O OVO DE OURO (Opinião)

A peça “O Ovo de Ouro” (Sesc Santo Amaro) retrata um episódio  da nossa história – as memórias de um trabalhador do “Sonderkommando” nos campos de concentração, durante o Nazismo, na Segunda Guerra Mundial.

Sonderkommando é a denominação dada a um grupo especial de pessoas – de origem judia – que atuava em campos de concentração. Tinha a função de executar os trabalhos mais árduos e críticos, que os soldados alemães não fariam, como enterrar os corpos dos prisioneiros mortos e a limpeza das câmaras de gás. Por realizar estes serviços, seus integrantes eram separados dos outros presos e tinham alguns privilégios. Só que não duravam muito tempo nesta função, pois após algum tempo de serviço, eram exterminados e substituídos por novos presos.

“Surge da minha necessidade de não deixar morrer esse pedaço tão importante da História que é a Segunda Guerra Mundial, o nazismo e o Holocausto. A ideia de escrever a peça surgiu em 2014, quando eu fui apresentado ao universo do Sonderkommando por meio de um pequeno artigo em uma revista. Essa figura do judeu que tem que auxiliar com o extermínio do próprio povo mexeu muito comigo e minha noção de humanidade, e me incentivou a tentar entender por que eles faziam isso, por que eles não se recusavam. Com este espetáculo temos a oportunidade de falar sobre Segunda Guerra sob o ponto de vista dessa figura pouco conhecida”, explica o autor e ator Luccas Papp.

Aqueles que não podem lembrar o passado
 estão condenados a repeti-lo”
 (George Santayana)

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“O Ovo de Ouro”

O judeu Dasco Nagy (Sergio Mamberti) é entrevistado por uma jornalista (Rita Batata) sobre o período em que viveu no campo de concentração de Auschwitz. Como fantasmas que rondam o presente, suas memórias dos horrores vividos voltam à tona. Memórias estas que não apresentam uma ordem cronológica, nem se sabe se são verdadeiras ou frutos de sua imaginação.

São relembradas histórias da relação do protagonista quando jovem (Luccas Papp) com seu melhor amigo Sándor (Leonardo Miggiorin), com a prisioneira Judit (Rita Batata) e com o comandante alemão Weber (Ando Camargo).

"… É fácil esquecer para quem tem memória; 
difícil esquecer para quem tem coração”…
Gabriel Garcia Marques

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O assistir o espetáculo

Fui preparado para assistir a peça. Afinal, sabemos o que aconteceu durante o período histórico retratado. Sentado no teatro, ao chegar próximo do início do espetáculo, parecia que as paredes iam se fechando, como se quisessem me sufocar.

A direção de Ricardo Grasson comanda de uma maneira precisa o desenrolar da narrativa. O cenário de Kleber Montanheiro é constituído de placas gigantescas – seriam fornos, lápides, portais? – que se abrem e se movimentam, permitindo que os fantasmas das lembranças de Dasco adentrassem na história. Tem o desenho de luz de Wagner Freire – ou a sua inexistência – que vai mostrando, ou escondendo, o que está sendo contado.

Durante vários momentos, fechei os olhos para não ver o que acontecia (não há imagens explícitas na peça), como uma forma de fuga. Mas era pior. Ouvindo os diálogos, o barulho dos trens que traziam os presos para os campos de concentração, os gritos de dor (design de som de I. P. Daniel), imagens vívidas se formavam na minha mente.

Até que ao final – com várias lágrimas no rosto – junto com a plateia, levantei-me para aplaudir merecidamente o trabalho dos cinco atores Sérgio Mamberti, Leonardo Miggiorin, Rita Batata, Ando Camargo e Luccas Papp. Uma atuação controlada, mínima, sem arroubos gestuais. Há momentos na peça em que tudo que é necessário é apenas a voz dos personagens/atores.

