PANO. FIM.

Com estreia marcada para dia 5 de outubro, sábado, 20h30, no Teatro Pequeno Ato, o primeiro espetáculo do Grupo Pano, chamado Pano. Fim., parte da pergunta sobre o que artistas podem fazer frente à crise do teatro para encenar o que seria a última de todas as peças do mundo. A direção é de Caio Silviano, que também assina dramaturgia ao lado de Lucas Sanchez. No elenco, Cecília BarrosGeorge LucasHenrique ReisIan Noppeney e Lucas Sanchez. O grupo é composto por artistas movidos por reflexões sobre o exercício da arte cênica.

A peça traz em cena três jovens atores que se propõem a executar a última peça do mundo ao se depararem com o fim iminente e irreversível do teatro. A tarefa que tomam para si resulta em situações que transitam entre o trágico e o patético, revelando o olhar dos artistas sobre o fazer teatral atualmente e sua vontade de lutar contra a crise que está instaurada na área. A narrativa se estabelece no último teatro do mundo, com localização e temporalidade indeterminadas, mas que encontra algumas referências textuais que fazem alusão à contemporaneidade.

A ideia para a peça começou em um grupo de estudos promovido por Caio Silviano, Lucas Sanchez e George Lucas. Nos encontros, textos teóricos apoiaram um pensamento sobre a crise do teatro e da cultura. As discussões estavam embasadas em três eixos: o primeira era filosófico, tendo como principal representante o conceito de indústria cultural proposto por Adorno e Horkheimer; o segundo era fático e tinha como intuito observar o contexto em que a cultura está inserida hoje, utilizando como norte para reflexão o livro A Pedagogia do Espectador, de Flavio Desgranges; e o último eixo era sobre a questão da dramaturgia nos dias de hoje. O foco dessa pesquisa é a noção da crise do drama, um olhar sobre os percursos do teatro ao longo da história e de suas mudanças de gênero e pensamento cênico.

Há um embate que vem pela crise do teatro que nós já estamos acostumados, mas hoje em dia estamos nos deparando com algo de um âmbito mais geral, uma verdadeira crise da cultura. Vivemos uma sensação constante de que faltam ferramentas para não deixar que o fim chegue, mas muitas vezes tomamos escolhas e seguimos caminhos que não são tão eficientes quanto gostaríamos”, conta Caio.

Em Pano. Fim., os atores buscam na cena diferentes gêneros e períodos para tentar a chance de dar continuidade à arte teatral: com adereços e mudanças de figurinos, eles passam pela estética épica brechtiana e clownesca, entre outras, em apelos à salvação da cena. O cenário é quase desértico e os elementos que o compõem remetem à um espaço que está sendo destruído. “Tudo que está na cena, como um carrinho de mão ou um baú, é usado pelos atores para tentar fazer essa reforma”, completa o diretor.

A peça foi elaborada durante dois anos e passou por mudanças frequentes desencadeadas por novidades na área da cultura e pelo contexto político. O período também marcou a consolidação do Grupo Pano, que pretende dar início a uma nova montagem após a temporada de Pano.Fim. “Nossas peças devem atender a diferentes propostas que levantarmos em grupos de estudo, o que funcionou muito bem nesse trabalho”, completa o diretor.

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Pano. Fim.

Com Cecília Barros, George Lucas, Henrique Reis, Ian Noppeney e Lucas Sanchez

Teatro Pequeno Ato (R. Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 80 minutos

05/10 até 06/11

Sábado – 20h30, Domingo – 19h30

$30

Classificação 12 anos

ELA ENTRE NÓS

Com referências do universo pop, a comédia dramática “Ela Entre Nós”, uma criação coletiva livremente inspirada no texto “De Alma Lavada”, de Sergio Roveri, estreia dia 18 de outubro, na SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt – Sala Hilda Hilst, onde segue em cartaz até 24 de novembro. As apresentações acontecem às sextas, às 21h; aos sábados, às 19h e às 21h; e aos domingos, às 19h, com ingressos por até R$30.

