O OVO DE OURO

A função do Sonderkommando ou comandos especiais, unidades de trabalho formadas por prisioneiros selecionados para trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, inspira O Ovo de Ouro, com texto de Luccas Papp e direção de Ricardo Grasson. A peça estreia no dia 21 de novembro, no Sesc Santo Amaro, onde segue em cartaz até 15 de dezembro.

Obrigados a tomar as atitudes mais atrozes para acelerar a máquina da morte nazista, esses prisioneiros conduziam outros judeus à câmara de gás, queimavam os corpos e ocultavam as provas do Holocausto. Quem se recusava a desempenhar esse papel era morto, quem não conseguia mais desempenhar a função, era exterminado com os demais.

Ovo de Ouro surge da minha necessidade de não deixar morrer esse pedaço tão importante da História que é a Segunda Guerra Mundial, o nazismo e o Holocausto. A ideia de escrever a peça surgiu em 2014, quando eu fui apresentado ao universo do Sonderkommando por meio de um pequeno artigo em uma revista. Essa figura do judeu que tem que auxiliar com o extermínio do próprio povo mexeu muito comigo e minha noção de humanidade, e me incentivou a tentar entender por que eles faziam isso, por que eles não se recusavam. Com este espetáculo temos a oportunidade de falar sobre Segunda Guerra sob o ponto de vista dessa figura pouco conhecida”, explica Luccas Papp.

Contada em diferentes episódios e tempos, a trama revela a vida de Dasco Nagy (Sérgio Mamberti), que foi Sonderkommando e sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Em cena, dois planos são apresentados – a realidade e a alucinação – para retratar a relação do protagonista Dasco Nagy quando jovem (Luccas Papp) com seu melhor amigo Sándor (Leonardo Miggiorin), com a prisioneira Judit (Rita Batata) e com o comandante alemão Weber (Ando Camargo). No presente, Dasco é entrevistado, já em idade avançada, por uma jornalista, narrando os acontecimentos mais horrorosos que viveu no campo de concentração e descrevendo a partir do seu ponto de vista os horrores e tristezas da Segunda Guerra Mundial.

O papel de Dasco é dividido pelos atores Sérgio Mamberti, que dá vida ao personagem no tempo presente/alucinação, e Luccas Papp, que o interpreta no passado/realidade, no plano da memória. “Talvez este seja um dos personagens mais desafiadores na minha carreira por uma série de fatores. Um deles é por representar o mesmo personagem que Sérgio Mamberti, o que é uma honra e uma responsabilidade muito grande. Segundo, é que ele é um sonderkommando vivendo situações de caráter tão absurdo. Eu preciso fazer com que o público acredite na realidade do que acontecia nos campos de concentração. Tenho que trabalhar com elementos obscuros no meu interior para trazer veracidade para essas situações. E como a peça é feita em ordem não cronológica – são nove cenas divididas entre passado e futuro – tenho que organizar minha cabeça para conseguir colocar a emoção certa na hora certa”, esclarece o ator e dramaturgo.

A dualidade interna entre ser obrigado a auxiliar na aniquilação de seu próprio povo e o medo da morte transforma o Sonderkommando em um complexo personagem a ser debatido. Nesse contexto são muitas as questões discutidas, desde o significado real de humanidade, o medo da morte, os limites da mente e da alma humana e a perda da própria identidade.

A dramaturgia foi inspirada em uma pesquisa sobre obras que discutiam os temas do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Entre elas, destacam-se os livros Sonderkomamando: No Inferno das Câmaras de Gás, de Shlomo Venezia, e Depois de Auschwitz, de Eva Schloss; e o filme O Filho de Saul, de László Nemes, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2016.

A encenação

A encenação tem como inspiração e referência, a sétima arte, em todos os seus desdobramentos, nuances e dezenas de relatos deixados pelos sobreviventes dos campos de extermínio. “Apontamos no tempo presente, o encontro entre a jornalista e o sobrevivente, de forma fantasmagórica, alucinógena, imprimindo uma atmosfera vibratória, de vida pulsante às cenas e aos personagens. Quando nos transportamos, ilusoriamente, ao campo de concentração, ao passado concreto, vivido pelos personagens apontamos uma atmosfera fria, enclausurada, suspensa e sem vida, que nos conduz imageticamente àquelas sensações de crueldade. Luz, som, cenografia e figurino conversam com essa estética e nos conduzem à proposta de encenação. A ideia é fazer com que as sensações criadas por estes elementos no espaço cênico atinjam o espectador de maneira intensa. Como encenador, entendo que a cenografia, o figurino, a iluminação, a trilha sonora não são panos de fundo ou cama para um espetáculo, juntos eles atuam concretamente fusos ao texto, formando assim uma narrativa dramatúrgica única”, revela o diretor Ricardo Grasson.

