5 X COMÉDIA

Visto por mais de 450 mil espectadores nos anos 90, tornando-se uma das grandes sensações da história do teatro brasileiro, o espetáculo “5 X Comédia” voltou totalmente repaginado em 2016 com esquetes escritos e interpretados por alguns dos mais prestigiados nomes do humor e da nova dramaturgia do país. No mesmo caminho de sucesso da antecessora, a montagem, com direção de Monique Gardenberg e Hamilton Vaz Pereira, está novamente na estrada, pelo quarto ano consecutivo, com apresentações de sexta a domingo, em São Paulo, no Teatro Shopping Frei Caneca, de 03 a 26 de maio.

Nesta versão do século XXI, Bruno Mazzeo, Debora Lamm e Katiuscia Canoro dão vida aos personagens criados, respectivamente, por Antonio Prata, Julia Spadaccini e Pedro Kosovski, enquanto Fabiula Nascimento e Lucio Mauro Filho interpretam textos de Jô Bilac. O cenário é de Daniela Thomas e Camila Schmidt, a iluminação, de Maneco Quinderé, e o figurino, de Cassio Brasil. A produção é da Dueto Produções. O espetáculo é apresentado pela Volkswagen Financial Services, responsável pelas operações financeiras do Grupo Volkswagen em todo o mundo, e conta ainda com o patrocínio da SulAmérica Seguros e o apoio do UOL. Os ingressos para as apresentações em São Paulo já estão à venda, por meio do site www.ingressorapido.com.br e na bilheteria do Teatro Frei Caneca (mais informações no serviço abaixo). 

SOBRE O ESPETÁCULO

Primeiro texto do escritor e roteirista Antonio Prata para o teatro, “Nana, nenê” retrata o desespero do clarinetista Rodrigo (Bruno Mazzeo), um pai enlouquecido entre escolas de mamada e de métodos para fazer o bebê dormir: “Vocês acreditam nisso? Acreditam que não tem Alô Bebê 24 horas?! Se existe alguma coisa que funciona 24 horas neste mundo é um bebê! Nada é mais 24 horas que um bebê! E não tem nenhuma Alô, Bebê 24 horas!” 

Em “Branca de Neve”, de Julia Spadaccini, a personagem vivida por Debora Lamm luta para se desapegar da vida de princesa: “Dizem que o mundo mudou, que eu não me adequo mais, que sou antiquada, careta, casada. Mas gente, ser casada agora é um problema? Queriam o quê? Uma princesa divorciada? Vivendo pela Lei do Concubinato? Solteira aos 40 fazendo fertilização in vitro, barriga de aluguel, colhendo sêmen em banco de esperma alemão?”

Arara Vermelha”, criado por Jô Bilac para Fabiula Nascimento, é uma metáfora da sociedade brasileira. Do alto de seu poleiro, a ave tem um surto de intransigência diante do novo mascote do pet shop: “Alá! Espia! Vem ver, Sérgio! Corre! Já tá lá o Poodle Queen se roçando na vitrine, se esfregando, balançando rabinho, se exibindo pros outros! Não pode ver um ser humano, já fica todo se querendo! O mundo tá mesmo perdido, hein! Olha, vou te contar! Se tem uma coisa pior pra mim no mundo é bicho puxa-saco de humano! Olha, me sobe um ódio! Mas um óoodio! Ser humano prende, vende, sacaneia a gente e tá lá o cachorro babando, fazendo festa!”

Já em “Milho aos Pombos”, de Pedro Kosovski, Katiuscia Kanoro interpreta uma eterna aspirante a atriz: “Vocês não estão me reconhecendo, não? Pronto, aquela ali me reconheceu. Ah, é minha vizinha no Leme, não é não? A gente caminha no calçadão. Tá fazendo figuração também?”

Em “Bola Branca”, o ator Lucio Mauro Filho, vive um homem na tentativa desesperada de meditar em meio ao caos urbano. Ao tentar esvaziar a mente, a busca pelo sentido da vida se coloca em seu caminho.

