A NOVIÇA REBELDE

Desde que estreou na Broadway, em 1959, ‘A Noviça Rebelde’ se tornou um fenômeno à parte. Nenhum outro espetáculo conquistou uma trajetória de sucesso tão duradoura como a deste musical, inspirado na real história de amor entre uma jovem noviça e um capitão viúvo, pai de sete filhos. Após ganhar oito prêmios Tony, a montagem gerou o famoso longa-metragem (1965) vencedor de cinco Oscars – incluindo o de Melhor Filme – e se instalou para sempre na memória afetiva das gerações que vieram a seguir. Para matar a saudade dos fãs e também apresentar a história para os mais novos, uma nova versão deste clássico estará em cartaz a partir de 28 de março no Teatro Renault. Com direção de Charles Möeller e Claudio Botelho e produção do Atelier de Cultura em parceria com a M&B, o musical é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Brasilprev.

À frente de 45 atores e 18 músicos, Malu Rodrigues terá o desafio de viver a protagonista eternizada por Julie Andrews no cinema. Gabriel Braga Nunes interpretará o Capitão Von Trapp, herói da resistência à ocupação nazista sob a Áustria. Larissa Manoela, que estreou no teatro como filha mais nova dos Von Trapp na versão de 2008, retorna ao elenco no papel de Leisel, filha mais velha da família austríaca. Marcelo Serrado e Alessandra Verney serão o casal Tio Max e Baronesa Von Schrader, no contraponto entre o conformismo e a resistência, convenções sociais e o amor. Todos foram selecionados após uma maratona de audições com mais de três mil inscritos.

A grandiosidade não fica restrita apenas ao elenco e se estende por todo o projeto, que contará com cenografia de David Harris e figurinos de Simon Wells. Os britânicos Harris e Wells são colaboradores de Cameron Mackintosh e vão passar uma temporada no Brasil especialmente para a empreitada. Alguns efeitos especiais inéditos em palcos nacionais, como projeções e um sofisticado design de som, vão também marcar a superprodução.

Möeller & Botelho, que assinaram uma elogiada montagem de ‘A Noviça Rebelde’ em 2008, planejaram um trabalho absolutamente diferente do passado, com uma gama maior de recursos técnicos e profissionais especializados.

Será algo realmente novo, tanto na concepção artística como na realização. O mais interessante é observar como a história está ainda mais atual e que os valores passados pela Noviça, como lealdade, verdade e bondade, são mais necessários do que nunca. Maria Von Trapp é uma das mulheres mais empoderadas de seu tempo. Ela consegue, sempre com amor e música, amolecer corações e enfrentar inimigos tão desumanos embrutecidos pelo nazismo ascendente da época’, observa Charles Möeller.

Criado a partir do livro de memórias de Maria Augusta Trapp (‘The Trapp Family Singers’), ‘A Noviça Rebelde’ imortalizou definitivamente as canções da dupla Rodgers e Hammerstein, papas do Teatro Musical. Compostas para o musical de 1959, canções como ‘The Sound of Music’, ‘Do-Re-Mi’, ‘My Favorite Things’ e ‘So Long, Farewell’ serão cantadas nas versões em português de Claudio Botelho.

São Paulo e Rio de Janeiro podem esperar uma superprodução que reunirá texto e músicas repletos de romantismo e heroísmo, um elenco estelar, combinado com os mais envolventes recursos de luz, projeção e design de som sob a batuta dos consagrados Charles Möeller e Claudio Botelho’, afirma Cleto Baccic, presidente do Atelier de Cultura.

Patrocinar a realização dessa montagem é motivo de muito orgulho para a Brasilprev, que tem como diretriz apoiar projetos culturais e esportivos voltados ao entretenimento de toda a família. A história é um clássico que traz mensagens valiosas e, com certeza, irá encantar o público’, afirma Ângela Beatriz de Assis, diretora Comercial e de Marketing da Brasilprev, empresa patrocinadora do espetáculo.