Para que não se repita

Em tempos de pouco diálogo, imposição de ideias e ideologias, censura e extremismos é fundamental debatermos esses temas tão duros e atrozes para que os erros que provocaram tanto sofrimento no passado não se repitam. É necessário e quase que um dever recordarmos as atrocidades do holocausto nazista, para que a história vivida no final dos anos trinta e início dos quarenta, não volte a nos assombrar. Para que as novas gerações, não testemunhas deste período da história, saibam o que aconteceu e onde a intolerância pode nos conduzir. Auschwitz e outras tristes lembranças do holocausto, podem até escapar da memória, mas jamais deixarão os corações de quem viveu a tragédia, especialmente de quem se atribui a responsabilidade de manter viva, por gerações, as imagens da perversidade humana. Uma das formas de evitar a repetição de tais tragédias coletivas é recordá-la, para que não ressurjam no horizonte, sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos comportamentais e ideologias sectárias, formando o caldo cultural do qual o nazismo se alimentou e  cresceu”, completa Ricardo Grasson.

… É fácil esquecer para quem tem memória; difícil esquecer para quem tem coração”…

Gabriel Garcia Marques

FACE

O Ovo de Ouro

Com Sérgio Mamberti, Leonardo Miggiorin, Rita Batata, Ando Camargo e Luccas Papp.

SESC Santo Amaro (Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

21/11 até 15/12

Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

AUDIÊNCIA

Pouco encenado no Brasil, o poeta, dramaturgo, ativista e ex-presidente tcheco Václav Havel (1936-2011) foi um dos líderes da Revolução de Veludo, movimento pacífico responsável pelo fim do regime autoritário comunista na antiga Tchecoslováquia. Para marcar os 30 anos desse levante político e criar uma reflexão sobre o valor da democracia, o Coletivo Cardume estreia o espetáculo “Audiência”, com direção de Juliana Valente e tradução de Luis Felipe Labaki, na SP Escola de Teatro – Sala Hilda Hilst, no dia 29 de novembro. A temporada segue até 16 de dezembro, com ingressos por até R$30.
 
Crítico ao autoritarismo, Havel foi impedido de ter suas peças encenadas durante a época que ficou conhecida no país como “Normalização” (1968-1989), período de recrudescimento do regime comunista que deu fim ao processo de liberalização ocorrido na Primavera de Praga (1968). Em 1974, com dificuldades financeiras, o dramaturgo foi obrigado a trabalhar por alguns meses em uma cervejaria na cidade de Trutnov.
 
Essa experiência serviu-lhe de inspiração para escrever a peça “Audiência” (1975), que narra a visita do ex-dramaturgo Vaněk (na montagem do Coletivo Cardume, interpretado por Marô Zamaro), uma espécie de duplo do autor, ao escritório de seu chefe, o Mestre Cervejeiro (Pedro Massuela). Entornando várias garrafas de cerveja, o patrão pergunta ao subordinado sobre sua vida anterior à função maçante de rolar os barris da cervejaria e sobre as atrizes e personalidades com quem convivia no teatro.
 
Na conversa, o Mestre Cervejeiro se lembra dos próprios velhos tempos, extravasa sobre suas desilusões e propõe a Vaněk um novo trabalho em troca de um favor. O poeta e dramaturgo dissidente deveria ajudar a escrever os relatórios solicitados pelo serviço secreto sobre suas atividades “subversivas”.
 
A peça nos apresenta um embate entre duas visões de mundo. Vaněk e o Mestre cervejeiro possuem experiências de vida e perspectivas muito diversas entre si. E esse atrito é o primeiro aspecto que nos chama a atenção. Eu poderia dizer que esse aspecto estrutural da peça dialoga profundamente com a séria polarização política que vivemos no Brasil”, conta a diretora Juliana Valente.
 
Ambos impactados pelo regime totalitário, o “operário” e o “intelectual” desenvolvem reflexões profundas acerca da vida em uma época de censura acentuada e das diferenças de classe em um ambiente supostamente igualitário. “Outro aspecto trazido pelo texto é o questionamento sobre o lugar do artista e do intelectual na sociedade. Essa é uma discussão que atualmente tem ganhado espaço por conta do processo de desvalorização do artista e do conhecimento intelectual de maneira geral que estamos vivendo”, acrescenta a encenadora.
 
O espetáculo tem a proposta de defender a democracia e a liberdade de pensamento e expressão, ameaçadas diante do turbulento cenário político mundial atual, além de discutir como o totalitarismo é prejudicial em qualquer regime.
 
