NOVOS BAIANOS

No turbulento final dos anos 60, os Novos Baianos iniciaram uma trajetória que modificaria para sempre a história da música brasileira. A original mistura proposta por Baby Consuelo, Galvão, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes impulsionou uma revolução rítmica e comportamental, marcada por liberdade, poesia e coletividade.

Esta saga tão brasileira quanto improvável é a inspiração para ‘Novos Baianos’, um musical inédito, criado por Lúcio Mauro Filho (texto) e Otavio Muller (direção) a partir das muitas histórias e composições do lendário grupo. Herdeiros legítimos deste legado, Davi Moraes e Pedro Baby assinam a direção musical. O espetáculo estreia no dia 8 de novembro no Sesc Vila Mariana (Teatro Antunes Filho). A produção é da Dueto e o espetáculo conta com a colaboração artística de Monique Gardenberg.

Após concorridas audições, 12 artistas foram selecionados, entre atores, músicos e compositores. Em cena, Barbara Ferr, Beiço, Clara Buarque, Felipe El, Filipe Pascual, Gustavo Pereira, João Moreira, João Vitor Nascimento, Julia Mestre, Mariana Jascalevich, Miguel Freitas e Ravel Andrade cantam, tocam todos os instrumentos e dão vida aos integrantes da banda e outros personagens fundamentais para a história, como João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.

O repertório do grupo emoldura as histórias, com sucessos atemporais como ‘Mistério do Planeta’, ‘Preta Pretinha’, ‘Brasil Pandeiro’, ‘A Menina Dança’, ‘Tinindo Trincando’, ‘Brasileirinho’ e ‘Dê um Rolê’.

Se o Tropicalismo abriu corações e mentes da juventude do Brasil, os Novos Baianos beberam na fonte e foram além: inventaram o rock brasileiro, aquele que mistura guitarra com pandeiro e apresenta ao Tio Sam o tamborim’, reflete Lúcio Mauro Filho. ‘Tudo que veio deles foi original e brasileiro. Não existe nada mais teatral que uma gente que sai pelo mundo, fazendo música de porta em porta. Eles coloriram o mundo por onde passaram’, completa Otavio Muller.

Amigos de longa data e parceiros em muitos projetos profissionais, Lúcio e Otavio estão envolvidos com o musical há mais de cinco anos. Desde então, todo o processo está seguindo a cartilha proposta pelos homenageados, ao apostar em um exercício de criação baseado na coletividade. Ao longo dos ensaios, o texto foi sendo modificado com a colaboração do elenco e da equipe.

Na mesma linha, a direção de arte (cenografia e figurinos) foi desenvolvida por um coletivo, o premiado Opavivará!, que desenvolve ações em que propõe inversões dos modos de ocupação do espaço urbano, através de dispositivos que proporcionam experiências coletivas. Desde sua criação, em 2005, o grupo vem participando ativamente no panorama das artes contemporâneas e já teve seus trabalhos exibidos ao redor do mundo. Recentemente, participaram de mostras em Liverpool, Paris, Lisboa, Barcelona, Viena, Montreal, Nova York e Frankfurt.

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‘Vou mostrando como sou / E vou sendo como posso’

O texto parte do encontro entre Moraes Moreira e Galvão, que se tornam amigos na pensão de Dona Maritó, local onde moravam na Salvador dos anos 60. Da vivência como músicos da noite, eles encontram Paulinho Boca de Cantor e começam a colecionar uma legião de adoradores, que insistem para que eles montem uma banda. É quando se juntam a Os Minos, uma banda pronta com Jorginho, Baixinho, Dadi e a virtuosa guitarra de Pepeu Gomes, discípulo de Jimmy Hendrix. É Pepeu quem traz a namorada, Baby Consuelo, para o grupo.

Desde os primeiros shows, o espírito coletivo e descontraído dá as cartas. Eles tocam de praça em praça, de casa em casa e dividem comida, dinheiro e experiências. Após sair da Bahia e se apresentar em alguns festivais, a banda faz do Rio de Janeiro a sua morada, divide um mesmo apartamento e, pouco tempo depois, aluga um sítio em Jacarepaguá, Zona Norte da cidade, onde é criado aquele que é considerado um dos maiores álbuns da música brasileira de todos os tempos, ‘Acabou Chorare’ (1972).

O título do disco simboliza o desejo de colocar fim na tristeza que imperava nos Anos de Chumbo. ‘Em meio à Ditadura, eles foram subversivos através do verso e pela mistura do rock americano com as melodias que moldaram a música popular brasileira, como o samba, o choro, a guitarra portuguesa e o batuque africano’, analisa Lúcio Mauro Filho, que ressalta a importância de falar novamente sobre isso no atual momento.

Para ele, poder cantar e contar Novos Baianos em um mundo polarizado e inflamado de ódio é resgatar um discurso afetuoso e solidário. ‘Eles viveram uma utopia, tomavam decisões em conjunto e dividiam os ganhos. Além de tudo, criaram suas famílias e tiveram filhos juntos’, conta o autor, que teve alguns encontros com os homenageados, em inesquecíveis entrevistas e conversas.

Após encerrar as atividades em 1979, os Novos Baianos fizeram turnês comemorativas e se reencontraram em 1997 e, recentemente, com a gravação de um disco ao vivo em 2015. Referência indispensável para toda a geração que viria depois, o cancioneiro do grupo foi regravado por grandes artistas da música brasileira, mantendo ainda mais acesa a chama daqueles dias de paz e amor.

Os Novos Baianos poderiam ser uma versão brasileira do ‘Hair’. A diferença talvez esteja no que tem de vida vivida nisso aí, pois os personagens da história são reais e continuam produzindo e encantando plateias por aí, há 50 anos’, resume Otavio Muller.

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Novos Baianos, o Musical

Com Barbara Ferr, Beiço, Clara Buarque, Felipe El, Filipe Pascual, Gustavo Pereira, João Moreira, João Vitor Nascimento, Julia Mestre, Mariana Jascalevich, Miguel Freitas e Ravel Andrade

Teatro Antunes Filho – SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo)

Duração

08/11 até 15/12

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$50 ($15 credencial plena)

Classificação 16 anos

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