ADMIRÁVEL NINO NOVO

Ator e diretor de teatro, Cassio Scapin coleciona mais de 60 diferentes personagens em seu currículo, entre teatro, TV e cinema, dos mais variados tipos, como Ary Barroso, Jânio Quadros, Santos Dummont, Miriam Muniz na peça Eu não dava praquilo, Olavo Bilac, Brás Cubas na peça Memórias Póstumas, Urbano Madureira no Sítio do Pica Pau Amarelo, até um traficante chinês além dos vários personagens da peça O Mistérios de Irma Vap, entre tantos outros. Já recebeu 4 indicações ao Prêmio Shell, ganhando 1, e 4 indicações ao Prêmio APCA, ganhando 2. Além de ganhar também os prêmios Mambembe de teatro infantil, Arte Qualidade Brasil, Governador do Estado e 4 APETESP.

Para comemorar seus 36 anos de carreira, Cassio trouxe de volta aos palcos uma de suas mais importantes criações, depois de 20 anos sem interpretá-lo. O mais conhecido e querido personagem, do já legendário Castelo Rá Tim Bum, está de volta numa sensacional aventura inédita, com texto e direção de Mauricio Guilherme e produção de Rodrigo Velloni.

Numa arrojada iniciativa e acompanhado apenas do invisível Espírito da Aventura (na voz de Ney Matogrosso), o aprendiz de feiticeiro deixa o Castelo para cair na estrada e assim descobrir o sentido e a sensação do que é uma verdadeira aventura.

Como escolher para onde ir? Como se guiar? Que roupas levar? Com que meio de transporte? São tantas as perguntas para responder. E as possibilidades também. Sendo então nosso protagonista um jovem mágico, estas possibilidades se multiplicam em inúmeras outras.

Seja numa noite estrelada, num deserto escaldante, no alto do Monte Everest, no espaço sideral e até no fundo do mar, entre muitos outros lugares, explorar o desconhecido é o lema dessa viagem. Através de um novo olhar, Nino vai descobrindo o que é diferente no mundo e o que também pode vir a ser. Uma lição básica para todos que embarcam numa nova jornada, como a dele.

A montagem mostra um jeito completamente novo de reencontrar um velho amigo através de projeções arrojadas, truques cênicos, trilha especialmente composta e a presença do talento único de Cássio Scapin, o Nino original da série da TV Cultura que foi ao ar a partir de 1994, com inúmeras reprises até o dia de hoje, sendo considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira.

Nino, o eterno menino de 300 anos, convida a todos para este reencontro nos palcos do Teatro das Artes. Crianças, jovens e (claro!) adultos também.

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Admirável Nino Novo

Com Cassio Scapin e Ney Matogrosso (off)

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/08 até 14/10

Sábado e Domingo – 12h

 

$30

Classificação Livre

**Atenção: Sessões extras nos feriados dos dias 07 de Setembro e 12 de Outubro, às 12h**

A VISITA DA VELHA SENHORA

Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.  Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

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A Visita da Velha Senhora

Com Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fábio Nassar e Rafael Faustino

Teatro Sergio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 120 minutos

03/08 até 30/09

Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$40/$80

Classificação 14 anos

*Todas as sessões de agosto às 17h terão disponíveis: áudio descrição e intérprete em libras*

O LOUCO E A CAMISA

Texto do argentino Nélson Valente, O Louco e a Camisa está em sua nona temporada na cidade de Buenos Aires, além de já ter ganhado os palcos de outros países como Chile, Espanha, França, Portugal e Estados Unidos.  Sucesso de público e crítica, a peça faz sua segunda temporada em São Paulo com direção de Elias Andreato.

O texto entrelaça temas como a loucura, a convivência familiar, a revelação da verdade e a violência doméstica, ao retratar um pai violento e severo. O público se depara com uma família distorcida e marcada pela convivência hipócrita entre eles, que se esforçam para esconder a existência de um “louco” (o filho) e suas ideias aparentemente malucas.

No decorrer do espetáculo, percebe-se que o “louco” é, na verdade, o mais são entre os integrantes da família, pois é fiel e íntegro aos seus valores. O único com percepção real e verdadeira. Desta forma, a comédia se dá em contraponto ao drama vivido com esses conflitos familiares, pois os personagens naturalmente se metem em situações cômicas para solucionar seus problemas.

