IMPACTO ECONÔMICO DO TEATRO MUSICAL NO PAÍS

A Sociedade Brasileira do Teatro Musical (SBTM) reuniu convidados – produtores, artistas, patrocinadores, representantes do poder público do estado e município de São Paulo, e membros da imprensa – na manhã desta segunda feira, 23 de setembro, no Teatro Opus, para apresentar os resultados da primeira pesquisa sobre o Impacto Econômico do setor.

Realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o estudo aponta dados relevantes da atividade dentro da  indústria criativa, retorno sobre investimento via leis de incentivo à cultura, criação de empregos diretos e indiretos, além de geração de impostos.

A SBTM é uma associação composta por produtores de espetáculos musicais no país. Fazem parte Carlos Conrad e Noemia Matsumoto (Opus Promoções), Julio Figueiredo e Bárbara Guerra (Atual Produções), Renato Chiquito (Chiquito Produções), Carlos Cavalcanti (Atelier de Cultura), Adriana Del Claro e Simone Carneiro (Del Claro Produções), Almali Zraik (Caradiboi) e Stephanie Mayorkis (IMM Esporte e Entretenimento e EGG Entretenimento), que é a atual presidente.

Mayorkis explicou que a pesquisa foi encomendada para que fosse confirmada a impressão inicial que eles tinham – a da importância do Teatro Musical na cadeia produtiva da indústria criativa; e com isso, suscitar o debate com a opinião pública e o poder público sobre o papel do setor.

Análise dos resultados da pesquisa

Luiz Gustavo Barbosa, economista da FGV, apresentou os resultados da pesquisa, que estudou 28 espetáculos musicais que estiveram em cartaz em 2018 na cidade de São Paulo.

Somados os impactos diretos e indiretos, estes espetáculos movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão. Deste montante, cerca de R$ 813 milhões (80,6%) foram referentes a gastos de espectadores, com alimentação, hospedagem, compras pessoais, passeios, transporte local e outros tipos de gastos. Os outros R$ 196 milhões (19,4%) foram referentes à organização dos espetáculos.

Isto resultou em um Índice de Alavancagem Econômica de R$8,25, ou seja, para cada $1,00 investido pelos organizadores nos espetáculos de teatro musical, foram movimentados R$ 8,25 na economia.

Foram gerados 12.824 postos de trabalho, sendo 8.622 (67,5%) postos de trabalho diretos e 4.162 (32,5%) indiretos.

A captação de recurso, por meio das leis de incentivo, dos organizadores dos espetáculos que fizeram parte desse estudo, foi de, aproximadamente, R$ 68 milhões. Destes, 99,8% foram incentivados através da Lei Rouanet. No ano, os 28 espetáculos geraram o retorno de $131,3 milhões em tributos, sendo R$ 29,3 milhões (22,3%) para o município, R$15,4 milhões (11,7%) para o estado, e R$88,6 milhões (66,0%) para a federação.

Portanto, o Retorno sobre o Investimento Público foi de R$1,92, ou seja, de cada R$ 1,00 captado através de mecanismos de incentivo nos projetos do segmento pesquisado, geram R$ 1,92 de retorno em tributos para o governo, em suas três esferas.

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O público total do Teatro Musical no ano passado foi de 1.091.673 pessoas, sendo que foram concedidos um total de 189.173 ingressos gratuitos para as apresentações e cerca de 100.000 ingressos a preços populares

Mas sem a possibilidade de captar verba através de mecanismos de incentivo, a conta dos produtores do setor não fechará, pois o gasto médio por espectador realizado pela organização para realização dos espetáculos musicais foi de R$ 112,11; e o valor médio do ingresso praticado nos espetáculos foi de R$ 82,47. Ou seja, um débito de R$ 29,64.

O futuro do setor

O resultado da pesquisa será apresentado pela Sociedade Brasileira do Teatro Musical para o governo, para que os números possam ser estudados, e a importância do setor possa ser reavaliada pela equipe econômica e governantes.

Mas, é quase uma certeza, que o cenário para o próximo ano será difícil. Se a mudança feita pelo governo federal – teto de R$ 1 milhão por projeto pela Lei Rouanet – se mantiver, o mercado de Teatro Musical retrocederá 20 anos, quando havia somente 2 musicais blockbuster por ano na cidade.

Com isso, vários postos de emprego deixarão de existir. Teatros que foram construídos especialmente para o setor poderão fechar as portas.

O público que consome Teatro Musical deixará de gastar seu dinheiro aqui e, quem pudesse, irá gastar no exterior (Broadway e West End). O valor dos ingressos serão aumentados e não haverá mais acessibilidade aos espetáculos para uma parte da população.

Algumas possibilidades para reverter este quadro foram pensadas pelo público presente:

  • mostrar a importância econômica do setor para o governo;
  • divulgar informações corretas sobre o setor, para esclarecer ‘preconceitos existentes’ por parte da sociedade;
  • ter uma força política atuante e articulada em Brasília;
  • e o principal, ter uma união da classe teatral (produtores, atores, empregados) para se ter uma voz ativa maior na sociedade;

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