As versões anteriores de 5 x Comédia, de 1993, 1995 e 1999 – dirigidas por Hamilton Vaz Pereira e produzidas por Monique Gardenberg – celebrizaram-se por fichas técnicas que se entrelaçavam desde a década de 1970, ora no grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone – capitaneado, não por acaso, por Hamilton –, ora no programa “TV Pirata”, que foi ao ar na Rede Globo de 1988 a 1990 e voltou à grade em 1992. Os quadros e os atores foram se revezando nos palcos. Quinze quadros. Doze atores: Andréa Beltrão, Denise Fraga, Diogo Vilela, Pedro Cardoso, Luiz Fernando Guimarães, Débora Bloch, Fernanda Torres, Miguel Magno, Cláudia Raia, PatryciaTravassos, Evandro Mesquita, Totia Meireles.

Agora, sublinha Monique, não é muito diferente. “São atores-criadores que se uniram para a produção de um novo humor, como foi o caso da série ‘Cilada’, que ficou no ar durante seis temporadas, do filme ‘Muita calma nessa hora’, ou do programa ‘Junto e misturado’“, ela situa. Hamilton classifica a nova montagem de “corajosa”: “Quem viu lá atrás pode querer comparar, e isso é um perigo. Mas a nova versão não se amedronta, é o que se percebe nos textos que recebemos e na vitalidade que está sendo mostrada por cada intérprete”.

Retornar ao “5 X Comédia” era um desejo antigo que só ganhou corpo quando Monique se aproximou de Bruno Mazzeo por intermédio de Augusto Casé, que produz os filmes de ambos. Se em 1993 a peça foi concebida por Sylvia Gardenberg, irmã de Monique, a partir de um encontro com Pedro Cardoso, Bruno foi o catalisador da nova montagem. “Vi nele, esse cara multitalentoso que eu admirava de longe, o parceiro que precisava para me ajudar a trazer a peça de volta, assim como o Pedro ajudou a Sylvinha a escalar autores, atores, diretores”, diz a diretora. “Isso aqui é, também, uma homenagem a ela”.

Bruno fala da alegria que é participar de um projeto que sempre teve como referência: “O ‘5 X Comédia’ foi montado por pessoas que fizeram a minha cabeça desde sempre. Quando Monique ligou eu topei mesmo sem saber o que era, porque trabalhar com ela já era desejo antigo.

Quando soube o que era, meus olhos brilharam. Dividir o palco com amigos queridos e parceiros de outros carnavais, trazendo de volta um espetáculo que marcou uma geração, e poder mostrá-lo para as novas gerações é um dos pontos mais charmosos da minha carreira até agora.” Destacando que é a primeira vez que os cinco se reúnem no teatro, Fabiula Nascimento continua: “A gente se admira artisticamente e na vida, por isso somos amigos há dez anos e o seremos por 20, 30, 40.

Debora Lamm, que se lembra de sair de uma sessão de 5 X Comédia no Canecão com as bochechas doendo de tanto rir, ressalta que a união entre os atores faz a força nesta nova versão, assim como no passado. “Nós também somos uma turma, já trabalhamos juntos diversas vezes e temos uma afinidade, que é justamente o que faz com que continuemos trabalhando juntos”, avalia. 

Unidos esteticamente pelo cenário de Daniela Thomas e Camila Schmidt, pela luz de Maneco Quinderé e pelo figurino de Cassio Brasil, os cinco quadros também dialogam no que trazem de mais atual. Temas e citações se repetem aqui e ali: o novo feminismo, a intolerância que borra os limites entre civilidade e barbárie e o desenho animado “Peppa Pig”, entre outros. 

Hamilton louva o fato de o espetáculo captar, ao mesmo tempo, um novo momento e uma nova maneira de produzir o riso – “Um riso com conteúdo, graça, que tenha o espírito de um povo, de uma idade” –, embora confesse que às vezes se perde entre uma ou outra referência mais recente. Para Monique, “é uma turma que busca alternativas, novos canais para existir, e é nesse encontro mais livre que surgem ideias surpreendentes, que apontam para um humor irreverente, antenado”.