É importante estar em constante discussão sobre as diferenças e estimular a tolerância e o respeito ao próximo. Neste espetáculo retratamos distúrbios de personalidades e relacionamentos, e isso serve para pôr uma lupa em nós mesmos e fazermos uma autoanálise do quanto somos permissivos e complacentes com certas situações”, comenta Priscilla Squeff, idealizadora do projeto no Brasil, ao lado dos sócios Leandro Luna e Danny Olliveira. Os produtores assistiram ao espetáculo em Buenos Aires e, cada vez mais, acreditam na importância deste intercâmbio cultural.

 

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O Louco e a Camisa

Com Rosi Campos, Rainer Cadete, Ricardo Dantas, Priscilla Squeff e Dudu Pelizzari

Teatro Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 70 minutos

10/08 até 16/09

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h

$80/$100

Classificação 12 anos

*Não haverá sessões no dia 17 de Agosto*

*Sessão com tradução de libras e audiodescrição dia 19 de agosto*

SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL

Suassuna – O Auto do Reino do Sol traz na essência uma série de características de seu homenageado. Ariano Suassuna (1927- 2014) – que teria completado 90 anos em junho de 2017 – defendeu incansavelmente a brasilidade e a valorização da cultura nacional, ao mesclar a arte popular e o universo erudito em todas as suas obras.

Em 2007, a Sarau Agência realizou uma grande programação para festejar os 80 anos de Ariano e, desde então, foi criado um vínculo do escritor com Andrea, responsável por todas as montagens da Barca dos Corações Partidos e por uma série de projetos que celebraram a arte brasileira nos últimos 25 anos. “Há algum tempo, Ariano me falou: ‘Não venha comemorar meus 85 anos, eu não vou morrer, quero que você festeje os meus 90!’. Naquele momento me senti condecorada e com uma grande missão pela frente”, conta a produtora.

A ideia inicial surgiu em conversas de Andrea com Ariano, que se confessava um palhaço frustrado e que elegeu o palhaço de O Auto da Compadecida como um dos seus personagens prediletos. “Assim, surgiu a ideia de uma grande homenagem ao palhaço de Ariano e pensei na reunião da Barca dos Corações Partidos com o que eu chamo de “trio paraibano”. Assim foi sendo criada esta peça inédita, com músicas e texto originais, mas totalmente inspirada no legado de Ariano”, resume Andrea.

A escolha de Ariano Suassuna foi também coerente com toda a trajetória da Barca dos Corações Partidos, fiel defensora de um repertório nacional e de um teatro que privilegia o intercâmbio de linguagens.

O grupo se formou no processo de Gonzagão – A Lenda (2012), celebração de outro ícone nordestino, Luiz Gonzaga, e logo em seguida reviveu um clássico de Chico Buarque (Ópera do Malandro, 2014), ambos com direção de João Falcão. A Cia. Barca dos Corações Partidos tem 4 espetáculos no repertório, 45 prêmios agraciados e um público de mais de 500 mil espectadores.

Chico César, Braulio Tavares e Luís Carlos Vasconcelos assistiram aos dois primeiros trabalhos e aceitaram na mesma hora o convite para se unir nesta nova empreitada.  “Além de ser um espetáculo que homenageia os 90 anos de Ariano Suassuna, quero falar do meu fascínio com essa trupe. Sempre trabalho com meus atores, com o meu grupo. Sempre tive receio de pegar um trabalho de outra companhia, mas tudo se dissipou em nosso primeiro encontro. É fascinante observar todas as possibilidades que estes atores tem como músicos, cantores, atores e palhaços”, diz Luís Carlos, fundador do celebrado grupo Piollin e  diretor de montagens emblemáticas, como Vau da Sarapalha, em repertório desde a estreia, em 1992.

O texto e as canções do musical foram produzidos ao longo do processo de ensaios, que começou ainda no ano passado, quando o elenco fez uma série de oficinas circenses e também excursionou pelo Nordeste brasileiro no que foi chamado de Circuito Ariano Suassuna. Guiados por Dantas Suassuna, filho de homenageado, a trupe esteve em Casa Forte (Recife), conheceu a famosa Pedra do Ingá e visitou a fazenda de Taperoá (Paraíba).

