FLORES E CORES

Guilherme Arantes apresenta-se com o show, “Flores E Cores“, no Teatro Porto Seguro no dia 25 de setembro.

Neste show intimista, Guilherme apresenta canções do álbum homônimo lançado em 2017, além dos seus maiores sucessos, como Planeta ÁguaMeu Mundo e Nada MaisUm Dia, Um AdeusDeixa Chover, Cheia de CharmeLindo Balão Azul, entre outros, do jeito que eles tomaram vida, apenas com voz e piano.

Flores e Cores

Com Guilherme Arantes

Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 70 minutos

25/09

Terça – 21h

$150/$180

Classificação Livre

E ELAS

O Teatro Porto Seguro recebe no dia 18 de setembro, Sandra de Sá, a cantora e compositora carioca, referência da black music brasileira.

No show “E Elas“, Sandra apresenta sucessos da carreira como Demônio ColoridoVale TudoJoga Fora no LixoBye Bye TristezaOlhos ColoridosRetratos e Canções e Solidão.  Com 17 álbuns gravados é considerada a rainha do soul brasileiro e chamada por alguns de “Tim Maia de saias”, por se identificar com o cantor no balanço e no timbre grave da voz.

E Elas

Com Sandra de Sá

Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/09

Terça – 21h

$60/$80

Classificação Livre

AZUL ANIL

A cantora goiana, Nila Branco, faz o lançamento do seu nono trabalho, Azul Anil. no Teatro Porto Seguro, no dia 11 de setembro, às 21h.

O repertório é formado por compositores de diferentes lugares do Brasil: Bahia, Tocantins, São Paulo, Goiás, Minas Gerais. No show, a cantora também mostra uma nova roupagem para Amei Te Ver, de Tiago Iorc, e Anjos (Pra Quem Tem Fé), do Rappa, além dos sucessos Chama, Seus olhos, Diversão e Farsa, temas de novelas da TV Globo, Record e SBT.

Azul Anil

Com Nila Branco

Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 70 minutos

11/09

Terça – 21h

$40/$60

Classificação Livre

MENOPAUSA, O MUSICAL

A chegada da meia-idade e o universo da mulher estão em foco no texto de “Menopausa – O Musical”. O cômico espetáculo, estreou em Orlando, na Flórida, em 2001, migrando para o circuito Off-Broadway em 2002, onde completou temporada de 1.500 apresentações; desde então já percorreu mais de 450 cidades nos Estados Unidos e diversos países. Fenômeno em Las Vegas há 12 anos, é o espetáculo de temporada mais longa da história da cidade, sendo premiado em 2015 como o “Best Scripted Live Show”.
Inédito no Brasil, ele chega ao Teatro Gazeta, em São Paulo, a partir de 10 de agosto, pelas mãos de Cássio Reis Anderson Bueno, mesmos produtores da icônica comédia, também feminina, “Os Monólogos da Vagina”, conhecida no país há quase 20 anos.

Cheias de personalidade, cada mulher retratada em cena encara a vida de uma maneira e enfrenta esta nova fase de forma diferente. Apresentando arquétipos em vez de personagens reais, o espetáculo traz a Atriz, a Hippie, a Executiva e a Dona de Casa do Interior, que, complementares, formam o quarteto disposto a lidar de forma bem-humorada com os detalhes e preciosidades de ser mulher, especialmente neste período fisiológico, que tende a ocorrer entre os 45 e 55 anos de idade. Elas são um reflexo de todas as mulheres. Toda mulher tem um pouquinho de cada personagem, diz o diretor, visagista e produtor Anderson Bueno.

As personagens vividas pelas atrizes Adriana FonsecaAlessandra VertamattiBibba Chuqui e Simone Gutierrez, além de Luciana Milano na função de stand-in, tem dupla missão: todas são responsáveis não apenas por entreter, mas também por abordar este universo de forma instrutiva, onde muito além de apontar os sintomas, é proposto um maior entendimento ao público sobre o que esse momento realmente significa para as mulheres. Ainda estou aprendendo, mas começo a ver isso como a Independência total da mulher. Uma libertação. Vejo ‘Menopausa – O Musical’ como parte de uma trilogia feminina que produzimos, em continuação aos espetáculos “Os Monólogos da Vagina” e “Nany People Salvou Meu Casamento”, conta Bueno.

