seguirá por todo o Brasil em 2018”.

O conto de fadas

Quem nunca sonhou com um príncipe encantado? Esse é um desejo universal e deu origem a uma série de contos de fadas que se perpetuam de geração em geração. Nenhum deles, contudo, é mais famoso do que Cinderella, a gata borralheira que se transforma em princesa por um dia e encontra seu grande amor graças ao sapatinho de cristal perdido.  E assim são felizes para sempre! Essa célebre história de amor ganhou uma versão musical para a TV, em 1957, com canções de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein e chegou à Broadway em 2013. O Brasil, finalmente, tem sua própria ‘Cinderella’.

 ‘Cinderella’, de Rodgers e Hammerstein, foi exibido pela primeira vez na TV (na CBS),  estrelado por Julie Andrews, em março de 1957, e é, até hoje, o programa mais visto da história da televisão americana. O musical é baseado na versão do conto de fadas ‘Cinderella’, particularmente na versão francesa Cendrillon ou La Petite Pantoufle de Verre, de Charles Perrault. Este é o único musical da dupla escrito especialmente para a televisão e ganhou duas novas versões: em 1965 e 1997.

O musical da Broadway estreou em 2013, com novo texto de Douglas Carter Beane, e teve nove indicações ao Tony Awards, além de vencer três Dramas Desk. É a primeira vez que o musical ganha uma montagem fora dos Estados Unidos.

A direção musical é de Carlos Bauzys (‘Cantando na Chuva’, ‘O homem de la mancha’, ‘A madrinha embriagada’, ‘Nuvem de lágrimas’, ‘Alô, Dolly!’,  entre outros), que comandou uma orquestra de 16 músicos e dirigiu a gravação das faixas para a turnê. Os figurinos são de Carol Lobato, a luz é de Maneco Quinderé, Rogério Falcão assina a cenografia e a coreografia é de Alonso Barros e direção de produção de Rômulo Sales.

A NOVIÇA REBELDE

Desde que estreou na Broadway, em 1959, ‘A Noviça Rebelde’ se tornou um fenômeno à parte. Nenhum outro espetáculo conquistou uma trajetória de sucesso tão duradoura como a deste musical, inspirado na real história de amor entre uma jovem noviça e um capitão viúvo, pai de sete filhos. Após ganhar oito prêmios Tony, a montagem gerou o famoso longa-metragem (1965) vencedor de cinco Oscars – incluindo o de Melhor Filme – e se instalou para sempre na memória afetiva das gerações que vieram a seguir. Para matar a saudade dos fãs e também apresentar a história para os mais novos, uma nova versão deste clássico estará em cartaz a partir de 28 de março no Teatro Renault. Com direção de Charles Möeller e Claudio Botelho e produção do Atelier de Cultura em parceria com a M&B, o musical é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Brasilprev.

À frente de 45 atores e 18 músicos, Malu Rodrigues terá o desafio de viver a protagonista eternizada por Julie Andrews no cinema. Gabriel Braga Nunes interpretará o Capitão Von Trapp, herói da resistência à ocupação nazista sob a Áustria. Larissa Manoela, que estreou no teatro como filha mais nova dos Von Trapp na versão de 2008, retorna ao elenco no papel de Leisel, filha mais velha da família austríaca. Marcelo Serrado e Alessandra Verney serão o casal Tio Max e Baronesa Von Schrader, no contraponto entre o conformismo e a resistência, convenções sociais e o amor. Todos foram selecionados após uma maratona de audições com mais de três mil inscritos.

A grandiosidade não fica restrita apenas ao elenco e se estende por todo o projeto, que contará com cenografia de David Harris e figurinos de Simon Wells. Os britânicos Harris e Wells são colaboradores de Cameron Mackintosh e vão passar uma temporada no Brasil especialmente para a empreitada. Alguns efeitos especiais inéditos em palcos nacionais, como projeções e um sofisticado design de som, vão também marcar a superprodução.

