BRIAN OU BRENDA?

Cada vez mais pulsante na sociedade, a discussão sobre identidade de gênero ganha uma abordagem surpreendente em Brian ou Brenda?, com dramaturgia de Franz Keppler e direção de Yara de Novaes e Carlos Gradim, que recria com liberdade ficcional o polêmico caso de David Reimer. O espetáculo tem sua temporada gratuita de estreia no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho, entre 27 de setembro e 20 de outubro, e, em sequência, segue para uma temporada popular no Viga Espaço Cênico, de 25 de outubro a 17 de novembro, com ingressos a R$20.

Em 1965, nascem os gêmeos Brian e Bruce, que são submetidos a uma cirurgia de fimose aos 8 meses. Durante esse procedimento, o pênis de Brian é acidentalmente cauterizado. Atônitos, os pais procuram o psiquiatra John Money, que defende a tese de que os bebês nasceriam neutros e teriam seu gênero definido pela criação. Ele aconselha a família a fazer em Brian uma operação de redesignação sexual e a educá-lo conforme uma menina.

A criança passa a ser chamada de Brenda. O resultado é uma menina que cresce infeliz em um corpo que não é seu e, ainda adolescente, tenta se matar. Os pais decidem contar a verdade e, então, Brenda resolve ir em busca da real identidade que nunca havia deixado de ter.

Conhecida como um dos casos mais polêmicos da psiquiatria, a violência sofrida por David Reimer é usada por pesquisadores e instituições de todo mundo para fomentar a discussão sobre identidade de gênero. Os grupos conservadores argumentam que este é um exemplo de que uma pessoa biologicamente nascida com o sexo masculino sempre se identificará como um homem. Já os teóricos de gênero defendem que o sofrimento causado pela tentativa de impor uma identidade a David é o mesmo pelo qual as pessoas transgêneras passam na sociedade conservadora que tenta impor seus padrões.

A encenação mescla fatos reais e ficcionais para propor uma reflexão sobre gênero e o direito às escolhas e desejos de cada um, bem como os limites dos tratamentos médicos e psiquiátricos. O grupo faz questão de frisar o respeito pelas diferentes identidades, colocando a pauta, inclusive, na boca de David. Ao final da trama, por exemplo, ao ser questionado em uma entrevista, ele afirma que não é contra a cirurgia de redesignação sexual, se isso for um desejo de uma pessoa que se sente no corpo errado, contrapondo essa possibilidade ao que aconteceu.

Para celebrar a diversidade e contribuir ainda mais com essa discussão, o elenco escolhido traz Augusto Madeira, Daniel Tavares, Giovanni Venturini, Jimmy Wong, Kay Sara, Lavínia Pannunzio, Marcella Maia e Paulo Campos, pessoas com diferentes origens, condições físicas, etnias e identidades de gênero.

O texto começou a ser escrito em 2015, quando Franz Keppler foi contemplado em um edital de dramaturgia do ProAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Em 2018, o grupo foi contemplado na 1ª edição do Prêmio Cleyde Yáconis, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

FACE (2)

Brian ou Brenda?

Com Augusto Madeira, Daniel Tavares, Giovanni Venturini, Jimmy Wong, Kay Sara, Lavínia Pannunzio, Fabia Mirassos e Paulo Campos

Duração 100 minutos

Classificação 14 anos

Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000, Paraíso – São Paulo)

27/09 até 17/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

Entrada Gratuita (distribuídos uma hora antes de cada sessão)

 

Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 1323, Pinheiros – São Paulo)

25/10 até 17/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

ESTE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE

Cia. dos Bonitos estreia o espetáculo Este Corpo que Não Te Pertence no dia 24 de setembro (terça) no Espaço Parlapatões, às 21 horas. Com texto e direção de Djalma Lima, a comédia conta a hilária história de um militar idoso que planeja trocar de corpo com seu sobrinho jovem por meio de um beijo.