O texto retrata uma fase da vida pela qual todas as mulheres irão passar e muitas vezes é um período bem conturbado física e emocionalmente. Gosto de falar de verdades e ‘menopausa’ é uma transição que muda o comportamento das mulheres e também de quem as rodeia. Sempre vi o espetáculo como um show para toda a família, de adolescentes aos mais velhos, e espero realmente que o público abrace com prazer a mensagem que queremos passar, pois é um espetáculo leve, bonito, alegre e que traz uma questão, muitas vezes delicada, para uma linguagem coloquial e de fácil entendimento, tudo com muito humor e música, afirma o idealizador e produtor Cássio Reis.

Já a trilha que irá conduzir os divertidos dilemas é guiada por paródias de conhecidas canções dos anos 60, 70 e 80, sempre sobre temas cotidianos da menopausa como os hormônios a flor da pele, necessidade do chocolate, perda de memória, fogachos, suores noturnos e vida sexual. Na seleção da song list, entram versões de hits como “Fever Night”, “Stayin’ Alive”, “The Lion Sleeps Tonight”, “YMCA” e “Chain of Fools”. O produtor Cássio Reis conseguiu ainda uma autorização especial e exclusiva dos detentores dos Direitos Autorais Internacionais do texto para inserir, no encerramento do espetáculo, a música “Dancing Days”, sucesso brasileiro consagrado pelo grupo As Frenéticas na década de 80 e que será cantada originalmente.

É importante que a prosódia e a acentuação das palavras estejam corretas, mas estou me baseando principalmente nas fonéticas. As pessoas vão ouvir as músicas com o mesmo tipo de sonoridade que ouvem em inglês, mas com palavras em português. Queremos trazer personagens mais reais, tipos físicos mais próximos do que o Brasil tem, por isso buscamos, e não só na música, ‘abrasileirar’ os termos e as piadas usadas, explica Thiago Gimenes, diretor musical e responsável pelas divertidas versões.

E reforçando ainda mais a comicidade do espetáculo, o público poderá reconhecer a voz marcante da atriz, imitadora e humorista Fafy Siqueira, convidada especial que participa em “off” desta comédia universal e atemporal, que já foi aplaudida em 15 países, entre eles Austrália, Canadá, Israel, Itália, Filipinas, Reino Unido e África do Sul.

 Abaixo o trailer do espetáculo no canal particular do youtube.

Menopausa, o Musical

Com Adriana Fonseca, Alessandra Vertamatti, Bibba Chuqui, Simone Gutierrez e Luciana Milano (stand in) Fafy Siqueira (em off).

Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 80 minutos

10/08 até 21/10

Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 16h

$80

Classificação 12 anos

ELES NÃO USAM BLACK-TIE (OPINIÃO)

A história de um pai e filho que, por apresentarem posições morais e ideológicas diferentes, se confrontam, ambos lutando por seus ideais, numa São Paulo dos anos 50.

Anos 50? Mas a ação poderia acontecer agora neste final da segunda década do século XXI. E os personagens – pai e filho – poderiam ser substituídos por irmãos, amigos ou até mesmo por compatriotas.

Comemorando os 60 anos do seu lançamento, o diretor Dan Rosseto traz “Eles Não Usam Black-Tie” para o palco do teatro da Aliança Francesa.

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Conceito Histórico da Peça

Eles Não Usam Black-Tie” é a primeira peça do jovem ator/dramaturgo, Gianfrancesco Guarnieri. Escrita para ser encenada no Teatro de Arena (atual Teatro de Arena Eugênio Kusnet) em 1958, é considerada a precursora do movimento em busca pelo verdadeiro teatro brasileiro. Sai dos palcos a burguesia e entra o operariado.

O próprio título é de um humor sagaz, pois o proletariado não se veste assim.