Se quiser saber mais sobre o tema, há os filmes “Cinzas da Guerra” (“The Grey Zone”, 2001) e “O Filho de Saul” (“Saul fia”, 2015), além dos livros “Os Afogados e os Sobreviventes: Os Delitos, os Castigos, as Penas, as Impunidades” (Primo Levi, 1990), “Depois de Auschwitz – o Emocionante Relato de uma jovem que Sobreviveu ao Holocausto” (Eva Schloss, 2013) e “Sonderkommando: No inferno das câmaras de gás” (Shlomo Venezia, 2014),

Amanhã fico triste, amanhã. 
Hoje não. 
Hoje fico alegre. E todos os dias, por mais amargos que sejam, 
Eu digo: Amanhã fico triste, hoje não. 
Para Hoje e todos os outros dias!
(Poema encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças 
no campo de concentração de Auschwitz)

 

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O Ovo de Ouro

Com Sérgio Mamberti, Leonardo Miggiorin, Rita Batata, Ando Camargo e Luccas Papp.

SESC Santo Amaro (Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

21/11 até 15/12

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

ALÉM DO AR (OPINIÃO)

A fundação Lia Maria Aguiar estreou o seu mais novo musical original “Além do Ar”, no dia 22 de novembro, onde homenageia o pai da aviação, Alberto Santos Dumont.

Para contar a história, a ação se passa dentro da cabeça do inventor – que tem o formato de um hangar (uma de suas invenções). Nela, Dumont, com seus quase 60 anos, repassa sua vida em conversas com seus outros ‘eu’: criança, pré-adolescente e jovem adulto.

Em estado de depressão por causa dos acontecimentos – utilização do seu invento como máquina de guerra, morte de amigos no acidente com o aeroplano que levava o seu nome – Santos Dumont precisa aprender a ressignificar a sua vida, com a ajuda dos seus ‘antigos eu’ – descoberta, experimentação e realização. Infelizmente, não foi possível e o inventor tirou sua vida no dia 23 de julho de 1932, aos 59 anos.

A mensagem principal da história deste imortal herói nacional é a sua persistência. Desde criança, apoiado pelo pai e irmã, Virgínia, Santos Dumont leu os livros do escritor francês Jules Verne, que fizeram com que sua curiosidade ultrapassasse barreiras. Questionador, buscava respostas para tudo. Não parava mediante os obstáculos. Parafraseando a canção “reconhecia a queda e não desanimava. Levantava, sacodia a poeira e dava a volta por cima”.

Foi assim que aos 20 anos mudou-se para Paris (França) e aprendeu todo o necessário para construir os balões e os dirigíveis até chegar à invenção do avião. Os erros foram munição para que ele procurasse as respostas e atingisse seu objetivo afinal.

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crédito Caio Gallucci

(aqui faço uma digressão sobre a própria Fundação Lia Maria Aguiar)

Criada há onze anos, com objetivo de fornecer pilares fundamentais – educação, cultura, meio ambiente e inclusão social – para crianças e jovens de baixa renda de Campos do Jordão e adjacências, a fim de que se desenvolvam e tornem-se cidadãos capazes de mudar suas próprias vidas, além das suas famílias e sociedade.

A Fundação oferece ensino extracurricular em três núcleos culturais: Dança, Música e Teatro. A única contrapartida é que os alunos tenham boas notas e sejam aprovados de ano no colégio.

No núcleo de Teatro, cerca de 200 alunos têm aula diária de atuação, dança, canto, sapateado, atividades circenses, para prepará-los para saírem prontos para o mercado de trabalho. No final de cada ano, há a apresentação de um espetáculo musical.

Artistas profissionais e reconhecidos do mercado são convidados para participarem destas montagens. Com isso, compartilham com os alunos suas experiências de palco. Já passaram por estas montagens, atores como Claudia Ohana, Juan Alba, Leonardo Miggiorin, Marcos Tumura, Kiara Sasso, Totia Meirelles.

A escolha dos musicais que serão apresentados também tem um fundo educacional. Seus temas refletem a realidade da vida dos estudantes da fundação. “A Princesinha” é um musical considerado da primeira fase, que retrata a vida de crianças, que precisam trabalhar para se sustentarem, mas que não perderam seus sonhos. “Uma Luz Cor de Luar” foi escolhida para falar sobre o crescimento e a descoberta do amor. Agora com “Além do Ar”, a mensagem passada é a de não desistir, mas sim persistir.

Observa-se esta mudança também no perfil dos próprios estudantes – de crianças tímidas e fechadas tornaram-se crianças capazes, extrovertidas, donas de si. Percebe-se o brilho nos olhos e na felicidade de cada uma delas, pois sabem que tem capacidade para mudarem seus destinos.

