NELSON RODRIGUES, POR ELE MESMO

Na última edição de 2019 do projeto ‘Teatro no Municipal’, a atriz Fernanda Montenegro apresenta uma leitura dramática sobre o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, baseada no livro de Sônia Rodrigues, filha do escritor.

A apresentação acontece no próximo dia 18, às 20h, e os ingressos custam R$ 5. As vendas ocorrerão no mesmo dia do espetáculo a partir das 12h apenas na bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo. A limitação é de 2 ingressos por CPF.

A fala de Nelson Rodrigues sempre chamou a atenção de Fernanda Montenegro, que organizou e costurou as leituras dramáticas baseadas na obra Nelson Rodrigues por Ele Mesmo, que une o máximo do que ele quis dizer sobre sua vida e sua obra. Respeitando, inclusive, a posição dele de que o memorialismo é um tipo de falsificação e que a ficção é autobiográfica.

Nelson Rodrigues é hoje considerado o grande autor trágico do Brasil. Para muitos é o único grande autor dramático do Brasil, mas ele é, sobretudo, o descobridor de uma linguagem cênica, de uma linguagem essencialmente liberta de compromissos literários.

Nelson Rodrigues considerava a época em que viveu trágica e épica. Nas crônicas que escreveu nos anos 60, Nelson carregou o século passado para fora do tempo; transformou o cotidiano óbvio em momentos transcendentais. Com sua obra, suas controvérsias e a própria biografia, Nelson Rodrigues inscreveu-se como um dos polemistas mais bem-humorados do país, o hiperbólico cronista do futebol, torcedor do Fluminense e nosso maior dramaturgo.

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Nelson Rodrigues, Por Ele Mesmo

Com Fernanda Montenegro

Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos De Azevedo, s/n – República, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/11

Segunda – 20h

$5 (venda no dia do espetáculo a partir das 12h somente na bilheteria do Theatro limitada a 2 ingressos por CPF)

Classificação 14 anos

‘Odara – Tradição e Costumes de Um Povo’ ultrapassa a barreira do produto cultural pronto para ser apreciado. Trata-se de um manifesto, uma homenagem misturada a um grito de afirmação e orgulho da cultura de matriz africana. As duas temporadas de sucesso de público mostram bem esse caráter e preparam o solo para mais uma sessão especial do espetáculo, agora no Dia da Consciência Negra (20), às 19h em grande celebração que será acompanhada de ato contra a intolerância religiosa.

A peça, que se baseia na criação do mundo segundo a diáspora e uma visão yorubá, mostra força desde sua temática até o fato de 65 artistas subirem ao palco durante a apresentação, sendo cada um deles representantes reais de manifestações da cultura de matriz africana em linguagens que vão desde música até a literatura.  Desta forma, uma atmosfera musical viva – feita por parte do elenco – adornada por hipnotizantes jogos de luzes, é retratada, paralelamente, à realidade atual das populações negras e uma viagem por suas crenças e costumes ancestrais. O comando do espetáculo fica por conta do diretor artístico do G.R.E.S. Nenê de Vila Matilde, Marcio Telles, que, nesta apresentação especial, prestará homenagens, em cena, às Casas de Matriz Afro, que prestigiaram a produção artística em suas duas temporadas.

Feitas as homenagens, o palco se transformará em grande ato contra a intolerância religiosa, com cânticos e performances simultaneamente. Neste momento, que guarda surpresas, uma aura ainda mais potente que a proposta cenográfica tomará o local.

Outro destaque dessa sessão especial é a presença da atração-mirim Stella Valentina do Amaral Garcia, uma grata surpresa que saiu da plateia para o palco de forma totalmente espontânea numa das apresentações da 2ª temporada da peça, e que agora faz parte do time de artistas que enriquecem a performance. A garotinha de 7 anos, que leva ainda mais alegria à peça, já demonstrava interesse nas artes, sobretudo em dança, mas não se encaixou no modelo de aulas de ballet. “Odara”, portanto, surgiu em sua vida de forma orgânica e a partir da sensibilidade do diretor Marcio Telles, que formalizou o convite à pequena dançarina junto a família de Estela. A estrela infantil já tem perfil no instagram – @stellavalentina.a – onde é possível acompanhar as suas recentes ‘aventuras’.

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SINOPSE

“Odara – Tradição, Cultura e Costumes de um Povo” traz a narrativa da criação do mundo segundo referências da mitologia yorubá.  Olorun, o Senhor Supremo do Universo, resolveu acabar com o ócio reinante no Orun e decidiu criar um mundo habitado por seres semelhantes a Ele. Para tanto, convocou todos os orixás e, sob o comando de Obatalá, ordenou que partissem para criar o Ayê, a terra.

A peça segue com o surgimento de novos povos, desde a vida livre do negro na África, passando pelo tráfico de escravos até o período contemporâneo, mostrando que, além do sofrimento, houve resistência que manteve vivos os costumes, a tradição e a cultura, apresentando, ao longo de 120 minutos, uma dramaturgia enriquecida com manifestações populares como dança afro brasileira, dança dos orixás, capoeira, samba-reggae, puxada de rede e samba de roda, ilustrando um patrimônio cultural inestimável e preservado.

Nesse sentido, “Odara” propõe um novo grito, uma nova revolução, uma retomada dos territórios e das ruas, uma chamada de alegria e afeto, aguerridos, contra qualquer tipo de escravidão, violência e intolerância.

