1975

Estreia no dia 12 de novembro o monologo 1975, da autora uruguaia Sandra Massera no Instituto Cultural Capobianco protagonizado pela atriz Angela Figueiredo. A peça terá uma direção feita a quatro mãos, por Sandra e Angela, entre o eixo São Paulo-Montevidéu.

No espetáculo Angela interpretará Teresa, uma mulher de 60 anos que teve seu irmão desaparecido durante a ditadura militar no Uruguai, quando ela era adolescente. O texto aborda a questão do desaparecimento de pessoas, de perdas de entes queridos e da passagem do tempo que naturalmente a vida nos impõe.

É um monólogo docemente amargo. Ao desocupar a casa de seus pais, Teresa encontra as cartas que escreveu para seu irmão e para sua avó durante muitos anos. Sua avó morava em Buenos Aires e é uma das Abuelas de La Plaza de Mayo. A peça reflete sobre a força feminina e a trajetória de uma pessoa comum. A encenação traz três planos: o caderno, o que a personagem diz e as inúmeras cartas soltas pelo cenário.

Para a atriz Angela Figueiredo, “o tema é abordado no texto de forma universal e não somente dentro da época da ditadura uruguaia, e sim o sentimento e o vazio deixado pela situação de ter uma pessoa querida desaparecida, sem um fim”.

A peça 1975, surgiu a partir o texto Boneco Sem Rosto, escrito por Sandra Massera para a convocatória de 10 anos do TEATRO DE LA IDENTIDAD organizado pelas Abuelas de Plaza de Mayo que aborda o tema dos desaparecidos na ditadura e também pede alusão ao tema “teatro dentro do teatro”.

Resultando numa sequência de provocações dramatúrgicas sobre o tema das ditaduras. Boneco Sem Rosto foi selecionado para ingressar o espetáculo Identico com dramaturgia de Maurício Kartun e direção de Daniel Veronese que aconteceu em 2010, em Buenos Aires, Argentina. O impacto que o texto causou ao público na sua estreia inspirou a autora a desenvolver o tema, misturando a uma história real, resultando na obra ficcional 1975. A peça estreou em 2015, em 2017 fez turnê na França e teve uma montagem realizada em Buenos Aires em 2018.

O texto 1975, recebeu uma Menção da Convocatória Solo III, e da OBRAS para um personagem do Centro Cultural da Espanha (Montevidéu) e ganhou o Prêmio Florêncio ao Melhor texto de autor Nacional em 2015.

A peça conta com direção de vídeos de Nanda Cipola, que ambienta a história em vários ambientes Teresa passa durante esses anos como a casa na época da sua infância e a praia.

O espetáculo terá trilha sonora cantor e músico Branco Mello dos Titãs, reeditando uma parceria de outros trabalhos no Teatro com a atriz Angela Figueiredo.

FACE (4)

1975

Com Angela Figueiredo

Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97 – Centro, São Paulo)

Duração 60 minutos

19/11 até 18/12

Terça e Quarta – 20h

$60

Classificação 12 anos

GRANDES ENCONTROS DA MPB

O show teatralizado traz um repertório da MPB a partir da década de 1960 e fala sobre amizade, contando histórias por meio de depoimentos bem-humorados e descontraídos sobre as principais figuras da música brasileira, como a amizade entre Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Da Jovem Guarda ao samba, o espetáculo conta com canções que vão trazer sensação nostálgica ao público, como “Se todos fossem iguais a você”, de Tom Jobim e Vinícius de Morais, e “É proibido fumar”, de Roberto e Erasmo Carlos.

FACE (3)

Grandes Encontros da MPB

Com Ariane Souza, Bruna Pazinato, Édio Nunes, Franco Kuster, Júlia Gorman e Thiago Machado

Teatro Raul Cortez (R. Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 100 minutos

