SENHORA X, SENHORITA Y

Tendo como ponto de partida o texto A mais forte, de August Strindberg, o espetáculo Senhora X, Senhorita Y se debruça sobre alguns dos papéis que a mulher  desempenha na sociedade contemporânea, investigando aspectos muitas vezes contraditórios de sua inserção social e política, de seus investimentos afetivos e dos agenciamentos simbólicos que a cercam. O foco é a construção do feminino do modo como ele se revela por meio da relação entre mulheres.

Sinopse
Senhora X e Senhorita Y encontram-se em uma casa de chá e entram em conflito ao confrontarem suas vidas. Esse encontro se repete, com variações de humor e grotesco, em outros tempos e em outras circunstâncias, revelando novas possibilidades de  compreensão do lugar que cada uma ocupa em relação à outra e em relação à sociedade.

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Senhora X, Senhorita Y

Com Ana Paula Lopez, Sol Faganello e Camila Couto

Oficina Cultural Oswald de Andrade – sala 7 (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração 70 minutos

14 a 30/03

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Entrada gratuita (ingressos distribuídos com 1 hora de antecedência)

Classificação 14 anos

COMO SE UM TREM PASSASSE

Como se um trem passasse é uma comédia dramática, escrita em 2014 pela argentina Lorena Romanin [Buenos Aires, 1974-], que aborda a relação de uma mãe e seu filho pós-adolescente,  deficiente intelectual, que deseja a vida com paixão e profundidade. A mãe, superprotetora e medrosa, transmite ao filho seus receios e a impossibilidade de alcançar sonhos. A chegada da prima da capital evidencia fissuras na situação fechada em que vivem mãe e filho, muda as relações na casa e abre a perspectiva de que desejos se realizem.

Esta primeira versão brasileira é dirigida pela autora, também diretora da montagem original em Buenos Aires, onde a peça está em sua quinta temporada, com elogios da crítica. Curiosamente este texto de Romarin teve sua estreia em Madri, com elenco espanhol. Este ano a montagem argentina viaja para o Panamá e  Peru e seus direitos foram vendidos para Uruguai e México.

Os produtores e atores Caio Scot e Junio Duarte [CAJU] assistiram ao espetáculo em Buenos Aires em maio de 2018, se encantaram com a dramaturgia de comunicação direta, sem ruído, ainda que se passe em um território de combate que é a família. O situação pode ser triste, mas não é desoladora

No elenco, Dida Camero [Susana, a mãe], Caio Scot [Juan, o filho] e Manu Hashimoto [Valéria, a prima] estrelam a peça que aborda um tema de interesse de públicos diversos, através de um drama familiar que se equilibra com a leveza cômica das personagens.

Em tempos de disputa econômica, social e de uma profunda crise na arte, Como se um trem passasse é a história de personagens que enfrentam dificuldades diárias e ainda assim lutam por seus desejos.

A produção desta peça é da mesma dupla que idealizou, traduziu e encenou o musical Nome do Espetáculo, sucesso de crítica, que fez três temporadas no Rio de Janeiro entre 2017 e 2018.

Sinopse resumida

Comédia dramática sobre a relação vulnerável de uma mãe e seu filho em uma cidade no interior. A chegada da prima da capital vai mudar tudo para sempre.

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Como Se Um Trem Passasse

Com Caio Scot, Dida Camero e Manu Hashimoto

Teatro Poeirinha (R. São João Batista, 104 – Botafogo, Rio de Janeiro)

Duração 70 minutos

07/03 até 14/04

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$60

Classificação 12 anos

AMOR NÃO RECOMENDADO

Realizado pelo Laboratório de Criação e Investigação da Cena Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (LCICC – UFF), o espetáculo “Amor Não Recomendado”, com direção e dramaturgia de Martha Ribeiro, faz curta temporada, de 19 a 27 de março, às terças e quartas-feiras, às 20h, no Teatro da UFF, em Niterói.

A peça parte das inquietações contidas no “Banquete” de Platão para nos questionar sobre amor e desejo nos dias de hoje. A partir de cinco hipóteses sobre o afeto, “Amor Não Recomendado” nos oferece diferentes pontos de vista sobre o amor e sua escassez, confrontando o sujeito contemporâneo com seus inconfessáveis desejos de destruição de si e do objeto amado.

