UMA NOVA GERAÇÃO DE ATORES

Pelos próximos meses, o país receberá produções musicais, onde, ao invés dos adultos, as crianças é que serão os astros principais. Títulos como “A Megera Domada – o Musical“, “Annie, o Musical“, “Billy Elliot” e “School of Rock” vão invadir os palcos. Nelas, atores de 6 a 16 anos darão  vida aos personagens principais das produções.

Este aumento no número de musicais só é possível porque as crianças estão se preparando cada vez mais cedo. Isto se reflete no aumento do número de cursos voltados para o Teatro Musical para elas. Iguais aos colegas de trabalho adultos, além de aprenderem atuar, também aprendem a dançar vários ritmos e a se desenvolverem na arte do canto.

Para sabermos quem são estes novos astros do Teatro Musical, conversamos com quatro deles que já conhecem muito bem como é a vida no palco. Encontramo-nos numa tarde, durante um final de semana, com Ana Clara Martins (12) (“Megera Domada, o Musical”, “Um Sonho de Natal”, “Annie, o Musical”), Helô Aquino (14) (“Megera Domada, o Musical”, “Annie, o Musical”), Manuela Costa (11) (“As Aventuras de Poliana”, “Carinha de Anjo”, “Megera Domada, o Musical”, “Annie, o Musical”) e Pedro Braga (15) (“Megera Domada, o Musical”, “Ritmos da Broadway”).

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Pedro Braga, Ana Clara Martins, Helô Aquino e Manuela Costa

A conversa teve que ser cronometrada, afinal, a agenda deles é corrida. O dia a dia precisaria ter mais de 24 horas, afinal além dos estudos do colégio – e os trabalhos para casa – ainda têm cursos de canto, dança, atuação,… Isto se não estiverem em cartaz.

Mas vamos começar do começo, sabendo como foi que eles resolveram entrar nesta área.

Ana Clara Martins: “Desde pequena, eu sempre gostei de cantar. Na escola, entrei no Clube de Teatro, onde pude participar de algumas montagens. Ouvia elogios e foi então que resolvi me aprofundar nos estudos.

Helô Aquino: “Eu assistia a novela ‘Carrossel’. Eu queria fazer igual ao que eles faziam. Pedi para minha mãe me levar e matricular numa escola. Lá, pude ver várias montagens de musicais”.

Manuela Costa: “Comecei cedo indo ao teatro. Adorei ficar olhando os atores, em como eles atuavam. Daí ficava me olhando no espelho, falando textos. Até que pedi para minha mãe me matricular em uma escola”.

Pedro Braga: Na minha escola, a professora de artes fazia peças de teatro. O que começou como brincadeira, virou algo que realmente gosto de fazer. Foi quando resolvi estudar numa escola voltada para Teatro Musical.

Algo em comum a todos, que percebemos, foi que o ‘brincar-teatro‘ surgiu no colégio, nas aulas de Artes. Uma disciplina que há tempos, em grandes partes das escolas, servia apenas para cumprir a carga horária (tanto que de acordo com as reformas propostas para o Ensino, há a possibilidade de ser excluída), mas que na vida dos quatro foi algo decisivo para a escolha de serem atores.

CARMEN (3)Mesmo já trabalhando, em primeiro lugar vem o colégio. Como dissemos, para conseguirem dar conta de todas as atividades, e não esquecerem nada, a agenda precisa ser observada, até para poder terem um tempo para brincar, afinal, não podemos esquecer que são crianças.

Ana Clara Martins: “Para mim é um pouco mais difícil, porque estudo em período integral, até as 15h10. Depois tenho aula de piano, canto e teatro também, quando não estou trabalhando em alguma peça.

Helô Aquino: “Também estudo de manhã. A tarde varia. Faço inglês, curso de teatro, xadrez no próprio colégio. E vou começar a fazer balé.

Manuela Costa: “Escola em primeiro lugar. Afinal, tem muita coisa para eu saber antes de me tornar uma boa atriz. Estudo pela manhã, e a tarde, tenho aulas de teatro, balé, canto, dança, jazz, sapateado. Tenho que dividir bem o horário para ter tempo para a escola e o teatro”.

Pedro Braga: “A escola é fundamental. Termina a aula, chego em casa e almoço, depois tenho que sair correndo para os cursos – teatro musical e atuação. As vezes, só chego em casa pelas 22 horas, e tenho que dormir, porque no dia seguinte, acordo cedo. Agora, por causa destes novos títulos, vou retomar os estudos de bateria”.

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E como atores que são, há o momento do reconhecimento, o dos aplausos. Algo comum a todos é receberem a visita de colegas, professores e familiares na plateia, para poderem assisti-los. Depois, no saguão, é o ‘momento de tietagem’, onde ficam sabendo dos conhecidos, o que mais gostaram; além de tirarem fotos com o público e assinarem os programas dos musicais.

Só que para estar onde estão, há que passar pelo momento que deixa até atores experientes preocupados – o das audições. Mas iguais aos adultos, eles se preparam com antecedência, através dos cursos. Quando o título da próxima montagem é divulgado, eles começam a pesquisar, vêem o musical pelo youtube, estudam os personagens que desejam audicionar, além de solicitarem aquele auxílio extra para os professores de canto e interpretação. “Eu, às vezes, até escrevo as minibiografias dos personagens que eu quero fazer, para melhor entendê-los“, disse Ana Clara. O nervosismo existe, improvisos acontecem, mas “se você estudou e ensaiou muito, você pode confiar em si próprio e ficar mais tranquilo. Afinal, isso é uma brincadeira e temos que nos divertir, primeiramente“, conclui Pedro.

Chegando ao final da conversa, resolvemos perguntar o que era ser ator para eles. As respostas que nos deram, impressionaram pela maturidade, e por saberem o que os esperam. Vêm o Teatro como algo diferente, que fez com que o buscasse por isso. Sabem que há, e haverá, dificuldades. O aprendizado será contínuo. Que para serem bons atores, precisam ter disciplina, talento, coragem e técnica. Mas que principalmente, que gostam do que estão fazendo, pois é algo para vida. E para arrematar, o ator é uma eterna criança, que a cada dia pode brincar de alguma coisa.