22/11 até 22/12

Quinta – 21h, Sexta – 21h30, Sábado – 18h e 21h, Domingo – 18h

$25/$45

Classificação Livre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GUERRA

A sede da Próxima Companhia recebe GUERRA, nova peça do grupo e resultado do projeto contemplado pela 32a edição do Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. Partindo da tragédia Os Sete Contra Tebas de Ésquilo, a Próxima foi a campo no entorno da sua sede, em Campos Elíseos, para falar sobre disputa de território, apagamento cultural e outros temas tão presentes na realidade da região central da cidade São Paulo. Edgar Castro dirige GUERRA, que tem no elenco Caio Marinho, Caio Franzolin, Gabriel Küster, Paula Praia, Juliana Oliveira e as atrizes convidadas, Rebeka Teixeira e Lígia Campos.
GUERRA parte de uma dramaturgia coletiva construída pelo grupo nos experimentos cênicos de intervenção urbana realizados nos territórios em disputa durante a pesquisa – Largo do Arouche, Cracolândia, Santa Efigênia, Favela do Moinho, Luz, Higienópolis e Minhocão. Esse trabalho coletivo de levantamento de temas a partir da experiência do grupo nesses territórios ganhou a organização do dramaturgo Victor Nóvoa. A montagem conta com 12 cenas que mostram um pouco do lastro das histórias descobertas nessas regiões. Em cada uma das cenas, os atores buscam construir uma instalação que simboliza as disputas centrais nos portais pesquisados pelos artistas da Próxima na sua pesquisa para o espetáculo além de fazer um paralelo com as disputas e lutas urbanas.
“Em Os Sete Contra Tebas, o que se vê é somente a preparação para as batalhas. Já em GUERRA, é possível ver a luta travada todos os dias em uma das maiores capitais do mundo e também uma das mais injustas. Disputa de território, preconceito, um plano de revitalização que esquece as vidas já existentes em algumas áreas da cidade, apagamento cultural, homofobia, machismo, falta de planejamento urbano e ausência de empatia são algumas das problemáticas levantadas no espetáculo”, conta Gabriel Küster.
De fora para dentro
Edgar Castro participou de uma das intervenções realizadas pelo grupo ao longo de 2019, dirigindo a ação na Cracolândia. Agora, ele dirige o espetáculo e ajudou a organizar toda a experiência dos artistas em cena. “Quando A Próxima me convidou para a direção e chegamos na sala de ensaio, fiz algumas provocações ao grupo para que eles me falassem como foram afetados na travessia pelos sete portais trabalhados nesse processo. O meu papel nesse espetáculo é ajudar a dar uma forma cênica para essa voz coletiva e para esse olhar tão focado na cidade e no coletivo, uma das características mais marcante d’A Próxima Companhia”, conta.
Apesar dos elementos documentais da pesquisa para GUERRA estarem muito presentes na cena, Edgar conta que a montagem não é um relato puro ou teatro documental. “Vejo essa peça como um teatro híbrido. As questões principais e que são motivos de disputa nas regiões da cidade por onde passamos estão presentes e são facilmente identificadas, mesmo quando transfiguradas. Porém, elas se confundem com o subjetivo do relato pessoal dos integrantes”, explica o diretor.
Toda a pesquisa e experimentos cênicos foram feitos com intervenções na rua. Porém, GUERRA se dá em um espaço fechado. Não é um palco italiano e a platéia fica bem próxima dos atores, vendo a cena de perto. Caio Franzolin explica um pouco dessa decisão. “A peça fala de muitos territórios e localizá-la em algum espaço público seria difícil. Porém, mais do que um território, o que dizemos está calcado na questão humana. Sair de uma travessia extensa e voltar para a sede é, de certa maneira, voltar para a nossa cidade interna, a nossa Tebas. Partimos de questões muito particulares de algumas regiões de São Paulo para falar sobre como elas afetam a vida do cidadão. Essas questões que podem ser vistas em muitos outros locais, como o vício em crack, questões de direitos trabalhistas de prostitutas, a busca por um teto digno etc. O que falamos com GUERRA é como um modelo econômico e de sociedade atual afeta vidas humanas”.
FACE (2)
Guerra
Com Caio Marinho, Caio Franzolin, Gabriel Küster, Paula Praia, Juliana Oliveira, Rebeka Teixeira e Lígia Campos
Espaço Cultural A Próxima Companhia (Rua Barão de Campinas, 529, Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
08/11 até 09/12
Sexta a Segunda – 20h
Contribuição voluntária
Classificação 12 anos

OS INQUILINOS

Em diálogo com a luta do Movimento Antimanicomial, o  espetáculo “Os Inquilinos”, de Fábio Takeo com o Estúdio Stanislávski,  conta a história de almas abandonadas e solitárias que travam uma batalha intensa para viver e existir, apesar de sua aparente invisibilidade. Por meio de estudos sobre a literatura de Anton Tchekhov e uma pesquisa a respeito da vida nos manicômios judiciais e hospitais psiquiátricos brasileiros, o grupo criou os personagens encontrados na narrativa. As apresentações acontecem no Ágora Teatro até 15 de dezembro, com sessões aos sábados e domingos, às 17h.

Em um manicômio prestes a ser fechado, um homem luta para manter vivas suas memórias. Ao registrar suas lembranças, ele relembra das pessoas que fizeram parte da sua vida, dos sonhos deixados para trás e das perspectivas em relação ao futuro. Ao longo da peça, o público vê se materializar no palco uma série de pessoas complexas, profundas e contraditórias que lutam para não serem esquecidas.

A principal inspiração para a peça foi o conto ‘Enfermaria N. 6’, de Anton Tchekhov. No entanto, outras histórias do autor auxiliaram na criação da essência dos personagens, como  ‘Sonhos’, ‘Vanka’, ‘Volodia’, ‘Um Homem conhecido’ e a ‘A Dama do Cachorrinho’. Além disso, serviram como material de estudo para o grupo o livro ‘Holocausto Brasileiro’ (Daniela Arbex) e os documentários ‘Juqueri’ (Goulart de Andrade), ‘Stultifera Navis’, ‘Em Nome da Razão’ (ambos de Helvecio Ratton), ‘Imagens do Inconsciente – Nise da Silveira’ (Leon Hirszman) e ‘Estamira’ (Marcos Prado)”, conta Takeo.