O espetáculo convoca personalidades marginais, artistas conturbados e personagens clássicos, como Artaud, Nijinsky e Fedra, para compor uma paisagem ótico-sonora que nos desafia a pensar o que fazemos em nome do amor – afirma Martha.

Mais informações sobre o espetáculo no https://www.facebook.com/amornrecomendado/

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Amor Não Recomendado

Com Bruno Bernardini, Charlotte Cochrane, Claudia Wer, Lucas Rodrigues, Nicolle Longobardi, Raíza Cardoso, Thales Ferreira

Teatro da Universidade Federal Fluminense (Centro de Artes UFF – R. Miguel de Frias, 9 – Icaraí, Niterói – RJ)

Duração 90 minutos

19 a 27/03

Terça e Quarta – 20h

$30

Classificação 16 anos

ERA UMA VEZ NO OESTE

O minifestival “Era uma Vez no Oeste”, acontece desde 2017 e já reuniu mais de 30 artistas independentes do folk nacional. No dia 09 de março, às 20h, no palco do ‘teatro-balcão’ – Piccolo Teatro acontece a edição especial ‘mulheres no folk’.

Para a edição, sétima do festival, o idealizador do festival, Douglas Mam, convidou a curadora e assessora Nany Gottardi para montar a programação do evento. Os co-curadores optaram por reservara data apenas para artistas mulheres.

O Era Uma Vez no Oeste já contou com a apresentação de diversas mulheres da nova cena folk, como Nô Stopa, Bruna Ryan, Elisa Moreira – da Antiprisma – e Natalia Lobado – da Versos Polaris -, entre outras. Quando convidei a Nany para assumir a co-curadoria desta edição, ela propôs que somente artistas mulheres subissem ao palco. Achei que faria muito sentido …” , comenta Douglas.

Acho importante a questão da representatividade. Em outro festival, que acontecerá este ano no interior do estado e ajudei a idealizar, chamei a atenção para a questão da presença das mulheres, criamos um prêmio para esse público e inserimos mulheres na programação e nas atividades formativas. É um movimento crescente e necessário, vejo festivais e redes que destacam a participação e protagonismo da mulher na música. Nesta edição do Era Uma Vez no Oeste, até o próprio curador, que sempre toca, abriu mão de sua participação. Foi para os bastidores, deixando o palco para as mulheres convidadas. Se a ideia era chamar a atenção para as mulheres do folk esse seria o caminho mais lógico e natural. Estou muito entusiasmada”.Complementa Nany

Piccolo Teatro

Desde sua 6ª edição, o minifestival acontece no Piccolo Teatro, ‘teatro-balcão’ localizado na Rua Avanhandava e idealizado pelo empresário Walter Mancinni. O público tem acesso gratuito e poderá assistir ao show, ao ar livre, da calçada da consagrada rua do centro da cidade.

★ Flávia Felício

Com mais de 150 mil execuções em seu trabalho autoral nas plataformas digitais (mais de 100 mil somente no hit “Mesa Pra Dois”, com Caio Razec), a cantora e compositora paulista Flávia Felício vem conquistando um espaço cada vez maior na cena da música independente brasileira, unindo o Folk, Rock e Pop em suas canções marcadas por uma essência enérgica e vibrante.
Ouça: https://goo.gl/tDUxss

★ Lívia Mendes

Unindo a delicadeza de sua voz e a doçura de suas letras, a cantora e compositora paraense Lívia Mendes combina folk e pop em sua sonoridade. Com um EP disponível em streaming, Lívia agora se prepara para o lançamento de seu primeiro álbum, apresentando um show intimista e romântico, onde prega o amor e a liberdade.

Ouça: https://goo.gl/NbkVCV

★ Magê

Atriz que tem a versatilidade de estar no palco, na tv, no cinema e agora assume mais uma faceta ao se lançar como cantora e compositora com a música “Força de Maria”. O trabalho de Magê na música se destaca pela intersecção de linguagens audiovisuais e performáticas com a musicalidade das palavras.

