BROADWAY HOMENAGEIA 20 ANOS DO “GOOD MORNING AMERICA”

Good Morning America (ou GMA) – programa televisivo norte americano – completou no dia 13 de setembro seus 20 anos de transmissão direto da Broadway.

Durante uma semana, foram relembrados vários momentos marcantes do programa, além de convidados que passaram por seus estúdios.

Para abrilhantar as festividades, parte do elenco de produções da Disney on Brodaway – “The Lion King“, “Aladdin” e “Frozen” – realizaram no dia 19 um mashup de suas canções.

O GMA é um programa misto de jornalismo com talk-show, entremeado de previsão do tempo, reportagens especiais e entretenimento. A produção costuma realizar várias inserções, durante o programa, direto da rua, do lado de fora dos estúdios. Se estiver por Nova York, não deixe de passar na frente dos estúdios – pode estar acontecendo a apresentação de algum artista famoso, ou simplesmente você mandar um oi para os amigos que estão no Brasil.

Transmitido diariamente, desde 1975, pela rede televisiva ABC para todo território norte americano, das 07h às 09h. A rede é uma subsidiária do grupo de mídia Disney-ABC Television Group.

Veja abaixo como foi a apresentação.

HOMEM FAL(H)O

A desconstrução dos padrões machistas impostos para os homens é pauta do solo Homem Fal(H)o, escrito e interpretado por Gabriel Pernambuco, que estreia dia 2 de outubro no Espaço Parlapatões, onde segue em cartaz até 11 de dezembro. A peça tem direção de Marcio Macena e é inspirada em uma experiência pessoal do próprio autor, que precisou viajar à trabalho para uma das maiores zonas de prostituição da Ásia.

A trama retrata o universo desse lugar na Índia, a partir das crises psicológicas de um documentarista ocidental, cuja função é relatar a violência que cerca de 40 mil mulheres sofrem diariamente nas mãos dos homens. Esse prostíbulo a céu aberto fica em Calcutá, à beira do braço mais perigoso do rio Ganges, que inunda os quartos onde acontecem os atendimentos e traz lixo, fezes de animais e doenças para a população dali, formada exclusivamente por mulheres e crianças.

Diante desse cenário assustador, esse homem responsável por documentar a violência do local, passa a questionar a própria violência e tentar encontrar uma solução para suas fobias e relações pessoais traumáticas do passado. O texto trata da aceitação do lado feminino do homem na desconstrução do modelo de macho tradicional.

A montagem foi pensada para dialogar com a estrutura física do Espaço Parlapatões. Como a história se passa nas vielas de um prostíbulo todo em tons de vermelho e laranja que é inundado pelo rio Ganges, a escolha por transportar o espetáculo para a plateia e acomodar o público no palco se tornou quase obrigatória, já que as poltronas da sala possuem este tons indianos e a verticalidade desse espaço ajuda na compreensão do cenário verticalmente.

O ator se apropriará dessas “vielas” formadas pelas fileiras de cadeiras como se estivesse realmente nos becos estreitos do lugar. Uma plataforma horizontal será montada por ele durante a peça, uma referência à sua busca por equilíbrio nesse estágio de quase pânico. Ao final da primeira cena, uma vara surgirá de entre as últimas fileiras, subindo até o teto, contendo os tecidos coloridos aos quais ele se refere, com luzes penduradas, adornos religiosos e muito lixo.

Esse lixo estará contido em todo o cenário que há na plateia, invadindo o palco, trazendo as margens do rio e seus entulhos até os pés dos espectadores. A trilha sonora, que virá de seus fones de ouvido, aparecerá nos momentos de reflexão do personagem, brindando o público com uma mistura inusitada das músicas que marcaram a vida deste personagem. Nas mãos de Gabriel, o celular aparecerá como elemento de cena e também como uma ferramenta de transmissão ao vivo que vai somar ao público do Parlapatões os seguidores de Instagram da peça – @ohomemfalho.

A ideia não é recriar por este canal uma experiência de se estar na plateia, mas sim oferecer uma forma diferente de assistir ao espetáculo. A luz na maior parte feita por gambiarras trará o clima essencial para contar esta estória.