A peça tem trilha sonora executada ao vivo por Francisco Turbiani e Luis Felipe Labaki e cenário também assinado por Juliana Valente. A plateia é disposta frente a frente, com elementos cênicos dispostos em um corredor. “Uma das minhas primeiras preocupações em relação à direção foi a criação do ambiente de uma cervejaria. Isso aparece nos elementos de cenário e adereços, mas também se relaciona com a escolha de evidenciar os músicos em cena, caracterizados como funcionários dessa fábrica”, afirma a diretora.
 
Trilogia Vaněk
 
Além de “Audiência” (1975), Havel escreveu na década de 1970 outras duas peças com o mesmo protagonista, o dramaturgo Ferdinand Vaněk: “Vernissage” (1975) e “Protesto” (1978). O personagem – e até a figura de Havel – também foi apropriado por outros dramaturgos tchecos, como Pavel Kohout e Jirí Dienstbier.
 
Os três trabalhos circularam amplamente na Tchecoslováquia na forma de “samizdat” (a divulgação clandestina de publicações censuradas pelos regimes totalitários no Leste Europeu) e reforçam a reputação do autor como um dos principais dissidentes políticos do país. Depois da estreia de “Audiência”, o Coletivo Cardume pretende montar as duas outras peças dessa sequência.
FACE (3)
Audiência
Com Marô Zamaro e Pedro Massuela
SP Escola de Teatro – Sala Hilda Hilst (Praça Rooosevelt, 210, República, São Paulo)
Duração 75 minutos
29/11 até 16/12
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h
$30 ($10 – aprendizes da SP Escola de Teatro)
 
Classificação 12 anos

CASOS E CANÇÕES

Eva Wilma, uma das maiores atrizes brasileiras em atividade, mostra agora mais uma faceta artística. Protagonista do espetáculo Casos e Canções, ela canta sua vida e memórias ao lado do filho, o compositor, violonista e cantor John Herbert Jr., do pianista e cantor William Paiva e do diretor cênico Eduardo Figueiredo.

Em Casos e Canções, Eva convida o público a embarcar numa viagem lúdica e musical por algumas dascanções e imagens que se eternizaram e marcaram sua memória e a do país nos últimos 65 anos. “Isso eu trago da primeira infância. As horas mais felizes de intimidade com meu pai e minha mãe, é quando eles se revezavam ao piano e nós cantávamos”, lembra ela.

Dessa época, comparecem no repertório “Felicidade”, de Lupicínio Rodrigues e “O Trenzinho do Caipira”, de Ferreira Gullar e Heitor Villa Lobos. Da adolescência, quando foi aluna de Inezita Barroso, uma homenagem à mestra, com “Uirapuru” e “Azulão”. O amigo Baden Powell também ganha reverência, com “Bom Dia Amigo”, parceria dele com Vinícius de Moraes, e “Violão Vagabundo”, tema da personagem da gêmea Raquel, que Eva interpretou em “Mulheres de Areia”, novela exibida pela TV Tupi em 1973.

Das lembranças da trama de Ivani Ribeiro, vêm também as instrumentais “First Love” e “Last Love”, tocadas por William e John e produzidas à época por Arnaldo Saccomani com a Orquestra Phonoband, e uma homenagem a Adoniram Barbosa, que atuou na novela como o pescador Chico Belo, com a versão do trio para “Tiro ao Álvaro” e “Saudosa Maloca”.

O clássico “Sorri” versão de Braguinha para “Smile”, de Charlie Chaplin, enriquece a narrativa, além de outras referências a canções da Bossa Nova, MPB, Tropicália, Beatles… que William e John sugerem como fundo musical e costura às histórias contadas por Eva.

FACE (2)

Casos e Canções

Com Eva Wilma

Duração não informada

Classificação Livre

SESC Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)

29 e 30/11

Sexta e Sábado – 21h

$40 ($12 – credencial plena)

SESC Jundiaí (Av. Antônio Frederico Ozanan, 6600 – Jardim Botânico, Jundiaí – SP)