Ouça: https://goo.gl/J3LtwV

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Era uma vez no Oeste: Edição Mulheres no Folk

Com Flávia Felício, Lívia Mendes e Magê

Piccolo Teatro (Rua Avanhadava, 40 – Consolação, São Paulo)

Duração 75 minutos

09/03

Sábado – 20h

Grátis

Classificação Livre

ILHADA EM MIM – SYLVIA PLATH

Os últimos meses de vida da poeta norte-americana Sylvia Plath (1932-1963),  antes de cometer suicídio aos 30 anos, são um enigma. Recém-separada do poeta britânico Ted Hughes, com quem teve dois filhos e viveu uma intensa história de amor, Sylvia coloca-se simultaneamente entre o extremo desespero e a liberação de uma energia criativa sem precedentes. Uma identidade poética única se forma neste período. E não é com o objetivo de decifrar este enigma, mas de experienciá-lo, que a Cia. Estúdio Lusco-Fusco apresenta “Ilhada em mim – Sylvia Plath”, a partir de 11 de março no Biblioteca Mário de Andrade, com sessões às segundas-feiras, 19h. Já apresentado em diversos festivais e cidades como Rio de Janeiro, Santos, Recife, Belo Horizonte, Tiradentes, Jundiaí e Londrina, o espetáculo retorna, assim, ao local de sua criação, São Paulo.

Com direção e cenografia de André Guerreiro Lopes e dramaturgia de Gabriela Mellão, a partir da obra de Sylvia Plath, o espetáculo é sucesso de crítica e público desde sua estréia em 2014, indicado ao Prêmio APCA de Melhor Direção (Associação Paulista de Críticos de Arte), ao Prêmio Especial Botequim Cultural pela “brilhante fusão de linguagens” e contribuição à cena teatral carioca, e ainda Prêmio APTR de Melhor Iluminação. No palco, a premiada atriz Djin Sganzerla vive Sylvia Plath e André Guerreiro Lopes interpreta o poeta Ted Hughes, em um espaço cênico de forte simbologia visual: o cenário concebido pelo diretor é composto por um espelho d’água, onde o mobiliário e os atores vão aos poucos submergindo. Objetos congelados relacionados à vida de Sylvia – como livros, sapatos e um telefone – vão degelando lentamente durante a apresentação. O elemento água é a metáfora articuladora de toda a encenação, em diálogo simbólico com os estados mentais da persona

Para o diretor e ator André Guerreiro Lopes, a força poética e revolucionária da poeta, seus tormentos internos, o conflito com as convenções sociais dos anos 50 e a relação de amor obsessivo com o poeta Ted Hughes são abordados no espetáculo em um registro que se distancia do realismo e da linearidade. “Mais do que narrar a vida de Sylvia Plath, busquei transpor poeticamente para o palco seu universo único, paradoxal, vanguardista, cheio de contrastes e extremos, criando um poema cênico. Todos os elementos trabalham de forma integrada – a atuação, a simbologia visual, os sons, a luz, as palavras e o movimento preciso dos atores – criando um ambiente de imersão sensorial em que a imaginação e sensibilidade do espectador são convidadas a participar do jogo.”, descreve.

A montagem pretende ser fiel a poética de Sylvia, com sua ferocidade e ironia. “Incorporo na encenação elementos da sua obra, como o surrealismo tenso, a energia condensada e ironia feroz. Há um mistério em torno da persona artística de Sylvia que o espetáculo não pretende solucionar, mas compartilhar. Utilizamos todos os elementos possíveis para criar uma atmosfera de suspensão e perigo em cena”, completa André.

Para a atriz Djin Sganzerla, “representar Sylvia Plath no palco é uma mistura de muito prazer com desafio. Passo por muitos estados físicos e emocionais na peça, acho que parte da riqueza da montagem também está nisso, o público se depara com a complexidade humana desta mulher. Nesta montagem, Sylvia é uma brasa de vulcão que anda sobre as águas… Carregando o mar em sua alma, com olhar infinito. Uma mulher decidida, frágil, intensa, que pode ser infantil, capaz de escrever uma obra absolutamente genial três meses antes de sua morte, o livro “Ariel”.

Os figurinos assinados pelo estilista Fause Haten também vão se desintegrando conforme o espetáculo avança. “Pensei em uma Sylvia Plath que aparece, se constrói e desconstrói aos olhos da plateia. Ela é revelada, revela-se, vai se despindo e escorre pelo palco. Perde as cores e se veste de todas as cores”, define o estilista.

A trilha original do espetáculo é especialmente composta pelo premiado músico Gregory Slivar, colaborador da Cia. Estúdio Lusco-fusco em diversos trabalhos.

