PRINCESA FALALINDA, SEM PAPAS NA LÍNGUA

A próxima atração da Sala B do Teatro Alfa, carinhosamente chamada de Alfinha por abrigar espetáculos dedicados ao público infantil, é Princesa Falalinda, Sem Papas na Língua, do grupo O Trem Companhia de Teatro. Com direção de Cynthia Falabella, texto e dramaturgia de Lívia Gaudencio, o espetáculo fica em cartaz de 26 de outubro a 1º de dezembro, aos sábados e domingos às 16 horas e narra a história de uma princesa nada convencional, que fala o que pensa e acaba sofrendo as consequências.

Recomendada para crianças a partir de 5 anos, a peça tem 55 minutos de duração e traz no elenco os atores Bia Brumatti, Daniel Faria, Fafá Rennó, Érica Montanheiro, Giovanna Leão, José Sampaio e Livia Gaudêncio. Direção de movimento e assistente de direção de Ana Paula Lopez, visagismo de Lira Ribas e iluminação de Laura Salerno. Além dos atores em cena, a peça conta com trilha sonora original de autoria de Chuck Hipolitho e Thiago Guerra, no ritmo rock ‘n’ roll. A montagem tem figurinos com toques do período Elisabetano e uma cenografia em pop-up, criação de Kléber Montanheiro.

Princesa Falalinda, Sem Papas na Língua narra a história de uma Princesa que recebeu da Bruxa a maldição de não ter papas na língua. Na infância, Falalinda é vista como uma menina curiosa, inteligente e divertida. Porém, à medida que cresce, Falalinda não é tão bem-vinda com a sua honestidade e começa a ter problemas com o Rei, que afirma que o povo não quer uma Princesa que tem sempre algo a dizer, uma opinião a dar. Então, o Rei resolve fazer o que os reis fazem de melhor: conseguir maridos para as filhas! Assim, Falalinda se casa com um Príncipe que é especialista em colocar papas nas línguas das pessoas. Misturando humor e poesia, a peça reflete sobre o silenciamento feminino através de uma inversão dos arquétipos dos contos de fadas.

Com o passar do tempo, o Príncipe utiliza o som: “Shhh!” para todas as manifestações de fala da princesa. Até que ele a prende no alto de uma torre e Falalinda vai, aos poucos, perdendo a fala, até terminar completamente calada.  Mesmo com o arrependimento do Rei, a situação parece estar perdida. É quando a Bruxa, indignada por terem desfeito a sua maldição, acabou salvando Falalinda da prisão do silenciamento. No final, descobrimos que a Bruxa era na verdade a Rainha, a mãe de Falalinda.  A pedido do povo, Falalinda recebe a missão de governar os dois reinos e se torna a rainha mais honesta e amada das histórias.

Sobre o texto

Ao trazermos uma princesa não convencional, uma protagonista mulher que questiona e transgride as normas (aludindo a mitos como Eva e Pandora), estamos provocando uma reflexão sobre o silenciamento feminino visto como virtude, mas que é a manifestação da posição inferiorizada da mulher na hierarquia social“, analisa a autora e atriz Lívia Gaudêncio. “O fato de a princesa ser presa pelo Príncipe no alto da torre e acabar sendo salva pela Bruxa traz uma subversão dos arquétipos, visando a desconstrução do antagonismo feminino e do homem como única possibilidade de salvação. É importante salientar que, com este novo olhar, não se pretende estabelecer um paradigma reverso, e sim oferecer novas possibilidades narrativas que suscitem a reflexão, mesmo em espectadores tão jovens.

Encenação

A direção de Cynthia Falabella para Princesa Falalinda, Sem Papas na Língua propõe ser coerente com os elementos encontrados no texto de Lívia Gaudencio, como a convivência entre delicadeza e ironia; a alternância entre uma linguagem poética e as expressões idiomáticas coloquiais; a relevância das situações que trazem crítica e reflexão de forma lúdica. A Princesa Falalinda criança é representada por uma atriz mirim na primeira fase da história, a fim de causar uma identificação imediata com o público infantil. A trilha sonora foi feita exclusivamente para a peça, dialogando com a estética visual que remete aos tempos da realeza clássica, fazendo um contraponto com as escolhas de figurino e visagismo de Falalinda que, notoriamente, é uma princesa à frente do seu tempo. Sendo assim, conforme a proposta do grupo, “o espetáculo Princesa Falalinda, Sem Papas na Língua busca proporcionar uma experiência teatral de extrema qualidade para crianças e jovens, trazendo reflexão sem didatismo ou discursos prontos. Ao contrário, há uma busca por formar um público crítico e, portanto, uma sociedade mais consciente de seus valores em um futuro próximo“.

FACE

Princesa Falalinda, Sem Papas na Língua

Com Bia Brumatti, Daniel Faria, Érica Montanheiro, Fafá Rennó, Giovanna Leão, José Sampaio e Livia Gaudencio

Teatro Alfa – Sala B (R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo)

Duração 60 minutos

26/10 até 01/12

Sábado e Domingo – 16h

$30

Classificação 5 anos

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