(fechando a digressão)

O musical encerra sua temporada neste domingo, 1 de dezembro. Mas não adianta ir até a cidade para assistir o espetáculo pois todos os ingressos estão esgotados. Há a possibilidade de vir para São Paulo? É o que esperamos, pois, um musical como este precisa ser visto por um público muito maior.

O texto de Fernanda Maia, com colaboração de Thiago Gimenes e Viviane Santos, consegue dar conta de em apenas noventa minutos, contar toda a riqueza da vida de Santos Dumont – ter seu pai como ideal, a paixão pelos livros de Jules Verne, a curiosidade, a vida em Paris, o apoio da irmã, a criação dos balões e dirigíveis, as quedas, o 14 Bis levado ao palco – emocionante, a depressão e sua morte.

As canções originais de Thiago Gimenes passeiam pelos vários ritmos musicais da época e do local onde passa a história. Gostosa de se ouvir, dá vontade de ser escutada várias vezes – até mesmo fora do teatro, para não ter a atenção ‘dispersa’ pelas cenas que passam no palco, e ‘ouvir melhor’ a mensagem que passa.

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Dona Lia Maria Aguiar e o quarteto que vive Santos Dumont | Crédito: Rodrigo Scarpa / Agência Brazil News

Temos que ressaltar o trabalho dos quatro atores que representam as várias fases do Santos Dumont: Cássio Scapin volta ao papel que interpretou pela primeira vez há quinze anos numa minissérie, André Torquato, e os dois alunos da fundação, Raí Palma e Francisco Arruda. Cada um transmitindo as características do seu ‘personagem’, e que somados formam o homenageado.

Outros que precisamos ressaltar são Pedro Arrais, Dante Paccola e David Vinicius, que dão vida aos mecânicos ‘palhaços’ de Santos Dumont’: Chapan, Dozo e Gasteau. Momentos de leveza e risos para toda a plateia.

Um destaque especial para Felipe Carvalhido que interpreta o papel do pai do homenageado. Seu personagem transmite a força e o amor paternal para que o jovem Santos Dumont alcance seus objetivos.

Para que este lindo e sensível trabalho fosse levado ao palco, precisa de uma equipe criativa competente: a direção (compartilhada com Thiago Gimenes) e a coreografia de Keila Fuke, a assistência de direção de Viviane Santos, a produção de Leonardo Faé, os figurinos de Fábio Namatame, os cenários de Chris e Nilton Aizner, as pipas e protótipos dos balões e dirigíveis de Ken Yamazato, além do desenho de som de Tocko Michelazzo, a iluminação de Rodrigo Alves e o visagismo  de Claudinei Hidalgo.

Nosso reconhecimento final para todos os professores, pais e familiares destes jovens atores que os apoiaram nesta caminhada de transformação.

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Além do Ar – Um musical inspirado em Santos Dumont

Com Cássio Scapin, André Torquato, Mira Haar, Felipe Carvalhido, Pedro Arrais, Dante Paccola, Thiago Claro França, Giselle Tigre, Francisco Arruda, Raí Palma e mais 41 crianças e jovens da Fundação Lia Maria Aguiar – núcleo de Teatro Musical

Auditório Claudio Santoro (Av. Dr. Luis Arrobas Martins, Campos do Jordão – SP)

Duração não informada

22/11 até 01/12

Sábado e Domingo – 20h

$10 (Vendas: flma.org.br/evento/alem_do_ar ou na Sede da Fundação Lia Maria Aguiar -Av. Dr. Victor Godinho, 455 Campos do Jordão – SP)

Classificação Livre

60 CRAVOS VERMELHOS

A bailarina e coreógrafa mineira Beth Bastos dirige trabalho a performance-observatório 60 Cravos Vermelhosque traz  a pergunta O que vemos quando olhamos dança?, no dia 30 de novembro, sábado, às 16 horas, no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e no dia 14 de dezembro , às 17 horas, na sala de exposição do Mac (Museu de Arte Contemporânea). Com figurino de Tereza Monteiro, cenografia de André Canadá e iluminação de Hernandes Oliveira, sessenta participantes, com cravos vermelhos nas mãos e usando vestidos e camisas de linho em cores neutras, apresentam partituras de  movimento e pausa. Tudo acontece ao cair da tarde no momento de transformação entre o dia e a noite.

