PISO MOLHADO

Depois de estrear no Teatro Cacilda Beker, o espetáculo Piso Molhado, com texto de Ed Anderson e direção de Mauro Baptista Vedia, ganha uma nova temporada no Espaço Parlapatões, entre 30 de julho e 11 de setembro. A peça cria uma reflexão sobre o lugar do outro e resgata um sentimento de brasilidade. A montagem foi contemplada pela 8ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura. O elenco conta com a participação de Patrícia Gasppar, Helio Cicero, Carlos Palma e Valéria Pedrassoli.

A trama apresenta encontro entre três personagens singulares: uma cantora, um pianista e um encanador.

Essas personagens não conseguem escapar do caos urbano e das próprias neuroses, mas apresentam doses ácidas de autocrítica. São elas: a cantora decadente Selma, que guarda uma coleção de aranhas em uma caixa de papelão; o velho pianista Tony, que vive desencantado com a realidade presente e tem saudade do passado; e o sarcástico encanador Osvaldo, que não tem um emprego fixo e, por isso, precisa enfrentar todos os obstáculos impostos pela cidade para conseguir sobreviver em seus bicos diversos.

Tentei transpor ao papel a urgência que sentia em abordar sentimentos de algumas minorias e friccionar as suas vozes com o momento atual que vivemos, proporcionando uma reflexão sobre o lugar do outro e de como a arte pode ser uma vitamina para fortalecer o cotidiano. Estão presentes nos diálogos as relações de sobrevivência; questões da memória afetiva e o humor ácido e melancólico dos personagens que transitam anonimamente pelo asfalto, com as suas mazelas e encantamentos tendo cuidado com os pisos molhados ao recordar as várias quedas sofridas”, comenta o autor Ed Anderson sobre o processo de escrita do texto.

Segundo o diretor Mauro Baptista Vedia, a peça busca referências no universo da cultura dos anos de 50 e 60, sobretudo em como essa década é retratada na música, na tv e no cinema. “Buscamos como referência cantores da MPB, como Dalva de Oliveira, Maysa, Dolores Duran, Nelson Gonçalves e Cartola”.

Esse apelo à cultura brasileira é uma característica marcante no espetáculo. “A peça é um cabaré, quase um musical, porque inserimos trechos de várias músicas. Procuramos resgatar uma Era de Ouro da Cultura Brasileira e a brasilidade justamente neste momento em que o país passa por um momento de baixa autoestima”, acrescenta o diretor.

A encenação busca trabalhar com uma artesania da cena. “Tento trabalhar frase por frase, cena por cena, cada tempo. Nesse trabalho árduo cada momento é especial e temos uma marcação diferente para cada momento de revelação para o espectador. Vamos juntando pedacinho por pedacinho, como se fossem microcenas. A partir daí identificamos momentos dramáticos, épicos e líricos no texto. E juntamos com outras características mais permanentes do meu trabalho, como a minha obsessão pela composição plástica – enceno sempre como se tivesse uma câmera de cinema. Também tento não colocar os atores em linha no palco, mas em diagonais, usando a profundidade da cena e procuro fazer marcações suaves”, revela o diretor.

FACE

Piso Molhado

Com Patrícia Gasppar, Helio Cicero, Carlos Palma e Valéria Pedrassoli

Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158, Consolação – São Paulo)

Duração 70 minutos

30/07 até 11/09

Terça e Quarta – 21h

$20

Classificação 12 anos

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