Um jogo ágil e divertido se estabelece entre atores Cleber ToliniEdson GonçalvezRick ConteVan Manga e Vânia Bowê. Todos interpretam todas as personagens de forma inesperada e surpreendente. A temporada de Este Corpo que Não Te Pertence segue até o dia 29 de outubro com sessões sempre às terças-feiras, às 21 horas.

Mascarenhas é um general aposentado e rico que pretende voltar a ser jovem. Para isso, ele planeja trocar de corpo com o ingênuo Henrique, seu jovem sobrinho, e contrata uma mãe de santo que tem o poder de fazer a troca de corpos por meio de um beijo. Paralelamente, a esposa infiel do militar se une ao médico da família para seduzir o rapaz, envenenar o marido e ficar com toda a fortuna. Sem saber dos planos, o sobrinho comparece a uma leitura do testamento do general, em vida, ignorando que seu corpo seja o objeto mais desejado da noite. Sem condições físicas de beijar o sobrinho à força, o general acaba trocando de corpo com outras pessoas, descobrindo seus segredos e verdadeiras intenções.

Desde 2005, a Cia. dos Bonitos se destaca pela produção de comédias. Suas montagens exploram todos os gêneros, desde a comédia de costumes às sátiras e aos experimentos inusitados, usando de referências pops e propondo à plateia um jogo vivo e participativo que valoriza o trabalho do ator e sua capacidade cômica. Seus espetáculos são: Smack! Foi um Beijo Tipo Assim…! (2008), Eu não matei P… Maluf! (2010), Como Adestrar um Chefe Selvagem (2013), Bom Dia Patrão (2016) e Este Corpo que Não Te Pertence (2019).

FACE (1)

Este Corpo Que Não Te Pertence

Com Cleber Tolini, Edson Gonçalvez, Rick Conte, Van Manga e Vânia Bow

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

24/09 até 29/10

Terça – 21h

$50

Classificação 12 anos

MÃOS LIMPAS

O que pode acontecer quando dois traficantes vão se esconder em um apartamento desabitado, após fugir de uma batida policial? E se esse apartamento vazio for de um senador “mão-leve” que às escondidas da esposa o comprou para presentear sua linda assessora parlamentar? E se colocarmos uma bela quantidade de dólares escondidos em um paraíso fiscal dentro desse caldeirão?
Bom, essa é a trama que amarra o mais novo texto de Juca de Oliveira para o teatro. Ainda inédito, “Mãos Limpas” segue a linha de roteiro que consagrou o ator e autor no teatro, a comédia que flerta com a crítica política e social do nosso país.
A peça também marca a volta da consagrada parceria entre Juca de Oliveira e Fulvio Stefanini aos palcos, após mais de 20 anos. A parceria entre os dois começou ainda na década de 1980 e seguiu até o final da de 1990, quando levaram um público superior a 3 milhões de pessoas com as peças “Meno Male”, “Procura-se um Tenor” e “Caixa 2”.
Juca comenta que sua inspiração para escrever sobre o cotidiano vem de sua indignação. Em “Meno Male”, foi a indignação pelo crescimento desordenado das cidades e degradação dos bairros. Em “Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa” a motivação foi a falta de ouvidos da filha aos seus conselhos sobre o namoro da menina; já em “Às Favas com os Escrúpulos”, a motivação é similar à do novo texto, a corrupção.
Como a maioria das minhas peças, ‘Mãos Limpas’, a comédia que acabei de escrever, fala da nossa realidade. Escrevo sobre coisas que me apaixonam, mas também sobre as que me irritam, como por exemplo a falta de caráter e integridade do homem. A grande maravilha do teatro é que, enquanto o drama provoca a emoção e nos leva às lágrimas, a comédia suscita o riso, excita o cérebro e a inteligência. Por isso é que sempre depois de ver um bom espetáculo saímos do teatro um pouco mais leves, soltos e humanamente melhores…”, comenta Juca de Oliveira.
FACE
Mãos Limpas
Com Juca de Oliveira, Fulvio Stefanini, Taumaturgo Ferreira, Bruna Miglioranza, Claudia Mello e Nilton Bicudo
Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo)
Duração 80 minutos
05/10 até 03/2020
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$50/$120
Classificação 14 anos