Beth Bastos e os bailarinos do Núcleo Pausa propõem ao público a experiência da  composição e do movimento com o foco no corpo e no espaço, ativando a percepção dos sentidos e da imaginação. “As performances-observatório oferecem ao espectador a possibilidade de escolher como e de que lugar se quer olhar, ver e assistir“, comenta Bastos.

O trabalho de improvisação e de composição em dança se alimenta das filosofias de corpo da bailarina americana Lisa Nelson (bailarina, performer, editora de revista em Nova York) e de Klauss Vianna (bailarino brasileiro, criador de um método de dança). Beth Bastos investe na desaceleração do espectador e do artista.

A coreógrafa explica que “a proposta das performances-observatório é sintonizar a percepção e o instante para criar composições espontâneas e singulares, usando os sentidos do corpo como ferramentas de sobrevivência e de produção de imagens. O que pode uma pausa provocar? O que se imagina a partir de um corpo que pausa? Como essa imagem efêmera afeta o espaço“?

Nas palavras de Beth Bastos, “essa pesquisa, em processo, tem como foco as abordagens sobre o corpo e o espaço e usa a desaceleração do movimento para desdobrar os temas da atenção, da pausa, da quietude e da necessidade política de resistir e abrir espaço para outros olhares e seus significados. Propõe uma operação de ralentamento que permite observar a dimensão paradoxal do tempo ao fixar um instante que contém muitos possíveis e desencadear mudanças na ordem do sentido. Em um momento em que a aceleração é um valor em si, as performances-observatório oferecem uma possibilidade de percepção da pausa como um gesto alcançável para produzir outras paisagens”.

As apresentações encerram o projeto O que vemos quando olhamos dança? –  contemplado pela 25ª Edição do Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura -, que já realizou diversas performances pela cidade em arquiteturas distintas, um ateliê de quatro meses na Oficina Oswald de Andrade com 32 solos de dança, palestras e o filme O que te move, sobre os solos. Concebido pela bailarina Beth Bastos e seu núcleo de pesquisa, o projeto investiga a questão do olhar, a imaginação e a relação da dança com a arquitetura, a fotografia e as artes plásticas.

Beth Bastos

Bailarina, performer, improvisadora e professora de dança. Sua experiência passa pela formação em filosofias do corpo em Klauss Vianna (Brasil) e Lisa Nelson (USA). Em sua pesquisa questiona o trânsito entre a contemporaneidade e a desaceleração, no tempo e no espaço, a composição de imagens, e a percepção dos sentidos e os sentidos da imaginação.

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60 Cravos Vermelhos

Com Izabel Costa, Daniela Pinheiro, Fernanda Windholz, Emilio Salvietti Cordeiro, Maíra Rocha Machado, Maira Mesquita, Ísis Marks

Duração 60 minutos

Grátis

Vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) – 30/11 – sábado – 16h

sala de exposição do Mac (Museu de Arte Contemporânea) – 14/12 – sábado – 17h

 

POKAS

Em seu terceiro show solo, Pokas, Thiago Ventura faz piadas e conta histórias engraçadas sobre os seus últimos anos como comediante de stand up. Fala de liberdade de expressão, livre arbítrio, sexualidade, drogas, dogmas e da vida pessoal, sempre com seu inconfundível estilo da quebrada.

Thiago Ventura

Administrador de empresas e ex-bancário, Thiago Ventura se dedica à comédia stand up desde 2010. Desde maio de 2016 está em cartaz em São Paulo no Teatro Shopping Frei Caneca “Isso é tudo que eu tenho e Só Agradece (shows que geraram dois dvds homônimos) ” e agora com novo show “Pokas”.

Ventura é fenômeno de público e crítica por onde passa, já participou dos maiores festivais de comédia do Brasil. Faz parte do elenco dos grupos: 4 Amigos, Comédia ao Vivo e a Culpa é do Cabral, em 2017 e 2018 fez turnê internacional no Japão, Estados Unidos e Europa (Lisboa, Dublin, Galway, Amsterdã, Bruxelas, Londres e Paris). Seus vídeos geram mais de 20.000 compartilhamentos e mais de 2.000.000 de views em pouco mais de 3 dias, muitos vídeos contam com mais de 50.000.000 de views.