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Homem Fal(h)o

Com Gabriel Pernambuco

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 60 minutos

02/10 até 11/12

Quarta – 21h

$60

Classificação 16 anos

A UM PASSO DA AURORA

Com 19 anos de trajetória, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança mergulha na poética do músico, maestro e múltiplo artista Guilherme Vaz (1948-2018) com A Um Passo da Aurora, das intérpretes-criadoras Mariana Muniz e Regina Vaz, que cumpre uma temporada de estreia de 2 a 12 de outubro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Em sequência o espetáculo de dança contemporânea tem apresentações no Centro Cultural Olido – Sala Paissandú, nos dias 1, 2 e 3 de novembro; no Centro de Referência da Dança – CRD, dias 20, 21, 22 e 23 de novembro; e no Espaço Cia da Revista, dias 28, 29 e 30 de novembro e 01 e 02 de dezembro, totalizando 20 apresentações.

Ao longo de sua trajetória, a companhia vem desenvolvendo trabalhos voltados para a pesquisa das relações entre palavra e movimento, poesia/arte e dança. O grupo realizou trabalhos solos de teatro-dança, nos quais a poesia de artistas como Florbela Espanca – Dantea, Ferreira Gullar – Túfuns, Arnaldo Antunes – Rimas no Corpo, Fernando Pessoa – Fados e outros Afins, dentre outros, serviram de referência para o exercício de múltiplas qualidades de trânsito entre a palavra e o movimento e, cuja excelência, atesta os muitos prêmios recebidos.

Depois de uma bem-sucedida imersão no universo dos Fados, com “Fados e outros Afins”, último trabalho da companhia, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança dá continuidade ao processo de investigação das relações entre pensamento, corpo e gestos, em dança-teatro. O espetáculo foi contemplado pelo 25º Edital de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

Mariana Muniz, que assina a direção do trabalho, e Regina Vaz – irmã do artista Guilherme Vaz, e responsável pela dramaturgia de “A Um Passo da Aurora”-, se reencontram, em cena, depois de terem trabalhado juntas, no Grupo Coringa (1977-1985), durante dez anos, sob a direção da coreógrafa uruguaia, Graciela Figueroa.

Com esse trabalho damos continuidade às nossas pesquisas e criações em dança contemporânea, e prestamos uma justa homenagem ao múltiplo artista Guilherme Vaz”, afirma Mariana Muniz.

Guilherme Vaz, nascido em Araguari, Minas Gerias, durante vinte anos, dedicou-se a investigar as raízes culturais do povo brasileiro. Viveu entre os sertanejos do Centro-Oeste e os indígenas do Norte do nosso país, o que lhe permitiu a criação de uma obra singular, inventiva e profundamente brasileira.

Pioneiro da arte conceitual carioca e criador da Unidade Experimental do MAM-RJ- junto com Cildo Meireles, Luiz Alphonsus e o crítico Frederico de Morais. Foi um dos responsáveis pela introdução da música concreta no cinema nacional. Compôs trilhas para filmes de Nelson Pereira dos Santos e Júlio Bressane, dentre outros.  Guilherme faleceu em 26 de abril de 2018, aos 70 anos, deixando um legado imensurável para a música brasileira.

Assim como nos trabalhos anteriores, em “A Um passo da Aurora” a ação cênica (com base na pesquisa das relações entre corpo, voz, música e sentidos simbólicos das linguagens da dança, do teatro e da música) nos conduz a uma ideia de dramaturgia ampliada. Dramaturgia como uma teia que engloba as ações físicas dos bailarinos (como o texto, a música se torna corpo em movimento), suas ações vocais (musicalidade no texto e com o texto), cenografia, iluminação, figurinos e a relação entre eles, os artistas, e todos os componentes da cena, inclusive o uso de recursos multimídia.

