EXTINÇÃO

Baseado no livro homônimo do austríaco Thomas Bernhard, o espetáculo solo com Denise Stoklos apresenta uma obra demolidora dos valores conservadores da sociedade que limitam os espaços de exercício de liberdade e amor. A temporada acontece no Teatro Anchieta, Sesc Consolação, de 13 de abril a 20 de maio. A direção é de Denise Stoklos, Francisco Medeiros e Marcio Aurelio.

O espetáculo apresenta textos de Denise Stoklos que os interpreta referindo-se ao ritmo vertiginoso, reiterativo, cruel e veemente do livro (lembra praticamente um contínuo Joyce, especificamente no monólogo de Molly Bloom).

Isso leva à cena a proposta do autor de extinção dos pilares da sociedade capitalista: à família fechada, ao implícito egocentrismo do neoliberalismo, as demagogias de todos os lados muitas vezes até dos movimentos e das redes sociais em sua mistificação de valores, a pretensa solidariedade que é questionável quando há estratificação de classes sociais, o racismo instalado mas com todos os disfarces, a intolerância a todas às diferenças”, conta Denise.

A montagem, por Denise Stoklos

“Neste ano estou completando 50 anos de teatro. A montagem ‘Extinção’, livremente inspirada no livro de Thomas Bernhard realizada pelo Sesc São Paulo abre as comemorações que se encerram em dezembro com a primeira edição do FIDS, Festival Internacional de Solo Performance Denise, em Irati, Paraná com patrocínio exclusivo do ITAU CULTURAL através de seu diretor Eduardo Saron e seu firme apoio à diversidade do teatro.

Nasci em 14 de julho de 1950 em Irati, no Paraná. Aos dezoito anos estreei com uma peça que escrevi, produzi, dirigi e atuei com um grupo de amigos: “Círculo na lua, lama na rua”, peça que, desde o nome, pretendia ultrapassar a censura, apresentava um intrincado mais funcional sistema de revolução através de um imaginado ‘Clube dos Artistas’: os mais sensíveis à desafinação de violinos ‘Trafapro’ (Tradição, Família e Propriedade) instrumentos que era de uso compulsório dos moradores da cidade. Estávamos em pleno AI5 (a estreia foi em 24 de novembro) e eu estava estudando Jornalismo e Ciências Sociais, ambiente cultural que veio a definir permanentemente todas as minhas questões políticas, pessoais e artísticas.

Chamei para a montagem comemorativa dois diretores paulistas da minha geração, Francisco Medeiros e Marcio Aurélio, para compartilharmos a direção. Nunca trabalhei com eles antes, mas sempre corremos em paralelo com nossas produções pessoais, e nos admiramos. Considero a montagem de Francisco Medeiros com Ileana Kwasinsky (outra paranaense, nos tratávamos por ‘polacas’) ‘Depois do Expediente’ de Xavier Kroetz uma obra prima de nossa época. Marcio Aurelio passou anos encantando os alemães, quando morou lá, tendo montado inclusive ‘Mefisto’, nada menos que um Fausto à moda dele. Além de sermos da mesma geração outro dado nos une: Antonio Abujamra, aquele a quem frequentávamos como diretor, mestre, oráculo, e importante provocador.

O psicanalista e escritor Ricardo Goldenberg me sugeriu o livro “Extinção” de Thomas Bernhard, para montagem e mergulhou na aventura como dramaturgista. Nela se uniu Lua Santosouza, também psicanalista – nunca acho que essa área é demais, para nós, de teatro, que nos debatemos tanto com limites, desejos, papéis, máscaras, personas, confrontações, estéticas, embates sociais, etc.

Chamei J.C.Serroni um cenógrafo diretor de arte e extremo conhecedor de teatro e suas carpintarias e da imagética. Eu havia ficado impressionada quando da montagem dos textos de Dario Fo, ‘Um orgasmo adulto escapa do zoológio’ em 1983, com Antonio Abujamra, ele não acrescentou um cenário, mas praticamente ‘retirou cenário’ optando por apenas um fundo infinito branco que valorizava minha gestualização e a deixava como o ponto fundamental da encenação. Qualquer outro entendimento teria dado um rumo completamente diferente à peça que foi muito bem recebida por público nacional, sul americano, europeu e norte americano, em uma carreira de 7 anos, em 3 idiomas.

Aline Santini, iluminadora, já havia sido um encontro extremamente produtivo em minhas duas últimas peças: ‘Carta ao Pai’ e ‘Vendo Gritos e Palavras’. Ela é uma iluminadora que tem projeto de luz individual, que se debruça nos trabalhos inteiramente, investiga, propõe, escuta.

O Sesc com Danilo Santos de Miranda sempre pessoalmente envolvido tornando possível a evolução da nossa sociedade. Este espetáculo estreia no 27ª Festival de Curitiba nos dias 05 e 06 de abril de 2018.

O trabalho desta peça carrega o desejo de encenar uma posição política nos ecos de Karl Valentin, Brecht, neste momento específico de nosso país onde a lucidez provocada por Bernhard demonstra que sem extinção não se atinge uma nova etapa civilizatória que nos redima da mediocridade existencial, política, emocional atualmente instalada.

Extinção-crédito_Leekyung Kim (16).jpg

Extinção
Com Denise Stoklos
Teatro Anchieta – Sesc Consolação (Rua Doutor Vila Nova, 245 – Consolação, São Paulo)
Duração 75 minutos
13/04 até 20/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$40 ($12 – credencial plena)
Classificação 16 anos

 

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