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A Noviça Rebelde
Com Malu Rodrigues, Gabriel Braga Nunes, Larissa Manoela, Marcelo Serrado, Alessandra Verney, Diego Montez, Gottsha, Marya Bravo, Luiz Guilherme, Nabia Vilella, Marianna Alexandre, Roberto Arduin, Fabio Barreto, Carlo Porto, Raquel Antunes, Jana Amorim, Ana Catharina Oliveira, Chiara Gutierri, Laura Visconti, Lia Canineu, Luiza Lapa, Talita Silveira, Vânia Canto, Marcelo Ferrari, Thiago Petirrari, Lara Suleiman, Andrei Lamberg, Leonardo Cidade, Nicolas Tulchesky, Beatriz Dalmolin, Gigi Patta, Melissa Hendrick, Dudu Ejchel, Michel Singer, Nicolas Cruz, Bia Brumatti, Martha Nobel, Valentina Oliveira, Catharina Colela, Giovanna Lodes, Lorena Queiroz, Danny Prince, Laura Pavan e Maria Eduarda Agois.
Teatro Renault ( Av. Brigadeiro Luis Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 165 minutos
28/03 até 27/05
Quarta, Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 16h e 21h, Domingo – 15h e 20h
$150/$310
Classificação Livre

ISTO É UM NEGRO?

Como transformar teoria em cena? Como discutir negritude e questões raciais a partir da experiência singular de cada um dos intérpretes? ISTO É UM NEGRO?, que estreia no dia 2 de março, sexta-feira, às 21h30, no Sesc Belenzinho, propõe algumas hipóteses possíveis para essas perguntas. A montagem, com direção de Tarina Quelho e dramaturgismo de José Fernando Peixoto de Azevedo, traz no elenco Ivy Souza, Lucas Wickhaus, Mirella Façanha e Raoni Garcia.

ISTO É UM NEGRO? é  também um estudo sobre como implicar e  estar implicado em um assunto e, para tanto, explora na cena os limites entre autobiografia e ficção, assim como entre o humor e o constrangimento, misturando diversas linguagens e formatos, do stand-up ao vídeoclipe. Sempre buscando engajar a plateia nestes acontecimentos, é  a  conversa que dita o tom despretensioso do discurso levado ao palco.

Para a diretora Tarina Quelho, discutir negritude numa equipe formado por negros, negras, brancos, mestiços indígenas e japoneses, foi desafiador e muito importante para construção do espetáculo, e revelou com quem queremos dialogar: um Brasil mestiço e racista. “Enquanto não entendermos que racismo é um sistema e que todos estamos dentro dele, e somente pessoas negras se interessarem por discussões raciais, avançaremos pouco nesta conversa. É preciso que todxs  estejam engajados para o fim dessa sociabilidade excludente, escravocrata e cruel, e a peça, como tantas outras iniciativas em vários campos, que falar sobre isso”, explica ela.

Cadeiras amontoadas

Pela mesma porta que o público entra no teatro para assistir ao espetáculo, entram três intérpretes molhados – vestidos e encharcados de água. Olham as pessoas que ali estão para assistir, olham uma pilha de cadeiras brancas amontoadas no proscênio e se perguntam: nós? E logo concluem: nós! Tiram as roupas molhadas, com dificuldade porque estão pesadas e coladas no corpo, e sobem no palco empurrando a montanha de cadeiras brancas. Empurram juntos até que haja espaço para que eles ocupem aquele lugar.

Uma atriz que toma de assalto o espaço que não é dela, um “ex-branco”, uma mulher negra num show de stand up e um menino negro e “bicha” são algumas das figuras  criadas pelos atores e que aparecem nas cenas do espetáculo, que tem estrutura episódica e faz da metalinguagem seu brinquedo.

Foi lendo e estudando Angela Davis, Fred Moten, Achille Mbembe, Bel Hooks, Grada Kilomba, Frantz Fanon, Sueli Carneiro, Mano Brown e Aimé Cesaire, que o grupo elaborou as questões presentes em cada uma das cenas do espetáculo.