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Ilhada em mim – Sylvia Plath

Com Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes

Biblioteca Mário de Andrade – Auditório Rubens Borba de Moraes (Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo)

Duração 60 minutos

11/03 até 01/04

Segunda – 19h

Entrada gratuita (As senhas começarão a ser distribuídas uma hora antes)

Classificação 12 anos

CURSOS NO CALEIDOS CIA DE DANÇA

Já pensou em aprender dança de uma forma diferente? Sem decorar passos e seguir ritmos, sem repetir movimentos ou sequências?

Isabel Marques, diretora do Caleidos Cia de Dança, referência nacional no ensino de dança, oferece cursos e workshops a partir de março. A proposta pedagógica de Isabel Marques, a Dança no Contexto, nasceu na conclusão de seu doutorado na Faculdade de Educação da USP (1996). Ali procurou desenvolver propostas pedagógicas que permitissem o ensino e aprendizagem da dança partindo da criação de movimentos e do conhecimento da linguagem da dança (Coreologia-Laban).

A “Dança no Contexto”, que inicia no dia 13 de março, foca a percepção da dança enquanto criação e arte convidando os participantes aos processos de improvisação estruturada e composição de cenas de dança e a conexão com o mundo em que vivemos.

A programação acontece no Instituto Caleidos, na zona Oeste em São Paulo, e oferece curso regular, workshops e imersões de fins de semana. Profissionais de dança, professores de dança ou que desejam trabalhar com dança em suas aulas, amadores e leigos têm participado dos cursos e encontros promovidos por Isabel Marques e explorados novas formas de praticar, ensinar e fruir dança.

A proposta da “Dança no Contexto” agrega valores da Educação no campo da Arte ao mesmo tempo que propõe que as ações artísticas sejam permeadas e revestidas por pressupostos da Educação. Isabel Marques propõe um processo artístico educativo a partir da formação de uma rede de textos que envolve contextos sociais, afetivos e estéticos, dando ênfase às múltiplas perspectivas envolvidas numa ação educacional na contemporaneidade.

A “Dança no Contexto” pressupõe diálogos entre a dança, o contexto em que ela está sendo aprendida/ensinada e a diversidade das relações, propondo alternativas para que a educação possa acrescentar mais uma possibilidade de experienciar a arte, o corpo, o tempo e o espaço contemporâneos. Desenvolvida em seu trabalho de doutorado, Isabel Marques aborda a Linguagem da Dança e a Coreologia (Laban) para oferecer a possibilidade de dança a todos os corpos em conexão com o mundo.

O Caleidos também realizará Laboratórios Laban uma vez por mês, sempre aos sábados, começando em março, dia 23. Nesse dia, também acontece o Artes Integradas, encontros intensivos e independentes de 3 horas cada para aprofundamento de temas específicos da Danças, Poesia e Tecnologia.

Diretora do Caleidos Cia de Dança, há mais de 20 anos Isabel Marques tem atuado como artista da dança e assessora em dança/educação; em sua carreira, pautada pela produção teórica em livros e a produção de espetáculos, Isabel desenvolveu processo de ensino-aprendizagem de dança que vão além da cópia de sequências e a reprodução de passos.

O curso regular oferecido por Isabel Marques “Laban no Contexto” foca os princípios de Laban por meio da Dança no Contexto. Rudolf Laban, artista da dança (1879-1958), considerado o maior teórico da dança do século XX e criador da dança-teatro. Dedicou sua vida ao estudo e sistematização da linguagem do movimento em seus diversos aspectos: criação, notação, apreciação e ensino.

Isabel Marques propõe a aprendizagem da linguagem da dança e seu ensino numa perspectiva contemporânea, ensino-aprendizagem implicados nos diversos contextos: sociais, afetivos e estéticos. Por meio de jogos corporais, criação, apreciação e discussões, aspectos da linguagem da dança são aprendidos e aprofundados.

A cada encontro mobilizam-se processos de reflexão teórica, problematização de contextos e apreciação de trabalhos artísticos; processos de criação, improvisação estruturada e composição de cenas para partilhas e fruição em grupo.

Explorando o potencial criativo dos participantes, as aulas regulares, os workshops e as programações imersivas em fins de semana estruturam-se por meio de jogos corporais, reflexão teórica, percepção da linguagem da dança e do contexto em que a dança acontece propondo experimentação, improvisação estruturada e composição para a construção de dança e arte.