A comédia dirigida pelo uruguaio Mauro Baptista Vedia narra uma experiência inusitada e transcendental de uma mulher comum que mora sozinha, o que a obriga a se confrontar com uma série de questões sobre a vida vivida até ali. Enquanto toma um relaxante banho de espuma, Simone acidentalmente derruba o secador de cabelos na banheira e toma um choque que a deixa em estado terminal. Nesse exato instante, a alma da protagonista ganha voz, vida e personalidade próprias e completamente diferentes do que foi a sua dona.

Como Simone ainda não morreu, sua alma não pode partir sozinha para uma próxima encarnação, por isso, elas são obrigadas a conviver. A alma, que muitas vezes foi ignorada, faz uma série de questionamentos existenciais sobre o modo de vida de sua dona. Esta, por sua vez, percebe que o que ela acreditava ter um grande glamour, na verdade, só a aprisionava e acaba reencontrando seu verdadeiro ser.

A Simone mora nesse apartamentinho em que cada cômodo tem uma cor diferente. Ela é toda certinha e pensa que vive no seu mundo de glamour. Ela tem sua banheirinha vitoriana e está sempre ouvindo Palito Ortega, que é uma coisa argentina antiga e cafona. Quando ela encontra a alma, passa a questionar: o que eu estou fazendo com a minha vida? Quais são os meus sonhos? Tenho um namorado que é um amor, mas é super tosco”, comenta a atriz e idealizadora da montagem Juliana Ferreira.

Já a Alma é intransigente, questionadora, um tantinho egocêntrica quanto às suas necessidades do momento. Mas com a convivência com a Simone, também passa a descobrir um novo mundo e fica maravilhada. O afeto entre elas surge, até que Corpo e Alma se conectam verdadeiramente”, esclarece Luciana Severi, sobre a sua personagem.

A peça trata de temas como a procura pelo sentido da vida, a fragilidade da existência humana, os sonhos e as desilusões, o conformismo e o desencantamento que vêm com a idade e a iminência da morte. “Mais do que temas o que sempre me interessa são formas. Criamos uma espécie de comédia espírita pop, isso me fascina porque tentamos criar um novo formato e queremos saber qual será a resposta do público a essa peça tão vital, que mistura coisas que supostamente não deveriam ser misturadas”, acrescenta o diretor Mauro Baptista Vedia.

O cenário da peça reproduz os diferentes cômodos do apartamento de Simone, cada um com uma cor diferente, e a plateia é acomodada no meio desse espaço. A ambientação lembra os filmes do cineasta espanhol Pedro Almodóvar dos anos de 1980. Objetos coloridos de decoração – abajures, flores, cadeiras, geladeira antiga, banheira, bolinhas de sabão, poltronas etc. – estão espalhados por esses ambientes e criam atmosfera pop, kitsch e instagramável. Os espectadores podem tirar fotos nesse espaço ao final de cada apresentação.

Para a encenação, o diretor Mauro Baptista Vedia trouxe referências cinematográficas e da música dos anos de 1970 e 1980. “O texto me trouxe várias referências, mas uma das mais importantes foi o cinema de Pedro Almodóvar nos anos de 1980 e de Quentin Tarantino. Outra referência é a música pop espanhola e hispano-americana dos anos de 1970. Eu morei na Espanha nessa época e trouxe comigo para essa peça o universo da televisão, da cultura de massa e da música dessa década. A peça tem uma linguagem muito contemporânea de paródia (no sentido de retomar as referências artísticas do passado) e dialoga com essa essência pós-moderna kitsch”, explica.

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Ela Entre Nós

Com Juliana Ferreira, Luciana Severi e Felipe de Paula

SP Escola de Teatro – sala Hilda Hist (Praça Roosevelt, 210, Consolação – São Paulo)

Duração não informada

18/10 até 24/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h

$30

Classificação 12 anos

REFLEXO GUIMARÃES

Um homem fica horrorizado com sua imagem refletida no espelho. Ao lado de outro homem, cria diferentes histórias que oferecem novas ficções para sua existência soberbamente individualizada. Peça livremente inspirada em contos de Guimarães Rosa, Reflexo Guimarães com texto de Alessandro Toller, concepção e direção de Gonzaga Pedrosa e interpretação dos atores Carlos Colabone e Clóvis Goncalves, estreia dia 18 de outubro, sexta-feira, às 21 horas, no Instituto Cultural Capobianco para temporada até 15 de dezembro, de quinta a domingo.