A peça realizou um feito inédito até então – ficar mais de um ano em cartaz. Ela “aliou temas importantes como o movimento operário da década de 50 no Brasil e as difíceis condições de vida dos trabalhadores brasileiros, traçando um panorama realista das favelas dos grandes centros urbanos e apontando o cerne do abismo social entre dominantes e dominados“, segundo Rômulo Radicchi.

Conta a história de uma família de trabalhadores de uma classe social baixa. De um lado, o pai, Otávio, e outros operários estão organizando uma greve, em busca de melhores condições de trabalho. Do outro, o filho mais velho, Tião, que não deseja participar desse motim e busca uma vida segura ao lado de sua noiva, Maria, que está grávida. No meio do fogo cruzado, está Romana, a mãe, uma mulher corajosa e massacrada pela vida, a quem cabe manter unida a família.

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No elenco original, Eugênio Kusnet (Otávio), Lélia Abramo (Romana), Miriam Mehler (Maria), Gianfrancesco Guarnieri (Tião). além de Flávio Migliaccio, Riva Nimitz, Chico de Assis e Milton Gonçalves.

A peça deu origem ao filme brasileiro homônimo, que foi dirigido por Leon Hirszman (1981). No elenco, estavam o próprio Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes e Flávio Guarnieri.

O filme recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, além de ter sido também premiada em outros festivais internacionais. Está na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Criticos de Cinema (Abraccine).

A nova montagem

Em um país atualmente dividido, bipolarizado, nada melhor do que trazer novamente para o cerne da questão uma peça como “Eles Não Usam Black-Tie”, ainda mais em um ano eleitoral. Os tempos são outros, mas o tema continua tão fresco quanto há 60 anos.

A montagem de Dan Rosseto incomoda – e muito. É um texto denso, que acontece em 90 minutos, que passam um a um. A sala do teatro da Aliança Francesa parece que fica claustrofóbica, não há ar que circula na plateia devido a tensão no palco.

No palco, o cenário do interior da casa da família de Otávio e Romana. Uma casa simples, de parede de madeira, que pelas frestas dá para ver os atores se preparando para entrar em cena. Na verdade, eles quase não abandonam o palco – estão sempre a vista, mas esperando para entrar na parte central da casa, onde acontece a ação. São olhos que vigiam – os outros personagens, bem como a plateia.

Dan acertou na escolha do elenco – algo tão importante para uma peça em que os atores e o diálogo são o foco principal da montagem.

O trio principal é vivido por Adilson Azevedo (Otávio), Kiko Pissolato (Tião) e Paloma Bernardi (Maria). Há a tensão no ar nas figuras de Adilson e Kiko, que interpretam pai e filho. O embate através da atuação, da forma de falar e de olhar. Paloma, a princípio dá o apoio necessário ao noivo, até que decide ficar ao lado de sua comunidade, abandonando-o. Começa a peça de uma maneira ‘simples’, ‘frágil’ até assumir o controle da sua vida, a independência feminina.

Ao redor deles orbitam os outros personagens – operários da fábrica e amigos da família. Carolina Stofella (Dalva), Pablo Diego Garcia (João), Paulo Gabriel (Jesuíno), e Tiago Real (Braúlio) dão suporte a ação da peça, assumindo algumas vezes os papeis de destaque na drama. São os olhos que tudo vêm pelas frestas da casa.

Samuel Carrasco (Chiquinho) e Camila Brandão (Terezinha) representam o frescor da idade, a inocência, a transição da infância para a vida adulta. Cada vez que estão presentes em cena, como ‘protagonistas’, o riso é garantido.

Mas o ponto de convergência da ação recai sobre a figura da atriz, Teca Pereira. Teca interpreta Romana, a mãe da família, de uma forma ímpar. Através de seus diálogos, que como os de qualquer mãe, fazem a plateia rir e até mesmo pensar profundamente. Romana é quem mantém a família unida, e é através dela, que a decisão final – com uma dor profunda – acontece.