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Cursos no Caleidos Cia de Dança

  • Curso “Dança no Contexto”

Quando: quartas-feiras, às 18h30, com início no dia 13 de março.

  • Laboratório Laban

Quando: dia 23 de março, sábado, às 9h.

  • Artes Integradas – Tema Poesia e Movimento

Quando: dia 23 de março, sábado, às 14h.

Instituto Caleidos (rua Mota Pais, 213, Lapa, São Paulo) 

Informações:

www.formacaocaleidos.com.br

tel: 11 3021 4970 / cel.:  11 97143 9189

TOM NA FAZENDA

Fenômeno teatral carioca de 2017 e de 2018, “Tom na Fazenda” estreia em São Paulo em 16 de março no SESC Santo Amaro para curta temporada de um mês. Desde sua estreia em março de 2017 no Rio de Janeiro, “Tom na Fazenda” fez 157 apresentações e já foi vista por mais de 18 mil pessoas. A peça também recebido indicações e prêmios, como melhor espetáculo estrangeiro da Associação de Críticos de Teatro de Québec, Prêmio Shell de Teatro, Prêmio Cesgranrio de Teatro, Prêmio Botequim Cultural, Prêmio APTR, Prêmio Questão de Crítica e  Prêmio Cenym de Teatro Nacional.

A peça é baseada na obra Tom à la Farme, do autor canadense Michel Marc Bouchard. Foi numa conversa com um amigo que Armando Babaioff tomou conhecimento do filme Tom na Fazenda (2013), adaptação da peça homônima, com direção do franco-canadense Xavier Dolan. Arrebatado pela obra, o ator começou a traduzir a peça, que aborda a inabilidade do indivíduo para lidar com o preconceito, a impotência, a violência e o fracasso.

Em cena, o publicitário Tom (Armando Babaioff) vai à fazenda da família para o funeral de seu companheiro.  Ao chegar, descobre que a sogra (Kelzy Ecard) nunca tinha ouvido falar dele e tampouco sabia que o filho era gay. Nesse ambiente rural e austero, Tom é envolvido numa trama de mentiras criada pelo truculento irmão (Gustavo Vaz) do falecido, estabelecendo com aquela família relações de complicada dependência. A fazenda, aos poucos, vira cenário de um jogo perigoso, onde quanto mais os personagens se aproximam, maior a sombra de suas contradições.

No ano em que traduzi a peça, 347 pessoas foram assassinadas pelo simples fato de serem quem eram. O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que nos 13 países do Oriente e da África onde há pena de morte aos LGBT. O que me fascina em Tom na Fazenda é essa possibilidade de falar de assuntos que eu realmente acho necessário. Eu sinto essa necessidade de dizer para o mundo verdades das quais eu acredito“, diz Babaioff. “Somos felizardos em poder contar essa história, agora em São Paulo, e somos gratos à trajetória que o espetáculo está realizando sem qualquer recurso vindo de leis de incentivo“, completa o ator.

“Tom na Fazenda” conta uma história bastante comum entre jovens de várias gerações, mesmo de culturas diferentes. No Canadá, no Brasil, no Oriente Médio, no Japão ou na África do Sul, homens e mulheres jovens aprendem a mentir antes mesmo de aprenderem a amar. As famílias, guardiãs das normas sobre a sexualidade, garantindo sempre a heteronormatividade, inserem nos próprios membros a semente da homofobia. “Todo redemoinho que devastará a vida dos que fogem das normas surge no núcleo de suas próprias famílias“, comenta o diretor Rodrigo Portella, que opta, mais uma vez por uma encenação com poucos elementos para que as sutilezas das relações propostas pelo texto se sobressaiam. “Bouchard compôs uma obra de estrutura impecável. Ele vai fundo nas contradições dos seus personagens, o que os torna muito próximos de nós“, acredita o diretor.

Tom na Fazenda

Com Armando Babaioff, Kelzy Ecard, Gustavo Vaz e Camila Nhary

Sesc Santo Amaro (R. Amador Bueno, 505 – Santo Amaro, São Paulo)

Duração 120 minutos

16/03 até 14/04

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$30 ($9 credencial plena)

Classificação 18 anos