O diretor Gonzaga Pedrosa estava pesquisando sobre “identidade” para uma futura trilogia e foi convidado para criar um espetáculo para o projeto Quem Conta um Ponto Aumenta um Conto,contemplado pelo Prêmio Zé Renato de Fomento ao Teatro.Teve carta branca para montar a equipe de criação e, a partir da entrada do dramaturgo Alessandro Toller, ambos se debruçaram sobre o desafio de trabalhar com contos de João Guimarães Rosa. “Concordamos que O Espelho, considerado por alguns especialistas como um ensaio,seria a nossa “vereda”,e, de repente, a ideia da pesquisa e o conto fizeram sentido. A partir daí, fomos desvelando um Guimarães possível“, revela Gonzaga. “Elaboramos uma dramaturgia a partir da relação com contos do Guimarães Rosa”. “Inspiramos-nos livremente em quatro deles:A Benfazeja, Famigerado, Sorôco, sua mãe, sua filha e O Espelho”, conta Toller.

Autor e diretor entendem o texto como um diálogo com as histórias de Guimarães. “Não são os mesmos personagens nem os mesmos motes, mas ecoam as discussões contidas nos contos“, explica Toller. No processo de criação, Alessandro Toller foi econômico em rubricas e não acredita que as poucas que existem guiam a encenação. “Mesmo assim, o diretor é muito cioso delas. Podemos dizer, talvez, que cada uma das histórias possui uma rubrica de pequena ação, simples, mas especial em cada contexto: um bilhete retirado do bolso; um comprimido para engolir; um paletó virado ao contrário.

Toller afirma que não foi um processo simples lidar com a literatura de Guimarães. “Não era uma adaptação, mas partia dela, dialogava-se intrinsecamente com ela. Tínhamos o risco de o texto se tornar uma sub-literatura, sombreada, ou de ir para caminhos muito distantes da origem proposta. Optamos por construir uma dramaturgia que estivesse mais distante da fala cotidiana e mais próxima de um temperamento literário, tentando inserir na forma a própria origem literária do projeto.” Sobre onde se enxerga Guimarães Rosa na peça, já que não é adaptação e sim inspiração, o diretor Gonzaga Pedrosa poetisa: “o nosso Guimarães-ficção propõe um diálogo-bênção com o Guimarães-real.João Rosa está nesse sertão outro, recriado, guiando nossos passos na travessia por essas histórias aproximadas e distorcidas. as personagens refletidas são narrativas-irmãs, parecidas e diferentes, que convivem no mesmo sertão-nós.

Sobre a montagem, outras referências

O saber arquetípico e transcendental me inspira. O homem, a estação ferroviária desativada e o espelho são metáforas de um tempo-espaço míticos. Os questionamentos suscitados no homem, diante da imagem de si mesmo projetada no espelho, procurou abrigo no meu peito, me instigou, provocou e me convidou para uma dança-libertação.” Caminhando de mãos dadas com o estudo dos contos de Guimarães Rosa, o diretor foi ao encontro de outras referências: a pintura de Francis Bacon, as bonecas de argila dos artesãos do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, as fotografias de Jurgenklauke e a sinfonia do silêncio de Sofia Gubaidulina.

Apresentei essas referências aos atores Carlos Colabone e Clóvis Gonçalves, ao iluminador André Lemes e ao músico Gregory Sliver. Diretor e atores pesquisariam a linguagem do personagem-narrador. O cenário seria um espaço vazio, mítico e simbólico, uma caixa cênica preta; no centro, uma pequena plataforma quadrada, duas lâmpadas tubulares penduradas na horizontal e vertical, criando contornos de um cubo incompleto, duas cadeiras e quatro tigelas esmaltadas brancas.” Gonzaga sugeriu uma iluminação que seguisse o mesmo ritmo das narrativas, ora mostrando, ora escondendo a atmosfera simbólica  do espaço cênico. Para a trilha sonora, por sua vez, que ela reproduzisse e dialogasse, em melodia, com as vozes do personagem cindido e multiplicado. Quanto ao figurino, que contornasse corpos com a mesma sutileza e primor com que a narrativa foi elaborada. Enfim, tudo a serviço da cena e da relação com o público.