Möeller & Botelho, que assinaram uma elogiada montagem de ‘A Noviça Rebelde’ em 2008, planejaram um trabalho absolutamente diferente do passado, com uma gama maior de recursos técnicos e profissionais especializados.

Será algo realmente novo, tanto na concepção artística como na realização. O mais interessante é observar como a história está ainda mais atual e que os valores passados pela Noviça, como lealdade, verdade e bondade, são mais necessários do que nunca. Maria Von Trapp é uma das mulheres mais empoderadas de seu tempo. Ela consegue, sempre com amor e música, amolecer corações e enfrentar inimigos tão desumanos embrutecidos pelo nazismo ascendente da época’, observa Charles Möeller.

Criado a partir do livro de memórias de Maria Augusta Trapp (‘The Trapp Family Singers’), ‘A Noviça Rebelde’ imortalizou definitivamente as canções da dupla Rodgers e Hammerstein, papas do Teatro Musical. Compostas para o musical de 1959, canções como ‘The Sound of Music’, ‘Do-Re-Mi’, ‘My Favorite Things’ e ‘So Long, Farewell’ serão cantadas nas versões em português de Claudio Botelho.

São Paulo e Rio de Janeiro podem esperar uma superprodução que reunirá texto e músicas repletos de romantismo e heroísmo, um elenco estelar, combinado com os mais envolventes recursos de luz, projeção e design de som sob a batuta dos consagrados Charles Möeller e Claudio Botelho’, afirma Cleto Baccic, presidente do Atelier de Cultura.

Patrocinar a realização dessa montagem é motivo de muito orgulho para a Brasilprev, que tem como diretriz apoiar projetos culturais e esportivos voltados ao entretenimento de toda a família. A história é um clássico que traz mensagens valiosas e, com certeza, irá encantar o público’, afirma Ângela Beatriz de Assis, diretora Comercial e de Marketing da Brasilprev, empresa patrocinadora do espetáculo.

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A Noviça Rebelde
Com Malu Rodrigues, Gabriel Braga Nunes, Larissa Manoela, Marcelo Serrado, Alessandra Verney, Diego Montez, Gottsha, Marya Bravo, Luiz Guilherme, Nabia Vilella, Marianna Alexandre, Roberto Arduin, Fabio Barreto, Carlo Porto, Raquel Antunes, Jana Amorim, Ana Catharina Oliveira, Chiara Gutierri, Laura Visconti, Lia Canineu, Luiza Lapa, Talita Silveira, Vânia Canto, Marcelo Ferrari, Thiago Petirrari, Lara Suleiman, Andrei Lamberg, Leonardo Cidade, Nicolas Tulchesky, Beatriz Dalmolin, Gigi Patta, Melissa Hendrick, Dudu Ejchel, Michel Singer, Nicolas Cruz, Bia Brumatti, Martha Nobel, Valentina Oliveira, Catharina Colela, Giovanna Lodes, Lorena Queiroz, Danny Prince, Laura Pavan e Maria Eduarda Agois.
Teatro Renault ( Av. Brigadeiro Luis Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 165 minutos
28/03 até 27/05
Quarta, Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 16h e 21h, Domingo – 15h e 20h
$150/$310
Classificação Livre

ISTO É UM NEGRO?

Como transformar teoria em cena? Como discutir negritude e questões raciais a partir da experiência singular de cada um dos intérpretes? ISTO É UM NEGRO?, que estreia no dia 2 de março, sexta-feira, às 21h30, no Sesc Belenzinho, propõe algumas hipóteses possíveis para essas perguntas. A montagem, com direção de Tarina Quelho e dramaturgismo de José Fernando Peixoto de Azevedo, traz no elenco Ivy Souza, Lucas Wickhaus, Mirella Façanha e Raoni Garcia.

ISTO É UM NEGRO? é  também um estudo sobre como implicar e  estar implicado em um assunto e, para tanto, explora na cena os limites entre autobiografia e ficção, assim como entre o humor e o constrangimento, misturando diversas linguagens e formatos, do stand-up ao vídeoclipe. Sempre buscando engajar a plateia nestes acontecimentos, é  a  conversa que dita o tom despretensioso do discurso levado ao palco.