Diálogo com público

De acordo com Tarina Quelho, a pergunta ISTO É UM NEGRO? do título do espetáculo não busca uma resposta ou conclusão e sim friccionar a invenção do negro e tentar elaborar a experiência do que é ser e existir como negro, hoje no Brasil. “A interrogação é uma proposição para o diálogo com o público, a partir do encontro, pensamos sobre como o reconhecimento de nossas trajetórias são pontos de partida para a construção de novas experiências”, conta a diretora.

Em um país que possui maioria da sua população negra  e que ao mesmo tempo é cenário de processos de aniquilação desta, da sua cultura e identidade, é necessário enxergar que o racismo opera como método de controle social, regendo desigualdades, velando sua atuação de forma sofisticada, se enraizando de maneira truculenta através das relações de opressões cotidianas e contínuas.

A inquietação que busca respostas para os efeitos que o racismo produz em nossa sociedade, gera paralelamente uma contra-força que evoca um coro de indivíduos que pretendem através do reconhecimento do seu percurso e compreensão de sua identidade, causar uma ruptura da manutenção de práticas que neguem sua subjetividade. Perguntar é uma forma de negar a manutenção dessas estruturas”, defende Tarina.

Liberdade de expressão

Como campo de experiências sensíveis, a arte tem potência para dar forma a territórios poéticos heterogêneos, onde coexistem liberdades de expressão e expressões de liberdades diversas. Por meio da presente atividade, o Sesc reitera o seu compromisso com a cultura e com a educação, ao trazer à baila produções e processos artísticos que debatem a liberdade de expressão concretamente, em sua imbricação com a liberdade dos corpos – que precisa ser construída permanentemente.

03.2018 - Teatro - Isto e um Negro - Lucas Brandao

Isto é um Negro?
Com Ivy Souza, Lucas Wickhaus, Mirella Façanha e Raoni Garcia
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 90 minutos
02 a 11/03
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30
$20 ($6 – credencial plena)
Classificação 18 anos

EIGENGRAU, NO ESCURO

Espetáculo indicado ao Prêmio Shell de Melhor Direção 2017, Eigengrau, No Escuro volta em cartaz para temporada de 28 de fevereiro a 29 de março, às quartas e quintas-feiras, às 21h, no Teatro Porto Seguro.

Com direção de Nelson Baskerville, o texto da dramaturga britânica Penelope Skinner retrata com bom humor, as angústias da geração que está na faixa dos 30 anos a partir do relacionamento entre quatro personagens. Por meio deles, a autora fala sobre a crise desoladora que nos cerca, das relações efêmeras que se impõem em nosso cotidiano, de uma sociedade que permanece machista, do excesso de individualismo e competitividade, da ambiguidade dos discursos e da falência das ideologias.

 “Eigengrau, No Escuro é uma obra que lança questionamentos com a mesma urgência de seus diálogos rápidos e cortantes”, comenta o diretor Nelson Baskerville que, quando se deparou com o sobrenome da dramaturga, pensou imediatamente nas experiências com ratos encerrados em caixas de vidro, do cientista B.F.Skinner. “Em sua teoria do behaviorismo, ele afirmou que seres em contato com outros e estimulados por alguma experiência externa, que no teatro chamamos de circunstâncias, chocam-se e provocam atrito entre os encarcerados. É exatamente isso que vejo acontecer com estes quatro personagens.

A palavra que dá título à peça tem origem germânica e se refere à cor vista pelos olhos na completa escuridão.  Metaforicamente, é nesse espaço que parece não ter luz ou saídas que se encontram os personagens Carol (Andrea Dupré), Marcos (Daniel Tavares), Rosa (Renata Calmon) e Tomás Gordo (Tiago Real) na tentativa de entendimento de seus afetos, paixões e posicionamentos diante da vida.