Para Mariana Muniz, na criação e composição do espetáculo o compromisso com o hibridismo de linguagens artísticas está a serviço da exploração dos limites das conexões entre questões cênicas, coreográficas e dramatúrgicas, visuais e performáticas. “Pensar as artes cênicas nestas intersecções nos permite lançar mão da potência expressiva do gesto com um olhar diferenciado e sempre renovado”, explica.

O processo de criação de imagens visuais se corporifica através da escuta dos corpos, em contato com a sensação da “música corporal” e do imaginário do compositor Guilherme Vaz. Em algumas passagens do trabalho fica evidenciada a inspiração gestual nos trabalhos coreográficos de Nijinsky e Pina Baush para “A Sagração da Primavera” de Igor Stravisnky.

No movimento de exploração das sonoridades e conceitos que norteiam a obra de Guilherme Vaz, assume importância o gosto por determinadas passagens e composições musicais, certos timbres dos instrumentos, que acompanham a melodia, repetições e as ideias plásticas e cenográficas do artista. É o caso das composições “La Virgen” e “Fronteira Ocidental” que integram a trilha sonora sob a responsabilidade do maestro Lívio Tragtenberg, que já regeu algumas obras do compositor.

Nós nos posicionamos na direção de um resgate das raízes do pensamento sobre a brasilidade no fazer artístico, pois Guilherme Vaz participou ativamente de um dos períodos mais fortes da crítica de arte no Brasil: os anos neoconcretos. Ele pensava a própria obra e o mundo, discutindo e participando dos problemas da arte brasileira, rebelando-se contra a estagnação cultural dos anos 60 e propondo uma renovação de toda expressão artística no país, apontando-lhe possibilidades universais”, acrescenta Mariana Muniz.

Uma das questões que me incomoda no construtivismo brasileiro é que tudo acontece distante da geometria indígena, distante dos sertões”, dizia Guilherme Vaz.

O projeto “A Um Passo da Aurora” contou com um programa educativo, com ações direcionadas à formação de público e à mediação do conteúdo do projeto. Foram realizadas oficinas contínuas de estudo de movimento com Mariana Muniz, além de workshops livres de criação musical para partituras gráficas (ministrada por Lívio Tragtenberg – maestro de renome no cenário cultural brasileiro e internacional, regente de duas obras de Guilherme Vaz, no final de 2017) e Eutonia com Cláudio Gimenez.

Será realizado um bate-papo com o público, após cada uma das apresentações, a fim de, através do diálogo, falar sobre o processo de criação do trabalho apresentado e escutar as impressões dos espectadores.

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A Um Passo da Aurora

Com Mariana Muniz e Regina Vaz

Duração não informada

Grátis (ingressos devem ser retirados com 1h de antecedência)

Classificação não informada

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363. Bom Retiro – São Paulo)

02 a 12/10

Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado e Feriado – 18h

Centro Cultural Olido – Sala Paissandú (Av São João, 473 – Centro, São Paulo)

01 a 03/11

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

Centro de Referência da Dança – CRD (Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Centro, São Paulo)

20 a 23/11

Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 19h

Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecília, São Paulo)

28 a 30/11, 01 e 02/12

Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h, Segunda – 20h

RICARDO III OU CENAS DA VIDA DE MEIERHOLD

Considerado o mais importante representante atual do Teatro do Absurdo, o dramaturgo romeno Matéi Visniec tem mais uma de suas peças montadas pela diretora e atriz Clara Carvalho, que dirigiu recentemente Condomínio Visniec (2019) e codirigiu A Máquina Tchekhov (2015) ao lado de Denise Weinberg. Trata-se de Ricardo III ou Cenas da Vida de Meierhold, idealizado e produzido por Livia Prestes, com re-estreia marcada para 5 de outubro, no Teatro Cacilda Becker, temporada até o dia 27 de outubro, sábados e domingos.

Na trama, o consagrado diretor russo Meierhold (1874-1940), inventor da Biomecânica e membro do Teatro de Arte de Moscou, tenta encenar a peça “Ricardo III”, de William Shakespeare (1564-1616). Durante a montagem, ele tenta dirigir a peça e entender o que se passa na própria cabeça, mas é constantemente censurado por personagens políticos, familiares e fantasmas presentes em sua mente.