 

Pokas

Com Thiago Ventura

Teatro Humboldt (Av. Engenheiro Alberto Kuhlmann, 525 – Jardim Ipanema, São Paulo)

Duração 80 minutos

29 e 30/11

Sexta e Sábado – 20h

$70

Classificação 12 anos

O DESPERTAR DA PRIMAVERA

Nos dias 2, 3 e 4 de dezembro – de segunda a quarta, às 21h – a Escola de Atores Wolf Maya apresenta o espetáculo O Despertar da Primavera, um estudo sobre a obra de Frank Wedekind com direção de Dan Rosseto. As sessões acontecem no Teatro Nair Bello, tendo no elenco os alunos da Turma M5A da escola.

Com fortes críticas à sociedade alemã do fim do século XIX, que culturalmente reprimia a sexualidade, a obra é uma dramatização viva de fantasias eróticas, além de tocar em assuntos como morte, aborto, abuso e religião. Pela ousadia da abordagem, a peça foi censurada à época.

Escrita entre o outono de 1890 e a primavera de 1891, O Despertar da Primavera teve sua primeira montagem autorizada somente em novembro de 1906, em Berlim, com direção de Max Reinhardt. Em 1917, a obra atravessou o continente e estreou na cidade de Nova Iorque – primeira encenação em inglês -, onde também sofreu censura. Em 2006 a versão musical estreou na Broadway, arrebatando prêmios (foram oito Tony Awards, incluindo melhor musical) e atraindo os jovens para o teatro. No Brasil, diversas montagens do texto ganharam os palcos pelas mãos de importantes diretores, revelando novos talentos para as artes cênicas.

Nesta versão inédita, o dramaturgo Dan Rosseto traz ao público uma história que atravessa o tempo, situando os conflitos dos adolescentes em 1890, nos anos 60 e nos dias atuais. Sem uma linha narrativa cronológica, o espectador acompanha os dramas vividos pelos jovens em cada época, embalados por músicas e acontecimentos marcantes. “As personagens vivem, em cada período, os conflitos escritos por Wedekind com seus desdobramentos sociais, morais, sexuais, éticos e religiosos”, comenta o diretor Dan Rosseto, que completa: “Será espantoso e surpreendente acompanhar Moritz, Melchiors, Wendlas, Marthas, Ilses, em diferentes períodos, e perceber que o ser humano continua em busca de algo que está longe de encontrar”.

Frank Wedekind (Hanover, 1864 – Munique, 1918) foi ator, dramaturgo e romancista. É um dos precursores do movimento expressionista. O Despertar da Primavera (1891) é sua peça mais conhecida. Sua obra antecipou o teatro épico de Bertolt Brecht e já apontava para o que veio a se chamar teatro do absurdo. Brecht cita Wedekind como uma de suas grandes influências, tendo escrito um ensaio sobre ele na ocasião de sua morte, além de o considerar um dos grandes educadores da Europa moderna como Tolstoi e Strindberg.

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O Despertar da Primavera 

Com Alejandro Chiaradia, Andressa Ghezzi, Andressa Sifuente, Beatriz Matos, Fabiano Issas, Gabriel Scudeler, Gabriela Abrão, Guilherme Conceição, João Pedro Ruiz, Lara Handler, Larissa Bruna, Letícia Monezi, Lívia Guimarães, Luis Felipe Gimenes, Marília Troiano, Nathalia Marzola, Patrick Oliveira, Pedro Gottardi, Sara Rodrigues, Tayane Araújo, Thaís Rovesta e Vicky Souza.

Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca (R. Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo)

Duração 90 minutos

02 a 04/12

Segunda, Terça e Quarta – 21h

$20

Classificação 12 anos

GUARDIÕES – UM CONTO DE CORDEL

Coletivo ROOF – Apresenta: Guardiões – Um Conto de Cordel

“Conto de fadas no sertão vai ter! Guardiões – Um Conto de Cordel, traz de forma divertida a saga de Nina, uma menina curiosa que precisa salvar as crianças das lendas Folclóricas que libertou de um baú em um instante de descuido. Agora deve enfrentar seus medos e trazer de volta ao baú. Cumprindo assim sua missão de garantir e devolver a paz e harmonia, entre o mundo real e o imaginário”.