Rosa acredita em tudo, do amor verdadeiro à numerologia. Ela aluga um quarto no pequeno apartamento de Carol, uma engajada ativista que luta contra a opressão da sociedade dominada pelos homens. Marcos aposta no poder do marketing – na vida pessoal e profissional. Ele, por sua vez, divide seu espaçoso imóvel com Tomás Gordo, que está vivendo um luto que parece não ter fim. Em uma cidade grande e massacrante, procurar pela pessoa certa e por um lugar no mundo pode levar esses quatro jovens a caminhos inesperados e, por vezes, surpreendentes.

Para Renata Calmon, responsável por encontrar o texto, o primeiro da autora a ser encenado no país, as personagens parecem não acreditar em mais nada enquanto vagam em uma cidade grande.  “Além de ir de encontro a um dos principais objetivos da nossa companhia que é o de produzir textos inéditos nacionais ou estrangeiros, o trabalho de Skinner proporciona uma reflexão sobre temas atuais relevantes, como as novas relações que se estabelecem nas grandes metrópoles e a competição nos dias de hoje, além de lançar um olhar sobre o feminismo, sem demagogia e panfletagem”, diz atriz, que também assina a tradução da obra.

O espetáculo, que estreou em 2016 no 20º festival da Cultura Inglesa, marca o primeiro trabalho Cia Delicatessen Teatral criada por Daniel Tavares, Tiago Real, Renata Calmon e Andrea Dupré com o objetivo de montar obras inéditas no Brasil.

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Eigengrau, No Escuro
Com Andrea Dupré, Daniel Tavares, Renata Calmon e Tiago Real
Teatro Porto Escuro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo)
Duração 80 minutos
28/02 até 29/03
Quarta e Quinta – 21h
$40/$50
Classificação 16 anos

É COMO DIZ O DITADO

Isabel e Joaquim são um casal de circenses. Ela, a mulher barbada e cigana. Ele, o versátil palhaço Coriza. Os dois, antigos artistas do grandioso Circo Vital. Um dia depois do casamento, por uma falha, o casal acorda e o circo não está mais lá. Abandonados, os dois descobrirão uma nova forma de viver com muita criatividade.

A narrativa passeia pelos ditados populares, tão presentes no nosso cotidiano, mas que muitas vezes nós nem nos damos conta de como eles resumem nossas situações mais corriqueiras. Assim, entrando numa saga repleta de aventura e emoção, os dois personagens vão nos mostrando suas histórias com muito humor, fazendo com que o público se identifique logo de cara.

A concepção de cenário e sonoplastia também tem a cara do artista popular, aquele que vive no improviso. Com uma cortina pendurada num varal, e alguns e adereços, a cigana e o palhaço conseguem expandir os limites da imaginação, gerando interesse aos olhos dos pequenos espectadores.

A direção também traz a criatividade nos elementos sonoros. Como se o casal tivesse “perdido tudo” na partida do circo, até a sonoplastia é feita no improviso.

Com certeza a fantasia criada junto com a plateia, resgatando os elementos da nossa cultura popular e, ainda, trazendo toda a ambientação do circo, faz com que É como Diz o Ditado … seja uma obra tão simples, mas ao mesmo tempo, tão potente nos dias de hoje.

 

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É Como Diz o Ditado
Com Beatriz Gimenes e Rodrigo Inamos
Inbox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
24/02 até 17/03
Sábado – 16h
$40
Classificação Livre

A Companhia Casa da Tia Siré apresenta o espetáculo infantil DesPrincesa de 3 de março a 1º de abril, no Centro Cultural São Paulo. As sessões acontecem aos sábados e domingos, às 16h, com ingressos gratuitos.

Com texto e atuação de Andressa Ferrarezi e Juh Vieira, sob direção de Vera Lamy, a peça destaca, por meio da história da menina Lila, como as questões de gênero – que muitas vezes permanecem invisíveis – podem ser realçadas, ludicamente, favorecendo à expressão de dúvidas e sentimentos que são comuns entre meninas e meninos no seu desenvolvimento.