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Reflexo Guimarães

Com Carlos Colabone e Clóvis Gonçalves

Instituto Cultural Capobianco (R. Álvaro de Carvalho, 97 – Centro Histórico de São Paulo)

Duração 80 minutos

18/10 até 15/12

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Classificação 12 anos

CHAVES – UM TRIBUTO MUSICAL

Zás… Ele está chegando!!! O espetáculo Chaves – Um Tributo Musical que estreou, no dia 23 de agosto, no Teatro Opus (Shopping Villa-Lobos), em São Paulo, estendeu temporada até o dia 20 de outubro. O musical, que homenageia o gênio da comédia Roberto Gómez Bolaños e todo o seu legado, segue divertindo e emocionando diferentes gerações até hoje.

Esta é a primeira grande produção dessa natureza endossada e licenciada pelo Grupo Chespirito, e pelo SBT. A montagem promete surpreender os fãs do seriado – e o público em geral – com roteiro inédito da diretora musical Fernanda Maia e direção geral de Zé Henrique de Paula, ambos conhecidos por musicais como Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812 e Urinal – o musical. A coreografia original é de Gabriel Malo. No repertório, o musical foi recheado de canções clássicas da série e composições inéditas.

O gênio da comédia Roberto Gómez Bolaños conquistou crianças e adultos do mundo inteiro com seu humor simples e carismático, criando personagens que serviram de inspiração para diferentes gerações de atores, comediantes e escritores. Para isso, teve como referência (e homenageou) nomes clássicos da comédia. É possível encontrar registros do artista mexicano compondo esquetes que fazem alusão a humoristas como Charles Chaplin, Jerry Lewis e à dupla Oliver Hardy e Stan Laurel (O Gordo e o Magro).

Foi assim que surgiu a ideia de se criar um roteiro inédito que não apenas trouxesse de volta aquela atmosfera lúdica, inocente e saudosista da vila da série, mas que também desse pitadas da vida de Bolaños e de sua trajetória como um grande mestre das artes cênicas e do clown.

Mesmo não se tratando de um “episódio do Chaves transposto para os palcos”, e sim de uma homenagem com uma história inédita, o musical irá reproduzir fielmente o cenário mais conhecido da carreira de Bolaños – a Vila do Chaves -, com curadoria do Grupo Chespirito e SBT, para envolver o público ainda mais na memória afetiva do mundo do seriado. Além de Chaves, muitos outros personagens icônicos estarão no palco do Teatro Opus e o público irá se deliciar com as presepadas de Seu Madruga, Quico, Chiquinha, Sr. Barriga, entre outros. Os espectadores também podem esperar boas surpresas durante as apresentações.

Uma série de itens raros do universo Chaves no Brasil
Para ambientar o público ainda mais antes do início do espetáculo, uma exposição sobre Chespirito foi criada com o objetivo de oferecer um panorama da vida e da obra de R o b e r t o G ó m e z Bolaños através de imagens, fotografias e objetos do acervo pessoal do criador do personagem cômico mais icônico do México – e da América Latina também. Inspirada nas cores da Vila e do figurino do Chaves, a exposição ocupará o foyer do Teatro Opus e permanecerá aberta ao público durante toda a temporada de Chaves – Um Tributo Musical.

Sobre a série
Há mais de 45 anos em exibição no México, Chaves é um case de sucesso mundial, com transmissões na Itália, França, Coréia do Sul, Colômbia, Chile, Venezuela, Argentina, Peru, Panamá, Porto Rico e Estados Unidos. No Brasil, os episódios completarão 35 anos no ar em agosto; e são, atualmente, exibidos nos canais SBT e Multishow.

Roberto Gómez Fernández, a pessoa à frente do Grupo Chespirito
Dar vida a uma grandiosa obra e adaptá-la para os palcos não é tarefa fácil. Principalmente, se essa obra for o legado deixado por Roberto Gómez Bolaños, na forma do personagem Chaves e toda a sua turma. São figuras que vivem no coração de milhões de pessoas de toda a América Latina há mais de três décadas e que, por isso, merecem muita atenção e carinho.