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Guardiões – um Conto de Cordel

Com Bruno Eustáquio, Carla Varjão, Heloise Fernandes, Milton Aguiar, Priscila Gabriele, Renata Toledo

Complexo Cultural Funarte (Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 70 minutos

07 a 15/12

Sábado e Domingo – 16h

$40

Classificação Livre

NAS ÁGUAS DO IMAGINAR

No dia 15 de dezembro, domingo, a Companhia de Danças de Diadema estreia o espetáculo infantil “Nas Águas do Imaginar”, de Ton Carbones e elenco, no Sesc Osasco, às 16 horas. Com direção geral de Ana Bottosso, a montagem apresenta uma viagem lúdica pela imaginação.

O enredo traz uma criança que, ao se deitar para dormir, é surpreendida por seres fantásticos que surgem em seu quarto, instigando sua imaginação. Ávida pela diversão, a criança veste-se de coragem e muita criatividade para embarcar em uma viagem ao mundo do imaginar.

Segundo Ton Carbones, criar um espetáculo de dança para o público infantil é sempre um grande desafio. “Como transpor história, aventura e diversão por meio de uma linguagem, por vezes tão abstrata como a dança?”, reflete o bailarino e coreógrafo. Assumindo esse desafio, os bailarinos da Companhia de Danças de Diadema embarcaram numa pesquisa que envolve brincadeiras, gestos, histórias, jogos teatrais, música e dança. Voltaram à infância, viajaram pelo mundo de imaginação e trouxeram experiências lúdicas para o espetáculo.

O cenário em branco vai ganhando cores e vida, à medida que se desenrola a divertida viagem com seus surpreendentes e incríveis personagens. Almofadas transformam-se em estrelas e voam. A cama se desdobra em vários objetos: carrinho de mão, bancos, coral no fundo do mar e skates. O lençol ganha vida e traz a noite, vira mar, barco e qualquer outro lugar. O Figurino têm cores vibrantes e combinações divertidas como se as personagens tivessem saído de um desenho animado, explorando as possibilidades de imaginação dos pequenos.

Nas Águas do Imaginar desafia o espectador a desbravar, junto com essa criança, um mundo repleto de surpresas e fantasias, numa lúdica brincadeira que reflete sobre a busca do que está do lado de fora ou desbravar o universo interior. E a passagem para essa aventura custa apenas o uso da imaginação.

 A história

Para dar início à aventura, uma trupe de artistas se aproxima da plateia cantando e fazendo brincadeiras com as crianças, abrindo alas para a história de Nas Águas do Imaginar. Uma criança ajeita-se para dormir. As roupas que estão jogadas pelo quarto vão ganhando vida, dançando e organizando-se. Como se estivesse sonhando, ela sai da cama e os objetos do quarto se transformam, dando início à aventura.

Aparecem Piratas divertidos e atrapalhados. Uma Polvo surge ao lado de criaturas Siamesas agitadas. . Um Caçador e uma Sapa planejam roubar a imaginação da personagem, tendo ajuda de seres misteriosos, deslizantes e muito suspeitos. A aventura passa também pelo fundo do mar, onde um navio é comandado pela capitã Polvo e seus Piratas.

Em meio a brinquedos que ganham vida, transformações mágicas, amigos imaginários e brincadeiras com personagens que emitem sons curiosos, o caçador coloca em prática o plano de roubar a imaginação da criança. Para tanto, ele sequestra sua amiguinha Polvo, mas ele só não contava com a intromissão das Siamesas, que mostram para a criança que a imaginação não pode ser roubada. No fim da aventura, as personagens fantásticas levam a criança de volta para o sono, mas será que ela será a mesma ao acordar?

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Nas Águas do Imaginar

Com Carlos Veloso, Carolini Piovani, Daniele Santos, Danielle Rodrigues, Elton de Souza, Guilherme Nunes, Júlia Brandão, Leonardo Carvajal, Thaís Lima, Ton Carbones e Zezinho Alves

SESC Osasco (Av. Sport Clube Corinthians Paulista, 1300 – Jardim das Flores. Osasco)

Duração  60 minutos

15/12

Domingo – 16h

$20

Classificação Livre