DAQUI NINGUÉM ME TIRA

Comédia dramática, com números musicais inspirados em marchinhas e canções que fazem parte de nossa memória teatral, o espetáculo Daqui Ninguém Me Tira estreia dia 5 de setembro, quarta-feira, às 21h, no Teatro Porto Seguro.

O projeto foi idealizado pelo ator e produtor Giovani Tozi. Apaixonado pela história do Teatro Brasileiro, tema de seu projeto de doutorado na USP, Tozi reuniu duas grandes mulheres para conduzir uma história inédita, sobre uma discussão profundamente atual, tendo como pano de fundo as vedetes do Teatro de Revista.

O texto conta a história de um senhor conhecido como Veludo. Ele trabalhou por anos numa antiga companhia teatral, e fazia o que fosse preciso para que se abrissem as cortinas para o público. Os anos se passaram e os conteúdos desses espetáculos foram ficando cada vez mais “fora de moda”. Hoje em dia talvez fossem considerados racistas, machistas, homofóbicos e muito mais. Veludo fazia tudo isso por ser um grande fã das vedetes.

Chegaram os anos 60. A mulher foi adquirindo cada vez mais protagonismo na sociedade e deixou pra trás a vontade de ser vista apenas como uma figura ligada à beleza. Ela rasgou o jeans e o verbo, passou pela revolução sexual e chegou até o tão falado empoeiramento dos dias atuais. A companhia teatral, ao contrário, naufragou. Porém, como uma última gentileza, deixaram que Veludo morasse num galpão, onde ficaram guardados alguns cenários e figurinos dos espetáculos. A região se valoriza e a especulação imobiliária faz com que se cruzem os caminhos de Veludo aos do jovem Herculano. O terreno precisa ser desocupado para a construção de torres de edifícios, com apartamentos de 30 metros quadrados. O espetáculo começa no meio desse entrave. Ao som de Daqui Não Saio, Daqui Ninguém Me Tira, Veludo declara que tirá-lo daquele lugar não será tarefa simples. Esse primeiro conflito é apenas o start para que os personagens levem à plateia questões que estão fervilhando no nosso dia-a-dia.

Tudo de forma muito bem humorada, sem a pretensão de responder a alguma questão, mas colocando luz sobre assuntos que têm sido tabus nos últimos anos. O espetáculo tem 5 números musicais, entre eles um número de plateia divertido e inteligente. Como no Teatro de Revista, a dramaturgia caminha para um apoteótico final, onde progresso e passado são confrontados.

A dramaturgia é assinada por Noemi Marinho. A autora assinou grandes sucessos de bilheteria como Almanaque Brasil, Fulaninha e Dona Coisa e Brasil S/A e já recebeu diversos prêmios como o Shell, APETESP, APCA e Mambembe. Em Daqui Ninguém Me Tira pode-se esperar o clima revisteiro de Almanaque Brasil, através dos números musicais interpretados por Veludo e o embate ideológico de Fulaninha e Dona Coisa, conduzido pelo jovem Herculano.

Sobre a dramaturgia da autora, no livro O Teatro De Noemi Marinho, Márcia Abujamra diz: “a percepção aguda que Noemi Marinho tem de seus personagens se traduz em um diálogo ágil que surpreende o leitor-espectador pelas conclusões que sugere e, se não quisermos ser deixados para trás, nos obriga a acompanhar e participar ativamente de cada momento. Assim são as peças e os personagens de Noemi Marinho: em constante movimento.” (Imprensa Oficial 2007).

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Daqui Ninguém Me Tira

Com Ataíde Arcoverde e Giovani Tozi

Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 70 minutos

05/09 até 11/10

Quarta e Quinta – 21h

$50/$70

Classificação 12 anos

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