Roberto Gómez Fernández é o responsável por manter essa chama acesa para todos nós. Filho de Bolaños e líder do Grupo Chespirito, empresa detentora dos diretos de Chaves, Fernández mantém os olhos abertos para todos os licenciamentos envolvendo a série, inclusive o nosso querido ‘Chaves – Um Tributo Musical’. Para ele, Chaves é o personagem mais querido da América Latina e tem um papel emblemático na trajetória do pai, pois entende que o amor que o público sente pelo menino da ficção representa também o amor que o público tem pelo pai e toda a sua obra.

Fernández comenta que se sentiu muito honrado e orgulhoso quando ficou sabendo da ideia do musical aqui no Brasil, e que segue se surpreendendo com o impacto que a obra de Chespirito (apelido carinhoso de Bolaños) ainda tem em todo o mundo. Ele diz que (o musical) “é uma enorme responsabilidade para se preservar o legado do meu pai”, e que está “emocionado por saber que (o musical) está em mãos profissionais e talentosas, e com um conceito único e original”.

A paixão do brasileiro pela vila e todos seus personagens é notória e Fernández diz que se sente feliz por poder ser testemunha de todas essas manifestações de carinho. Ele revela que era uma vontade de Bolaños criar um espetáculo direcionado para o nosso país. “Meu pai começou a preparar um show ao vivo para o Brasil e até a estudar português. Porém, por questões políticas, não conseguiu levar o projeto adiante”. Ele arremata dizendo que ‘Chaves – Um Tributo Musical’ é “um sonho que se tornou realidade”.

Por isso, Roberto Gómez Fernández deseja que nosso espetáculo seja um grande sucesso. E nós desejamos que você se divirta e que se emocione com as trapalhadas que preparamos com muito carinho, profissionalismo e dedicação.

FACE (2)

Chaves – um Tributo Musical

Com Mateus Ribeiro, Carol Costa, Diego Velloso, Andrezza Massei, Patrick Amstalden, Maria Clara Manesco, Fabiano Augusto, André Pottes, Ettore Verissimo, Milton Filho, Larissa Landim, Nay Fernandes, Dante Paccola, Davi Novaes, Lucas Drummond, Marcelo Vasquez, Thiago Carreira

Teatro Opus – Shopping Villa Lobos (Av. das Nações Unidas, 4777 – Alto de Pinheiros, São Paulo)

Duração 120 minutos

23/08 até 20/10

Sexta – 21h, Sábado – 16h e 20h, Domingo – 15h e 19h

$75/$140

Classificação Livre

UM DIA NA BROADWAY

Tributo aos famosos musicais americanos, o musical Um Dia na Broadway – que conta com números aéreos, levitação, efeitos especiais e um palco giratório para dar movimento às cenas – reestreia no dia 4 de outubro, sexta-feira, no Teatro Bradesco. Na curta temporada com apresentações sextas e sábados, às 21 horas, e domingos, às 19 horas, a montagem recria com tecnologia a atmosfera do bairro nova-iorquino.

Em estilo grandioso, a abertura com 20 bailarinos ao som da orquestra ao vivo (em português) é um convite para se deixar envolver pelo universo dos musicais e o encantamento da Big Apple. São 32 pessoas em cena, entre atores, cantores,  bailarinos, músicos e técnicos. O espetáculo tem direção-geral do italiano radicado no Brasil Billy Bond. Ele assina a dramaturgia com Andrew Mettine e a direção musical e arranjos com Villa. A direção de cena ficou a cargo de Marcio Yacoff, e a coreografia foi criada por Italo RodriguesAndréa Oliveira responde pela produção. O musical Um Dia na Broadway é uma produção viabilizada em parceria com a Opus, empresa do ramo de entretenimento que mantém nove casas de espetáculos no Brasil.

Esta é a terceira temporada do musical na cidade, desde a estreia em outubro de 2017. Nas atualizações da montagem, o encenador optou por introduzir dois personagens na trama. Agora sem filhos, o casal Mário (Alvinho de Padua) e Rita (Titzi Oliveira) viaja a Nova York acompanhado de seus pais viúvos. Em meio às inúmeras atrações oferecidas pela cidade, os quatro decidem conhecer os musicais em cartaz na Broadway. Assistem, então, a trechos de clássicos como Priscilla (ao som de It’s Raining Men), Evita (Don’t Cry for me Argentina), Grease (Summer Night), Mamma Mia (Dancing Queen), Cats (Memories), Chicago (All That Jazz),  Les Miserables (One Day More) e Mary Poppins (Supercalifragilistic), além de HairO Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera. A ideia básica foi juntar os dez grandes musicais, com réplicas de figurinos e cenários das suas cenas mais famosas, prestando uma homenagem a Cohan, que inventou esse tipo de espetáculo. Nossa produção agrada quem conhece e ama Nova York e aqueles que nunca estiveram por lá”, fala o diretor Billy Bond.