Para a diretora Tarina Quelho, discutir negritude numa equipe formado por negros, negras, brancos, mestiços indígenas e japoneses, foi desafiador e muito importante para construção do espetáculo, e revelou com quem queremos dialogar: um Brasil mestiço e racista. “Enquanto não entendermos que racismo é um sistema e que todos estamos dentro dele, e somente pessoas negras se interessarem por discussões raciais, avançaremos pouco nesta conversa. É preciso que todxs  estejam engajados para o fim dessa sociabilidade excludente, escravocrata e cruel, e a peça, como tantas outras iniciativas em vários campos, que falar sobre isso”, explica ela.

Cadeiras amontoadas

Pela mesma porta que o público entra no teatro para assistir ao espetáculo, entram três intérpretes molhados – vestidos e encharcados de água. Olham as pessoas que ali estão para assistir, olham uma pilha de cadeiras brancas amontoadas no proscênio e se perguntam: nós? E logo concluem: nós! Tiram as roupas molhadas, com dificuldade porque estão pesadas e coladas no corpo, e sobem no palco empurrando a montanha de cadeiras brancas. Empurram juntos até que haja espaço para que eles ocupem aquele lugar.

Uma atriz que toma de assalto o espaço que não é dela, um “ex-branco”, uma mulher negra num show de stand up e um menino negro e “bicha” são algumas das figuras  criadas pelos atores e que aparecem nas cenas do espetáculo, que tem estrutura episódica e faz da metalinguagem seu brinquedo.

Foi lendo e estudando Angela Davis, Fred Moten, Achille Mbembe, Bel Hooks, Grada Kilomba, Frantz Fanon, Sueli Carneiro, Mano Brown e Aimé Cesaire, que o grupo elaborou as questões presentes em cada uma das cenas do espetáculo.

Diálogo com público

De acordo com Tarina Quelho, a pergunta ISTO É UM NEGRO? do título do espetáculo não busca uma resposta ou conclusão e sim friccionar a invenção do negro e tentar elaborar a experiência do que é ser e existir como negro, hoje no Brasil. “A interrogação é uma proposição para o diálogo com o público, a partir do encontro, pensamos sobre como o reconhecimento de nossas trajetórias são pontos de partida para a construção de novas experiências”, conta a diretora.

Em um país que possui maioria da sua população negra  e que ao mesmo tempo é cenário de processos de aniquilação desta, da sua cultura e identidade, é necessário enxergar que o racismo opera como método de controle social, regendo desigualdades, velando sua atuação de forma sofisticada, se enraizando de maneira truculenta através das relações de opressões cotidianas e contínuas.

A inquietação que busca respostas para os efeitos que o racismo produz em nossa sociedade, gera paralelamente uma contra-força que evoca um coro de indivíduos que pretendem através do reconhecimento do seu percurso e compreensão de sua identidade, causar uma ruptura da manutenção de práticas que neguem sua subjetividade. Perguntar é uma forma de negar a manutenção dessas estruturas”, defende Tarina.

Liberdade de expressão

Como campo de experiências sensíveis, a arte tem potência para dar forma a territórios poéticos heterogêneos, onde coexistem liberdades de expressão e expressões de liberdades diversas. Por meio da presente atividade, o Sesc reitera o seu compromisso com a cultura e com a educação, ao trazer à baila produções e processos artísticos que debatem a liberdade de expressão concretamente, em sua imbricação com a liberdade dos corpos – que precisa ser construída permanentemente.