Entre muitas palestras e oficinas, o grupo se preparou para o intenso processo criativo, em que se reuniram por oito horas diárias e apenas uma folga semanal nos últimos quatro meses.

Neste período, Braulio Tavares idealizou a história central da montagem, centrada em uma trupe de circo-teatro e nos acontecimentos de uma noite de apresentação do grupo. O picadeiro de um circo é o cenário perfeito para aparecerem personagens de Ariano, como João Grilo e Chicó (‘O Auto da Compadecida’) e outros conhecidos tipos da Literatura Clássica, além de servir como pano de fundo para as histórias dos integrantes da companhia fictícia.

O projeto sempre quis falar de Ariano sem, no entanto, apresentar um espetáculo biográfico ou mesmo uma adaptação de suas obras. “Quando entrei na história, já estava decidido que não seria um espetáculo Armorial e que teríamos a liberdade de subverter, de trazer o Ariano de outras formas. A criação foi toda impregnada de Ariano, de seus personagens e de seu universo”, relata Luís Carlos Vasconcelos, que trouxe toda a sua imensa bagagem como palhaço para o processo. “É uma homenagem ao Ariano palhaço. O público é guiado por uma espécie de Palhaço Mestre de Cerimônias, como era habitual em seu teatro”, diz.

A parte musical seguiu pelo mesmo caminho. Os textos poéticos e as letras das músicas usam as formas tradicionais de poesia popular que foram cultivadas por Ariano, como a sextilha, a décima, o martelo e o galope. Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, mostravam as melodias e algumas letras surgiam de improviso, outras cabiam exatamente em alguns trechos do texto. A maioria das letras ficou a cargo de Braulio Tavares, mas também tem canções de outros integrantes da companhia, como Adrén Alves e Renato Luciano. “Contaminação é a palavra que define todo este projeto. As melodias foram contaminadas pelas letras e vice-versa. Criamos algo novo, mas totalmente contaminado por Ariano”, analisa Chico, a quem o escritor chegou a dedicar um livro de poesias.

Suassuna – O Auto do Reino do Sol

Com Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Atores convidados Rebeca Jamir, Chris Mourão e Pedro Aune

Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elísios, São Paulo)

Duração 120 minutos

17/08 até 23/09

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$50/$80

Classificação 14 anos

UM PANORAMA VISTO DA PONTE

Arthur Miller (1915-2005) é considerado um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. Ao longo de sua extensa carreira escreveu diversas peças que foram premiadas, analisadas e montadas em todo o mundo. Peças que revelam insights profundos e humanos que marcaram toda a sua obra dramática. Um Panorama Visto da Ponteé uma peça em dois atos escrita inicialmente em 1955 e reescrita em 1956. Recebeu recentemente, em 2016, premiadas montagens de sucesso em Nova Iorque e Londres. Com direção de Zé Henrique de Paula tem sua segunda montagem no Brasil, para temporada de 4 meses no Teatro Raul Cortez – Fecomércio em São Paulo, com mais 48 apresentações, todas seguidas de bate papo entre elenco e plateia. Em 2019, a peça segue em turnê nacional.

Assim como em outras peças de Miller, o texto aborda a sociedade moderna ao mesmo tempo em que oferece uma visão crítica do modo de vida desta sociedade. Ao tema da imigração, da solidariedade social, da fidelidade a um código de honra, se entrelaça o da intolerância. A peça foi saudada como obra-prima e montada em Londres, Paris e São Paulo, numa montagem histórica no Teatro Brasileiro de Comédia, em 1958, que trazia Leonardo Villar, Miriam Mehler, Nathália Timberg e Sérgio Britto no elenco.

A ação se passa em Nova Iorque e, narrada pelo advogado Alfiere, a peça conta a história de um casal de imigrantes italianos – Eddie Carbone, um trabalhador das docas do Brooklyn, e a dona de casa Beatrice. Os dois criam a sobrinha órfã de Beatrice, a jovem Catherine. O conflito se estabelece quando a família recebe dois primos italianos de Beatrice, Marco e Rodolfo, que estão imigrando ilegalmente para os Estados Unidos. A partir deste encontro o “sonho americano” fica ameaçado e todas as emoções antes camufladas começam a eclodir. Eddie então tomará uma atitude que marcará a sua vida e de todos que o rodeiam.