Da tentativa de concluir a encenação do clássico shakespeariano, nasce o filho do diretor russo: um boneco de manipulação que é o próprio Ricardo III. Até mesmo essa criatura animada desaprova a direção do pai. Meierhold acaba sendo preso por conta de um ato audacioso do filho, e a peça é finalmente cancelada.

O boneco manipulado em cena foi criado por Beto Andreta, da premiada Cia. Pia Fraus, que trabalha com teatro de bonecos há 35 anos. O grupo parceiro também ajudou o elenco a aprender como manipulá-lo. O espetáculo foi contemplado na 7ª Edição do Prêmio Zé Renato de Fomento à Produção Teatral para a cidade de São Paulo.

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Ricardo III ou Cenas da Vida de Meierhold

Com Rubens Caribé, Duda Mamberti, Fernanda Gonçalves, Junior Cabral, Livia Prestes,  Mara Faustino, Rogério Brito e Rogério Pércore

Teatro Cacilda Becker (R. Tito, 295 – Lapa, São Paulo

Duração 70 minutos

05 até 27/10

Sábado – 21h, Domingo – 19h30

$30

Classificação 12 anos

HÁ DIAS QUE NÃO MORRO

Depois do bem-sucedido Adeus, Palhaços Mortos (prêmios Shell de melhor cenário e Aplauso Brasil de melhores espetáculo de grupo e direção), a companhia Academia de Palhaços dá início a uma nova fase de pesquisa e passa a se chamar ultraVioleta_s. Para marcar essa transição, o grupo estreia Há Dias Que Não Morro no dia 3 de outubro no Espaço Cênico do Sesc Pompeia.

A peça teve uma pré-estreia em maio na Turquia e é a segunda parte da Trilogia da Morte, que teve início em 2016 com a estreia de Adeus, Palhaços Mortos. Agora a busca estética pela linguagem desenvolvida anteriormente se aprofunda e se mescla à criação de um texto original de Paloma Franca Amorim e a uma direção coletiva de Aline Olmos, José Roberto Jardim, Laíza Dantas e Paula Hemsi.

Inspirada na discussão sobre segurança e liberdade e na fricção dessa balança em foco na política atual, a encenação busca ampliar o debate sobre os aprisionamentos contemporâneos e corpos em paranoia. Em cena, estão três atrizes em um cubo-jardim feito para agradar. Elas acordam para seus dias sempre ensolarados, escutam sempre os mesmos pássaros, alegram-se com a mesma nuvem. As intérpretes viram figuras-bonecas exteriormente idênticas. O público acompanha dia após dia o decorrer dessas figuras. Suas falas partiturizadas e seus corpos estáticos passam por uma dimerização de tônus que deslocam seus estados diários.

A visualidade é toda pautada por cores vibrantes e formas graciosas, exacerbando um universo confortável das aparências, uma caixa instagramável, uma representação de armadilha moderna para aprisionamentos contemporâneos. Esse cubo-jardim é um desdobramento do premiado cenário de Adeus, Palhaços Mortos. Já a trilha sonora se instaura como um mantra e cai como uma âncora em alto-mar.

Hoje vivemos a ficção da realidade e essa obra exacerba a ficção. Numa época em que palavras são jogadas ao léu como se fossem desprovidas de peso e consequência, essa obra satura frases corriqueiras em repetições constantes para provocar movimento. Estamos enredados em um sistema inerte e cíclico e a dramaturgia em repetição intensifica essa sensação atual, distanciando o espectador para que ele se projete naquele cubo-jardim e criando nele uma espécie de olhar premonitório. O texto é mutilado ao longo de seu curso e ressignificado com suas próprias palavras em novos contextos.

Antes de entrar na sala de espetáculos, o espectador se depara com uma intervenção do lado de fora do Espaço Cênico. Na parede, um arco-íris luminoso, composto por luzes em movimento, envolve a porta de entrada e sua fachada. Deitado no chão, em frente à porta, está a figura de um palhaço. Sua roupa descaracteriza formas realistas de seu corpo – como braços ou pernas maiores do que o comum – e seu rosto está coberto por uma máscara. No chão, um piso brilhante reflete e enquadra a situação, cria uma outra dimensão do espaço, transformando-o em um loop de si mesmo. Quando a porta se abre, o público deve passar por cima do palhaço para adentrar a sala de espetáculo.