03.2018 - Teatro - Isto e um Negro - Lucas Brandao

Isto é um Negro?
Com Ivy Souza, Lucas Wickhaus, Mirella Façanha e Raoni Garcia
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 90 minutos
02 a 11/03
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30
$20 ($6 – credencial plena)
Classificação 18 anos

EIGENGRAU, NO ESCURO

Espetáculo indicado ao Prêmio Shell de Melhor Direção 2017, Eigengrau, No Escuro volta em cartaz para temporada de 28 de fevereiro a 29 de março, às quartas e quintas-feiras, às 21h, no Teatro Porto Seguro.

Com direção de Nelson Baskerville, o texto da dramaturga britânica Penelope Skinner retrata com bom humor, as angústias da geração que está na faixa dos 30 anos a partir do relacionamento entre quatro personagens. Por meio deles, a autora fala sobre a crise desoladora que nos cerca, das relações efêmeras que se impõem em nosso cotidiano, de uma sociedade que permanece machista, do excesso de individualismo e competitividade, da ambiguidade dos discursos e da falência das ideologias.

 “Eigengrau, No Escuro é uma obra que lança questionamentos com a mesma urgência de seus diálogos rápidos e cortantes”, comenta o diretor Nelson Baskerville que, quando se deparou com o sobrenome da dramaturga, pensou imediatamente nas experiências com ratos encerrados em caixas de vidro, do cientista B.F.Skinner. “Em sua teoria do behaviorismo, ele afirmou que seres em contato com outros e estimulados por alguma experiência externa, que no teatro chamamos de circunstâncias, chocam-se e provocam atrito entre os encarcerados. É exatamente isso que vejo acontecer com estes quatro personagens.

A palavra que dá título à peça tem origem germânica e se refere à cor vista pelos olhos na completa escuridão.  Metaforicamente, é nesse espaço que parece não ter luz ou saídas que se encontram os personagens Carol (Andrea Dupré), Marcos (Daniel Tavares), Rosa (Renata Calmon) e Tomás Gordo (Tiago Real) na tentativa de entendimento de seus afetos, paixões e posicionamentos diante da vida.

Rosa acredita em tudo, do amor verdadeiro à numerologia. Ela aluga um quarto no pequeno apartamento de Carol, uma engajada ativista que luta contra a opressão da sociedade dominada pelos homens. Marcos aposta no poder do marketing – na vida pessoal e profissional. Ele, por sua vez, divide seu espaçoso imóvel com Tomás Gordo, que está vivendo um luto que parece não ter fim. Em uma cidade grande e massacrante, procurar pela pessoa certa e por um lugar no mundo pode levar esses quatro jovens a caminhos inesperados e, por vezes, surpreendentes.

Para Renata Calmon, responsável por encontrar o texto, o primeiro da autora a ser encenado no país, as personagens parecem não acreditar em mais nada enquanto vagam em uma cidade grande.  “Além de ir de encontro a um dos principais objetivos da nossa companhia que é o de produzir textos inéditos nacionais ou estrangeiros, o trabalho de Skinner proporciona uma reflexão sobre temas atuais relevantes, como as novas relações que se estabelecem nas grandes metrópoles e a competição nos dias de hoje, além de lançar um olhar sobre o feminismo, sem demagogia e panfletagem”, diz atriz, que também assina a tradução da obra.

O espetáculo, que estreou em 2016 no 20º festival da Cultura Inglesa, marca o primeiro trabalho Cia Delicatessen Teatral criada por Daniel Tavares, Tiago Real, Renata Calmon e Andrea Dupré com o objetivo de montar obras inéditas no Brasil.

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Eigengrau, No Escuro
Com Andrea Dupré, Daniel Tavares, Renata Calmon e Tiago Real
Teatro Porto Escuro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo)
Duração 80 minutos
28/02 até 29/03
Quarta e Quinta – 21h
$40/$50
Classificação 16 anos

É COMO DIZ O DITADO

Isabel e Joaquim são um casal de circenses. Ela, a mulher barbada e cigana. Ele, o versátil palhaço Coriza. Os dois, antigos artistas do grandioso Circo Vital. Um dia depois do casamento, por uma falha, o casal acorda e o circo não está mais lá. Abandonados, os dois descobrirão uma nova forma de viver com muita criatividade.