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Um Dia Na Broadway

Com Alvinho de Pádua, Titzi Oliveira, Ana Saguia, Marcio Yacoff, Paula Canterini, Felipe Tavolaro, Luiz Pacini, Marcio Louzada, Luiza Lapa, Debora Dibi,  Marília Nunes Cortês, Yasmine Mahfuz, Queren Simplicio, Mayla Bety, Amanda Flowers, Fernanda Perfeito, Ingrid Marques, Carla Reis, Luana Oliveira, Marcia Freire, Luiza Freiria, Paula Perillo, Achila Felix, Alessandra Lorena, Jennyfer Kauanna, Luciana Romani, Nicole Bertaggia, Denis Pereira, Emanuel Faioli, Ítalo Rodrigues, Will Santana, JP Estevam, Mike Fidelis

Teatro Bradesco – Bourbon Shopping (Rua Palestra Itália, 500 – Perdizes, São Paulo)

Duração 120 minutos

04 a 13/10

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$120/$200

Classificação Livre

ESPECIAL KOFFI KWAHULÉ

Uma dramaturgia baseada na oralidade, textos dramáticos escritos em versos a serviço de um ritmo inspirado pelo jazz, poucas referências aos locais em que ocorrem as ações e personagens alegóricos são algumas das marcas de Koffi Kwahulé, autor franco-marfinense que terá duas peças encenadas no Brasil em outubro, no Sesc BelenzinhoJaz (4 a 20/10), monólogo traduzido e interpretado por Sofia Boito com direção de Joana Dória; e Big Shoot (25/10 a 10/11), dirigido e traduzido por Janaína Suaudeau e interpretado por Daniel Costa e Daniel Infantini. São as primeiras montagens brasileiras desse dramaturgo.

Sofia Boito e Janaína Suaudeau estudaram na França em diferentes períodos. Fascinadas pela potência da obra de Koffi, traduziram duas de suas peças por iniciativa própria, sem nenhum projeto em vista. No final de 2017, por intermédio de uma amiga em comum, descobriram do envolvimento de ambas com o autor. “Foi uma grande coincidência termos traduzido as peças no mesmo período“, conta Sofia, ressaltando que as duas obras são muito diferentes entre si, mas trazem sínteses importantes sobre a produção dramática de Koffi.

Para Janaína, as montagens dão a oportunidade para que o público tenha um panorama amplo da linguagem e dos temas mais caros para o autor, como a desigualdade social, violência, pobreza e o frequente questionamento sobre as estruturas sociais de poder. “Quando nos encontramos, entendemos nossa oportunidade de fazer algo maior, mais expressivo e que pudesse apresentar a obra do Koffi num mesmo projeto“, complementa Janaína.

As artistas contam que as duas peças compartilham de um clima de suspense, com uma ação que vai se revelando aos poucos, não entregando de uma vez ao público os temas ou o perfil das personagens levantadas em cena. Outra característica das obras é que nenhuma delas especifica local ou data concreta da ação. Esse atributo marcante de Koffi reforça o caráter alegórico e por vezes surrealistas do seu estilo.

SOBRE JAZ

4 a 20 de outubro de 2019

Em estrutura poética e com um forte apelo ao ritmo jazzístico do seu discurso, uma mulher conta que Jaz acaba de ser estuprada. A peça discute a violência em um modelo de sociedade que historicamente subjuga a mulher; não por acaso Jaz apelida o estuprador como “inquisidor” e “homem com o olhar de cristo”. As referências são, respectivamente, os tempos de perseguição às mulheres – conhecidos como o de ‘caça às bruxas’ – e o fundamentalismo religioso que enclausura a mulher em modelos morais. O nome Jaz dá vazão a interpretações múltiplas, como o gênero musical do jazz, fundamental na obra de Koffi, a planta jasmim e o verbo ‘jazer’, usado com frequência para falar sobre um desejo de descanso para quem morre.