Essa obra-prólogo foi criada para desequilibrar o espectador antes do espetáculo. Uma espécie de introdução constituída pela surpresa diante de uma configuração absurda: um arco-íris, um ambiente feliz e o corpo real de um palhaço estendido no chão que problematiza a entrada do teatro. A intervenção configura-se como um convite para o mundo mágico e absurdo que o espetáculo explorará.

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Há Dias Que Não Morro

Com Aline Olmos, Laíza Dantas e Paula Hemsi

Sesc Pompeia – Espaço Cênico (Rua Clélia, 93, Água Branca – São Paulo)

Duração 50 minutos

03 a 27/10

Quinta, Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 12 anos

CARNE DE MULHER

Solo da atriz Paula Cohen, com direção de Georgette Fadel, CARNE DE MULHER, um dos espetáculos mais celebrados de 2017, volta em cartaz em uma nova fase junto ao projeto QUAL É O SEU GRITO?. Idealizada pela Contorno Produções, das produtoras Jessica Rodrigues e Victória Martinez, essa nova etapa fará 24 apresentações em teatros da prefeitura, de 26 de julho a 13 de outubro, com palestras e debates sobre violência contra a mulher com a advogada Isabela DelMonde, a psicóloga Carolina Cristal, a professora de feminismo Carla Cristina, além da exibição do documentário de Sarah Stopazzolli “Legitima Defesa”.

A fotógrafa Lenise Pinheiro foi às ruas com a atriz para fazer novos registros que representam essa fase do projeto. Essas fotos criam uma ponte entre o teatro e a rua, colocam a personagem em um cenário real das violências cotidianas, da violência urbana. “Carne de Mulher, nesta nova fase, ultrapassa os limites da dramaturgia, do teatro, quebra a quarta parede e vai para a rua, para o social. Na peça uma mulher conta a sua trajetória de abusos e violência, agora, com Qual é o seu grito?, mulheres voluntárias, inclusive eu, narramos nossas histórias de abusos. Todas nós em maior ou menor escala fomos e somos abusadas cotidianamente. Temos que falar sobre isso, parte de nós, só assim vamos conseguir destruir essa estrutura social machista que normatiza violências. Não vamos nos calar, nos teatros, nas ruas, onde for! Chega de violência e de permissividade” comenta Paula Cohen

Vídeos e Livreto “Qual é o seu grito?” 

Na página do Facebook do espetáculo serão lançados vídeos com relatos de mulheres que sofreram abusos e violências sexuais e psicológicas, além de conversas  com a Psicóloga Carolina Cristal e com a advogada Isabela DelMonde. Indo em direção ao objetivo dos vídeos, serão elaborados também alguns livretos que serão distribuídos nos teatros, nas redondezas dos teatros e nas ONGs. Estes livros e vídeos trarão também uma relação de serviços para que todas as mulheres ao lerem e se identificarem com as situações possam descobrir caminhos para se assegurarem legalmente e psicologicamente.

“O projeto ‘Qual é o seu grito?’ é a primeira idealização da Contorno Produções e este é vinculado ao espetáculo ‘Carne de Mulher’. No espetáculo a atriz Paula Cohen convida a todas as mulheres escreverem em sua pele. Neste projeto convidamos todas nós mulheres a escreveremos em nossas próprias peles. Queremos juntas formar um cordão de coragem em que possamos denunciar situações de abuso e violência sexual e psicológica e com isso compartilhar reflexões e podermos nos segurar em um ato de libertação” completa a produtora Jessica Rodrigues.

Sobre o espetáculo Carne de Mulher

O novo solo de Paula Cohen, leva à cena um texto de Dario Fo e Franca Rame escrito em 1977 e que está mais atual do que nunca. A peça expõe uma trajetória de violência na qual a protagonista foi exposta durante a vida, tendo como grande vilão o sistema patriarcal que é um sistema profundamente enraizado na nossa cultura, onde os pilares são o caminho da opressão e da violência contra a mulher.