Em cena duas gerações de atores consagrados, Rodrigo Lombardi e Sérgio Mamberti, em um grande texto do teatro. Unido ao carisma de consagrados atores um texto de excelência com a sofisticação e profundidade, defendidas por Arthur Miller, de um teatro acessível ao grande público, que disperta emoções comuns a todos. Independentemente de condição social ou intelectual, suas peças tocam profundamente quem as assiste. “Clássico é o texto que resiste ao tempo, que permanece atual e capaz de nos fazer refletir e perceber que, bem ou mal, somos falhos, somos frágeis e somos humanos”, comenta Rodrigo Lombardi. Sergio Mamberti relembra, “acompanhei a montagem e assisti à peça no TBC. Foi um acontecimento, um marco no teatro, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Sempre tive convicção de que precisávamos remontá-la”.

O teatro de Miller transmite ao seu espectador a convicção de que há uma verdade a ser investigada e descoberta e de que isto só é possível mediante o mergulho analítico nas experiências históricas e coletivas do passado. “Os clássicos são obras perenes não por acaso. Em geral, seus temas reverberam por muito tempo no seio da sociedade, independente de época e lugar. As peças de Arthur Miller são dessa lavra – falam das nossas paixões primais, da atualíssima ideia de delação, das delicadas questões de imigração, de identidade nacional e, acima de tudo, da pulsão de amor e morte que já foi o motor do teatro em inúmeras épocas da História. Dirigir Um Panorama Visto da Ponte é um privilégio para qualquer diretor. Minha abordagem é estripar a peça de sua casca naturalista e ir ao âmago da tragédia, transformando o palco numa arena para as ideias tão brilhantemente urdidas por Miller, colocando a palavra em primeiro plano e dando forma a uma história que se passa nas docas de Nova York em meados do século XX, mas que poderia ser muito bem a história da família de cada um de nós”, afirma Zé Henrique de Paula.

 

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Um Panorama Visto da Ponte

Com Rodrigo Lombardi, Sergio Mamberti, Antonio Salvador, Bernardo Bibancos, Gabriel Mello, Gabriella Potye, Patricia Pichamone, William Amaral

Teatro Raul Cortez – FECOMERCIO (Rua Dr. Plínio Barreto 285 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 100 minutos

03/08 até 25/11

Sexta – 21h30, Sábado – 21h, Domingo – 18h

$80

Classificação 14 anos

ROMEU E JULIETA

Sucesso de público e crítica durante temporada de estreia, com público de mais de 50 mil espectadores no Rio de Janeiro, Romeu e Julieta, em formato inédito no país para o clássico de William Shakespeare, chega ao Teatro Frei Caneca no dia 10 de agosto. Com direção de Guilherme Leme Garcia (Um Pai – Puzzle), o roteiro musical do espetáculo é composto por 25 canções do repertório de Marisa Monte, tanto de sua carreira solo quanto do projeto Tribalistas, como “Amor I Love You”, “Beija eu” e “Não Vá Embora”. Apresentado pelo Ministério da Cultura e Circuito Cultural Bradesco Seguros, o espetáculo é assinado pela Leme Produções Artísticas, em parceria com a Aventura Entretenimento. O musical conta com o patrocínio da Altas Schindler e Riachuelo e o apoio do BMA Advogados e do CNA. Os ingressos estão à venda no site do Ingresso Rápido.
 
Contamos com uma equipe de criadores incríveis para encantar o público, contando a história trágica do amor de dois jovens, obra imortal da literatura. Tivemos uma linda temporada no Teatro Riachuelo Rio e esperamos ser igualmente bem recebidos em São Paulo”, comenta Aniela Jordan, sócia-diretora da Aventura, ao lado de Fernando Campos, Luiz Calainho e Patrícia Telles.
 
A tragédia escrita entre 1591 e 1595, nos primórdios da carreira literária do inglês, conta a história de dois adolescentes apaixonados cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra. A obra é uma das mais levadas aos palcos do mundo inteiro e hoje o relacionamento dos protagonistas é considerado como o arquétipo do amor juvenil.
 
