CORPOS OPACOS

As freiras coroadas da Colômbia, que até o século XIX experimentaram a clausura absoluta no mosteiro de Santa Clara, em Bogotá, inspiraram as atrizes Carolina Virgüez, colombiana que reside no Brasil há 38 anos, e Sara Antunes a idealizar e criar a peça Corpos Opacos. Para assinar a direção, convidaram a diretora Yara de Novaes. A montagem estreia em São Paulo, no Sesc Belenzinho, após a bem–sucedida temporada no Rio de Janeiro no fim do ano passado.

Fortemente marcada por imagens e pela performatividade, a peça investiga o repertório de retratos póstumos de las monjas coronadas que mantiveram em vida seus corpos velados ao olhar do mundo exterior para, depois de mortas, serem retratadas por pintores. As imagens destas mulheres religiosas exemplares podem ser vistas até hoje em diversos museus na Colômbia: corpos opacos, adornados com coroas de flores e vestidos com mortalhas bordadas desde muito jovens pelas próprias freiras para o grande dia da consumação do seu casamento místico com Cristo: o dia da morte.

Inspiradas por essa iconografia marcada pela prática da reclusão e da disciplina religiosa, as idealizadoras e criadoras querem desvelar poeticamente a “potência incendiária dessas carnes, dos segredos que guardam o erotismo e a transgressão de corpos vigiados e escondidos”, destaca Carolina Virgüez. ‘Trata-se de posicionar no teatro corpos que em vida não foram vistos, nem ouvidos e pesquisar de que modo é possível conceber práticas que restituam essas corporalidades”.

Corpos jamais vistos em vida que, no dia da morte, são finalmente apreciados, observados e pintados por homens trazem alguns questionamentos. Qual é o sentido de só serem olhados quando mortos em uma espécie de nascimento às avessas? O que pensar da linguagem silenciosa (e silenciada) das visões, transes e êxtases místicos inscrita na matéria desses corpos? “É no interior desta perturbada matéria opaca, entre a submissão da disciplina ascética e a transgressão erótica do êxtase religioso, que se situa esse trabalho: ecoando desejos inauditos e fabulando outras hipóteses, roteiros e trajetórias para eles”, observa Sara.

FACE (1)

Corpos Opacos

Com Carolina Virgüez e Sara Antunes

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)

Duração 50 minutos

31/05 até 30/06

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 12 anos

CABARÉS TEXTOS PUTOS

Viciada em sexo, Abhiyana pensa sobre o assunto todos os dias, em diversos momentos. O vício acabou a levando a escrever sobre o assunto. Até o fim do ano, ela lança o seu segundo livro sobre o tema, intitulado Por que gozar é tão bom?, que traz contos ficcionais e reais de experiências sexuais que também inspiram a criação do show Cabaré Textos Putos, que acontece de 24 de maio a 14 de junho, no Teatro de Bolso do IV Mundo, sempre às sextas, às 21h30.
Em modelo intimista, o show tem como foco mostrar o prazer feminino e colocar a mulher como protagonista da arte pornográfica. Além de Abhiyana lendo alguns dos contos do próximo livro, o show também terá cenas dos curtas que Abhiyana fez para o projeto de lançamento do seu segundo título, bem como o acompanhamento musical do tecladista Rodrigo Zanettini.
FACE

Cabaré Textos Putos

Com Abhiyana

Teatro de Bolso do IV Mundo (Praça Jesuíno Bandeira, 124 – Vila Romana, São Paulo)

Duração 75 minutos

24 e 31/05, 07 e 14/06

Sexta – 21h30

$40

Classificação 18 anos