EU ESTAVA EM MINHA CASA E ESPERAVA QUE A CHUVA CHEGASSE

O novo espetáculo de Antunes Filho, Eu estava em minha casa e esperava que a chuva chegasse do dramaturgo contemporâneo francês, Jean-Luc Lagarce, retrata o cotidiano de cinco mulheres que esperam a volta do caçula da família. Nesta peça, de modo atemporal, descortina-se um contar interminável de hipóteses sobre o retorno do único homem, que partiu de casa, após se desentender com o pai. No decorrer do espetáculo – e de suas múltiplas versões –,o espectador assiste a um entrecruzar-se contínuo de possibilidades. Neste jogo cênico, o enredo, aparentemente simples, encontra-se estrategicamente costurado pelas cinco mulheres. Resta ao espectador tecer a sua própria versão da história. O elenco é composto pelas atrizes Fernanda Gonçalves, Daniela Fernandes, Viviane Monteiro, Susan Damasceno e Rafaela Cassol.

Sobre a dramaturgia

Lagarce compôs seu espetáculo à maneira de um novelo narrativo. Nele não há apenas um fio exposto, guiando e orientando a história. Ao contrário, existem inúmeros fios que levam a “soluções” e a caminhos diversos. Cada uma das cinco mulheres apresenta a sua versão, ou seja, no desenrolar da encenação, uma a uma tece seu ponto de vista e a forma como imaginou e imagina os fatos. A partir dessas versões, o espectador se depara com uma gama de possibilidades, advindas dos fios narrativos que ora convergem, ora se contrastam. Assim, por exemplo, o conflito que estrutura o enredo, a saber, o desentendimento entre pai e filho que culminou na partida do caçula, é representado – instaurando assim um verdadeiro metateatro, complexo e labiríntico – e imaginado, sobretudo imaginado, pelo prisma subjetivo lançado por cada uma Delas, as quais sustentam esta família inominável.

Sobre o espetáculo

O espetáculo de Antunes Filho consegue extrair a teatralidade do texto de Lagarce, minuciosamente elaborado e estrategicamente embaralhado, para o palco. Para isso, a atenção do diretor redobrou-se constantemente, uma vez que foi preciso, antes mesmo de conceber a encenação propriamente dita, investigar, mapear e decifrar a escrita poética deste importante dramaturgo e diretor teatral.

CARMEN

Eu Estava em Minha Casa e Esperava que a Chuva Chegasse

Com Fernanda Gonçalves, Daniela Fernandes, Viviane Monteiro, Suzan Damasceno, Rafaela Cassol

Sesc Consolação (R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 70 minutos

21/09 até 16/12

Sexta e Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$40 ($12 – credencial pleno)

Classificação 14 anos

OS MONÓLOGOS DA VAGINA

Celebrando 18 anos de sucesso absoluto de crítica e público. A comédia Os Monólogos da Vagina continua encantando e emocionando plateias de todo Brasil.

Produzido em mais de 150 países e traduzido para mais de 50 idiomas o espetáculo tornou-se fenômeno mundial. Depoimentos verídicos de mais de 200 mulheres colhidos pela autora em todo o mundo abordam de maneira extremamente bem humorada, direta e livre de preconceitos uma reflexão sobre a relação da mulher com sua própria sexualidade.

A estreia brasileira desse fenômeno teatral aconteceu em 07 de abril de 2000, no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, com incrível sucesso de público e crítica. A genialidade de Miguel Falabella na adaptação e direção do texto o tornou o primeiro diretor no mundo a escalar três atrizes para, ao mesmo tempo, encenarem as narrativas das entrevistas originais colhidas por Eve Ensler. Essa concepção, a pedido da própria autora que esteve presente na estreia brasileira, foi adotada mundialmente em todas as produções e assim permanece até hoje.

Atualmente o elenco é formado por Maximiliana Reis, Cacau Melo, Sônia Ferreira e Rebeca Reis. Atrizes consagradas, como Zezé Polessa, Cláudia Rodrigues, Cissa Guimarães, Fafy Siqueira, Totia Meirelles, Bia Nunes, Lucia Veríssimo, Tânia Alves, Elizângela, Mara Manzan, Chris Couto e Claudia Alencar, Adriana Lessa, dentre outras, se orgulham de um dia ter tido a oportunidade de encenar, com muito carinho e respeito, os depoimentos reais de todas as mulheres que tornaram essa obra possível.

Muito mais que um espetáculo teatral, Os Monólogos da Vagina tornou-se um Movimento Mundial. Segundo Charles Isherwood, do The New York Times, “provavelmente a mais importante obra de teatro político da última década”.

Mas como surgiu este fenômeno?

A autora Eve Ensler escreveu o primeiro rascunho dos Monólogos em 1996, após entrevistar mais de 200 mulheres de vários países sobre sexo, relacionamentos, violência doméstica, estupro, etc. Essas entrevistas se transformaram numa enorme fonte de pesquisa e informações.

Eve escreveu o texto para “celebrar a vagina”, mas o propósito do espetáculo transformou-se de uma simples performance comemorativa sobre vaginas e feminilidade em um enorme movimento mundial para acabar com a violência contra as mulheres. A primeira temporada do espetáculo foi no teatro HERE Arts Center em Nova Iorque, e o que era para ter sido uma curtíssima temporada transformou-se rapidamente em um fenômeno ganhando extraordinária visibilidade através de uma enorme campanha popular e mídia espontânea. O espetáculo, desde então, tornou-se fenômeno mundial, sendo inclusive apresentado em países Islâmicos, considerados muito fechados para tal contexto, incluindo Egito, Indonésia, Bangladesh, Malásia e Paquistão.

O texto ganhou em Nova Iorque o prêmio “Obie Award”, na categoria Melhor Espetáculo Inédito, e em apresentações beneficentes já teve em seu cast estrelas hollywoodianas, como Jane Fonda, Susan Sarandon, Glenn Close, Melissa Etheridge, Whoopi Goldberg e até Oprah Winfrey.

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Os Monólogos da Vagina

Com Maximiliana Reis, Cacau Melo, Sônia Ferreira e Rebeca Reis

Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 90 minutos

Até 21/10

Sábado e Domingo – 18h

$80

Classificação 12 anos

QUANDO AS MÁQUINAS PARAM

Uma nova montagem da peça “Quando as Máquinas Param”, de Plinio Marcos, estreia no dia 12 de outubro, com supervisão artística de Oswaldo Mendes e direção de Augusto Zacchi. No elenco estão Carol Cashie e Cesar Baccan. 

O texto mostra a dificuldade de  em encontrar trabalho, o que torna a relação com Nina, sua esposa, cada vez mais complicada. Nessa situação de penúria, ele revela um lado que ela antes não conhecia. Em tempos de recessão e desemprego a atualidade da peça de Plínio Marcos (escrita em 1967) é o que mais assusta.

“Quando as Máquinas Param” já teve Tony Ramos, Luiz Gustavo e Marcos Paulo, nos papeis masculinos, Walderez de Barros, Yara Amaral e Miriam Mehler, nos papeis femininos, em montagens dirigidas por Nelson Xavier, Jonas Bloch e também pelo autor, Plinio Marcos. Esta nova montagem inaugura um novo espaço no teatro Aliança Francesa: a Sala Atelier.

CARMEN

Quando as Máquinas Param

Com Carol Cashie e Cesar Baccan

 Teatro Aliança Francesa – Sala Atelier (Rua Gen. Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 60 minutos

12/10 até 02/12

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h30

$30

Classificação 12 anos