A montagem de “Eles Não Usam Black-Tie”, de Dan Rosseto, irá pegá-lo de uma forma, que dificilmente você sairá igual do que quando entrou. Com certeza, facilitará – e muito – no diálogo que precisamos ter para que este país mude. Mas um diálogo em que todos saibam ouvir e falar.

Sugestão – chegue um pouco mais cedo, pegue o programa da peça e leia. Irá complementar a experiência teatral.

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Eles Não Usam Black-Tie

Com Adilson Azevedo, Camila Brandão, Carolina Stofella, Kiko Pissolato, Pablo Diego Garcia, Paloma Bernardi, Paulo Gabriel, Samuel Carrasco, Teca Pereira e Tiago Real

Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 90 minutos

20/07 até 16/09

Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h

$60

Classificação 12 anos

Quer conhecer um pouco mais sobre a obra? Abaixo, um documentário feito pela Central Única dos Trabalhadores, com depoimentos de atores que participaram do filme.

CONCERTO PARA JOÃO

O emocionante exemplo de talento, genialidade e superação de João Carlos Martins inspira o espetáculo teatral Concerto para João, com direção de Cassio Scapin e texto de Sérgio Roveri, que estreia no dia 10 de agosto no Teatro FAAP, onde fica em cartaz até 02 de dezembro de 2018. A trajetória do maestro mais amado do país já foi contada no cinema pelo filme “João, O Maestro” (2017), de Mauro Lima, que, assim como a peça, traz como protagonista o ator Rodrigo Pandolfo.

Cinema e teatro são veículos muito distintos, então, invariavelmente, existe um pequeno abismo entre os dois. Desta vez, certamente, vou descobrir camadas mais profundas e me apropriar com mais segurança dessa figura tão interessante. A dramaturgia do espetáculo é muito distinta do filme. Ela foge da biografia cronológica e os personagens, a temperatura,  a direção, as situações, os atores são todos diferentes”, comenta Rodrigo Pandolfo.

Para ele não há muita diferença entre interpretar um personagem real ou fictício. “O trabalho é o mesmo. A responsabilidade de fazer o João já está implícita. Quero mais é me divertir e jogar alegremente com meus companheiros de cena”, diz.

A encenação se passa durante uma das várias cirurgias às quais o pianista foi submetido para tentar continuar tocando. Dividido entre o sono da anestesia e a vigília, ele revive alguns de seus grandes concertos, narra os inúmeros episódios de superação e recebe a visita de um homem misterioso, com quem estabelece uma relação humana e musical.

A trama transita entre fantasia e a realidade para narrar as glórias e os desafios enfrentados por um dos maiores músicos brasileiros ao longo de seus 60 anos de carreira.

O próprio maestro João Carlos ficou surpreso com o texto. “Por nunca ter conversado com o Sérgio Roveri na vida, impressionei-me muito com a peça. Parece que ele esteve dentro da minha alma desde os 18 anos. Ele soube captar o que passou internamente entre a dúvida de achar que eu tinha uma missão e a dúvida de levar essa missão adiante, sabendo que eu tinha uma distonia cerebral. Essa espécie de ansiedade aliada a uma interrogação do que seria o meu amanhã, durante esses 60 anos, estão impressos dentro as peça toda”, revela o maestro.

Este é o quarto trabalho sobre a vida do maestro. “Já foram feitos dois documentários na Europa e um filme aqui no Brasil, todos muito bons. Pura arte. Agora, no teatro, há uma espécie de mistério na ligação entre o elenco e o público. Falo isso, porque muitas das minhas gravações foram feitas ao vivo, com público, no fundo, o que fiz de melhor é quando tinha o público ouvindo, aquela ligação fazia com que todas as gravações tivessem algo de mistério. Para mim o Pandolfo chega à beira da genialidade”, afirma.