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Odara – Tradição, Cultura e Costumes de um Povo (sessão especial Dia da Consciência Negra)

Com Lena Silva, Mare Black, Vera Afrikana, Vera Luz, Jurema Pessanha, Raquel Tobias e Rafaela Romam. Elenco Dança:Alex Rodrigues, Alexandra Souza, Alexandre Índio, Brandon Diciri, Bruno Souza, Carlos Vitor, Cristina Matamba, Cibele Souza, Debora Zum, Ellen Vieira, Gabi Santos, Gislaine Roshelly, Jaque Barbosa, Nani Salles, Priscilla Alves, Teka Peteca e Ysmael Ribeiro. Elenco Capoeira: Chocolate, Debora Oliveira, Kleber da Silva, Magnata, Mestre Tijolo, Milton Quilombola, Biribinha, Surikatte e Webert Rodrigues

Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520 – Bixiga, São Paulo)

Duração 120 minutos

20/11

Quarta – 19h

$50 ($5 – estudantes secundaristas de escola pública, imigrantes, refugiados, moradores de movimentos sociais de luta por moradia mediante a comprovante – limitados a 10% da lotação diária)

Classificação 12 anos

 

A IMPORTÂNCIA DA ARTE EM UMA SOCIEDADE

No dia 19 de novembro, terça, o filósofo Yuri Ulbricht participa do bate-papo “A Importância da Arte em Uma Sociedade”, ao lado da atriz Irene Ravache e de Andréa Bassitt, autora da peça Alma Despejada, dirigida por Elias Andreato.

O evento acontece na Escola de Atores Wolf Maya (no Teatro Nair Bello), às 19 horas, com entrada franca.

Yuri Ulbricht, que é graduado e doutorando em Filosofia pela USP, vai falar sobre a importância da cultura em uma sociedade, destacando o valor da arte como forma de expressão, identificação e retrato de um povo.

Esta iniciativa é da produção do espetáculo Alma Despejada em parceria com o Ministério da Cidadania e a Porto Seguro.

Alma Despejada – que está em cartaz no Teatro Porto Seguro até o dia 28 de novembro – conta a história de Teresa, uma mulher de mais de 70 anos que, depois de morta, faz sua última visita à casa onde morava porque a casa foi vendida e sua alma foi despejada. Teresa é uma professora de classe média, apaixonada por palavras, que construiu sua vida familiar ao lado de um marido trabalhador e bem-sucedido. A teatralidade do texto de Andrea Bassitt instiga o espectador a seguir uma história aparentemente trivial, mas que tem uma trajetória surpreendente, em sintonia com a nossa sociedade e os fatos atuais, valorizando o humor e a poesia.

Flyer -bate-papo Alma Despejada

Alma Despejada

Com Irene Ravache

Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 80 minutos

até 28/11

Quarta e Quinta – 21h

$30/$70

Classificação 14 anos

 

Bate-papo: A Importância da Arte em Uma Sociedade

Com: Irene Ravache, Andréa Bassit e Yuri Ulbricht

Teatro Nair Bello (

Duração 90 minutos

19/11

Terça – 19h

Grátis

Classificação não informada

CADAFALSO

Oficina Cultural Oswald de Andrade, equipamento da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, recebe a exposição [IN]VISÍVEIS – Polacas, memória e resistência, das artistas Eva Castiel, Fanny Feigenson e Fulvia Molina e curadoria de Márcio Seligmann-Silva. A realização da instalação inédita, mesa-redonda com especialistas, performances, além de visitas guiadas pelo bairro do Bom Retiro, recupera a história de mulheres judias, trazidas para a América do Sul em um esquema de exploração sexual e tráfico de pessoas. No espaço expositivo da Oficina, elementos físicos remetem às ideias de sepultamento, ausência e esquecimento dessa trajetória. Os visitantes também têm acesso a áudios e textos inéditos que resgatam as memórias dessas mulheres.
Capa - Cadafalso

Na tarde de sábado, dia 23/11, 16h, o espaço da exposição receberá Roberto Elisabetsky, autor do romance Cadafalso, lançado no último dia 24/10 pela Editora Terceiro Nome, que tem entre suas protagonistas duas judias polonesas ortodoxas vítimas dessa rede de tráfico de mulheres na década de 1930. O tempo histórico retratado pelo autor passa por períodos como a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder pelas armas, a Revolução Constitucionalista e a tentativa do levante comunista no Brasil, planejada pela União Soviética. Nesse entremeio, figuras públicas como Olga Benario, Luís Carlos Prestes e até o jazzista Louis Armstrong passam pela obra.

No livro, mulheres trazidas ao Brasil pela organização criminosa Zvi Migdal, sob coação e falsas promessas, têm ainda que lidar com a violenta repressão do governo getulista a cargo de Filinto Müller, e se veem involuntariamente enredadas nos eventos do fracassado levante comunista no Brasil em 1935. Na ocasião, Roberto falará sobre seu trabalho e as pesquisas que embasaram o desenvolvimento das questões sobre as polacas que vieram ao Brasil depois da Primeira Guerra.

O termo “polacas” tinha um tom depreciativo, tornando-se sinônimo de prostituta judia, ao referir-se a suas origens. Foram estigmatizadas ainda pelas políticas higienistas do então governador Adhemar de Barros, que criou uma zona de meretrício na Rua Itaboca, hoje Rua Césare Lombroso, no Bom Retiro, bairro que, desde aquela época, era habitado predominantemente por imigrantes.

As “polacas”, no entanto, resistiram, conservando sua identidade cultural, religiosa e étnica, suas próprias associações de ajuda mútua: como escolas, sinagogas, associações culturais e, até mesmo, seus próprios cemitérios, como o de Inhaúma, no Rio de Janeiro, Chora Menino, em São Paulo, e o de Cubatão. Fizeram de sua cultura um modo de resistência.