A narrativa passeia pelos ditados populares, tão presentes no nosso cotidiano, mas que muitas vezes nós nem nos damos conta de como eles resumem nossas situações mais corriqueiras. Assim, entrando numa saga repleta de aventura e emoção, os dois personagens vão nos mostrando suas histórias com muito humor, fazendo com que o público se identifique logo de cara.

A concepção de cenário e sonoplastia também tem a cara do artista popular, aquele que vive no improviso. Com uma cortina pendurada num varal, e alguns e adereços, a cigana e o palhaço conseguem expandir os limites da imaginação, gerando interesse aos olhos dos pequenos espectadores.

A direção também traz a criatividade nos elementos sonoros. Como se o casal tivesse “perdido tudo” na partida do circo, até a sonoplastia é feita no improviso.

Com certeza a fantasia criada junto com a plateia, resgatando os elementos da nossa cultura popular e, ainda, trazendo toda a ambientação do circo, faz com que É como Diz o Ditado … seja uma obra tão simples, mas ao mesmo tempo, tão potente nos dias de hoje.

 

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É Como Diz o Ditado
Com Beatriz Gimenes e Rodrigo Inamos
Inbox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
24/02 até 17/03
Sábado – 16h
$40
Classificação Livre

A Companhia Casa da Tia Siré apresenta o espetáculo infantil DesPrincesa de 3 de março a 1º de abril, no Centro Cultural São Paulo. As sessões acontecem aos sábados e domingos, às 16h, com ingressos gratuitos.

Com texto e atuação de Andressa Ferrarezi e Juh Vieira, sob direção de Vera Lamy, a peça destaca, por meio da história da menina Lila, como as questões de gênero – que muitas vezes permanecem invisíveis – podem ser realçadas, ludicamente, favorecendo à expressão de dúvidas e sentimentos que são comuns entre meninas e meninos no seu desenvolvimento.

Lila é uma criança de sete anos, que no seu primeiro dia de férias é convocada, pela avó, a arrumar o quarto começando pelo guarda-roupa. Dentro do armário, Lila encontra seu brinquedo, um dinossauro inflável, que será seu companheiro com quem vai desbravar os mundos existentes por trás dos portais do reino do guarda-roupa. Juntos, eles embarcam em uma série de aventuras, que aos poucos mostram à protagonista que ela não é com as princesas dos contos de fadas.

Lila sugere ao dinossauro que seja seu príncipe, dragão, bruxa e fada-madrinha e passeia pelo mundo dos contos-de-fada, tornando-se a princesa das histórias por ela conhecidas. Mas, a cada história, Lila percebe seus desejos e comportamento cada vez mais distantes aos das princesas descritas nas fábulas e começa a “desprincesar-se”.

DesPrincesa não é uma negativa ao imaginário das fábulas, mas um reconhecimento  do limite  entre a brincadeira imaginada e a vida real. Uma percepção de que as histórias de princesa, o mundo perfeito e a felicidade eterna são idealizações, mas que a realidade possui outras características e portanto é possível manter vivos os desejos e aspirações dos nossos primeiros anos”, fala Vera Lamy, diretora do espetáculo.

A peça integra o projeto CompArte: Gestando Poéticas – 10 Anos de Cia. Casa da tia Siré, contemplada com a 30ª. Edição do Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultou em quatro novas montagens: DesPrincesaGesta Mullier,Assombrosas e Adoráveis Criaturas Repulsivas, todas com dramaturgia própria.  A proposta atual do grupo é dar continuidade a este intercâmbio ampliando as possibilidades de criação com estudos práticos e oficinas.

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DesPrincesa
Com Andressa Ferrarezi e Juh Vieira. 
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso – São Paulo)
03/03 até 04/01
Sábado e Domingo – 16h
Grátis
Classificação Livre
 
Agendamentos para escolas com Litta Mogoff – 11 99698-7620 e Thaís Campos – 11 99654-0474.