A narrativa não é linear e o público vai captando aos poucos os detalhes sobre a situação contada por essa mulher“, diz Sofia. Além da atriz, está em cena um videomaker (Flavio Barollo) e uma cantora (Ligiana Costa). O videomaker acompanha a mulher o tempo inteiro, propondo com sua câmera um comportamento masculino que aprisiona, possui e recorta os ângulos que deseja obter; já a cantora cria camadas sonoras com sons que se alternam entre cantos, ruídos, respirações e outros recursos que movimentam a cena. O cenário faz alusão a um canteiro de obras. “É um lugar precário que representa tanto o lugar onde Jaz mora como o banheiro público em que ela é estuprada“, conta Sofia. A artista complementa que ela e a diretora Joana Dória optaram por ambientar a cena em um espaço não realista que também tem uma dimensão simbólica, o espaço do trauma.

Jaz assume traços surrealistas, com um texto em espiral vai oferecendo pistas sobre o que está ocorrendo aos poucos“, ressalta Sofia, destacando que essas características exigiram que, após cada etapa da tradução, a artista promovesse leituras dramáticas para entender se havia coesão entre o texto escrito e o texto falado, com os sentidos e ritmos propostos pelo original de Koffi.

SOBRE BIG SHOOT

25 de outubro a 10 de novembro de 2019

Big Shoot traz no próprio título a pluralidade de leituras que a peça propõe: a palavra shoot em inglês pode significar tiro, uma carreira de cocaína, um prazer intenso e fugaz, um ensaio fotográfico ou sexo rápido, entre outros significados. Para não comprometer esse leque de possibilidade, Janaína Suaudeau manteve o título original da obra, que é escrita em francês, mas foi nomeada em inglês por Koffi. “Nesta peça, como em outras de sua autoria, as personagens não têm um plano de fundo, nome ou história que os anteceda, o que gera um efeito de suspense no público“, conta Janaína, que além da tradução, também assina direção da obra.

Nesta peça, o público cumpre o papel de uma plateia que está prestes a assistir, voluntariamente, um show de torturas promovido por um homem autodenominado Senhor (Daniel Costa) a uma vítima que ele dá o nome de Stan (Daniel Infantini). Passagens bíblicas sobre os irmãos Caim e Abel são citadas durante a peça – no livro de Gênesis é descrito que, enciumado de seu irmão, Caim matou Abel, cometendo o primeiro homicídio da humanidade. “Essa discussão surge para pensarmos sobre até onde chega a inveja, a ganância, o amor mal resolvido e outras questões humanas que fazem alguém se tornar capaz de um ato tão perverso como matar o seu próximo“, conta Janaína.

Outra referência presente em Big Shoot é o livro O Carrasco, que tem trecho destacado na contracapa da edição francesa da peça. A obra é de autoria do escritor sueco Pär Lagerkvist, ganhador do Prêmio Nobel, e ressalta como a figura de um carrasco precisa ser reforçada pelo apoio social para poder existir.

A premissa violenta é amparada por um ambiente que se assemelha a um show de horrores, a um coliseu, como os que os antigos romanos se reuniam para assistir soldados se digladiarem com as feras – para isso, o cenário representa uma arena quadrada em que há duas cadeiras metálicas, utilizadas nas salas de interrogatórios dos EUA para que o réu não tenha como quebrá-las e usar alguma de suas partes como arma. Sofia Boito assina a luz da peça, que acompanha o ambiente de um show de garagem proposto por uma banda que executa ao vivo um som propositalmente poluído com efeitos sonoros caseiros.  A escolha reforça o perigo da espetacularização da violência, já que a sessão se mostra a cada momento uma espécie de espetáculo grotesco que a plateia deseja assistir. “Uma reflexão indigesta que a peça propõe é de que o carrasco só existe devido à presença de um público que aplaude matanças“, diz Janaína.

FACE

Especial Koffi Kwahulé

SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho – São Paulo)

Jaz

Com Sofia Boito

Duração 60 minutos

04 a 20/10

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo e Feriado – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 18 anos

Big Shoot

Com Daniel Costa e Daniel Infantini

Duração 90 minutos

25/10 até 10/11

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo e Feriado – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 18 anos