O dramaturgo Sérgio Roveri conta que procurou fugir daquele esquema tradicional de vida e obra, aquela linguagem cronológica que acompanha todos os episódios da vida de alguém famoso ano a ano. “Eu procurei um recorte para contar a história dele – e achei que a cirurgia no cérebro a que ele se submeteu em 2012 era o acontecimento perfeito para eu lidar com as questões da memória dele, dos medos, das superações. Assim, no plano real, a peça se passa nos poucos dias em que ele ficou internado, mas na imaginação do maestro há toda uma vida sendo passada em revista. A peça, na verdade, assumiu este desafio de condensar uma vida riquíssima dentro dos três ou quatro dias que ele ficou no hospital. E apesar do talento comprovado e reconhecido dele, o que mais me inspirou na hora de escrever foram os momentos em que ele se viu privado deste talento. E eu penso que, ao conduzir a história por este caminho, a peça deixa de falar apenas dele e passa a falar de todo grande artista que, de repente, se vê impedido de realizar sua arte”, conta o autor.

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Concerto Para João

Com Rodrigo Pandolfo, Michelle Boesche, Ando Camargo e Duda Mamberti.

Teatro FAAP (R. Alagoas, 903 – prédio 1 – Higienópolis, São Paulo)

Duração 80 minutos

10/08 até 02/12

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$75

Classificação Livre

POUSADA REFÚGIO

Com direção de Pedro Granato e texto de Leonardo Cortez, POUSADA REFÚGIO volta em cartaz no Teatro Vivo com sessões às terças-feiras, às 20h. O elenco traz Daniel Dottori, Glaucia Libertini, Maurício de Barros e Tatiana Thomé, além do próprio autor da peça.

A trama apresenta dois casais que desejam construir um recanto no meio da natureza para fugir de suas várias crises. Durante um jantar para festejar a maquete da Pousada Refúgio, a realidade ameaça destruir o sonho do grupo. Nesse apartamento hipster, uma série de verdades sobre aquelas relações deterioradas ficam mais evidentes à medida que os convidados consomem bebidas alcoólicas.

Esse desmoronamento dos sonhos e slogans publicitários prontos para uma vida melhor coloca em choque universos em busca de harmonia. Para tratar de todas essas questões, o elenco tem um trabalho intimista ao expor pouco a pouco o ridículo da nossa tragédia. A situação se passa como um plano sequência, em que a ação acontece em um único espaço e em tempo real, sem elipses ou saltos.

A maquete representa o depósito de todos os sonhos dos casais. “Em um apartamento de classe média, focado em eletrodomésticos, adega, varanda gourmet, temos ali no centro um pedacinho de paraíso, cheio de verde, de coisas rústicas. É como quando você vai escolher uma viagem para suas férias e imagina um lugar lindo para onde gostaria de fugir. A ideia é trazer para a peça o contraste entre o que as pessoas idealizam e sonham com o que é a vida delas”, explica Granato.

As principais referências para a encenação são a própria realidade do Brasil e as pessoas com as quais o espectador convive diariamente. “Estamos falando da classe média, do amigo desempregado, dos amigos que têm filhos e veem o casamento entrar em crise, da frustração com a profissão, do desânimo provocado pelas crises econômica e política. O que eu acho mais legal é sair desse universo do teatro autorreferente, que só revisita textos clássicos, para falar sobre como as pessoas vivem hoje no país”, diz.

Esse desejo escapista, ainda segundo o diretor, revela uma dificuldade das pessoas para encarar seus problemas de frente. “Acho que um traço de personalidade do Brasil é essa baixa autoestima, essa ideia de que o país nunca vai dar certo. Alternamos entre o país do futuro e o país do eterno passado; raramente é do presente”, esclarece.

A cenografia e o figurino adotam como referência estética a moda hipster de roupa, de restaurantes, de comida natural, um universo que, de acordo o diretor, “contaminou até os mais playboys”. “As pessoas querem ser orgânicas em uma cidade extremamente poluída, campeã de doenças respiratórias. Quanto isso é tapar o sol com a peneira? Quanto queremos nos enganar de que temos uma vida sustentável em uma estrutura insustentável? Eu acho que o texto discute isso”, acrescenta.

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Pousada Refúgio

Com Daniel Dottori, Glaucia Libertini, Leonardo Cortez, Maurício de Barros e Tatiana Thomé

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro, São Paulo)

Duração 80 minutos

07/08 até 20/11

Terça – 20h

$40

Classificação 14 anos