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5X Comédia

Com Bruno Mazzeo, Debora Lamm, Fabiula Nascimento, Katiuscia Canoro e Lucio Mauro Filho

Teatro Shopping Frei Caneca (R. Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo)

Duração 100 minutos

03 a 26/05

Sexta – 21h, Sábado – 19h e 21h, Domingo – 18h

$30/$60

Classificação 14 anos

GOTA D’ÁGUA {PRETA}

A peça Gota D’Água {PRETA}”, vista por quase cinco mil pessoas em duas temporadas, reestreia no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, em três apresentações especiaisdias 10, 11 e 12 de maio (sexta-feira e sábado, às 20h; e domingo, às 19h). Com direção do ator, diretor e dramaturgo Jé Oliveira, fundador do Coletivo Negro, a montagem mostra a versatilidade artística de transitar entre o Rap e a MPB. O Itaú Cultural apoiou a montagem da peça, cuja estreia ocorreu em fevereiro de 2019, no próprio Itaú Cultural, com casa lotada durante dois finais de semana.

Pela primeira vez com um elenco predominantemente negro, o espetáculo traz para a cena paulistana a realidade negra que perpassa a obra Gota D’Água” (1975), escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes.

Inspirado na tragédia Medeia, de Eurípedes, Gota D’Água {PRETA}” traz como personagem principal Joana, mulher madura, sofrida, moradora de um conjunto habitacional. Jasão, seu ex-marido, é um jovem vigoroso, sambista que desponta para o sucesso com a composição da canção que dá nome à peça. Agora ele é noivo de Alma, filha de Creonte, corruptor por excelência e o detentor do poder econômico e das casas, a Vila do Meio-dia, local onde antes morou com Joana e os filhos. Se em Medeia” havia reis e feiticeiros, na tragédia brasileira Gota D’Água {PRETA}” há pobres e macumbeiros, além de um coro negro, em alusão ao grego.

De modo inédito na história do teatro brasileiro Joana, interpretada pela cantora e atriz Juçara Marçal (Metá Metá), e Jasão, vivido por Jé Oliveira, são negros. A escolha política-estética do diretor traz a força da musicalidade ancestral e a influência das religiões de matriz africana. “É como se estivéssemos realizando a coerência que a peça sempre pediu e até hoje não foi realizada”, destaca Jé Oliveira. “A personagem é pobre e é da umbanda. Tudo leva a crer, pelo contexto histórico, social e racial do país, que essa personagem é preta. Estamos realizando o que a peça insinua. Estamos de fato enegrecendo a obra de Chico Buarque e concretizando o que ele propõe.”.

A montagem não busca apenas uma reparação histórica para diminuir um hiato sobre a presença negra em papéis relevantes na dramaturgia nacional, mas, sobretudo, propõe uma re-atualização, com base na coerência, ainda não realizada por nenhuma montagem, do clássico drama brasiliano.

Estamos discutindo traição de classe e de raça”, diz Jé Oliveira, citando a metáfora da traição conjugal. “Ele troca Joana por uma mulher mais nova, então discutimos também o feminismo. Jasão também é preto e com ele debatemos a ascensão social e a legitimidade ética disso.

Para Juçara, Joana representa a mulher oprimida desde a formação do Brasil. O grito oprimido desta camada da sociedade. As relações humanas servem de pretexto para questionar essas posições sociais, como se cada um de representasse um lugar, um grupo. “Ela é a mulher que foi violentada, agredida. A pessoa sem voz que quer se vingar e não sabe como”, explica a atriz.

Quando o Jé resolveu montar Gota D’Água mais preta, a proposta foi trazer o universo da periferia para a cena. Com os acentos, não só os percussivos, mas os da cultura de periferia mesmo”, aponta o músico Fernando Alabê.

O sagrado também está presente na música. “Com pessoas da comunidade negra é natural que as religiões de matriz africana estejam presentes. Tem canto de candomblé, de umbanda e o jongo – dança de roda de origem africana com acompanhamento de tambores – serve de base. Tentamos trazer para a peça a maneira que o negro entende sua divindade”, realça Juçara.