01/12

Domingo – 18h

$30

PASSARINHO

Primeiro trabalho como dramaturga da atriz Ana Kutner, Passarinho retorna para duas apresentações na Escrevedeira nos próximos dias 21 e 22 de novembro, quinta e sexta, às 20h30. Com direção de Clara Kutner, a peça vem agora em um novo formato, com Ana propondo um diálogo maior com o público e o espaço, dando ares de performance ao seu solo que estreou em 2017. A peça tem um tom autobiográfico e  fala sobre as experiências afetivas, memórias, dores e descobertas de Ana.
Em cena, Ana, que é também iluminadora, opera a própria a luz, além do som, e promove um encontro franco, direto e amoroso com o público, para quem oferece seus relatos num tom que, apesar de confessional, não deixa entrever os limites entre realidade e ficção e se vale de sua experiência particular para falar do que é universal e reconhecível por qualquer um de nós.
A peça foi transformada em livro, que saiu pela editora Cobogó no ano passado. Quem desejar, poderá comprar seu exemplar nos dias da apresentação também.
Passarinho e a Escrevedeira
Essa é a segunda vez que Passarinho se apresenta na Escrevedeira. A montagem revisita esse ninho recentemente  criado em parceria com o espaço e, juntos, se lançam em mais uma experimentação. “Um ninho de encontros se fez entre nós porque, quando comecei a fazer o Passarinho, ficou muito claro para mim e para a diretora Clara Kutner que o espetáculo precisava transitar em espaços múltiplos, deslocar, para além das salas de teatro, experimentar outras interlocuções, performar em novos espaços, causando a provocação estética que buscamos: os atravessamentos”, explica Ana Kutner.
Em jogo o desafio, a surpresa e o risco, para ambas as partes – público e atriz. Nesta proposta o espetáculo adota um formato de performance, já que a estética será criada a partir do que o espaço nos oferece em seu ambiente, em todos os aspectos. Artista e platéia são convocadas a reconstruir juntas a cena, através dos estímulos encontrados neste ambiente.
Esta voz seria: eu estou aqui, você está aqui, nós estamos aqui nos olhando, falando, nos ouvindo e nos dando permissão de sermos o que somos. Cada ninho se constrói com o que se tem, sem nunca deixar de ser ninho. Convido a todos a ocuparem os lugares em que pousarmos“, conta Ana.
A peça defende o direito e a liberdade de sermos quem somos, sem julgamentos ou rótulos. E neste sentido ela é política e universal. Ela só é radical na não radicalidade. Falo, sim, de meu pai e minha mãe (Paulo José e Dina Sfat), na medida em que eles são também minha história e minha memória, mas falo de muitos outros afetos e de como eles me atravessaram pela vida.” completa Ana.
Além de Passarinho, que Ana deseja fazer pousar em outros ninhos, a atriz também está bem envolvida com o cinema e séries para TV. Recentemente, esteve envolvida em Psi (HBO), Colônia (Canal Brasil), Terrores Urbanos (Sentimental Filmes e Reccord), Boca a Boca (Netflix) e As Aparecidas (filme de Ivan Feijó).
FACE (1)
Passarinho
Com Ana Kutner
Escrevedeira (R. Isabel de Castela, 141 – Vila Madalena, São Paulo)
Duração 60 minutos

21 e 22/11

Quinta e Sexta – 20h30

$40

Classificação 16 anos

VAMOS?

A comédia conta com um par de homens e outro de mulheres às voltas com um grande jogo de conquista e seus entreveros do amor. O jogo instaurado pelo dramaturgo paulistano subverte essa ordem e transforma tudo aquilo que poderia soar como drama em uma boa comédia. 

Dirigida por Marcio Rosario, a nova montagem traz os atores Aretha Oliveira, Jean Visconti , Mitt Yamada, e Mony Gester, revezando-se em apenas dois papéis: uma dupla de casal de amigos onde um tenta convencer o outro a trair a relação. 

Vamos?” recebeu o prêmio de 2o lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia 99, Prêmio Carlos Carvalho (RS), e acontece em uma noite, num cenário único, onde, depois de alguns copos de uísque, dois amigos conversam dos assuntos mais banais aos mais reveladores de uma maneira admirável: sem meias palavras. Um deles quer, a qualquer custo, levar o outro pra cama em celebração aos três anos de amizade, mas a grande questão é que os dois são casados com outras pessoas. Nesse mote, os argumentos para a noite esperada vão de teorias de santidade do número três à capacidade de recuperação na hora H, além de uma discussão reflexiva envolvendo sexo, traições, aventuras e, claro, amizade. 

Vamos?” é uma comédia atual com a capacidade de abordar, de forma dinâmica e divertida, todos os lados possíveis de um relacionamento, desde seu início até a “maré baixa”, onde os anos de convívio e sentimentos percorrem do extremo calor ao frio glacial. Há anos a dramaturgia fala sobre relacionamentos, mas Vamos? não só expõe o amor, como debate a realidade em torno dele, o conceito de fidelidade, desilusão, confiança e intimidade, seja entre amigos ou amantes. 

FACE

VAMOS? 

Com Aretha Oliveira, Jean Visconti, Mitt Yamada e Mony Gester

Teatro Jardim Sul – Shopping Jardim Sul (R. Itacaiúna, 61 – Vila Andrade, São Paulo)

Duração 70 minutos

02/11 a 14/12

Sábado – 21h

$70

Classificação 14 anos