ILHADA EM MIM – SYLVIA PLATH

Os últimos meses de vida da poeta norte-americana Sylvia Plath (1932-1963),  antes de cometer suicídio aos 30 anos, são um enigma. Recém-separada do poeta britânico Ted Hughes, com quem teve dois filhos e viveu uma intensa história de amor, Sylvia coloca-se simultaneamente entre o extremo desespero e a liberação de uma energia criativa sem precedentes. Uma identidade poética única se forma neste período. E não é com o objetivo de decifrar este enigma, mas de experienciá-lo, que a Cia. Estúdio Lusco-Fusco apresenta “Ilhada em mim – Sylvia Plath”, a partir de 11 de março no Biblioteca Mário de Andrade, com sessões às segundas-feiras, 19h. Já apresentado em diversos festivais e cidades como Rio de Janeiro, Santos, Recife, Belo Horizonte, Tiradentes, Jundiaí e Londrina, o espetáculo retorna, assim, ao local de sua criação, São Paulo.

Com direção e cenografia de André Guerreiro Lopes e dramaturgia de Gabriela Mellão, a partir da obra de Sylvia Plath, o espetáculo é sucesso de crítica e público desde sua estréia em 2014, indicado ao Prêmio APCA de Melhor Direção (Associação Paulista de Críticos de Arte), ao Prêmio Especial Botequim Cultural pela “brilhante fusão de linguagens” e contribuição à cena teatral carioca, e ainda Prêmio APTR de Melhor Iluminação. No palco, a premiada atriz Djin Sganzerla vive Sylvia Plath e André Guerreiro Lopes interpreta o poeta Ted Hughes, em um espaço cênico de forte simbologia visual: o cenário concebido pelo diretor é composto por um espelho d’água, onde o mobiliário e os atores vão aos poucos submergindo. Objetos congelados relacionados à vida de Sylvia – como livros, sapatos e um telefone – vão degelando lentamente durante a apresentação. O elemento água é a metáfora articuladora de toda a encenação, em diálogo simbólico com os estados mentais da persona

Para o diretor e ator André Guerreiro Lopes, a força poética e revolucionária da poeta, seus tormentos internos, o conflito com as convenções sociais dos anos 50 e a relação de amor obsessivo com o poeta Ted Hughes são abordados no espetáculo em um registro que se distancia do realismo e da linearidade. “Mais do que narrar a vida de Sylvia Plath, busquei transpor poeticamente para o palco seu universo único, paradoxal, vanguardista, cheio de contrastes e extremos, criando um poema cênico. Todos os elementos trabalham de forma integrada – a atuação, a simbologia visual, os sons, a luz, as palavras e o movimento preciso dos atores – criando um ambiente de imersão sensorial em que a imaginação e sensibilidade do espectador são convidadas a participar do jogo.”, descreve.

A montagem pretende ser fiel a poética de Sylvia, com sua ferocidade e ironia. “Incorporo na encenação elementos da sua obra, como o surrealismo tenso, a energia condensada e ironia feroz. Há um mistério em torno da persona artística de Sylvia que o espetáculo não pretende solucionar, mas compartilhar. Utilizamos todos os elementos possíveis para criar uma atmosfera de suspensão e perigo em cena”, completa André.

Para a atriz Djin Sganzerla, “representar Sylvia Plath no palco é uma mistura de muito prazer com desafio. Passo por muitos estados físicos e emocionais na peça, acho que parte da riqueza da montagem também está nisso, o público se depara com a complexidade humana desta mulher. Nesta montagem, Sylvia é uma brasa de vulcão que anda sobre as águas… Carregando o mar em sua alma, com olhar infinito. Uma mulher decidida, frágil, intensa, que pode ser infantil, capaz de escrever uma obra absolutamente genial três meses antes de sua morte, o livro “Ariel”.

Os figurinos assinados pelo estilista Fause Haten também vão se desintegrando conforme o espetáculo avança. “Pensei em uma Sylvia Plath que aparece, se constrói e desconstrói aos olhos da plateia. Ela é revelada, revela-se, vai se despindo e escorre pelo palco. Perde as cores e se veste de todas as cores”, define o estilista.

A trilha original do espetáculo é especialmente composta pelo premiado músico Gregory Slivar, colaborador da Cia. Estúdio Lusco-fusco em diversos trabalhos.

FACE (1)

Ilhada em mim – Sylvia Plath

Com Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes

Biblioteca Mário de Andrade – Auditório Rubens Borba de Moraes (Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo)

Duração 60 minutos

11/03 até 01/04

Segunda – 19h

Entrada gratuita (As senhas começarão a ser distribuídas uma hora antes)

Classificação 12 anos

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