Para desenvolver a dramaturgia, Takeo usou como base o material criado pelos atores Bernardes Pavanelli, Carlos Sobrinho, Silvia Sivieri e Tati de Souza a partir dos estudos da companhia. A encenação e o cenário minimalista abrem passagem para que a fusão entre os personagens e a natureza criadora dos artistas aconteça de forma plena e orgânica, funcionando como uma ponte entre a obra e os espectadores. “Fazer essa peça foi a maneira que encontramos de honrarmos as existências de todas essas vidas, que foram marginalizadas por suas condições psíquicas”, afirma o diretor.

FACE (1)

Os Inquilinos

Com Bernardes Pavanelli, Carlos Sobrinho, Silvia Sivieri, Tati de Souza e Fábio Takeo
Figurino e Adereços: Silvia Sivieri, Tati de Souza, Fábio Takeo, Carlos Sobrinho, Bernardes Pavanelli

Ágora Teatro (R. Rui Barbosa, 664 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 120 minutos

Até 15/12

Sábado e Domingo – 17h

$60

Classificação 18 anos

SILÊNCIO

O Caleidos Cia de Dança apresenta, de 21 a 24 de setembro (quinta a domingo), o espetáculo Silêncio onde poesia e dança encenam o fim de um relacionamento num mundo caótico. O espetáculo integra palavra e movimento numa apresentação onde os atores bailarinos revelam a angústia da impossibilidade da comunicação num relacionamento que termina.

Silêncio foi encenado pela primeira vez em 2002, tendo recebido à época o Prêmio para Circulação de Dança contemporânea da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Foi, naquele momento, um marco na Cia de dança por inaugurar em cena a interface poesia e dança explorada posteriormente em diversos trabalhos da Cia.

Trabalhando na interface entre a poesia e a dança, Silêncio expõe as muitas dimensões de um fragmento de tempo: o silêncio de um casal, na cozinha, tomando sua derradeira sopa. A encenação de dança remete-se a essa imagem multiplicando-a ao mesmo tempo que o poema povoa de palavras essa ausência.

O trabalho nasceu de um conjunto de poemas de Fábio Brazil que Isabel Marques – diretora do Caleidos Cia de Dança – se propôs a transformar em dramaturgia para dança contemporânea e referência de composição para a pauta coreográfica, criando um trabalho híbrido de dança e poesia no qual a poesia se apropria do universo das artes de performances e a dança se apropria da palavra poética como geradora de movimento.

Esta montagem de Silêncio faz parte do Projeto Ponto de Partilha que foi contemplado pelo Prêmio ProAc de Poesia 2018 da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo concedido a Fábio Brazil.

Segundo Isabel Marques, que assina a direção com o autor: “não nos interessava apenas remontar o trabalho, por mais interessante que a primeira montagem tenha sido: a criação de 2002 dialogava com um público e um contexto que já não existem mais. Precisamos desentranhar dos poemas e das cenas um diálogo com o contexto atual, no qual os dramas líricos precisam revelar suas relações com as dimensões sociais. É preciso redimensionar o indivíduo no âmbito de seus afetos nesse contexto atual”.

A perspectiva de um drama lírico isolado de tudo que estamos vivendo hoje, nos pareceu ingênua e de certa forma contaminada de um individualismo que afinal é o ponto de inflexão desse ‘tudo que estamos vivendo hoje’. Uma remontagem ingênua, seria acender uma fogueira para iluminar um dia ensolarado. Precisamos romper essas perspectivas líricas que sustentam as ilusões da indústria do entretenimento. Convocar a poesia e a dança para encenarem o fim de um relacionamento precisa também revelar o mundo caótico em que o amor acontece e se desfaz” – explica o poeta Fábio Brazil.

Como em outros espetáculos do Caleidos Cia – Mairto, Lugar Comum, Para o Seu Governo e Ana Bastarda –  Silêncio  se instala na interface entre a poesia e a dança, os poemas entranhados nas cenas são levados ao público pelos intérpretes criadores, dialogando com a música e as cenas de dança. Os poemas emanam dos atores-bailarinos em cena e também quando ocupam um lugar na plateia, de modo a convidar o público a também interferir verbalmente no trabalho, garantindo assim o espaço de participação criativa do público que o Caleidos Cia sempre prezou.

FACESilêncio

Com Bruna Mondeck, Fábio Brazil, Julimari Pamplona, Isabel Marques, Marcelo Pessoa e Ricardo Mesquita

Caleidos (Rua Mota Pais, 213, Lapa – São Paulo)

Duração 40 minutos

21 a 24/11

Quinta a Sábado – 20h30, Domingo – 19h

Contribuição consciente (ingressos devem ser retirados no local com 30 minutos de antecedência)

Classificação 14 anos