O diretor musical William Guedes,  da Cia. do Tijolo, propôs uma instrumentação de saxofone somada à percussão, guitarra, violãocavaco e DJ. “Com isso, temos uma estrutura musical que desfolcloriza a musicalidade de periferia, a musicalidade negra, que é o cerne desta peça”, observa Alabê.

O cenário traz a representação da religiosidade afro-brasileira na concepção do artista Julio Dojczar, do coletivo casadalapa. Painéis simbolizando os Orixás e elementos de cena como a imagem de Ogum / São Jorge compõem o palco que remonta o período setentista em uma montagem que, assim como a encenação, busca a percepção do todo pela parte. As representações não são realistas mas induzem a criação imagética do espaço de cena.

Além de Jé Oliveira e Juçara Marçal, a montagem conta com a atriz, diretora e dançarina Aysha Nascimento (Coletivo Negro), a atriz e MC Dani Nega, a atriz e bailarina Marina Esteves, o ator Mateus Sousa, o ator, diretor e artista-educador Ícaro Rodrigues, o ator e diretor Rodrigo Mercadante (Cia do Tijolo) e o ator, dramaturgo e professor Salloma Salomão.

A música é executada ao vivo por DJ Tano (Záfrica Brasil) nas pick-ups, Fernando Alabê (percussão), Suka Figueiredo (saxofone), Gabriel Longuitano (guitarra, violão, cavaco e voz), Jé Oliveira (cavaco) e Salloma Salomão (flauta transversal). A luz é um projeto do light designer Camilo Bonfanti; o design de som é de Eder Bobb e Felipe Malta; os figurinos e a assistência de direção, de Eder Lopes; e a produção é de Janaína Grasso.

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Gota D’Água {PRETA}

Com Aysha Nascimento, Dani Nega, Ícaro Rodrigues, Jé Oliveira, Juçara Marçal, Marina Esteves, Mateus Sousa, Rodrigo Mercadante e Salloma Salomão

Auditório Ibirapuera – sala Oscar Niemeyer (Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana, São Paulo)

Duração 220 minutos

10 a 12/05

Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h

$30

Classificação 14 anos

9ª EDIÇÃO DO FESTU – FESTIVAL DE TEATRO UNIVERSITÁRIO

Os estudantes universitários de todo o país já podem se inscrever na 9ª edição do FESTU – Festival de Teatro Universitário. Até o dia 24 de maio, o evento recebe os projetos para participarem da Mostra de Espetáculos (peças longas) e da Mostra Nacional Competitiva (esquetes). As inscrições são gratuitas e podem feitas somente pelo site www.festu.com.br.  O resultado com os grupos selecionados será divulgado no site e nas redes sociais do FESTU, a partir do dia 5 de junho.

Este ano, o FESTU acontecerá entre 05 e 22 de setembro em diferentes espaços culturais da cidade do Rio de Janeiro. Criado em 2010 pelo produtor Miguel Colker e pelo diretor e ator Felipe Cabral, o FESTU é uma verdadeira maratona teatral com montagens criadas por jovens da cena universitária nacional. Em oito edições, o festival recebeu cerca de 2.600 inscrições de grupos de todo Brasil. Desde então, o evento apresentou 200 esquetes e 32 espetáculos, tendo patrocinado 11 peças e premiado 73 categorias.

De esquetes a espetáculos, passando por gêneros como drama, musical, teatro-dança, palhaçaria e experimental, o FESTU promove uma intensa troca entre as escolas e universidades de artes cênicas de todo o país e revela novos talentos. A cada edição, um novo júri é formado para julgar os projetos em competição. Já passaram 74 profissionais de artes cênicas pelo júri do FESTU. Entre eles, estão nomes como Marília Pêra, Cássia Kis Magro, João Falcão, José Wilker, Otávio Augusto, Debora Lamm, Renata Mizrahi, Pedro Kosovski, Tonico Pereira, Gregório Duvivier, Deborah Colker, Lilia Cabral, Milton Gonçalves, Catarina Abdalla, Karina Ramil, Johnny Massaro, Leopoldo Pacheco e Caio Paduan.

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