CADAFALSO

Oficina Cultural Oswald de Andrade, equipamento da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, recebe a exposição [IN]VISÍVEIS – Polacas, memória e resistência, das artistas Eva Castiel, Fanny Feigenson e Fulvia Molina e curadoria de Márcio Seligmann-Silva. A realização da instalação inédita, mesa-redonda com especialistas, performances, além de visitas guiadas pelo bairro do Bom Retiro, recupera a história de mulheres judias, trazidas para a América do Sul em um esquema de exploração sexual e tráfico de pessoas. No espaço expositivo da Oficina, elementos físicos remetem às ideias de sepultamento, ausência e esquecimento dessa trajetória. Os visitantes também têm acesso a áudios e textos inéditos que resgatam as memórias dessas mulheres.
Capa - Cadafalso

Na tarde de sábado, dia 23/11, 16h, o espaço da exposição receberá Roberto Elisabetsky, autor do romance Cadafalso, lançado no último dia 24/10 pela Editora Terceiro Nome, que tem entre suas protagonistas duas judias polonesas ortodoxas vítimas dessa rede de tráfico de mulheres na década de 1930. O tempo histórico retratado pelo autor passa por períodos como a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder pelas armas, a Revolução Constitucionalista e a tentativa do levante comunista no Brasil, planejada pela União Soviética. Nesse entremeio, figuras públicas como Olga Benario, Luís Carlos Prestes e até o jazzista Louis Armstrong passam pela obra.

No livro, mulheres trazidas ao Brasil pela organização criminosa Zvi Migdal, sob coação e falsas promessas, têm ainda que lidar com a violenta repressão do governo getulista a cargo de Filinto Müller, e se veem involuntariamente enredadas nos eventos do fracassado levante comunista no Brasil em 1935. Na ocasião, Roberto falará sobre seu trabalho e as pesquisas que embasaram o desenvolvimento das questões sobre as polacas que vieram ao Brasil depois da Primeira Guerra.

O termo “polacas” tinha um tom depreciativo, tornando-se sinônimo de prostituta judia, ao referir-se a suas origens. Foram estigmatizadas ainda pelas políticas higienistas do então governador Adhemar de Barros, que criou uma zona de meretrício na Rua Itaboca, hoje Rua Césare Lombroso, no Bom Retiro, bairro que, desde aquela época, era habitado predominantemente por imigrantes.

As “polacas”, no entanto, resistiram, conservando sua identidade cultural, religiosa e étnica, suas próprias associações de ajuda mútua: como escolas, sinagogas, associações culturais e, até mesmo, seus próprios cemitérios, como o de Inhaúma, no Rio de Janeiro, Chora Menino, em São Paulo, e o de Cubatão. Fizeram de sua cultura um modo de resistência.

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