Lila é uma criança de sete anos, que no seu primeiro dia de férias é convocada, pela avó, a arrumar o quarto começando pelo guarda-roupa. Dentro do armário, Lila encontra seu brinquedo, um dinossauro inflável, que será seu companheiro com quem vai desbravar os mundos existentes por trás dos portais do reino do guarda-roupa. Juntos, eles embarcam em uma série de aventuras, que aos poucos mostram à protagonista que ela não é com as princesas dos contos de fadas.

Lila sugere ao dinossauro que seja seu príncipe, dragão, bruxa e fada-madrinha e passeia pelo mundo dos contos-de-fada, tornando-se a princesa das histórias por ela conhecidas. Mas, a cada história, Lila percebe seus desejos e comportamento cada vez mais distantes aos das princesas descritas nas fábulas e começa a “desprincesar-se”.

DesPrincesa não é uma negativa ao imaginário das fábulas, mas um reconhecimento  do limite  entre a brincadeira imaginada e a vida real. Uma percepção de que as histórias de princesa, o mundo perfeito e a felicidade eterna são idealizações, mas que a realidade possui outras características e portanto é possível manter vivos os desejos e aspirações dos nossos primeiros anos”, fala Vera Lamy, diretora do espetáculo.

A peça integra o projeto CompArte: Gestando Poéticas – 10 Anos de Cia. Casa da tia Siré, contemplada com a 30ª. Edição do Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultou em quatro novas montagens: DesPrincesaGesta Mullier,Assombrosas e Adoráveis Criaturas Repulsivas, todas com dramaturgia própria.  A proposta atual do grupo é dar continuidade a este intercâmbio ampliando as possibilidades de criação com estudos práticos e oficinas.

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DesPrincesa
Com Andressa Ferrarezi e Juh Vieira. 
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso – São Paulo)
03/03 até 04/01
Sábado e Domingo – 16h
Grátis
Classificação Livre
 
Agendamentos para escolas com Litta Mogoff – 11 99698-7620 e Thaís Campos – 11 99654-0474.

FLICTS

Em uma época em que preconceitos de todos os gêneros estão cada vez mais gritantes, o espetáculo Flicts, com direção e adaptação de Lívia Gaudencio, ensina para a criançada a importância de respeitar e aceitar o outro como ele é. A peça estreia no Teatro Municipal de Santo Amaro Paulo Eiró, no dia 3 de março.

A partir do primeiro livro infantil escrito pelo cartunista Ziraldo, a montagem narra o drama de uma cor chamada Flicts, que não está presente no arco-íris, nas bandeiras e nem em nada deste mundo. Por esse motivo, o personagem é excluído e mal recebido onde quer que vá e parte em uma jornada mundo afora para descobrir o seu lugar.

Flicts é uma metáfora para as pessoas excluídas, solitárias e diferentes. A ideia da encenação é mostrar para os pequenos que o bullying e toda forma de discriminação devem ser tratados como algo nocivo e desrespeitoso, além de reforçar a noção de que cada um tem sua individualidade e subjetividade. Outro tema é a relativização do belo, a noção de que a beleza não tem um padrão pré-determinado e cada um deve desenvolver seu pensamento crítico sobre o que é bonito ou não.

Escrita em 1969, ano em que o homem pisou pela primeira vez na Lua, a obra de Ziraldo foi dada como presente da embaixada brasileira nos Estados Unidos ao astronauta Neil Armstrong, que, em resposta ao autor, disse: “A Lua é Flicts”. A temática do livro que encantou o viajante espacial continua atual quase 50 anos depois de seu lançamento, por isso o grupo resolveu encená-lo.

O elenco conta com a participação de Bárbara Salomé, Bianca Fernandes, Ederson Miranda, Eliot Tosta e Rai Teichimam.

Como a história se passa nos anos de 1960, a montagem tem uma trilha sonora original, composta por Leo Mendonza, inspirada na sonoridade da banda inglesa The Beatles.

