CARMEN

Sucesso de público e crítica, Carmen tem sua nova temporada no Auditório do MASP prorrogada até o dia 25 de fevereiro de 2018.  Texto de Luiz Farina, direção de Nelson Baskerville com Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira no elenco.

Como idealizadores, Natalia Gonsales e Flávio Tolezani, responsáveis pela produtora cultural BEM CASADO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA, optaram pela montagem de um clássico que relata a história de uma das personagens mais conhecidas: “Já ouviu falar de Carmencita?”.  De fato, a cigana não demorou a passar das páginas aos palcos e destes, às telas. No cinema, diversos diretores assinaram adaptações próprias da história, entre eles se destaca Chaplin, Peter Brook, Lubitsch, Saura e Godard. Mas o sucesso da narrativa teve o seu preço.

A figura esquiva e inconstante criada por Mérimée foi perdendo espaço para uma “femme fatale”.  Portanto, esse projeto tem como objetivo a montagem do espetáculo, o resgate dos principais personagens criados por Mérimée para que o público volte a se intrigar e querer decifrá-los. E assim, basear-se na literatura de Prosper Mérimée também permitirá que a construção cênica explore a cultura cigana numa linguagem contemporânea. Com intuito de unir num único espetáculo o teatro, a dança e a música, os movimentos e as coreografias serão dirigidos pela bailarina do Balé da Cidade Fernanda Bueno. Nelson Baskerville assina a direção geral do espetáculo.

Em Carmen o público conhece o mundo fascinante e perigoso da boêmia que se opõe às normas burguesas, já que a sua figura foi deformada da original, principalmente na ópera e no ballet, tornando-a assim familiar, o que não deixa de ser uma situação insólita para quem, como ela, sempre se recusou terminantemente a constituir um laço familiar. Uma mulher que não teme a morte, fascinada pelo risco e capaz de prever o seu trágico destino.

Admiração, pulsão, curiosidade, interesse pela cultura cigana e pela personagem CARMEN foram fundamentais para essa iniciativa artística. O desejo impulsionou a ideia e a vontade de levar essa personagem, carregada de uma forte personalidade e de uma trágica história, ao teatro.

Uma dramaturgia clássica merece ser conhecida, visitada, discutida e revistada. Pois, quando são vivenciadas de fato, mais se revelam novas, inesperadas e inéditas. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira. Um clássico é uma história que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer e que, por isso, atravessa o tempo e atualiza questões verdadeiramente fundamentais à existência, ao expandir, de maneira contínua, a percepção da realidade daqueles que, com ele, entram em contato.

Porém, a dinâmica da dramaturgia criada pelo dramaturgo Luiz Farina, a partir da obra do Mérimée, não admite apenas uma interpretação. Carmen, também como narradora, poderá relatar os acontecimentos que levaram à sua tragédia. E assim, a montagem tem como intuito não apenas encenar essa história, mas oferecer ao público elementos conflitantes e contraditórios de uma mesma realidade contados por duas pessoas com pontos de vista divergentes e que são surpreendidas pelo desejo e pela paixão.

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Carmen
Com Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira.  
Auditório MASP (Av. Paulista 1578 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
20/01 até 25/02
Sábado – 21h, Domingo – 20h
$50
Classificação 12 anos

SILÊNCIO.DOC

Escrito em 2007, o monólogo Silêncio.doc é o primeiro exercício de escrita dramatúrgica de Marcelo Varzea. A peça ficou engavetada por dez anos até que ele e o diretor Marcio Macena resolveram fazer uma leitura nas Satyrianas 2017. E, graças ao sucesso da apresentação nesse festival, eles decidiram estrear a peça no Auditório MuBE, no dia 20 de fevereiro.

Com tom trágico e cômico, o espetáculo dá voz a um homem desesperado que mergulha em seu universo íntimo para entender os enigmas de uma separação amorosa devastadora e repentina. Ele busca a catarse coletiva dos ideais românticos e a possibilidade de descobrir um novo modelo de homem.

O personagem revela seu fluxo de consciência compulsivo, descrevendo sua situação de forma ora patética, ora dolorosa. O público é convidado a assistir a isso tudo de forma ativa ou apenas como espectador.

A encenação é pautada basicamente no trabalho do ator, que brinca com a morfologia e etimologia das palavras, como se o personagem estivesse escrevendo um texto, ou ministrando uma aula sobre a dor de amor. Ele filosofa e constrói teses a partir de seus pensamentos mais profundos, alternando a quebra e/ou interposição da quarta parede para que o espectador olhe para a própria vida e sinta empatia.

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Silêncio.doc
Com Marcelo Varzea
Auditório MuBE (Rua Alemanha, 221 –  Jardim Europa, São Paulo)
Duração 60 minutos
20/02 até 26/06
Terça – 21h
$40
Classificação 14 anos