Histórias de amor sempre têm um lado melancólico, triste, mas, como todos sabem, Romeu e Julieta é a mais bela história de amor que já existiu”, comenta o diretor. “Eu assisti uma montagem do Antunes Filho há 30 anos, em São Paulo, e desde então fiquei totalmente emocionado. Sempre quis falar de Shakespeare para os jovens e trazer essa galera nova para o teatro. O espetáculo é atemporal, mistura o texto de 1500 com a música dos anos 2000, além de um figurino e um cenário que circulam entre esses tempos”.
 
A equipe criativa do espetáculo conta ainda com craques como a cenógrafa Daniela Thomas, uma das responsáveis pela Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, e o estilista João Pimenta, que desfila suas criações na São Paulo Fashion Week. A atriz Vera Holtz assina como “colaboradora artística”, tendo participado da preparação do elenco, e a adaptação da obra e o roteiro musical são da dupla Gustavo Gasparani, vencedor do Prêmio Shell, e do dramaturgo Eduardo Rieche. O visagismo é de Fernando Torquatto, um dos maquiadores e fotógrafos mais requisitados do país, referência no assunto beleza.
 
A direção musical é do produtor Apollo Nove e a direção vocal de Jules Vandystadt. Renato Rocha, diretor de Ayrton Senna, O Musical, é o responsável em preparar os atores para as lutas de espadas que acontecem durante o espetáculo. Ele trabalhou durante um longo tempo com a “Royal Shakespeare Company”, uma das companhias de teatro mais importantes do Reino Unido.
 
O jovem e apaixonado casal é interpretado por Bárbara Sut (Rio Mais Brasil – O Nosso Musical) e Thiago Machado (Cazuza, Rent, Rocky Horror show, Cantando na Chuva). O elenco traz ainda nomes como Ícaro Silva (Rock in Rio – O Musical, Simonal, Elis, a Musical), no papel de Mercuccio, Pedro Caetano (Rei Leão, Les Misérables), como Teobaldo, Bruno Narchi (Rock in Rio – O Musical, Cazuza, Cinderella, Rent), interpretando Benvoglio, Stella Maria Rodrigues (Cristal Bacharat, Cazuza, Emilinha), como a carismática Ama, Claudio Galvan (Família Addams, Garota de Ipanema – O Amor É Bossa), o Frei, Kacau Gomes (Rock in Rio – O Musical, Beatles num céu de diamantes, O médico e o monstro, Les Misérables) e Marcello Escorel (A Grande Viagem do Doutor Tchecov, Cheiro de Chuva, Vaidades e Tolices).
 
É uma personagem que já não imaginava fazer. Teve uma peça na escola que me colocaram para fazer a Ama. Todas as meninas fizeram a Julieta, mas eu era muito alta. Teoricamente eu também não tenho o perfil do que se espera de Julieta, né? Itália medieval, uma Julieta negra? Por isso também me sinto muito honrada de ter essa oportunidade, é um papel que eu pensava ser meio inacessível para mim”, confessa Bárbara.
 
Já conhecido de musicais como Cantando na chuva, Thiago comenta sua primeira vez ao interpretar um texto de Shakespeare: “Eu acho que todo ator não só almeja, mas tem que viver pelo menos uma vez o teatro Shakespeariano. E contar a história do Romeu com a Julieta, que é a maior história de amor que tem, ainda mais na linguagem do teatro musical, está sendo uma aventura muito grande!”.
 
Para Guilherme Leme Garcia a escolha do repertório veio com naturalidade. “Quando comecei a pensar no espetáculo ele não era nem musical, na verdade. Mas, toda vez que eu ouvia Marisa, eu pensava ‘Nossa, essa canção ficaria tão linda nessa cena’. Quando o Gustavo Gasparani, que entrou para fazer o processo de criação, propôs que o espetáculo fosse inteiro com músicas da Marisa, topei na hora!
 
Sou muito próximo da Marisa e o meu universo se aproxima muito do dela”, comenta Gasparani. A ideia teve o aval de Aniela Jordan: “As canções casam como se tivessem sido escritas para a peça”, completa.
 
Romeu e Julieta é a vigésima quinta produção da Aventura Entretenimento e marca os 10 anos de estrada da empresa.
 