Já os figurinos, assinados por Paolo Suhadolnik, dialogam com as cores e formas geométricas presentes nas obras do pintor holandês Piet Mondrian. O trabalho com os atores, proposto por Gaudencio, é baseado em partituras físicas inspiradas no circo-teatro e no melodrama, utilizando vários registros de energia do corpo em cena.

SINOPSE

Flicts é discriminado entre as outras cores porque ninguém o conhece. Ele representa o excluído, o solitário, o diferente. Mas, como todos têm o seu lugar no mundo, Flicts também irá encontrar o seu. A peça é uma adaptação da obra de Ziraldo, com dramaturgia inédita e trilha sonora original. O espetáculo traz diversão, interação e reflexão sobre o preconceito e a relativização do belo.

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Flicts
Com Bárbara Salomé, Bianca Fernandes, Ederson Miranda, Eliot Tosta e Rai Teichimam
Teatro Municipal de Santo Amaro Paulo Eiró (Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/03 até 01/04
Sábado e Domingo – 16h
$16
Classificação 04 anos

EXPERIMENTO ESPELHO

Em Experimento Espelho, o Núcleo Instável mergulha em uma investigação sobre a alma humana, a imagem, o tempo e as memórias, partindo do conto clássico “O Espelho – Esboço de uma nova teoria da alma humana”, de Machado de Assis. A peça, que contou com a orientação de Luiz Fernando Marques, mais conhecido como Lubi (do Grupo XIX de Teatro), estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade dia 1º de março de 2018.

A encenação é estruturada a partir de três planos narrativos. No primeiro, há três jovens montando uma peça e conversando com o público; no segundo, os atores narram a história de Jacobina, o protagonista do conto de Machado de Assis; e, no terceiro, é Jacobina quem narra uma história de seu passado. Para borrar os limites entre esses planos, os atores usam em cena tecnologias obsoletas e atuais, como câmeras, computadores, projetores, iluminação e trilha sonora.

No conto de Machado, diante de um espelho antigo, Jacobina entra em conflito entre o que ele acredita ser e o que os outros dizem a seu respeito, ou seja, são desmanchadas as diferenças entre o ser e a sua imagem. Na montagem, o que se desmancha é a percepção da realidade, do tempo e da ficção. As palavras de um jovem de 2018 se confundem com as do narrador machadiano e com as das próprias personagens.

Histórico

Trabalho inaugural do Núcleo Instável, o espetáculo foi desenvolvido ao longo de 2016 no Núcleo de Direção Teatral da Escola Livre de Teatro de Santo André, sob a orientação de Lubi. A peça teve abertura de processo na Casa Pelada – Espaço Cênico de Experiências e participação na mostra “Teatro de Contêiner Convida Lubi”, no Teatro de Contêiner da Cia Mungunzá.

SINOPSE

Em um espaço apinhado de objetos – algo entre um quarto bagunçado e um depósito de memórias de uma geração –, três atores se deparam com um conto de Machado de Assis. Confrontando as ideias do autor com suas próprias vivências, na busca de entender e encenar o conto, os jovens compartilham com a plateia não somente o conto em si, mas sua construção cênica nos dias de hoje. Utilizando tecnologias obsoletas e atuais, operando de dentro da cena câmeras, computadores, projetores, além da iluminação e trilha sonora do próprio espetáculo, os atores desmancham os limites entre os planos da narração machadiana, da realidade e da memória. O resultado é uma sobreposição de duas épocas, de dois Brasis: um reflexo incerto e perturbador – assim como aquele com o qual a personagem Jacobina, do conto de Machado, se depara no grande espelho da casa.

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Experimento Espelho
Com André Zurawski, Marcelo Moraes e Thomas Huszar
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 70 minutos
01 a 30/03
Quarta, Quinta e Sexta – 20h
Grátis (distribuídos uma hora antes de cada sessão)
Classificação 14 anos