70 ANOS DO TBC

Duas leituras cênicas muito especiais vão reunir mais de 30 artistas, entre atores, diretores e técnicos, no aniversário de São Paulo, dia 25, no Auditório da Biblioteca Mário de Andrade, para comemorar também os 70 anos do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), completados em outubro último e lembrados em premiação recente da APCA.

As leituras serão precedidas de contextualizações históricas e de projeções de fotos, às 14h, apresentadas pela ATBC, sobre as montagens originais no célebre teatro do Bixiga.

Seis horas seguidas, a partir das 14h, serão dedicadas a dois dos maiores diretores do TBC em sua época áurea: o polonês Ziembinski e o paulista Flávio Rangel, com espetáculos emblemáticos que dirigiram, sucessos de crítica e público: “Volpone”, de Ben Jonson, em adaptação de Stefan Zweig; e “A Semente” de Gianfranceso Guarnieri, respectivamente.

A primeira leitura, às 14h30, é de VOLPONE, do autor inglês (elisabetano) BEN JONSON (1572-1637), em adaptação do escritor austríaco Stefan Zweig, com direção de JOHANA ALBUQUERQUE que presta especial homenagem ao diretor Ziembinski e à montagem TBC de 1955. No elenco: Daniel Alvim, Luciano Gatti, Joca Andreazza, Élcio Nogueira Seixas, Cacá Toledo e atores da Cia. Bendita Trupe.

 VOLPONE (termo emprestado da língua italiana, que significa “raposa velha”) foi adaptado em 1925 por Stefan Zweig, o escritor austríaco que viria a se exilar no Brasil durante a 2ª Guerra Mundial. Sua versão serviu como base a muitas das adaptações ocidentais modernas, fazendo muito sucesso na França e na Alemanha. Chegou em 1955 ao TBC por Ziembinski, o ator e diretor polonês que também veio para o Brasil fugido da guerra, em 1940.

Décio de Almeida Prado, crítico que ajudou a formar o público do TBC, assim descreve o texto: “‘Voltore’, ‘Corvino’, ‘Corbaccio – Ben Jonson não teria reunido assim esse bando de aves de rapina se não pretendesse escrever a mais estranha e inesperada das comédias: a comédia da morte”.

A trama é verdadeiramente diabólica: o usurário Volpone é um especialista na arrecadação de riquezas e, para mais amealhar, cria uma armadilha: finge estar agonizante e diverte-se com o desfile de bajuladores que, na expectativa de serem contemplados em seu testamento, o cumulam de favores e se prestam a todas as humilhações.

A montagem, de 1955, elevou Ziembinski a um dos mais prestigiados diretores dentro da cia, como também, foi a revelação de Walmor Chagas como um dos protagonistas do conjunto. De alguma forma, Volpone representou o sucesso e a superação cômica de fatos dramáticos que vinham ocorrendo dentro do TBC: o começo da debandada de suas estrelas, com a saída de Tônia Carrero e Paulo Autran para formarem sua própria companhia; além de um incêndio que destruíra parte das instalações do teatro, assim como o cenário da peça, antes da estreia.

A leitura que encerra as comemorações é de A SEMENTE, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), às 17h,montada em 1961 no TBC.

“A Semente”, que Guarnieri considerava seu melhor texto teatral, marcou uma ocupação do prédio do TBC pelo diretor e pelo elenco, quando, em meio aos ensaios, o empresário Franco Zampari comunicou ao elenco que a legenda TBC estava encerrada. Os atores dormiram no prédio até conseguirem diversos apoios – do governo do Estado, de empresas e da Comissão Estadual de Teatro, bem como dos teatrólogos Décio de Almeida Prado e Alfredo Mesquita, que permitiram o TBC continuar por mais três anos. Foi um esforço conjunto da classe teatral para manterem atividades e mostrarem a peça, que detém um dos processos de censura mais volumosos e extensos do teatro brasileiro, por tratar de organização política e greves operárias e das muitas vezes conturbadas relações dos trabalhadores com o proscrito Partido Comunista Brasileiro. O espetáculo foi liberado diretamente pelo presidente Jânio Quadros, mas depois entravado de novo pela Censura Federal, até ser aprovado para maiores com algumas modificações.

A direção de “A Semente” é de CIBELE FORJAZ (diretora da Cia. Livre de SP, professora no Departamento de Teatro da ECA-USP). A leitura também marca os trinta anos de morte do diretor paulista Flávio Rangel (1934-1988). No elenco estarão Celso Frateschi, Denise Fraga, Lúcia Romano e atores e atrizes colaboradores da Cia. Livre.

CARMEN.png

70 Anos do TBC – Leitura Cênica

Auditório da Biblioteca Mário de Andrade (R. da Consolação, 94 – República, São Paulo)

25/01

Sexta – Volpone (14h30) e A Semente (17h)

Grátis, com senhas distribuídas uma hora antes de cada espetáculo.

Classificação 14 anos

Volpone

Com Daniel Alvim, Luciano Gatti, Joca Andreazza, Sérgio Pardal, Elcio Nogueira Seixas, Vera Bonilha, Johana Albuquerque, Cacá Toledo, Luciano Schwab

A Semente

Com Atores-criadores da Cia. Livre e convidados:Adriano Salhab, Elcio Nogueira (à confirmar), Fernanda Haucke, Lucia Romano, Marcos Damigo, Raoni Garcia, Sergio Siviero, Denise Fraga e Celso Frateschi

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s