CARNE DE MULHER foi criado apenas por mulheres, artistas potentes de grande destaque nas artes, que vertem no trabalho o seu olhar, a sua luta permanente a qual estão expostas dia a dia. A peça já realizou quatro temporadas no centro de São Paulo, nos teatros: Teatro de Arena Eugênio Kusnet, Teatro Pequeno Ato, Teatro Cemitério de Automóveis e Teatro Eva Herz.  Realizou também apresentações no Itáu Cultural, em Poços de Caldas, na Mostra SOLO de Mulheres no Teatro de Container, no Festival Boca de Cena em Campo Grande em Mato Grosso do Sul, nos Sescs Registro e Sorocaba e para o Uruguai no CICLO ELLAS EN LA DELMIRA do Teatro Solís.

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Carne de Mulher

Com Paula Cohen

Centro Cultural Vila Formosa (Av. Renata, 163 – Vila Formosa, São Paulo)

Duração 50 minutos

04 a 13/10

Sábado – 20h, Domingo – 19h (04/10 – Sexta – 14h)

Grátis

Classificação 12 anos

DOM QUIXOTE

Livremente inspirada na obra-prima do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), Dom Quixote, com direção de Rodrigo Audi, estreia no Teatro Cacilda Becker, de 5 a 27 de outubro, e em seguida, cumpre uma nova temporada no Centro Cultural da Vila Formosa, entre 2 e 23 de novembro. Pensada para agradar a todos os públicos, sobretudo crianças e idosos, a peça tem elenco formado por Angela Ribeiro, Carú Lima, Hercules Morais, João Attuy e Rita Pisano.

A trama narra as aventuras de um homem, interno de um hospício, apaixonado por livros, que decide tornar-se um cavaleiro andante, sob a alcunha de Dom Quixote, com o propósito de ajudar as pessoas a vencerem as opressões do mundo. Ele terá por companhia o fiel enfermeiro Sancho Pança, que se torna, nas mais diversas aventuras por uma Espanha atemporal, seu fiel escudeiro.

Juntos, eles se deparam com um mundo imaginário esquecido em meio a solidão e distância dos parentes que vivem na metafórica e plástica sociedade pragmática contemporânea. Assim como no clássico de Cervantes, a terceira peça da companhia lembra o espectador de que as pessoas podem criar narrativas próprias em detrimento a tanta informação superficial que já recebem pronta e esvaziada de sentido. Criar narrativas é uma maneira de entrar em contato consigo e possibilitar o alargamento de si.

A encenação aproxima a luta das crianças – contra a perda do imaginário – e de idosos – contra o esquecimento – em um diálogo afetivo, reflexivo e intergeracional, mostrando que os nossos limites e a possibilidade de superação de nossos desafios reais e imaginários são inventados por nós mesmos, pelas nossas sombras e por nossos dogmas.

Amparada na experiência da companhia na passagem de seus integrantes pelo CPT (Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, coordenado por Antunes Filho), que tem como diferencial o debruce no teatro de classificação livre – um  infantil para adultos, um adulto para crianças –, a montagem, minimalista, privilegia a interpretação dos atores e o uso de recursos essenciais à cena, característica do trabalho do grupo, já vista nos espetáculo Oliver Twist e Agora Eu Era o Herói.

FACE (2)

Dom Quixote

Com Angela Ribeiro, Carú Lima, Hercules Morais, João Attuy e Rita Pisano

Duração 60 minutos

Grátis (ingressos distribuídos uma hora antes)

Classificação 6 anos

 

Teatro Municipal Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)

05 a 27/10 (sessão extra 10 e 24/10 – Quinta – 10h e 14h30)

Sábado e Domingo – 16h

Centro Cultural Municipal da Vila Formosa (Av. Renata, 163 – Vila Formosa, São Paulo)

02 a 23/11

Sábado e Domigo – 16h (sessão extra 21/11 – Quinta – 14h)