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Romeu e Julieta
Com Bárbara Sut, Thiago Machado, Ícaro Silva, Stella Maria Rodrigues, Claudio Galvan, Marcello Escorel, Kacau Gomes, Bruno Narchi, Pedro Caetano, Diego Luri, Kadu Veiga, Max Grácio, Neusa Romano, Gabriel Vicente, Laura Carolinah, Luci Salutes, Saulo Segreto, Thiago Lemmos, Gabi Porto, Santiago Villalba, Daniel Haidar, Jorge Neto, Lara Suleiman, Marcelo Ferrari e Juliana Gama
Teatro Shopping Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo)
Duração 150 minutos
10/08 até 21/10
Sexta – 20h30, Sábado – 16h e 20h, Domingo – 19h
$75/$200
Classificação Livre

CAFÉ AZEDO

Café Azedo teve sua primeira encenação entre de 29 de março e 01 de junho de 2017, no Teatro Pequeno Ato, com boa aceitação de público e crítica. Agora as atrizes Angela Fernandes, Camila Leitte e Einat Falbel voltam ao cartaz com a trama onde três personagens observam o movimento em uma cafeteria refletindo sobre si mesmas e as pessoas que entram, saem ou ficam. Intuem seus sentimentos, simpatizam ou antipatizam, sempre no plano imaginário, em fluxo de pensamento. Sem dialogar efetivamente, elas se comunicam no campo das identificações e projeções e a identidade de cada uma vai se revelando, aos poucos. “A linguagem poética, quase onírica, nos defronta com nossas próprias histórias, escolhas e renúncias”, afirmam elas.  A partir da personagem-tronco, Café, ramificaram Cacos e Mililitros, que já apareciam secundariamente no conto original (“Onde os Pombos Dormem”, Ed. Benfazeja).

O texto é um mergulho no universo feminino e produz empatia, apostando no poder dos encontros, quando um sorriso ou um gesto produzem micro – às vezes macro – transformações. Esta peça foi escrita por uma mulher, dirigida por mulheres, interpretada por mulheres e é sobre mulheres. Numa cafeteria elas olham pras pessoas, olham uma pra outra, olham pra si mesmas. Nestes olhares elas se quebram em cacos e depois se reconfiguram. Misturadas.

A referência literária mais evidente é Evandro Affonso Ferreira e seu narrador sentado na confeitaria a divagar sobre velhice e morte, interagindo mentalmente com os demais frequentadores (“Minha mãe se matou sem dizer adeus”, Record). A prosa de Evandro, ourivesaria de frases, instiga e comove. Mas não é só. E aquelas mulheres da peça? Vieram de onde?

No entanto, o maior desafio foi pensar o feminino atual, tema desafiador.

O projeto Café Azedo nasceu de conversas regadas a baldes de café, tapioca e pão de queijo, intercâmbio de ideias, de vivências, de referências literárias e dramatúrgicas, muitas risadas, algumas lágrimas, e às vezes até confidências. Assim foi o processo de transformação do conto Café Azedo, (“Onde os Pombos Dormem”, Ed. Benfazeja) em peça. Um mergulho de quatro mulheres no universo feminino. Nosso universo. Fomos nos engolindo e nos deixando engolir uma pela outra. Tão diferentes: uma escritora, três atrizes. Quatro mulheres com histórias díspares, cada uma com suas dores, suas cores. Neste mergulho fomos nos dissolvendo e misturando nuances, encontrando matizes comuns. Nos reconhecemos um pouco no espelho do olhar da outra. E, aos poucos, sem perceber, éramos um grupo. Não mais um agrupamento de mulheres. Tínhamos realmente um projeto comum. Nossa reunião virou uma confluência, profundamente empática. Acreditamos no potencial dos encontros, sobretudo os femininos. Achamos que uma troca verdadeira entre mulheres é um retorno ao primitivo, ao matriarcal. Sem julgamento, mas acolhimento. No decorrer do processo nos vimos emprestando o rosto para as personagens, tomando seus rostos emprestados. E assim nasceu a peça, inserida no contexto de (re)união feminina, tema atual.” Paula Mandel, Angela Fernandes, Camila Leitte e Einat Falbel

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Café Azedo

Com Angela Fernandes, Camila Leitte e Einat Falbel

CASA – Casa Aguinaldo Silva de Artes (Rua Major Sertório, 476 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 50 minutos

15/08 até 26/09

Quarta – 20h30

$40

Classificação 14 anos